UM AMOR BOM

Eu me lembro da primeira vez que me apaixonei. Eu era adolescente, cheia de idéias mirabolantes na cabeça, entre elas, essa coisa do príncipe encantado. Provavelmente influência das novelas mexicanas que eu via e adorava ( e gosto até hoje, falem o que quiser ), e dos milhares dos contos de fada que meu pai contava pra mim. E de repente, ele apareceu ali, na minha frente – O Príncipe. Bonito, engraçadinho, simpático, inteligente, amável… Tudo de bom. Claro, me apaixonei, com todos aqueles sintomas de paixão. E, pra minha felicidade maior… Cheguei a namorá-lo. Fui feliz, feliz, feliz.
Duas, três semanas. Na primeira vez que ele me decepcionou, enjoei dele. E saí procurando outro que se encaixasse no meu sonho.

Seguiram-se a esse outros moços, sempre assim. Pareciam bons demais, mas com pouco tempo de convivência eu via o quanto estavam distantes do que eu achava que era um amor bom. E depois da minha indiferença, ou das grosserias exageradas deles, tudo acabava, sem grandes dores, sem grandes envolvimentos. Um amor bom, pra mim, era… Bem, eu me lembro que fiz uma lista. Uma lista de tudo que um amor bom tinha que ter, tinha que ser. Sei que guardei em algum lugar, mas estou com preguiça de procurar. O fato é que era uma lista grande, cheia de qualidades. Entre os adjetivos, constavam “carinhoso”, “legal”, “estudioso”, “honesto”, “fiel”, “bonito”, e entre as ações, algo como “que concorde sempre comigo”, “que tenha as mesmas idéias que eu”, “que goste de mim acima de tudo” e mais uma lista enorme. Em resumo, todas elas diziam o mesmo: um amor bom, pra mim, tinha que ser perfeito, ou mais, e essa perfeição toda tinha que estar ao meu dispor, 24 horas por dia. Se não fosse assim, eu não queria. É melhor nem fazer a conta de quantos príncipes eu afastei pensando que fossem sapos. E acho que eu só fui perdoada porque realmente não sabia o que estava fazendo… Tsc tsc.

Passou a adolescência, mas as dificuldades com os príncipes/sapos, sapos/príncipes não passaram junto. Quando amadureci um pouco mais, caiu uma ficha: essa história de príncipe encantado, talvez, assim, bem de leve, só funcionasse nas novelas, ou mais de leve ainda, fosse apenas uma metáfora que os contos populares acharam pra falar de amor. Amar de verdade era uma outra coisa, mais difícil que o “e foram felizes para sempre”, mas muito melhor. E embora eu não soubesse bem o que era essa outra coisa, passei a procurá-la.

Já que falei do primeiro, posso falar do último. O último homem que eu amei ( e ainda estou amando, admito ) é daqueles que dão um trabalho imenso. Complicadíssimo, complicadíssimo, complicadíssimo, enrolado, cercado de problemas. Não consigo entendê-lo, mas nem de longe, ele me deixa mais perdida que dondoca na periferia.
Quando pensava que tinha conseguido decifrá-lo, ou que já estava cansada dessa trabalheira toda que ele me dava… Lá estava eu pensando nele novamente, surpreendida por alguma coisa que ele diz ou faz, para o bem ou para o mal. É verdade que ele já queimou 80% dos meus neurônios que estavam reservados pra gastar com os homens. É verdade também que já me magoou, me fez chorar, foi malvado, insensível, egoísta. É verdade também que não tem muitos dos itens daquela listinha original. E em muitos momentos, me disseram, e eu mesma me disse, “Mafalda, Mafalda… Ele não é um amor bom pra você”. Mas acho que isso é um engano. Ele foi um amor bom pra mim porque me fez feliz. E foi meu príncipe durante o tempo que passamos juntos porque me ensinou a amar. E, pensando nele e no amor que eu tive antes dele, pensei na lista que eu faria hoje em dia dizendo o que é um amor bom.

Um amor bom é um amor que dá trabalho mesmo, que te cansa, que consome calorias e coloca sua cabeça, seu corpo e seu coração pra funcionar. Um amor bom te surpreende todos os dias, mesmo quando não faz nada. Um amor bom sabe ficar em silêncio, e te respeitar. Quando você está com um amor bom, tem aquele brilho nos olhos, aquele que você só consegue rindo muito… Ou chorando. Um amor bom não concorda com tudo que você diz, mas te desafia a pensar de outras maneiras, e sabe reconhecer quando você está certa. Um amor bom gosta, sim, de algumas coisas que você gosta, e de outras não, mas você acaba aprendendo a ampliar suas referências porque troca idéias com ele. Um amor bom erra, e muito, afinal, não é perfeito, mas sabe pedir desculpas. Um amor bom te enche de elogios e declarações apaixonadas, mas também te diz verdades duras que só alguém que te ama muito diria. Um amor bom não faz tudo que você quer, mas faz aquilo que você precisa. Um amor bom não desiste na primeira dificuldade, na primeira discussão, e nem na segunda, na terceira, mas passa pelas crises segurando a sua mão. Um amor bom respeita o seu espaço, e o dele próprio, e não te sufoca, porque sabe que, quando faz você sentir saudade, você fica com mais vontade de amar, e pode viver um pouco sua vida e crescer como pessoa pra continuar sendo uma mulher interessante. Um amor bom abala suas estruturas, coloca em xeque suas certezas e faz você ver que a vida não é controlável, e nem precisa ser. Um amor bom te trata como mulher, não como boneca, na cama, e se sente a vontade pra dizer e fazer tudo que o corpo pede. Um amor bom perde a cabeça por você, e quebra as regras sem fazer isso ser ruim. Um amor bom tem milhares de defeitos, muitos mesmo, e ainda assim consegue fazer você se apaixonar e se manter apaixonada por ele. Você faz coisas inimagináveis ao lado de um amor bom, e se comunica com ele por maneiras que vão além das palavras. Um amor bom não aceita que você dependa dele, não faz tudo por você e nem está a sua disposição, mas torce pelo seu sucesso e te apóia quando você precisa. Um amor bom é seu amigo. O mundo pára pra ouvir um amor bom dizer “eu te amo”, porque um amor bom não diz isso sem ter certeza. Um amor bom não tem medo de sofrimento, porque sabe que um alicerce forte suporta as tempestades. Está escrito na sua testa quando você vive um amor bom. Você fica mais bonita, mais viva, mais sorridente, mais compreensiva, faz planos pro futuro e cresce. E se, pelas adversidades da vida, a separação acontece… O amor bom vai embora sem te destruir. E, passado o susto, você se lembra dele com uma saudade tranquila, de quem viveu o que podia viver. Um amor bom é coisa de gente grande, e esse grande é sinônimo de maturidade e nobreza.

Não gosto do príncipe da Cinderela. Ele é um babaca que nem consegue perguntar o nome da mulher da vida dele e a deixa fugir depois de ter se apaixonado, precisando depois recorrer a um sapatinho pra achá-la. Não gosto também do príncipe da Branca de Neve. Ele é um inútil que não a ajuda a enfrentar a madrasta malvada, e só aparece pra beijá-la quando todo o sofrimento já tinha acontecido, no final da história. Também não gosto do príncipe da Bela Adormecida. Ele luta o tempo todo sozinho, enquanto ela dorme, e depois a beija, como se ela fosse um prêmio por todo o esforço que ele fez.
Em todos esses casos, as princesas não conhecem seus príncipes antes de viverem para sempre com eles.

Mas ADORO a história da Bela e a Fera. No início, ele é uma fera horrenda e amaldiçoada, e ela uma menina bobinha que vive na barra da calça do pai. São obrigados a conviver juntos. Apesar das grosserias, egoísmos e vícios dele, ela descobre o homem bom que há por trás da aparência feia e aprende a amá-lo. E apesar de precisar muito dela, ele prefere que ela esteja feliz a fazer o que ele quer, sabe que a felicidade dele não se compra com o sofrimento dela. É uma história linda. O tempo passa, eles convivem juntos e a cada dia, enquanto se conhecem além do que os olhos podem ver, aprendem a amar um ao outro profundamente. E no final, o beijo de amor transforma a fera em príncipe. É isso que é um amor bom. Ele passa pelo labirinto do auto-conhecimento e do conhecimento mútuo com você. E o final só pode ser feliz…
Ficando juntos para sempre… Ou não.

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DROPS DE EUCALIPTO

Uma reflexão que me deram no trabalho… Achei maravilhosa.

Máscaras

Sempre que coloco uma máscara para encobrir minha realidade,
Fingindo ser o que não sou,
Fingindo não ser o que sou,

Faço-o para atrair as pessoas.
Mas logo descubro que somente atraio outros mascarados,
Afastando as pessoas devido a um estorvo: a máscara.

Faço-o para evitar que os outros vejam minhas fraquezas.
Mas logo descubro que por não verem a minha humanidade,
As pessoas não podem me amar pelo que sou, e sim pela máscara.

Faço-o para preservar minhas amizades.
Mas logo descubro que quando perco um amigo, por ter sido autêntico,
Ele realmente não era amigo meu, e sim amigo da máscara.

Faço-o para evitar magoar alguém e por diplomacia,
Mas logo descubro que é a máscara
O que mais magoa as pessoas de quem quero me aproximar.

Faço-o com a certeza de que é o melhor que tenho a fazer para ser amado.
Mas logo descubro o triste paradoxo.
O que mais desejo conseguir com as máscaras
É precisamente o que com elas impeço que aconteça.

Gilbert Brenson

A VIDA SOBRE 4 RODAS – PARTE II – INÍCIO

Em certas idades, algumas coisas são sonhos. Adiante, se transformam em objetivos, e algum tempo e esforço depois… Viram realidade. Depois, viram passado. E assim a vida vai se fazendo. O tipo e a consistência do que você quer vai mudando… Mas a vontade de realizar algo, acredito, é sempre a mesma. É isso que faz a gente querer viver. Essa vontade de mudar, de crescer, de realizar… E a capacidade de arcar com tudo isso, sem se fazer de vítima da vida.

O meu Tomatinho ( créditos desse nome a minha amiga Tati, adorei! ), meu carro vermelho… Um dia foi um sonho, virou objetivo e hoje é uma realidade. Hoje foi a primeira vez que saí totalmente sozinha pra trabalhar com ele, e deu tudo certo, tudo certo mesmo. Não foi perfeito, mas foi muito melhor do que eu esperava. E assim que coloquei ele na garagem, e entrei em casa… Suspirei contente. Nem posso acreditar que realmente aconteceu. Eu estou dirigindo.

Foi um período de estranhamento total receber o Tomatinho aqui em casa. Oito anos depois de tirar carta, sem ter dirigido quase nada… Decidi que era hora de comprar um carro. Além da decisão, as continhas que fiz a partir do meu orçamento me fizeram ver que eu podia, sim, comprar, e sozinha. Juntei dinheiro, que tenho conseguido graças a muito sangue, suor e lágrimas… E um dia fui até uma concessionária. Olhei, olhei, escolhi, assinei papéis e cheques… E pronto. Comprado.

Assim que ele chegou… Foi estranho. O espaço vazio na garagem que foi ocupado tão de repente… Depois, o cheirinho de novo, o medo de estragar… As pessoas se referindo a ele como “o carro da Mafalda”, “seu carro” ( e, por consequência, minha dívida também… Ai que meda. )… O medo de ligar, o medo de bater, o medo de apertar botão errado, o medo de fazer bobagem… A chave, os documentos, o manual do proprietário, as pessoas me tratando como alguém realmente poderosa… Tudo muito estranho, assustador até em alguns momentos. Mas também muito bom. A única coisa que eu tinha certeza sobre o Tomatinho era o adesivo que comprei pra colar atrás, das Superpoderosas. O resto foi todo diferente do que eu achei que seria. Mas depois de todo esse começo meio embaçado, turvo… Ainda tinha pela frente o desafio maior. Tá, o mais difícil estava feito o carro estava aí… Mas era preciso dirigí-lo. Que coisa. E aí eu vi que ir lá e assinar aquela papelada toda, fazer uma dívida tão grande e esperá-lo chegar em casa foi fichinha. O pior era começar a dirigí-lo. Disso eu estava com medo. Justo eu, que não costumo ter medo desse tipo de coisa prática. Que puxa.

Nesse período de experiência ( um mês que parece uma eternidade… ), andei com meus irmãos, meus tios, minha prima, minha mãe, meus amigos. Contei com a ajuda e com o incentivo de um monte de gente, um monte mesmo, todos dispostos a me ajudar e a achar bonitinho as besteiras que eu fazia. Todos me explicando coisas, me dando dicas, me ensinando, me apoiando, xingando quem não tinha paciência comigo na rua, me elogiando. Mas, por mais apoio que tivesse… Eu tinha que aprender a me virar sozinha. E aí senti, sim, como eu previa, muita saudade de andar no banco do carona, saudade dos buzões. Mas superei e segui em frente… E antes do que eu esperava, até… Cá estou eu, andando sozinha.

Pra algumas pessoas um carro é só um carro… Mas pra mim ele tem um significado especial. Explico-me.

Essa coisa de virar gente grande é muito complicada. Eu resisti muito, muito tempo, e alonguei o meu tempo de menininha o quanto deu, o quanto foi conveniente. Fiquei fingindo que não acontecia, mas estava acontecendo. E de repente eu me vi assim: uma mulher. Uma mulher que trabalha, estuda, escolhe, ama, odeia, sofre, decide, tem responsabilidades, administra conta no banco, declara imposto de renda, tem preferências, fala o que pensa, quer ser mãe, tem planos para o futuro… E até dirige. Esse carro é o último passo dessa fase de transição. De agora em diante, não tem mais jeito. Eu sou gente grande… Com todas as delícias e medos. E já posso sair sozinha.

Meu carro não é apenas um veículo de transporte, e muito menos um objeto de ostentação, ou uma diversão cara. São quatro pneus e um motor, um gás a mais pra me levar mais rápido onde eu quero, onde eu preciso ir. Foi uma coisa que eu batalhei e fiz sozinha, o meu primeiro bem, e sem falsa modéstia… Foi merecido. Não foi muito fácil, nem pra mim e nem pra quem convive muito comigo, aceitar essa realidade. Precisei da ajuda e da torcida de muita gente pra chegar até aqui. Mas cheguei. E está sendo muito bom.

O começo é sempre difícil. A gente não sabe bem com que velocidade ir, erra marcha, corta as pessoas, muda de pista sem dar aviso, umas horas anda devagar demais, outras rápido demais, faz muita bobagem. Juro, por alguns momentos achei que não ia conseguir. Mas aos pouquinhos a gente vai se acalmando, aceitando a ajuda de um e outro mais experiente… Sentindo a torcida, o carinho das pessoas que te amam te empurrando pra frente… Ouvindo as críticas, buzinas e xingamentos dos outros por aí, e aproveitando isso pra se emendar, sem precisar ter vergonha de errar… Pensando, testando a potência do motor, acelerando, pisando no freio, reduzindo, aumentando, ultrapassando… E pronto. Não é fácil, não é cômodo… Mas a sensação de andar sozinha é muito boa. É assim que é… Dentro do meu Tomatinho e na vida. E quer saber? Eu sou capaz. Todo mundo é. 🙂

ESPERA

Uma das coisas mais difíceis que há pra aprender nessa vida é esperar. A espera faz parte da vida. O barulhinho mágico do tic-tac do relógio, mostrando que o tempo está passando, não pára. E ainda assim, às vezes parece impossível esperar. Deve ser porque o tic-tac de dentro é muito, mas muito mais intenso e verdadeiro que o tic-tac lógico e exato do relógio.

Para que qualquer coisa fique pronta, seja um bolo de fubá, um filho ou um projeto de vida, é preciso espera. Na espera é preciso paciência. Tudo tem um tempo próprio de acontecer, de nascer e amadurecer, e de morrer também. E uma vez que tudo já foi feito, todas as providências já foram tomadas, todos os esforços foram dados… A nós cabe esperar esse tempo passar. Às vezes, é nesse tempo de espera que está o mais delicioso da vida. Às vezes, esperar é enlouquecedor. Às vezes, é dolorido. Mas não há na vida quem nunca tenha que esperar por nada.

O tempo é uma coisa esquisita. Como é duro esperar por alguma coisa que a gente quer muito… Ou que não quer de jeito nenhum, mas sabe que vai acontecer. Os segundos ficam imensos… Passam devagarinho, debochados, brincando com os sentimentos, rindo da nossa agonia. Ou então rápidos demais, enquanto assistimos, sem poder fazer nada, eles nos dizerem adeus pra nunca mais voltar.

Já experimentou esperar por um ônibus quando está atrasado? Ou já implorou por mais uma hora naquela noite em que estava trabalhando em algo que precisava entregar numa manhã seguinte? Já ficou olhando para a caneca cheia de leite no fogão, esperando ela ferver? Já esperou na fila de um restaurante com o estômago roncando? Já esperou por alguém em algum lugar perigoso? Já teve que aguardar um remédio pra uma dor muito forte fazer efeito? Já esperou pelo resultado de um exame de saúde temeroso, de uma prova de vestibular? Já ficou olhando pra tela de um computador esperando um email importante? Ou sentado ao lado do telefone esperando ele tocar?Já ficou na fila de um banco no horário de almoço? Esteve na porta de um banheiro esperando a sua vez? Que tal os últimos dias antes das férias, ou os últimos minutos antes de transar pela primeira vez? Já sofreu de insônia sabendo que teria que levantar cedo no outro dia? Já esperou o relógio finalmente dar o horário de saída em um dia de trabalho mais que cansativo? Já suspeitou que estava grávida e teve que esperar a menstruação aparecer? Pequenas gotas de espera do dia-a-dia.

Há também as grandes esperas. Esperamos pra nascer. Esperamos pra morrer. Esperamos por algo bom ou ruim… Esperamos por pessoas, por fatos, por soluções, por idéias. Esperamos pelo momento certo de dizer isso ou aquilo. Esperamos pela grande chance profissional, que vai impulsionar nossa carreira. Esperamos para a semente plantada virar flor. Esperamos pela data de aniversário, de casamento, de batismo, pelo dia da formatura. Esperamos pelo amor da nossa vida. Esperamos para o bebê nascer. Esperamos pelo lançamento daquele produto revolucionário, por aquela notícia boa. Esperamos para que o Lula comece enfim a fazer um bom governo. Esperamos pelo fracasso dos odiados, pelo sucesso dos amados. E seguimos esperando…

Tem coisas que são difíceis demais esperar. Me lembro quando o fim de um romance partiu meu coração. Amava demais alguém que se foi, e aí o mundo acabou. Eu sabia que era uma questão de tempo para aquele desespero, de me ver sem aquela pessoa de quem eu dependia, passar. Eu sabia que aos poucos as coisas seriam digeridas. Mas era horrível passar por aquelas noites de espera. Cheguei a olhar pro relógio e ver os minutos passando, sem sentido, jurando que não ia amanhecer. E por alguns momentos, eu tive a impressão de que o tempo parava mesmo, só pra me ver sofrer um pouquinho mais. Me arrepia só de lembrar a densidade daquele sentimento, daquela angústia. Muito difícil. Na época eu achava que era difícil demais pra mim. Mas… passou. O sol nasceu, um dia foi vindo depois do outro… E passou. Lento, mas passou.

Sim, porque, querendo ou não, tudo passa. Uma hora chega a sua vez na fila. Uma hora o ônibus aparece. Uma hora a pessoa que se atrasou chega. Uma hora o leite ferve. Um dia você se dá conta que já esqueceu até o nome daquela pessoa que te fez sofrer tanto. Uma hora o remédio faz efeito. Uma hora a pessoa da sua vida aparece. Uma hora chega a sua vez de realizar o seu sonho. Tem o tal ditado, “não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe”. Tudo passa. Às vezes passa rápido, às vezes passa devagar. Às vezes é como a gente quer, às vezes não é. Mas passa. E toda espera, um dia, uma hora, acaba. E quando acaba, e aquilo que mais queremos acontece, ou aquilo que mais tememos se realiza… Então vemos que a vida tinha razão em nos fazer esperar tanto, e que sempre vale a pena. Mesmo quando parece que não.

Disso tudo, algumas certezas:
– A espera mais difícil é aquela que acontece enquanto temos pressa;
– Só é possível esperar depois de fazer tudo que tem que ser feito;
– A maturidade vai nos fazendo respeitar o tempo das coisas;
– Tudo passa;
E…
– Quando a vida aparece assim, filosófica demais diante dos meus olhos, é hora de esperar algo muito bom acontecer. E de preferência, rápido.

“Longa é a tarde
Longa é a vida
De tristes flores
Longa ferida
Longa é a dor do pecador, querida

Breve é o dia
Breve é a vida
De breves flores
Na despedida
Longa é a dor do pecador, querida”
Tom Jobim

A FILHINHA DO PAPAI

“O melhor o tempo esconde, longe, muito longe…
Mas bem dentro aqui…”
( Caetano Veloso )

Música do Fábio Júnior tocando sem parar na TV e no rádio… Um aumento expressivo na venda de lenços, gravatas, canetas e meias… Churrascarias lotadas… Mensagens comoventes pipocando em todos os lugares… Sim, é dia dos pais.

Não adianta dizer que “dia dos pais é todo dia”, ou que essa é uma “data comercial”. Também não adianta dizer que as mães são mais importantes, e nem que pai só serve pra ocupar espaço no sofá da casa e consertar as coisas com Durepox. Bom ou mau, vivo ou morto, ausente ou presente, carinhoso ou malvado… Pai é pai. E faz falta quando não está por perto.

Eu sinto muita saudade do meu. Sinto muito por não ter pra quem dar um presente hoje. Sinto falta dele e lamento ele ter morrido sem eu ter conseguido dizer pra ele que o amava e que ele foi, sim, o primeiro amor da minha vida. A vida tem uns desacertos que muitas vezes a gente não consegue entender. Mas acertá-los talvez seja o verdadeiro sentido de estarmos vagando nesse mundo. E sempre há tempo pra gente amar quem tem que ser amado, e dizer o que tem que ser dito. Então… Eu digo. Pai, eu te amo muito. Tomara que de alguma forma você saiba disso.

A verdade é que eu tenho boas lembranças do meu pai. Tenho os traços dele no meu rosto. Tenho muitas coisas que ele me ensinou na cabeça e no coração. Cultivo bons hábitos que ele me ensinou. E até todas as dificuldades que enfrentamos no nosso relacionamento conturbado e sofrido me ajudaram a crescer. O pai é isso mesmo, é alguém que está por perto pra fazer a gente crescer. E olha que crescer não é fácil. Mas ele está lá pra ajudar. Até porque ele aceita a gente como a gente é.

E hoje eu sei que tem algumas coisas que só um pai pode fazer por uma filha:

* Colocá-la sentada nos ombros, e sair andando por aí, fazendo com que ela se sinta a garotinha mais alta e mais poderosa do mundo;
* Levá-la no trabalho e apresentar pros amigos, como se ela fosse a coisa mais importante que ele tem pra mostrar;
* Sorrir cheio de contentamento e orgulho quando alguém comenta, “puxa, essa menina é a cara do pai!”;
* Aprender a dar comida na boca, dar banho e trocar fraldas, mesmo que isso parecesse quase impossível pra um homem desajeitado antes de ele se tornar pai;
* Levantar altas horas da madrugada pra medir febre e buscar remédio na farmácia, mesmo que o dia no trabalho tenha sido terrível e o seguinte prometa ser ainda pior, e ainda assim suspirar aliviado quando sente que ela está bem;
* Levar no show do Menudo e aguentar desmaios, gritarias e arrastões, só porque ela disse que ia morrer se não fosse;
* Pagar o mico de jogar futebol no time que montaram na comemoração da escola, só pra não deixar de participar;
* Combinar segredos pra fazer surpresas pra mãe, fazendo-a se sentir uma adulta com tanta responsabilidade nas costas;
* Inventar formas próprias e exclusivas de carinho entre os dois, como dar um cheirinho no cabelo, fazer uma cosquinha no pé, apertar e beijar a bochecha;
* Ensiná-la a se defender daquela garotinha malvada da escola, ensinando pra ela golpes fajutos de karatê;
* Aceitar como uma verdadeira obra de arte aqueles rabiscos que ela faz na escola e chega toda orgulhosa mostrando;
* Se emocionar com a primeira palavra, o primeiro sucesso, o primeiro passo;
* Colocá-la no colo no volante e deixá-la apertar a buzina do carro, fazendo-a pensar que está dirigindo;
* Brincar de cavalinho;
* Tirar milhares de fotografias, desde os momentos mais marcantes até as situações mais banais, e guardá-las como relíquias;
* Implicar com todo e qualquer fulano que chegue perto dela quando ela está prestes a se tornar uma mulher;
* Pegar na mão e caminhar tranquilamente no parque;
* Fazer coisas engraçadas pra fazê-la sorrir, como dançar desengonçado ou contar piadas bobas;
* Dirigir léguas pra ir buscar aquela boneca preferida que ficou na casa da tia, só pra ela não ficar doente de tristeza;
* Servir de motorista e levar pra aula de piano, pra natação, pra escola, pra casa das amigaa… E ainda ir buscar depois;
* Dar aquela boneca no natal, fazendo aquele sacrifício, e ainda atribuir todas as honras ao papai noel;
* Deixá-la fazer algo que a mãe não deixou;
* Dar colo quando ela está cansada, triste ou chorosa;
* Ter a maior paciência com o volume do rádio quando ela resolve que é hora de gostar de rock pauleira;
* Arrumar bicicleta, brinquedos, livros rasgados, cama quebrada;
* Deixar de ver o futebol ou o noticiário pra que ela possa ver seu programa preferido;
* Abraçá-la com força e pedir perdão por tê-la magoado, mostrando que até os super heróis choram de vez em quando;
* Fazer com ela aquele trabalho insuportável da escola, e ainda fazer um esforço pra que ela pense que é muito importante;
* Sorrir orgulhoso quando ela é elogiada ou tem sucesso em algo que fez;
* Dar pra ela milhares de livros, gibis, histórias, discos e outras coisinhas que vão deixá-la inteligente mais tarde;
* Dar todas as broncas e castigos que ela precisa pra crescer uma moça educada e que respeite os outros;
* Ensiná-la a gastar bem a sua mesada;
* Fazê-la sentir-se indignada, mas protegida, quando ele diz que “as outras meninas vão mas você não vai porque você tem pai, oras”;
* Suportar ela dizer que o pai da amiga é muito melhor que ele, e ainda assim continuar achando que ela é a melhor filha do mundo;
* Fazê-la sentir-se a garota mais linda e amada só com um olhar de admiração;
* Ensinar o que ela não sabe, ser forte quando ela é fraca, dar a mão pra atravessar a rua, comprar o doce que ela gosta, e dizer que a ama muito.

Claro, tem muito mais coisas que um pai pode fazer por uma filha. De qualquer forma, o importante é realmente amar e participar. Parabéns pra quem é pai… E parabéns também pra quem é filho ou filha. Amar também se aprende. E os pais estão aí pra ensinar… No dia dos pais e em todos os outros dias.

DROPS DE CAFÉ

Hoje lia para os bebês ( pra quem não sabe, “bebês” são meus 60 aluninhos de 4 anos ) o seguinte poema da Cecília Meireles, que mais tarde viria, sincronicamente, fazer parte da oficina de poesias da qual estava participando:

“OU ISTO OU AQUILO

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.”

Quando acabei de ler, eles ficaram alguns segundos em silêncio, me olhando… Como se tivessem se dado conta do que eu viria a perceber algumas horas mais tarde. A vida é feita de escolhas. Isso é uma grande responsabilidade, um grande medo, uma grande dor, uma grande alegria. Só que às vezes é muito difícil. E é horrível quando a gente não sabe se é isto ou aquilo. E mais horrível ainda perceber que não se pode ter tudo.

E sinceramente, agora estou me sentindo feito uma menininha de 4 anos que acabou de perceber que, às vezes, fazer grandes escolhas é coisa de gente grande por dentro, é difícil demais… E ainda mais difícil é conviver com as escolhas dos outros quando elas não combinam com as nossas. Uma pena eu não poder correr pro meu ursinho de pelúcia e pra minha chupeta agora.

Novamente, pra quem não sabe… Odeio café.

DROPS DE ANIS

Gostaria de dizer o quanto estou contente com as visitas e comentários de todos. Comecei a “blogar” por uma brincadeira e acabei ganhando um presente. Está sendo muito reconfortante saber que o meu coraçãozinho ( que bate meigamente, hehe ) não está só em suas angústias, ilusões e lampejos de felicidade, ainda mais nesta passagem da minha vida, em que tudo parece tão complicado nesse terreno dos sentimentos. Um viva para a beleza da troca de idéias, outro para a capacidade de expressão humana e mais um para a amizade e a solidariedade entre as pessoas. E obrigada de coração a todos. 🙂

Estava xeretando na TV a Cabo alguma coisa pra me acompanhar enquanto termino os relatórios do trabalho ( sinceramente, não aguento mais fazê-los, queria estar dormindo desde as 19h ), e dei de cara com um filme meloso, mas lindo, chamado “Razão e Sensibilidade”. No trecho que estava passando, a moça recita um soneto do Shakespeare que é belíssimo.

Soneto 116

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

Quem sou eu pra discutir com o Shakespeare?
Vou dormir com essa.

DROPS DE HORTELÃ

Duas coisas que achei legal postar pois ficaram aqui, martelando na minha cabeça.

Hoje me disseram que eu era “sentimental demais”. Por coincidência, sincronia ou seja lá o que for, ouvi uma música do MARAVILHOSO Chico ( qualquer dia faço um post só pra ele, ele merece, merece, merece ), cantada pela Zizi Possi, que me lembrou o quanto é bom ser sentimental. Não tenho mais 16 anos… Mas ainda gosto de cantá-la.

“Sentimental, sentimental
Um coração saliente
Bate e bate muito mais que sente
Fica doente
Mas é natural, natural
Que num cochilo de agosto
Surja um outro alguém do sexo oposto
Do sexo oposto, outro alguém

Ontem vi tudo acabado
Meu céu desastrado
Medo, solidão, ciúme

Hoje eu contei as estrelas
E a vida parece um filme

Gemini, gemini, geminiano
Este ano vai ser o seu ano
Ou senão, o destino não quis
Ah, eu hei de ser
Terei de ser
Serei feliz
Serei feliz, feliz

Façam muitas manhãs
Que se o mundo acabar
Eu ainda não fui feliz

Atrapalhem os pés
Dos exércitos, dos pelotões
Eu não fui feliz

Desmantelem no cais
Os navios de guerra
Eu ainda não fui feliz

Paralisem no céu
Todos os aviões
É urgente, eu não fui feliz

Tenho dezesseis anos
Sou morena clara
Atraente
E sentimental
Sentimental, sentimental…”

A outra coisa, uma frase que a coordenadora da escola deu para iniciar a reunião de hoje, e que tocou lá no fundo, no fundinho:

“O melhor ponto de vista para resolver um problema é o ponto de interrogação”.

AMOR E LIBERDADE

Esta semana tive muitos aborrecimentos com os homens. E fiquei me perguntando:
afinal de contas, pra que eu quero um homem por perto?

Os homens roncam. Ficam fedidos com facilidade. Acham que sabem beber e sempre acabam bebendo demais. Choramingam feito nenéns quando ficam doentes. São egoístas em essência. Usam sapatos enormes e esquisitos e vestem sempre o mesmo tipo de roupa. Compram ingressos errados. Arrumam briga com garçons, manobristas, vendedores de loja por bobagens. São analfabetos no que diz respeito aos sentimentos. Sorriem sarcasticamente quando percebem que não estamos fazendo alguma coisa direito. Ficam desesperados quando precisamos que mantenham a calma.
Tiram sarro de quem sofre de TPM. Cumprimentam uns aos outros se batendo e se xingando. Cortam o cabelo sempre do mesmo jeito. Tratam automóveis como crianças.
Arranham a nossa pele delicada com a barba. Gostam de futebol. Nunca admitem que estão perdidos e não pedem informação. Mesmo que disfarçadamente, olham pra bunda da maioria das mulheres que acham na rua. Não gostam de explicar as coisas e nem de falar de sentimentos. Não ligam quando dizem que vão ligar. Ficam lesos depois do sexo. Avisam que vão gozar. Nunca deixam a tampa do vaso sanitário como encontraram. Frequentemente nos fazem passar vergonha na frente dos amigos.
Implicam com as nossas mães. Acham que sabem de tudo. Deixam toalha molhada jogada pelos cantos. São desorganizados, arrogantes, malvados, insensíveis, brutos, objetivos demais. Por que eu ia querer um homem por perto?

Uma vez, uma moça lésbica me cantou. Eu disse que não estava interessada, mas ela insistiu muito. E o principal argumento que ela usava era que os homens são insuportáveis na convivência. Ela me dizia, “no dia em que você souber como é fácil se envolver com outra mulher… Vai descobrir que um homem não serve pra muita coisa além de sexo animal”. Ela não me convenceu. Mas a pergunta que ela me lançou às vezes me vêm a cabeça. Pra que serve um homem, além de dar trabalho e desgaste?

A vida solitária pode ter suas vantagens. Conviver com os momentos, cheiros, gostos, manias, loucuras, irresponsabilidades da solidão pode ser muito interessante. A liberdade da vida solitária permite que você não dê satisfações do que faz ou sente pra ninguém. Permite que você pinte as paredes da cor que achar melhor. Permite que você faça bagunça ou arrume tudo como quiser. Permite que você passe dias sem comer, e depois peça uma pizza e a devore inteira. Permite que você visite quem quiser, se vista como quiser, paquere quem quiser. Evita todo o desgaste emocional que uma relação traz. Não é fácil acertar o passo com um homem, porque homens e mulheres são diferentes em essência. Quem precisa de um homem?

A vida solitária é segura. Nela, a gente controla, faz as regras e as executa como quer.
Abrir mão dessa liberdade por causa de um homem, só por um momento de loucura.

Uma loucura chamada amor…

Sim, o amor faz a gente gostar de depender de alguém. Faz a gente confiar em alguém pra cuidar da gente. Faz a gente gostar de dar satisfações. Faz a gente curtir ficar brava por conta de um compromisso não cumprido, de um atraso, de um telefonema esquecido. O amor faz a gente gostar de ter alguém por perto pra nos podar, e, em troca, nos dar carinho, paixão, cumplicidade. O amor faz a gente mudar hábitos, torcer o nariz mas aceitar, brigar mas abrir mão, discutir mas fazer as pazes, argumentar e concordar. O amor faz a solidão, a liberdade, o egóismo parecerem ridículos. O amor faz a gente precisar de uma pessoa e achar isso muito bom. Mais do que bom… Achar isso necessário.

Pensando nisso, dá pra descobrir pra que eu quero um homem. Um homem sabe segurar a mão de uma mulher quando andam na rua, mostrando pra todo mundo que ela tem alguém que cuide dela. Um homem sabe ficar com cara de perdido quando uma mulher chora. Ele sabe pegá-la com força e beijar até tirar o fôlego. Sabe defendê-la de pessoas malvadas. Ele sabe abraçar e envolver de uma forma que parece que ninguém pode alcançá-la pra machucar. Sabe dizer “eu te amo” e chamar de gostosa, e com essas palavras estremecê-la toda por dentro. Sabe rir de desenhos animados e brincar de bola com irmãos mais novos. Sabe acariciar cabelos, braços, olhar nos olhos e beijar as bochechas da mulher que ele gosta. Sabe falar palavras obcenas ao telefone enquanto ela está trabalhando. Um homem sabe se sentir o Supermam quando abre um vidro de azeitona. Sabe ensinar uma mulher a dirigir com toda paciência, e ficar bravo quando alguém xinga uma barbeiragem que ela faz. Sabe ocupar tardes livres de domingo com programas bobocas, mas adoráveis. Sabe disfarçar o desagrado de um filme chato no cinema ou de uma tarde de compras num shopping cheio. Sabe ficar ao lado dela num momento difícil. Sabe ficar atrapalhado tentando fazer uma surpresa romântica. Sabe fazer um presente horrível parecer uma graça só pelo jeito que ele foi dado. Um homem sabe fazer uma mulher se sentir a mais bela do mundo com apenas um olhar. Sabe acabar uma discussão angustiante com um beijo. Sabe insistir depois de uma negativa. Sabe explicar a tabela do campeonato brasileiro como se fosse um tratado de História Medieval. Sabe ir buscar no trabalho, na faculdade. Sabe comprar remédios quando ela está doente. Sabe amar. Do jeito dele… Mas sabe.

É por isso que, apesar de parecer logicamente uma loucura… Sempre estamos procurando por um homem, falando deles, apaixonadas e bobas por eles. É por isso que gastamos nossos neurônios, paciência e anos de mocidade tentando nos acertar com os homens. Hoje, eu responderia praquela amiga lésbica que, se relacionar-se com outra mulher é fácil, sim… Fácil demais. O desafio de relacionar-se com um homem é infinitamente mais gostoso e estimulante. E quer saber do que mais? Vale o esforço. É por isso que a minha raiva vai passar… E eu vou descobrir o óbvio: um homem serve pra dar um pouco de graça a essa nossa vida louca. E o resto… A gente acaba resolvendo. Por essas e outras a vida vale a pena… E estamos aqui pra isso.

Abaixo, um trechinho do Renato Russo…

“Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança do seu mundo por amor…
Por amor…”