20 MICOS QUE EU JÁ PAGUEI

* Tropeçar e cair no meio da rua, de preferência quando há dezenas de passantes por perto;
* Ao encontrar uma amiga que tinha 2 namorados, chamar um pelo nome do outro;
* Sair com sapato trocado, um de cada cor;
* Subir no ônibus e, na hora de descer, ir passar a catraca e perceber que estava sem dinheiro;
* Dar risada alto no teatro de uma coisa que ninguém achou graça, só eu;
* Dar a maior bronca em alguém que não era culpado;
* Ter inesperadamente que tirar o sapato e perceber que a meia estava MUITO furada;
* Ir a festas de família sem namorado e ter que suportar o olhar de dó das tias, que pensam ( e dizem ): “coitadinha, essa vai morrer encalhada”;
* Beber demais e fazer coisas inimagináveis ( mas divertidas );
* Ouvir um “creck” enquanto estava no maior amasso no carro, e depois perceber que quebrou o vidro da frente do rapaz;
* Sair com a roupa do avesso sem perceber;
* Fazer um corte errado ( e ridículo ) de cabelo e ter que esperar crescer;
* Chamar um rapaz pra consertar o monitor do pc e descobrir que na verdade, ele só estava escuro porque os botões estavam desajustados;
* Tentar manobrar o carro na curva que nem uma desesperada e fazer 3 pessoas baterem o carro ( e ainda sair com o carro ileso );
* Ir à festa de aniversário de uma grande amiga em data errada;
* Contar, toda empolgada, uma piada que ninguém consegue achar graça;
* Deixar o celular cair numa tigela com água gelada na sorveteria e gritar feito uma desesperada;
* Cantar em público gritando no microfone e gaguejando horrores;
* Tropeçar ao tentar fazer dança do ventre;
* Contar no blog alguns micos que já pagou ( mas omitindo os piores, lógico, hehe ).

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MAIS DO MESMO

Fases do fim de relacionamento
Baseado em fatos reais

Terminar um relacionamento é um saco. Vou repetir isso uma porção de vezes até me conformar ou descobrir o motivo pelo qual as pessoas têm que passar por isso ( vide o texto aí debaixo ). Mas, tirando do que já vi e já vivi, dá pra ver que esse final passa por algumas fases. Elas não estão necessariamente nessa ordem, e podem acontecer todas juntas. Às vezes leva-se anos para passar por todas ( ou pelo menos a maioria delas ). Às vezes leva-se alguns poucos dias. Não importa, de todo jeito… Terminar um relacionamento é um saco. Saco.

1 – CHOQUE ( Ou, “Hã?” )
É quando acontece. Ponto final, acabou. Não deu tempo de perceber nem pensar em nada ainda, só se percebe a realidade. Dessa vez, foi. Caiu no chão, quebrou, já era. Não importa quem entrou com o pé e quem entrou com a bunda. Tão pouco importa o motivo ( desamor, traição, tédio, medo, ciúme, atormentações em geral, você descobrir que o cara é um chato, etc, etc, etc ). Você não reage, não respira, não entende, não consegue pensar. É como se a vida se suspendesse por um momento, fazendo você se debater no ar sem conseguir pisar no chão. É um saco. Mas passa logo.

2 – DOR ( Ou, “Vou morrer disso” )
As horas passam um pouquinho. Os dias vão vindo. E você se dá conta que não é mesmo só mais uma briga. Acabou. Sua vida vai seguir e aquela pessoa não vai mais estar por perto. E aí começa a doer. Às vezes, dói no dedinho mindinho do pé; outras, dói o corpo todo. A cabeça, o peito, o coração. Você fica gripada, não quer dormir, não quer comer, só chora e fica ouvindo músicas de fossa. As pessoas se preocupam com você, mas nada te consola e nem te anima. Você tem certeza que nunca vai superar aquilo. Mas, sendo uma pessoa normal, você vai superar. Só que até lá… É um saco.

3 – RAIVA ( Ou, “Que vá queimar no mármore do inferno”)
Aqui, você começa a ter raiva, ódio, nojo do indivíduo. Se pergunta dia e noite como você pode ter se apaixonado por alguém tão chato, tão nojento, tão feio, tão sórdido, tão cafajeste, tão… Tão. É a hora de pegar um saco de lixo e fazer uma limpa, rasgar fotos e cartas, mandar devolver presentes. Você joga pragas, diz pra todo mundo que não quer ver nem pintado de ouro, deseja todo o mal pra ele. E se tiver uma nova moça no meio… Coitada. Ela também será atingida pelos seus poderes destrutivos. Você jura que odeia essa pessoa do fundo do coração. Mas não odeia não. E é um saco perceber isso.

4 – RACIONALIZAÇÃO ( Ou, “Eu nem queria mesmo.” )
É a hora de se acalmar. Você procura mantras, textos de apoio, psicólogos, os amigos. Todos dizem o mesmo, que você é linda, maravilhosa, e logo vai achar um outro fofo… Que nada acontece por acaso, que foi melhor assim, etc. E você vai repetindo todas essas ladainhas e fingindo acreditar. Você racionaliza, explica o seu romance todo e as razões e desrazões de tudo ter começado ou acabado. E, durante um tempo, isso funciona muito bem. Você parece pronta pra seguir sua vida sem pensar no indivíduo, desejando pra ele um caminho de luz. Mas só parece. Saco.

5 – VINGANÇA ( Ou, “Ele me paga.” )
Aqui, é uma recaída da fase da raiva. Só que agora, você acha que só conseguirá purgar seu ódio se fizer ele te pagar com juros os preciosos momentos que você perdeu com ele. Você traça planos mirabolantes. Procura essas mulheres que fazem feitiços na boca do sapo. Dá telefonemas anônimos pra família e pra namorada dele. Faz fofocas. Difama. Arruma um outro só pra passar na frente dele e fazer o maior farol. Dependendo do caso, xinga diretamente, move ações na justiça, tira tudo que puder dele. Mas aos poucos você percebe que isso não adianta nada, que saco.

6 – DESPREZO ( Ou, “Nem ligo”)
É a hora de fazer força para esquecer. Você entende que essa adrenalina toda não faz bem pra alma e nem pra pele, e decide sossegar. Simples. Só não pensar. Ignora totalmente a existência dele. Nem enxerga mais. Esquece do número de telefone. Arquiva tudo que se escreveram e se deram numa caixa, lacra e coloca no fundo do armário. Pronto. Tudo enterrado. Mas o defunto logo começa a arranhar o caixão querendo sair. E sai. Saco.

7 – VAZIO ( Ou, “…” )
Saco.

8 – RECAÍDA ( Ou, “Qualquer uma das anteriores” )
Aqui é uma recaída de qualquer uma das fases anteriores, ou de todas juntas. E o seu saco fica cheio como nunca.

9 – SAUDADE ( Ou, “ai ai ai…” )
É a hora de encarar que saudade dói. E mesmo sendo um saco… É preciso sentí-la, até esgotá-la, se esgotar. É quando você deixa de resistir pra curtir essa dor até o fim. E, geralmente é quando caem todas as fichas.

10 – SUPERAÇÃO ( Ou, “Bola pra frente” )
O tempo passa, passa, passa. As coisas se acomodam. Aos poucos, você vai ficando sem pensar. Começa realmente a ver o lado positivo das coisas. Começa a se desligar. E quando você vê… A pessoa está longe dos olhos e do coração. E vira uma lembrança gostosa de lembrar e reviver. De repente, você pode até virar amiga do fulano. Ou até ficar com ele de vez em quando. A doença já curou. Passou. E o seu saco esvazia, ficando pronto pra começar a encher de novo com o próximo. Afinal, como se diz por aí… A fila tem que andar.

E ainda bem que anda mesmo.

THE END OF THE WORLD AS WE KNOW IT

“Tudo bem quando termina bem
E os meus olhos
E os meus olhos não estão rasos d’água
Mas eu sei que no coração ficaram muitas palavras
Um vocabulário inteiro de ilusão

Tudo que viceja também pode agonizar
E perder seu brilho em poucas semanas
E não podemos evitar que a vida
Trabalhe com seu relógio invisível
Tirando o tempo de tudo que é perecível…”
( Biquini Cavadão)

É uma realidade da vida que o tempo passa e tira a juventude de tudo e de todos. O tempo traz consciência. Traz maturidade. E traz mudanças. E grande parte das coisas, por mais que tenhamos cuidado e tentemos evitar, acaba envelhecendo até morrer, ou é interrompida bruscamente em seu auge. É assim com as flores, com os animais, com os móveis, os eletrodomésticos, o asfalto da rua, e até as rochas. As coisas vão se desgastando, corroendo. E mudam.

“Coitado de quem pôs sua esperança
Nas praias fora do mundo…
Os ares fogem, viram-se as águas,
mesmo as pedras, com o tempo, mudam.”
( Cecília Meireles )

Algumas coisas podem ser facilmente substituídas, e é até gostoso jogar algo fora pra trocar por um novo, quando aquilo realmente não serve mais. Algumas coisas são impessoais, descartáveis. E outras têm seu tempo, e aceitamos isso com alívio, ou resignação. De algumas coisas que acabam sentimos saudades. De outras, não. Algumas, queremos que acabem o quanto antes. Outras, desejamos ardentemente que durem para sempre, e dessas, tentamos cuidar com cuidado e carinho, tentamos segurar com força e dedicação. Só que nem sempre dá certo. Meu tortorugo morreu no sábado. Eu tentei cuidar dele, fiz o melhor que pude, mas não consegui. Ele era frágil, e eu bobeei. Por um descuido… Pum, ele se foi. E eu nada pude fazer para evitar. Eu gostava dele. Queria que tivesse sido diferente. Mas não foi.

É uma dificuldade enorme aceitar o fim de um caso de amor. Quando nos apaixonamos, aquela pessoa parece tão linda, tão desejável, tão amável. Tudo nos encanta, tudo nos chama a atenção, tudo perdoamos, tudo aceitamos. Mas o tempo vai passando, a coisa vai se desgastando. Às vezes, aquela pessoa faz algo surpreendente que recupera o frescor de tudo e faz você se manter apaixonada. Mas, ainda assim, quando o tempo dos dois é diferente… Quando o relógio de cada um caminha em ritmo difuso do outro… Quando um vai, e o outro fica… O tempo, a consciência, a mudança pesam e vem aquela sensação estranha de inadequação, de incômodo, de infelicidade. É hora de terminar.

Quando estamos apaixonados, é impossível pensar nisso. Aquela pessoa e tudo que ela diz ou faz é o seu combustível, a sua comida, o seu motivo, o seu oxigênio. Assim como você, muitas vezes, se sente incapaz de lembrar como era vida antes dela aparecer, também é incapaz de imaginar como é a vida sem ela. Todos os espaços são, mesmo que indiretamente, tomados por ela, por aquela pessoa. Mais do que especial, ela é necessária. E aí você sabe que está vivendo aquela paixão intensa, robusta, gigante, que arrasa suas resistências e destrói os seus medos num raio de um milhão de quilômetros, tudo pra fazer você cair de quatro e viver um grande amor.

Quem sabe do que eu estou falando, sabe qual é a sensação. Poderia enumerar quinhentas frases tentando descrever aquele sentimento de completude que uma grande paixão provoca, mas seria inútil. Quem já sentiu isso sabe, quem não sentiu não pode entender. É uma sensação inesquecível. Todos os seus neurotransmissores passam a mandar mensagens constantes para o seu cérebro, disparados por uma pessoa, uma pessoinha só. As mensagens tem o nome dela, e ficam se repetindo, repetindo, repetindo. E muita gente chama isso de felicidade. Eu não me lembro de ter sido mais feliz na vida, do que nos dias em que me sentia assim, totalmente apaixonada.

Só que a vida nem sempre é fácil. As pessoas nem sempre fazem o que esperamos que elas façam. As oportunidades nem sempre aparecem quando estamos abertos pra aproveitá-las; e as pessoas nem sempre sabem aproveitar as oportunidades que damos a elas. A paixão é imprevisível, o amor é exigente. A mesma força que nos deixa aptos pra vencer o mundo, a mesma fé que move qualquer montanha… Faz você morrer de medo de perder aquilo tudo e trava os seus pés e mãos para os mínimos movimentos. Os caminhos são muitos, mas o fim é o mesmo.

E é tão difícil… Tão complicado. Às vezes parece impossível. Dá raiva, dá medo, dá uma nostalgia, uma vontade que tudo fosse diferente. Dá raiva do tempo que não parou quando tudo estava bem. Dá raiva da gente mesma que não fez assim ou assado aqui ou ali. Raiva da outra pessoa que não correspondeu ao que esperávamos dela. Nunca dá pra saber como é a dor de um amor que acaba. Às vezes ela dura pra sempre, mesmo que pareça ter se aquietado. Às vezes ela passa logo. Às vezes parece nem doer. Às vezes te derruba. Não dá pra saber. Mas que dói, dói.

“Vê se tem no almanaque, essa menina,
Como é que termina um grande amor
Se adianta tomar uma aspirina
Ou se bate na quina aquela dor
Se é chover o ano inteiro chuva fina
Ou se é como cair o elevador
Me diz, me diz,
Me responde por favor:
Pra que tudo começou
Quando tudo acaba.”
( Chico Buarque )

Pode ser que seja o fim de uma fase. Pode ser que seja o fim de tudo. Isso, ninguém nunca pode precisar. Mas não acredito em discursos que dizem que o fim de um relacionamento pode ser simples e amigável. Se há o mínimo de paixão, há o mínimo de dor quando acaba. Se não… Já acabou faz tempo. Ter consciência de que dói é fácil. Duro é parar de doer.

É uma dificuldade ter que acabar, porque ninguém começa um amor pensando no fim. Quando você começa a se apaixonar, faz um investimento. Investe tempo, dinheiro, sentimento, atenção. Algumas pessoas investem anos de suas vidas. Você sonha, faz planos, vence os obstáculos de dentro e de fora, às vezes arruma confusão com os outros. Abre mão de coisas importantes pra você, aprende uma infinidade de outras, vai aprendendo a dosar felicidade e dor. Começa a viver uma história com alguém. Uma história que muda a sua vida, que nunca mais vai te deixar ser a mesma pessoa que você era. Aquela pessoa passa a fazer parte da sua vida, dos seus hábitos. Aventurar-se nesse labirinto do amor é um ato de coragem extrema, pelo qual você é recompensado com mais amor. Só que chega uma hora que você decifra o segredo, aprende o caminho, e se cansa. Quer buscar outros desafios, respirar outros ares, voltar a sentir aquele tremor que sentia no início, no auge. Quando ambos estão dispostos, é possível recuperar esse brilho. Mas quase sempre não dá.

“De todas as maneiras
Que há de amar
Nós já nos amamos
Com todas as palavras feitas pra sangrar
Já nos cortamos
Agora já passa da hora
Tá lindo lá fora
Larga a minha mão
Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão”
( Chico Buarque )

Se é preciso coragem pra começar, é preciso mais coragem ainda pra terminar. Coragem pra ter aquela conversa difícil com a pessoa que você ainda ama, de se expor. Coragem pra dizer adeus e pedir que a pessoa nunca mais volte. Coragem pra ficar sozinho depois. Coragem pra recomeçar. Coragem pra seguir em frente. É preciso coragem pra imaginar sua vida sem os telefonemas, os e-mails, os carinhos, os olhos, os corpo, os beijos, a presença da outra pessoa, e ainda assim, dizer pra ela que acabou, que você não é mais feliz como era e que o mundo, naquelas famosas voltas, te colocou em outro caminho. É preciso coragem pra falar e pra ouvir. Ouvir a pessoa te dizer aquelas verdades que você não quer escutar. Coragem pra sentir que há uma parte do seu coração que te diz que você não pode ficar sem aquela pessoa… E uma outra que te diz que todas as ilusões são boas, até deixarem de ser ilusões e virarem realidade. E que ninguém pode ser feliz de verdade dependendo de ninguém. Coragem pra aceitar que a vida é esse eterno vai e vem, começar e acabar, deixar ir e receber, morrer e renascer.

A morte é o que dá sentido a vida de qualquer ser, de qualquer coisa, qualquer relação. A existência só existe para esperar por seu fim. E quando isso acontece, choramos, sofremos, suspiramos, sonhamos, nos despedimos. Passamos por um período de luto. Vestimos a alma de negro e ficamos na janela, com aquele olhar perdido, com o peito doendo de saudade, esperando a poeira assentar e o tempo colocar as coisas no lugar. E ele coloca. E aí vem aquela vontade de vestir um vestido vermelho, sair pra ver gente nova, e batalhar pra fazer o coração bater forte novamente.

“Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh, não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

(…)

O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.”
( Carlos Drummond de Andrade )

PREPARANDO O BATOM

Uma moça me escreveu pra perguntar o que eu poderia dizer sobre essa coisa de beijar pela primeira vez. Segundo ela, ter 24 anos e ser uma BV ( boca virgem ) é o maior castigo do mundo. Ela disse que agora tem muito medo de beijar alguém, pois, por um lado, se ela disser que nunca beijou, o cara pode se assustar e não querer beijar mais; por outro lado, se ela não disser nada e não souber beijar, o cara pode não gostar do beijo, sumir depois e ela vai se sentir a mulher mais infeliz do mundo. Ela me perguntou como é beijar. Detalhes importantes: ela diz não ter mau hálito e nem ser repulsivamente feia. E disse também que eu podia contar sobre o que ela escreveu aqui, desde que não dissesse o nome dela.

Pois bem… Não sei se tenho a habilidade do aconselhamento, por isso me afastei da profissão de psicóloga, hehe… Mas o seu email me fez lembrar do quanto é difícil começar certas coisas na vida, principalmente quando esperamos que elas sejam especiais. Dependendo dos sonhos e das expectativas que a gente vai construindo… A coisa fica cada vez mais distante, afastamos aquilo que mais queremos sem perceber. E quando essa coisa é um beijo… Ah, menina, a coisa complica.

Beijar é bom. Muito bom. E é uma coisa extremamente íntima. Muitas prostitutas fazem sexo anal com seus clientes, mas não beijam na boca de jeito nenhum. Estar ali, respirando aquele ar misturado, trocando saliva, germes e tesão com uma outra pessoa é uma experiência indescritível, é mais que só desejo… Envolve intimidade. Não dá pra te contar como é beijar. O que eu poderia te contar é o que você vê nas novelas. As pessoas encostam os lábios, enfiam a língua uma na boca da outra, esfregam, chupam, mordiscam… Enfim, tocam-se com todas as células bucais possíveis. Tecnicamente, o beijo não tem nada demais, é um movimento simples, que você pode aprender em segundos, e tem a vida toda pra incrementar com um pouco de criatividade. Tecnicamente, é isso, a mecânica da coisa é simples. Eu me lembro que antes de beijar ( eu também demorei pra beijar, acho que fui a última da turma ), eu ficava lendo sobre o assunto, trocando idéias com as amigas de confiança. E fiz essas coisas que mandaram fazer. Fiquei chupando gomo de laranja, enfiando a língua pra pegar gelo no copo, treinando no braço, imaginando, sonhando como seria. E na hora, nada disso adiantou… Simplesmente aconteceu. Acho que, como todo mundo, eu já nasci sabendo beijar. A natureza é perfeita, as coisas se encaixam, fique tranquila. No corpo a corpo, não há nada o que aprender antecipadamente… Acontece, se você relaxar. E essa é a parte mais difícil.

Sabe, eu me lembro bem do meu primeiro beijo, do que eu senti um pouquinho antes. Foi uma coisa esquisita. Eu sabia que ia acontecer. Tinha certeza. Mas tinha muito medo também. Era como se eu estivesse em um lugar muito alto, e o meu corpo pendendo para frente… Um medo de cair, uma vontade de ficar com os pés no chão, bem segura… Mas a vontade de cair e experimentar a emoção de dar um vôo rasante era mais forte e aí… Pum, eu me joguei. E olha, fui deliciosamente amparada. O beijo ( bom ) é isso mesmo. Um cair eterno, cheio de paixão. Cada vez que vou beijar alguém que nunca beijei antes, sinto quase o mesmo. Ali, no alto, pronta pra cair, mas querendo me segurar, até me entregar e me jogar de vez. Cada boca é diferente, tem um gosto diferente. E a gente nunca sabe o que vai acontecer quando a nossa boca grudar naquela boca. Mas também nunca vai saber se não tentar; por isso, na dúvida… O melhor é beijar mesmo.

Já beijei homens arrebatadores, daqueles que beijam e você nunca mais quer parar de beijar. Esses conseguem dosar certinho o quanto de força e o quanto de delicadeza tem que ter um beijo. Exploram pedacinhos inesperados da sua cavidade bucal, devagar, sem pressa, mas com urgência… Respiram o seu ar e te deixam sem fôlego, te agarrando, e enquanto a boca fica lá, colada na sua, e uma língua fica lá, brigando, atritando com a outra… Tem as carícias, os suspiros, os sons do beijo. O beijo bem trocado, é uma coisa multisensorial, uma loucura. A saliva que fica passando de um lado pro outro é doce…As mordidinhas, sugadas, chupadas que acontecem enquanto você pára pra respirar são muito excitantes… E o seu coração vai batendo cada vez mais forte, pedindo mais, mais, mais. Claro, a boca é só uma possibilidade. Beijo no pescoço, no queixo, nas pálpebras, na orelha, na nuca, no colo… E daí pra baixo… Nossa, perdi o ar só de pensar. Repito, é muito bom.

Claro, nem tudo são flores. Tem pessoas complicadas na hora de beijar. Pessoas que ficam rodando a língua sem parar. Pessoas que babam demais, que ficam o tempo todo de olho aberto ( particularmente, não curto abrir os olhos na hora de beijar ) e, no caso das garotas, que passam batom demais. Pessoas que têm mau hálito, ou um gosto amargo na boca. Pessoas que não incrementam os movimentos, não se declaram, não se entregam, são delicadas ou brutas demais. Retomando a história da queda… São aquelas que, quando caem, ficam tentando voltar pra ficar de pé, que têm medo sabe lá Deus de quê. Tudo isso é muito particular. Tem gosto pra tudo e tudo se pode combinar… Desde que combine mesmo.

O beijo tem um antes, um durante, um depois. E em todas essas etapas é importante estar com alguém bem legal. Alguém que você goste do cheiro. Que façam mil borboletinhas voar dentro da sua barriga sem parar. Que saiba olhar pra você tirando sua roupa com os olhos. Que deseje apertar os seus lábios com os dele. Alguém pra quem você olhe e tenha vontade de cair diretinho nos braços dele… E que saiba te amparar quando você decidir se jogar. Alguém que faça você pedir mais, mais, mais. Não precisa ser o amor da sua vida, não precisa ser qualquer um. Mas tem que ser alguém que você queira apertar muito, alguém que o seu corpo chame pra perto.

Pode ser que você não acerte logo de cara. Que seja ruim, que seja o momento errado. Mas a prática leva à perfeição, já dizia minha avó. Não vou ficar bancando a hipócrita, dizendo que a idade não importa, e bla bla bla. Imagino que você realmente esteja incomodada pela sua idade, então… Se você quer deixar de ser BV… Vai ter que se mexer mesmo. Ter coragem de se jogar do alto. E se se machucar na queda… Saiba que sempre se tem a oportunidade de levantar e começar de novo, até dar certo. Sempre. Se você não se dispor a ter cicatrizes… Não vai se machucar, é certo, mas também vai deixar de viver.

Enfim, colega, é isso… Não sei se ajudei muito você. Mas vai por mim… Depois que você experimentar… Vai ser difícil largar. Até porque beijar móóóóóito é uma das melhores coisas que deixaram pra nós, réles mortais, fazer sem pagar. Vai com fé que vai dar pé. Força. 🙂

25 LIVROS QUE MARCARAM MINHA VIDA

Um livro é uma loteria. A gente precisa de sorte pra escolher o certo no momento certo, senão é tempo perdido.
Um livro é um investimento. Pode ser dinheiro jogado no lixo ou o tostão mais bem gasto da sua vida.
Um livro é uma roupa íntima. Só você sabe se ele te aperta ou te deixa confortável nas suas partes mais pudendas.
Um livro é um professor. Às vezes é chato, mas te ensina coisas importantes.
Um livro é um amante. Você ama, ama, ama, ama… E ama tanto que precisa se afastar pra voltar a amar ainda mais.
Um livro é um camarim de teatro. Todas as fantasias estão lá, pra você experimentar à vontade.
Um livro é um flerte. Você é atraído, olha, olha… Mas nem sempre se atreve a ver o conteúdo.
Um livro é uma ficha de fliperama. Você compra, brinca, se diverte, e depois deixa pra lá.
Um livro é um entorpecente. Pode te tirar da realidade, te fazer viajar e depois te joga no mundo de volta, sem que você se lembre direito como foi.
Um livro é uma turma de amigos. Nele você vê que as pessoas são parecidas e passam pelas mesmas coisas, e se sente confortado só por ser humano.
Um livro é um mago. Transforma rochas brutas em pedras preciosas sem que você se dê conta de como isso é feito.
Um livro é uma máquina do tempo. Pra ele, passado, presente e futuro são relativos e não fazem a menor diferença.
Um livro é uma relação sexual. Você nunca sai do jeito que entrou.
Um livro é um amigo, uma oportunidade, um carinho, um enfado, uma obrigação, um tesão.
Um livro é uma história de amor. Pode até não dar certo… Mas você não tem do que se arrepender por ter tentado.

Aí vão os livros da minha vida ( hoje, amanhã pode mudar tudo… Ou não. Hehe ).

*”Reinações de Narizinho”, Monteiro Lobato, por ser o primeiro livro sem muitas figuras que eu me lembro de ter lido sozinha.

*”O caso dos 10 negrinhos”, Agatha Christie, por ser o primeiro dos livros dela que eu li, e que, no conjunto, me ensinaram a ler rapidamente sem perder o raciocínio;

*”Como água para Chocolate”, Laura Esquivel, por ter me feito chorar do começo ao fim;

*”De Mariazinha a Maria”, Marta Suplicy, por ter me feito abrir os olhos para o que é ser uma mulher de verdade;

*”Vita Brevis”, Jostein Gardner, por ter me ensinado que um amor feliz é aquele que te faz crescer;

*”Frankestein”, Mary Shelley, por ter me feito entender que o ser humano é muito complexo;

*”Dona Benta”, porque é tudo pra quem gosta de cozinhar;

*”Bíblia Sagrada”, por me dar paz em momentos que nada mais me acalmou;

*”Mulheres que correm com os lobos”, Clarissa Pinkola Estés, por ter mudado a minha vida e ter me ensinado muito sobre a mulher que eu sou e posso ser;

*”A comédia da vida privada”, Luis Fernando Veríssimo, por ser divertidíssimo;

*”Conversas com quem gosta de ensinar”, Rubem Alves, por ter me feito apaixonar pela minha profissão;

*”Todas as letras”, do Chico Buarque, por me fazer delirar ao acompanhar por escrito as músicas mais lindas do mundo;

*”Obra Completa”, Fernando Pessoa, por ter as frases mais fortes e intensas que eu já li;

*”Antologia Poética”, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Vinícius de Moraes, Mário Quintana, Cecília Meireles; porque sem poesia a vida não vale a pena ser vivida;

*”Toda a Mafalda”, Quino, porque é engajado;

*”Millôr Definitivo – A Bíblia do Caos”, Millôr Fernandes, porque é inteligente;

*”Contos de Grimm”, porque adoro ler aquelas histórias para crianças;

*”A hora do amor”, Álvaro Cardoso Gomes; porque me sentia menos aborrescente quando lia;

*”Diálogos”, de Platão, porque tem um escrito fantástico sobre o amor;

* “Deus segundo Laerte”, Laerte, porque adoro aquele personagem;

* “Shakespeare em Contos”, Charles e Mary Lamb, porque sim;

* “Mal Secreto”, Zuenir Ventura, porque é envolvente;

*”Para Gostar de Ler”, Vários autores, por ter me feito gostar de ler;

*”Contos de Nélson Rodrigues”,Nélson Rodrigues, por ser excitante;

*”Sagarana”,Guimarães Rosa, por ter frases que são verdadeiras pérolas.

DROPS DE LIMÃO

Não sou amiga de animais domésticos. Os que são legais, eu acho uma dó deixar preso. E os que vivem bem em casa, eu acho que não teria muita paciência de cuidar. Mas faz tempo que quero ter um bichinho em casa. Muito tempo mesmo. Conto com a resistência dos co-moradores desta casa, que não gostam de bichos, de nenhuma espécie. E esperava ansiosamente a minha vez de cuidar de um animalzinho.

Mas como tudo nessa vida é uma questão de combinar oportunidade e desejo… Hoje saí pra ir ao cinema ( assisti ao filme Lisbela e o Prisioneiro, diversão de primeira ), com uma amiga que tem um jabuti e ama de paixão. Vimos, no shopping, uma lojinha de animais, e lá estava ela… Linda. Uma tartaruga de água! Não resisti. Comprei um casal.

E agora, minha casa tem dois novos habitantes. Ainda não batizei, nem registrei, nem me acostumei com a idéia. Mas que elas são uma gracinha… Isso são.

A DOR DA SEPARAÇÃO

Eu bem que tentei.

Pra quem não sabe, dia 11 de setembro último, segundo aniversário do ataque terrorista à cidade de Nova York, foi dia de um movimento literário. Pelo que eu li por alguns e-mails que me mandaram, em alguns países do mundo, as pessoas deixariam em lugares públicos um livro que mudou as suas vidas, para que outras pessoas pudessem se beneficiar dele, e assim, fazer desse dia, que é uma lembrança tão horrorosa ( não só pelo que ele foi mas por tudo que aconteceu a partir dele ), um apelo pela cultura, paz, inteligência e solidariedade no mundo.

Eu saí de casa com o meu exemplar da Laura Esquivel. As páginas amareladas, algumas com pequenas manchas de lágrimas que eu derramei ao ler as aventuras de Tita, a garota que passou a vida lutando pela própria sanidade e para manter o amor que sentia. Algumas outras páginas estavam marcadas por comentários, ou por riscos tortos de lápis, talvez por causa da emoção que senti ao lê-las. A edição, um livro de capa dura, azul, com letras douradas, de uma coleção de bancas de revista, luxuosa, saiu aqui de casa pronta pra ser doada. Na contra-capa, meu nome escrito várias vezes. Cada vez que relia, escrevia de novo. 1994, 1996, 1997, 2000, 2001, 2002. Foi um processo difícil tirá-lo da estante e me dispor a doá-lo. “Como água para chocolate” marcou a minha vida. Talvez, porque me identificasse com a personagem central, sempre tão sofredora e tão romântica, mas o sofrimento dela não era feio, era bonito, sábio. Talvez porque adorei a adaptação que fizeram para o cinema. Talvez simplesmente porque a Laura Esquivel é doce ao escrever, e em muitos momentos, ler aquele livro alentou meu coração. O fato é que era um livro amado. Tenho outros amados na estante, mas aquele era um dos principais.

Deixei no carro, e fui trabalhar, cumprir meu caminho de todos os dias. Pensei nele algumas vezes, puxa, doar assim, um livro… Mesmo que eu compre muitos outros, não serão como esse. Mas prossegui firme.

Na volta pra casa, desci do carro pra comprar um aquário para os bebês. No pet-shop, olhei várias vezes para o carro, e pensei, “é agora”. Guardei os peixinhos lá dentro e peguei o livro. Caminhei até o ponto de ônibus, disposta a deixá-lo lá, no banco, embrulhadinho em um saco plástico. Não tinha ninguém, um frio dos diabos. Sentei no banco e deixei lá o saquinho, com ele dentro. As pessoas passando encolhidas pra lá e pra cá. Hora de ir embora. Olhei uma última vez, me despedindo dele. Tomei coragem, levantei e fui embora.

Uns passos adiante…
– Moça, moça!!
Olhei pra trás. Um menininho, de uns 12 anos, sorrindo, correndo atrás de mim, com o saquinho na mão.
– É seu? Acho que você esqueceu ali no ponto.
– Sim, é meu. Muito obrigada.
Sorri de volta, agradeci e trouxe de volta o livro. Estava muito frio pra ele ficar ali sozinho. E aproveitei para relê-lo, e marcar 2003 na contra-capa.
Seguindo a sugestão da minha cara Bêbada… Vou doar alguns dos livros da minha vida pra uma biblioteca pública ou comunitária. E em qualquer dia que fizer isso, estarei fazendo um bem à humanidade. Volto pra contar quais são os livros da minha vida e pra dar o endereço de algumas bibliotecas comunitárias.

25 COISAS QUE EU DIRIA PRA MINHA CHEFE SE ELA NÃO FOSSE MINHA CHEFE

25 COISAS QUE EU DIRIA PRA MINHA CHEFA SE ELA NÃO FOSSE MINHA CHEFA

Não que eu não goste dela, mas… Estou estressada e preciso destilar o meu veneno.

* “Agora não, volta depois”;
* “Cala a boca, você fala demais”;
* “Não estou interessada”;
* “Essa roupa ficou ridícula em você”;
* “Não vou fazer porque não quero”;
* “Você não entende nada sobre esse assunto”;
* “Ema, ema, ema, cada um com seus problemas”;
* “Foi você que escreveu aquele bilhete? Está cheio de erros de ortografia, péssimo.”;
* “Fale mais baixo, sua voz é irritante”;
* “O seu nome é um dos mais estranhos que eu já vi”;
* “Amanhã não venho trabalhar. (…) Por nada, só quero dormir até mais tarde.”
* “Ninguém te perguntou” ou “Você não tem nada com isso”;
* “Pode enfiar essa apostila no…”;
* “Como você é grossa, mamãe não te deu educação?”
* “Prefiro mil vezes quando você não vem trabalhar”;
* “Você é muito fofoqueira”;
* “Silêncio, você está atrapalhando”;
* “Sua orientação não ajudou em nada, só atrapalhou”;
* “Ah, faz você”;
* “Não. Porque não.”
* “Todo mundo aqui fala mal de você pelas costas, querida”;
* “Estou cansada, vou embora agora, até amanhã”;
* “Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!”
* “Seje e esteje são palavras imaginárias”;
* “Vai explorar outra imbecil, eu cansei”;
* “Dane-se”.

Como ainda não ganhei na loteria… Meu silêncio vale ouro. E dezoito quilates.

AFRODITES INCONFORMADAS

Ok, ok, todos sabemos que a beleza interior é importante. Sabemos também que uma mulher bonita e vazia é uma coisa triste de se ver, uma desgraça. Minha vó diria, “por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento”. Mas nós sabemos também que a beleza de uma pessoa é a responsável pela primeira impressão, aquela que, em alguns casos, dizem que é a que fica. Além disso, poucas coisas são melhores do que se olhar no espelho e dizer: “puxa, como estou bonita hoje”. É uma sensação ótima, de poder e conquista, de sucesso, de que você é um projeto da mamãe e do papai que deu certo. Isso, seja antes de um encontro amoroso ou de uma balada, no trabalho, no ônibus, na praia, ou depois de uma fase baixo astral… É tudo. Quase um orgasmo sem sexo.

Antes de pensar no feedback masculino ( e temos que admitir que muito do que fazemos é por causa deles mesmo ), tem algo que faz parte da personalidade feminina. Quase toda moça tem uma avaliadora interna. Ela se parece com o nosso ideal de beleza, seja o estilo que for. A minha avaliadora é uma mulher elegante, madura, mas não tem frescuras; tem uma pele linda, não envelhece, não tem uma grama de gordura extra no corpo e tem o cabelo maravilhoso; se veste impecavelmente bem e confortavelmente, e é cheirosíssima. Tem os dentes perfeitos e brancos, uma morena de enlouquecer qualquer um. Ela é linda.

Tanto faz como seja a avaliadora, e talvez ela mude de cara e de jeito a cada fase da nossa vida. Mas o fato é que, a cada passo do dia onde você se depara com um espelho, com um comentário sobre a sua adorável pessoa, ou mesmo com uma sombra refletida no chão, ela aparece, e conversa com você. Te critica ( agressivamente, sarcasticamente ou amorosamente; o tom da crítica depende do que você acha que merece e do quanto você gosta de você mesma, mas critica ). A avaliadora interna é capaz de te jogar no chão, te atropelar e dar a ré. Ou é capaz de te fazer sentir tão poderosa que faz você flutuar ao invés de andar. Não, não sou esquizofrênica, nem psicótica. Mas a avaliadora existe. E está sempre a postos.

Ela aparece nas horas mais improváveis. Sabe quando você levanta de manhã, com o rosto marcado dos lençóis e o cabelo absurdamente amalucado, com aquela cara de ontem? Ou quando você passa o dia inteiro trabalhando no calor, e, discretamente, dá uma olhadinha no espelho do carro ou na sombra que aparece no vidro do ônibus? Ou quando você acha aquele cabelo branco? Ou quando você ouve um comentário sobre alguém que é maravilhosamente bonita, e percebe que não se parece com ela? Ou quando você se distraiu e colocou uma roupa rasgada? Ou quando você vai tirar a roupa pro seu amado? Ou quando percebe que aquela roupa não cabe mais em você? Sim, essa é a hora. Lá está a avaliadora pra te dar uns conselhos. E pobre de nós, que temos que ouvi-los pacientemente. Chuif.

Se você souber se entender bem com ela, a avaliadora vai te levar a ser uma mulher mais bonita aos seus próprios olhos, e isso depende do que você acha que é belo, do que você gosta de olhar, do que é ser belo pra você. A decisão é sempre sua, inclusive a de mandar a avaliadora calar a boca e se recolher. Não se trata de padrões de beleza, até porque eles são discutíveis. Infelizmente, lidamos com uma coisa chamada mídia. Alguns dão outros nomes pra ela, mas essa entidade demoníaca é capaz de fazer horrores com a vida das pessoas. A mídia trabalha com ideais que foram feitos para não serem alcançados, assim as pessoas vão gastar sempre mais correndo atrás deles. A mídia conta com psicólogos, marketeiros, sociólogos de massa, estatísticos, historiadores, médicos, e outros profissionais que te conhecem bem e estão dispostos a fazer sua cabeça, e, geralmente, eles não são bonzinhos. Fazem você se sentir mal mostrando o tempo todo mulheres perfeitas, que, mesmo que não sejam tão belas, você passa a achar que são. Elas estão em todos os lugares, te bombardeando. E se a gente não tomar cuidado, acabam caindo em cima das nossas cabeças e esmagando nossa auto-estima. Uma mulher que não se ama não se permite ser amada. E uma mulher duplamente mal amada é um ser difícil de se ver e se conviver. Eca eca eca.

É certo que as pessoas normais, normalmente, não são perfeitamente bonitas. As pessoas normais são gordas ou magras demais, têm espinhas, são desproporcionais em alguns pedaços, sofrem com queda ou excesso de cabelos, ficam doentes, têm defeitinhos congênitos, dentes tortos, miopia, sofrem acidentes, erram a mão na maquiagem e na roupa, não acordam penteadas e maquiadas… Enfim, as pessoas normais são normais. E é difícil ser normal num mundo que cultua a perfeição. E apesar do discurso da relatividade da beleza e da beleza interior, boa parte de nós, moças, gostaríamos de ser diferentes do que somos. Gostaríamos de ter o cabelo mais assim, o rosto mais assado, os olhos daquela outra cor, a pele daquele tom, a barriga daquele outro jeito, o corpo com aquelas outras medidas. Algumas de nós sofrem muito com isso ( não é o meu caso, eu sofro só um pouquinho ). E algumas outras movem céus e terra pra ficarem parecidas com a avaliadora, inclusive mega valores em suas contas bancárias. Sem questionamentos e nem julgamentos, cada uma deve saber o que é melhor pra si, e gasta seu dinheiro e sua energia no que traz felicidade. Se de fato estiver feliz, então, tudo ok.

Mas a idéia aqui não é pra falar do incomum, e sim do itinerário… Daquelas coisinhas que todas nós fazemos. Alguns rituais de beleza fazem parte do cotidiano de qualquer moça. Às vezes eles são chatos, doloridos, cansativos. Às vezes não. Independente disso, quando o resultado é bom, a avaliadora sorri orgulhosa e você respira aliviada e contente: estou bonita. E o mundo cai a seus pés. A poderosa é você.

Eu acredito muito que o conceito de beleza é relativo, sim. E acredito mais ainda que há um brilho natural em algumas pessoas que as fazem bonitas em qualquer situação. Aquele brilho que vem de dentro, que vem de uma mulher segura, amada por si mesma e que se aceita, e que está feliz no momento. Esse brilho não dá pra vender em caixinhas de maquiagem, e nem se consegue nas mesas de cirurgia plástica. E faz toda a diferença… Ah, como faz. Esse brilho vem da certeza de que não precisamos ter medo de não sermos desejadas, por que já somos queridas por sermos boas em muitos aspectos. E quando esse brilho está aceso, a gente dá uma mãozinha pra ele vazar mais fácil tentando ficar mais bonita por fora também. Até aí, como dizia o Veloso, tudo bem, nada mal. Fazemos isso mesmo, e precisamos fazer. Se cuidar pra ficar bonita é uma deliciosa loucura. Deliciosa… Mas é loucura. Não é fácil ser mulher.

Aguardem os próximos capítulos.

Abaixo, um trechinho do Manuel Bandeira, que eu acho lindo. Vale a pena ler o poema todo.

Madrigal Melancólico
Manuel Bandeira

“O que eu adoro em ti
Não é sua beleza
A beleza é em nós que existe
A beleza é um conceito
E a beleza é triste
Não é triste em si
Mas pelo que há nela
De fragilidade e incerteza…”

26 COISAS QUE TODO MUNDO JÁ PENSOU UMA VEZ NA VIDA

Façam as devidas trocas de gênero, número e grau.
Mais uma vez, quero agradecer as visitas e comentários, sempre tão elogiosos e carinhosos… Estou ficando mal acostumada. 🙂

*”E agora?”
*”Ah, se eu ( não ) tivesse…”
*”Quero colo.”
*”Se ele me abandonar, eu morro.”
*”Falei demais.”
*”Estou morrendo de medo.”
*”Gostaria de não ter nascido.”
*”Odeio minha mãe.”
*”Nunca vou conseguir.”
*”Falta muito pra sexta-feira?”
*”Queria tanto ter um igual a esse…”
*”Nunca mais vou me apaixonar novamente.”
*”Eu ( não ) mereço.”
*”Dessa vez não vou perdoar.”
*”Ah, se eu tivesse dinheiro…”
*”Sou muito melhor que ela.”
*”Tomara que ele se dane.”
*”Se eu morresse agora, seria mais fácil.”
*”Quero dar pra ele.”
*”Foda-se.”
*”Essa dor nunca vai passar.”
*”Eu era feliz e não sabia.”
*”Nunca vou me acostumar com isso.”
*”Odeio quem inventou o trabalho.”
*”Quero minha mãe!”
*”Sou completamente (in)feliz.”