DROPS DE ANIS

BOAS ENTRADAS

Ouvi um dia desses que o dia das bruxas tem origem em um antigo costume celta. O dia que para nós é o dia 31 de outubro, na verdade, para eles, era um dia de passagem. Não faz parte nem do “ano” velho, nem do “ano” novo. Uma lacuna no tempo, um dia para se fazer reflexões, limpar a casa, jogar fora as coisas velhas e se preparar pra receber as novas; um dia para se enterrar todos os mortos, chorar por eles e seguir em frente depois ( já ouvi também falar que o dia de finados, feriado essencialmente católico, também tem algo em comum com essa idéia ).

Papagaidas de Halloween a parte, acho esse significado muito bonito. Já pensou, um dia pra se preparar pra um novo período, uma nova fase, um novo tempo, uma nova etapa? Um dia pra se jogar fora o que já passou? Acho que todos deveríamos ter direito a esse dia… Pra mim, às vezes, ele fica faltando.

De qualquer forma… Feliz dia das bruxas pra vocês todos. E que aproveitem a oportunidade pra limpar a área e respirar pra recomeçar, pois isso é bom em qualquer dia do ano. Boas entradas. :-

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20 TRECHOS – FALANDO DE AMOR COM DJAVAN

Falar em Djavan e amor, é redundância. É trilha sonora pra ninguém botar defeito. Delicado, sensual, claro, sensível e apaixonado… Esse homem de voz áspera canta palavras tão lindas e tão docemente que derrete qualquer coração. E via de regra, ele nunca é chato quando fala de amor. ( E se alguém discordar, eu vou alegar que gosto não se discute. Hehe. )

Em especial pro meu namoradinho fofo, que disse gostar dele tanto quanto eu. 🙂

“Sempre
Esperarei por ti
Chegue quando
Sonho
Em teus braços dormir, descansar
Venha
E a vida pra você será boa
Cedo,
Que é pra gente se amar a mais…”

“Você, o sonho
Meus pés, o chão
Mesmo que bravo o mar virá na canção
Mística rosa, ave rubra, meu deus do céu da boca rubi
Beijo esperado me leve a ti
É um sacrifício dizer um não
Em seu ofício de obedecer à paixão
Seja como for, sempre se faz por prazer tudo o que o amor diz
Aliás, quem não quer ser feliz?”

“Eu sei,
Eu não sei viver sem ela
Assim, um simples talvez me desespera
Ninguém pode querer bem sem ralar
Não há nada o que fazer:
Amar é tudo. ”

“Fiquei mudo ao lhe conhecer
O que vi foi demais, vazou
Por toda selva do meu ser
Nada ficou intacto
Na fronteira de um oásis
Meu coração em paz, se abalou
É surpresa demais que trazes
‘Inda bem que eu sou Flamengo
Mesmo quando ele não vai bem
Algo me diz em rubro-negro
Que o sofrimento leva além
Não existe amor sem medo
Boa noite!”
Quem não tem pra quem se dar
O dia é igual à noite…”

“Resistir
Ao que pode o pensamento
Saber chegar no seu melhor
Momento, momento, momento
Pra ficar e ficar
Juntos, dentro, horas
Tudo ali às claras
Deixar crescer
Até romper a manhã…”

“Você nem sabe
O que é uma vida
reduzida a paixão
Daí tudo é ilusão
Tudo é ilusão…”

“É um milagre
Tudo o que Deus criou
Pensando em você
Fez a via-láctea
Fez os dinossauros
Sem pensar em nada
Fez a minha vida
E te deu…”

“O amor é um grande laço
Um passo pr’uma armadilha
Um lobo correndo em círculo
Pra alimentar a matilha
Comparo sua chegada
Com a fuga de uma ilha
Tanto engorda quanto mata
Feito desgosto de filha…”

“Meu bem-querer, meu encanto
Tô sofrendo tanto
Amor
E o que é o sofrer
Para mim que estou
Jurado pra morrer de amor?”

“Longe da felicidade
E todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo,
És manhã na natureza das flores…”

“Você sabe que eu só penso em você
Você diz só que vive pensando em mim
Pode ser
Se é assim
Você tem que largar a mão do não
Soltar essa louca, arder de paixão
Não há como doer pra decidir
Só dizer sim ou não
Mas você adora um se…”

“Quis saber o que é o desejo
De onde ele vem
Fui até o centro da terra
E é mais além… ”

“Sem seu amor a vida passa em vão
Se você for o que é de vidro quebra
No meu coração
Seu olhar é lindo, ver você sorrindo é demais
Por favor não faz.
Me dizer adeus vai me botar a perder… ”

“E a tua estória, eu não sei
Mas me diga só o que for bom
Um amor tão puro que ainda nem sabe a força que tem
É teu e de mais ninguém…”

“Sou teu e te devo por essa riqueza
Uma boca que eu sei não porque me fala lindo, e sim, beija bem
Tudo é viável pra quem faz com prazer…”

“Longe de ti tudo parou…
Ninguém sabe o que eu sofri.
Amar é um deserto e seus temores
Vida que vai na cela dessas dores
Não sabe voltar, me dá teu calor…
Vem me fazer feliz porque eu te amo
Você desagua em mim e eu oceano
E esqueço que amar é quase uma dor…”

“Ai, Rosa, e o meu projeto de vida?
Bandida, cadê minha estrela guia?”

“Lambada de serpente à traição em enfeitiçou
Quem tem amor ausente já viveu a minha dor…”

“A vida ensina que não se aprende a viver
Se não vivendo entre o não e o sim
Agora chora e a quem querias não te ama e foi embora
Seca as tuas lágrimas e olha pra mim…”

“Por ser exato
O amor não cabe em si
Por ser encantado
O amor revela-se
Por ser amor invade e fim.”

E fim. 🙂

Continuem cantando, pessoas… Quem canta seus males espanta. 😉

DROPS DE LARANJA

Meu lado materno babou quando vi essa foto que o meu miguinho Marcelo tirou da minha fofucha.
Esta é a minha tartaruga bebê, Dory Fifonha. Dory porque ela é sem-noção e suicida como aquela peixa do filme “Procurando Nemo”. E Fifonha porque eu chamava ela de Fofinha, e alguém que eu nem lembro mais quem é sugeriu que eu trocasse pra Fifonha, que fica menos comum.
Olha ela aí:

Num é a coisa mais fofa? Somos grandes amigas e companheiras. :-)))))))))))))))

CAMINHOS CRUZADOS

“Quando um coração que está cansado de sofrer
Encontra um coração também cansado de sofrer…”

Você me pergunta o que eu quero de você, me pede pra abrir meu coração. E eu nunca sei o que dizer. Sempre queremos tanta coisa, e quando tem alguém ali, pronto pra oferecer… Parece inacreditável. O que é fácil fica difícil, como escolher os desejos diante do gênio da lâmpada. Queremos tanta coisa que, de repente, não conseguimos querer nada.

Mas tá bem: você me quer, e eu quero ser feliz, como todo mundo que eu conheço. Você, como eu, sabe que, por melhores que sejamos, conseguimos boas doses de felicidade nessa vida quando estamos tentando dividir o melhor de nós com alguém. E deve saber também que poucas coisas na vida podem nos fazer sentir mais seguros do que achar alguém que conheça os nossos defeitos e nos ajude a usá-los a nosso favor; alguém que tenha paciência com os nossos maus dias; alguém que goste de viver e nos dê alegria; alguém que saiba reparar em nós o que ninguém mais vê; e alguém que nos faça morrer de desejo, como quem deseja uma garrafa de água depois de andar quilômetros no mais absoluto deserto.

Não somos tão jovens. Já vivemos muito e temos tentado. Tenho certeza que você, como eu, fez o melhor que pôde. Por alguma razão, não deu certo pra sempre, não foi como nos contos de fada. Sei que você chorou, se sentiu só, desacreditou. E achou que não ia dar certo nunca. Comigo também foi assim. E por alguma razão, nos encontramos agora. Já parou pra pensar como é bela essa coisa do encontro? Geralmente, a gente encontra o que quer achar quando desiste de procurar, naquela hora que não esperava, bem quando não foi planejado. É meio como aquela chave que estava naquela gaveta, aquela mesma, que você olhou mil vezes quando estava procurando desesperado, mas não conseguiu encontrar. E de repente, ela aparece. Na verdade, sempre esteve ali, você só precisava se acalmar e abrir os seus olhos pra ver. E é isso que eu quero de você. Que você me olhe, por todos os ângulos, em todas as curvas, em todas as poses. E em troca, eu posso olhar pra você. E, quem sabe, nos olhando, possamos nos encantar… Até nos apaixonar.

“É tempo de se pensar
Que o amor
Pode de repente chegar…”

O amor é assim. Viu uma porta aberta, ele entra. Você conhece um pouco dele, eu também. Inútil tentar definir, você sabe que não dá. Amamos alguém quando aquela pessoa se faz presente dentro de nós, como se uma simples lembrança atualizasse aquele alguém ao nosso lado, e isso nos desse o alívio de qualquer dor, de qualquer prazer. E o melhor jeito de se fazer presente é pela paixão. Eu vivo de paixão. Sei que isso cansa, e às vezes é difícil. Mas prefiro viver de algo que me arraste do que de algo que me deixe quieta. Gosto do friozinho na barriga, do brilho no olho, da falta de apetite, da desconcentração, do medo de perder, da tremedeira, do coração disparado, da vontade de tocar, beijar, abraçar. Sei que você também gosta. E o que eu quero de você é que você se esforce para ser uma pessoa por quem eu possa me apaixonar e reapaixonar todos os dias; que você faça algo diferente que acenda mil vezes essa faísca; que você mostre pra mim algo que eu possa ver e admirar, mesmo que não seja algo que eu goste. E em troca, eu posso me esforçar também para ser alguém melhor e assim voltar a fazer você se apaixonar por mim. E, quem sabe, apaixonados, possamos seguir em frente.

“Quando tem alguém que tem saudade de alguém
E esse outro alguém não entendeu…
Deixa esse novo amor entrar…
Mesmo que depois
Seja imprescindível chorar…”

Pode ser que não seja fácil seguir. Você diz que quer ser meu companheiro, meu amante, meu amigo. E eu quero tudo isso de você. Já estive apaixonada antes, e sei que a decepção anda no encalço da ilusão, que é inerente ao amor. E eu, que já me desiludi tanto, e estava sofrendo quando você chegou… Sei que o amor não é perfeito, simplesmente porque o amor só existe nas pessoas que amam… E as pessoas não são perfeitas. Talvez eu seja chata e geniosa em alguns momentos. Em outros, posso falar demais. Em outros, posso não corresponder ao que você espera de mim. Em outros, posso parecer apática e triste. Posso precisar demais de você quando você não precisa de mim. Posso não querer fazer coisas que você quer que eu faça, ou querer de você coisas que você não quer fazer. Posso te deixar enciumado, posso te fazer sentir pequeno, posso te magoar. Posso ter sombras no olhar que você não entenda, posso querer voar quando você me quer no chão ao seu lado. Posso ter muito medo de algumas coisas, medos que eu não consiga superar. Posso esperar demais de você, atrasar, xingar, chorar. Posso não conseguir sorrir quando você precisar dessa luz. Tudo isso e muito mais pode acontecer. E nessas horas, o que eu quero é que você lembre que sou humana, e que estou tentando. E em troca, posso tentar te compreender sempre que você precisar, mesmo quando isso signifique eu esquecer de mim um pouquinho ( só um pouquinho ). E quem sabe nos entendendo, cheguemos a nos amar.

“Que tolo fui eu que em vão tentei raciocinar
Nas coisas do amor que ninguém pode explicar…”

Como diz a canção, quero um amor maior que eu. Daqueles grandes amores. Daqueles que marcam a história de uma pessoa, daqueles que não se pode esquecer. Quero um daqueles que seja mais forte que eu, mais forte que as minhas manias, minhas filosofias, minhas cicatrizes e tudo o mais. Um amor assim, pra durar bastante, tem que morrer e renascer várias vezes, porque as pessoas vão mudando, a vida tem movimento e vive rodando e arrastando as nossas certezas pra lá e pra cá. E a maior prova de amor é quando alguém muda pra nos acompanhar, ou quando sentimos vontade de mudar, se ser melhor, só pra seguir alguém, pra fazer essa pessoa mais feliz. Isso significa crescimento. Significa florescer. Significa viver intensamente. O que eu quero de você é que você me ame tanto que possa crescer junto comigo. E em troca, eu cresço com você também, fazendo o meu melhor por mim mesma, por você e por nós dois. E quem sabe crescendo… Sejamos felizes. 🙂

“Vem, nós dois, vamos tentar…
Só um novo amor pode a saudade apagar…”

Créditos das canções para Tom e Vinícius e Jota Quest.

Pessoas, nos desejem sorte… E muito amor pra vocês todos. :-)))))))

POST TELEFÔNICO

Alô?
Oi…
Nossa… Você?
É, bastante tempo… Quer dizer, nem tanto assim, mas, por outro lado é bastante.
Nada, esquece.
Tudo bem, e você?
Ah, as coisas vão indo…
Sim, tenho trabalhado bastante. E você, como vai?
Tem certeza?
É, tomara que dê tudo certo.
O carro vai bem, está lá na garagem…
Estou dirigindo melhor, sim.
(…)
Não, estou desocupada, pode falar.
(…)
Não sei bem o que dizer.
Você ainda está aí?
Ah, você fica quieto, achei que tinha caído a ligação.
Ela está bem…
Ele também. Estão todos bem.
(…)
Também tenho saudades, mas é melhor a gente não falar disso.
Não, ainda não.
Porque não, não aconteceu ainda de aparecer alguém.
É, pode ser que sim.
Não quero falar disso com você.
Porque não.
Pára de insistir.
Porque não, pronto.
Isso não quer dizer nada, quer dizer apenas que nem tudo que a gente precisa fazer é fácil de se fazer, mas tem que ser feito, pronto e acabou.
Não estou brava.
Não estou também, apenas acho que é cedo pra ficarmos falando dessas coisas.
Eu sei, mas…
(…)
(…)
Não sei…
Não sei… Não tenho que saber responder a tudo sempre. Tenho?
Então… Não sei.
(…)
Tá bom…
A gente se fala.
Até…
Outro.
(…)
Tu-tu-tu-tu…….

É… O mundo dá voltas interessantes.
Minha orelha está queimando horrores. Minha vó diria que tem alguém falando de mim. E pelo jeito, é bastante.
E o Elvis sabe cantar muito bem.

Are you lonesome tonight?
Do you miss me tonight?
Are you sorry we drifted apart?
Does your memory stray to a bright sunny day
When I kissed you and called you sweetheart?
Do the chair in your palor seen empty and bare?
Do you gaze at your doorstep and picture me there?
Is your heart filled with pain?
Shall I come back again?
Tell me, dear:
Are you lonesome tonight?

PS:. Por que as letras andam aparecendo misturadas neste blog???? Chuif.

ANIVERSÁRIO

ANIVERSÁRIO

De um tempo pra cá, comecei a prestar mais atenção em datas e a comemorar aniversários. Antes não gostava, mas hoje eu dou mais valor ao tempo e à mágica incrível que ele faz em tudo e em todos enquanto passa. Não é sempre fácil viver. E quem consegue passar mais um mês, um ano, dez, vinte, sem ser esquecido, seja uma pessoa, um acontecimento, um fato… Merece comemoração. Tem quem comemore aniversário até de morte. Eu antes não entendia isso, mas hoje entendo.

Ontem à noite, sentada na varanda de madrugada, sentindo o vento gelado bater no rosto, lembrei-me por acaso de um aniversário, enquanto o locutor da rádio falava no feriado. Hoje faz uns anos que enfrentei um dos dias mais difíceis da minha vida. Claro, não é necessário dizer o motivo, e o sentimento eu mesma não gosto de lembrar. Eu tenho vontade de chorar de pena de mim quando penso no quanto chorei aquele dia, e de lembrar do meu desespero em achar que aquilo não ia passar nunca, aquela dificuldade de respirar, aquele medo, aquela dor de cabeça, aquele formigamento no corpo, aquela vontade de morrer. Normalmente, eu não acharia certo comemorar uma dor tão forte.

Mas os dias passam, o tempo passa, as coisas mudam, crescem, envelhecem, amadurecem, morrem, ressuscitam. Depois do tempo passado, você consegue ver o quanto tinha ilusão e de verdade em tudo que viveu e pensou. Claro, eu parei de chorar, voltei a sorrir, etc e tal. E quando penso nesse caminho todo percorrido, por mais que tivesse ajuda, sozinha, e quando penso em tudo que ele me ensinou, penso também que certas coisas devem sim ser comemoradas.

Parabéns ao tempo que passa arrastando tudo com ele, as coisas boas e ruins – o tempo, a coisa mais maravilhosa que Deus criou ( só pode ser divino ). Parabéns à capacidade de superação inesgotável que a maioria de nós tem. Parabéns à possibilidade de aprender com os erros. Parabéns à coragem de não dar as costas ao passado. Parabéns ao amor de verdade que cria raízes dentro dos coraçãoes humanos, e não nos deixa ficar amargos, mesmo que cause dor. E parabéns a todos que um dia foram ao fundo do fundo e voltaram pra contar a história, provando que a força existe, está em nós e, tal como o Superman, aparece quando precisamos dela. E parabéns a quem se entrega de corpo e alma a todos os sentimentos possíveis e imagináveis, sabendo que, mesmo em perdendo, só se pode ganhar.

Toquemos uma valsa da Cecília Meireles pra comemorar.

E muitas felicidades, muitos anos de vida.

VALSA

Fez tanto luar que eu pensei nos teus olhos antigos
e nas tuas antigas palavras
O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos
que tornei a viver contigo enquanto o vento passava.

Houve uma noite que cintilou sobre o teu rosto
e modelou tua voz entre as algas.
Eu moro, desde então, nas pedras frias que o céu protege.
e estudo apenas o ar e as águas.

Coitado de quem pôs sua esperança
nas praias fora do mundo…
Os ares fogem, viram-se as águas,
mesmo as pedras, com o tempo, mudam.

MOMENTO ESPECIAL

Gostaria de escrever um texto bonito sobre essa profissão mas fica pra outro dia.
Uma frase de uma pessoa abençoada pra falar por mim, e um desejo de felicidades a todos os professores amigos que vierem a passar por este blog. 🙂

“Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naquele cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra.
O professor, assim, não morre jamais.”

Rubem Alves

E parabéns pra nós, merecidos. 🙂

SÃO TANTAS COISINHAS MIÚDAS…

SÃO TANTAS COISINHAS MIÚDAS…

Hoje de manhã, quando acordei, ouvi minha mãe gritar do quintal, “filha, feliz dia das crianças!”. Quando eu desci as escadas de casa, ela estava me esperando pra me dar um abraço com um pacote de presente nas mãos. Era uma caixa de chocolates das meninas superpoderosas. Eu abri o presente, sorri, agradeci, ela me beijou a testa e foi embora. E eu fiquei ali sem entender. No cartão do presente, estava escrito: “pra mim, você sempre vai ser uma menininha, e eu ainda vejo em você o brilho daquela criança que eu colocava pra dormir. Nunca deixe isso morrer em você.”. Adorei o presente, claro, afinal é chocolate, a oitava maravilha do mundo. O cartão é emocionante. O abraço e o beijo, mais ainda. Mas quem a minha mãe pensa que é pra me dizer que eu sou criança? Oras, eu já sou crescida. Tenho minhas infantilidades, mas no geral, já sou adulta, dou conta da minha vida, e hoje entre nós duas a coisa está tão equiparada que nem sei mais quem cuida de quem. Por que aceitar os parabéns dela? Afinal, minha infância já passou, e bem passada.

Deus sabe ( minha mãe e minha vó também ) o quanto eu curti a minha infância. Fui daquelas pequenas que chutaram o balde em todos os sentidos possíveis. Passava minhas manhãs na escola, e as tardes em casa, com minha vó e meu irmão do meio. E nesse período, fazia de tudo um pouco. Brincava de boneca, de carrinho, de bolinha de gude, de queimada, batia bafo. Descia a rua de carrinho de rolemã, via televisão, brigava horrores com meu irmão e com as crianças da rua, e voltava toda roxa pra casa, pro desespero da minha mãe. Desenhava, pintava, lia, ouvia música, tocava piano, fazia roupinhas de boneca, passeava, tinha cachorro, colava papel na parede, destruía coisas, fazia comidinha, jogava vôlei, virei cambalhota, me enfiava na casa dos vizinhos, fugia do castigo, decorava poesia, nadava, subia em árvore, tocava campainha da casa dos outros e saía correndo, quebrava vidraça, colecionava papel de carta, pulava corda, rodava bambolê, comia besteira, empinava pipa com cerol e tudo. Brinquei de gato mia, elefante colorido, stop, fita, passa anel, pega-pega, esconde-esconde, pega-cinta, duro ou mole, vivo ou morto, detetive, bandido e ladrão, escolinha, casinha, pião, ioiô. Apanhei pra dedéu, dos meus pais e dos outros moleques e molecas da rua, dei trabalho até dizer chega. E hoje, quando eu lembro daquele tempo, me dá a sensação de dever cumprido. Aproveitei mesmo, e só me arrependo do que eu deixei de fazer. Uma pena que durou tão pouco, mas foram anos bem vividos. Claro, vi e vivi coisas que me prejudicaram demais. Mas no geral, o saldo foi positivo.

Com certeza, as crianças que crescem num ambiente livre e cheio de amor crescem adultos legais, gente desencanada que gosta de viver e aprende a respeitar os outros. Gente que aprende a cair, se machucar, e em vez de ficar sentado chorando, levanta e sai correndo atrás do que quer, com medo de perder tempo. Gente que faz coisas importantes porque confia em si mesma. E tudo isso a gente só aprende quando é coisinha miúda. Se deixarmos pra depois, fica infinitamente mais difícil, em alguns casos, impossível, até. Eu cresci tão apaixonada pela minha infância que a coisa que eu mais queria ( e quero ) na vida era ser mãe de um bichinho daqueles. Primeiro, pra poder reviver os meus momentos felizes. E depois, pra corrigir os erros que eu achava que tinham cometido comigo. Mas como tudo tem o seu tempo, enquanto o meu trequinho não chega, fui cuidar dos trequinhos dos outros. E depois de 4 anos de estudos sobre a criança e tudo que ela faz, pensa e sente, eu achava que estava expert no assunto. Afinal, o mundo é perfeito e as crianças são lindas e puras, e tudo ia dar certo.

Infelizmente, a vida me preparou uma pancada logo de início pra me ensinar que o mundo não é perfeito. Meu primeiro emprego foi numa creche, que ficava num lugar horrível, e ao mesmo tempo fui babá de um molequinho de uma família riquíssima. Atendi crianças em consultório, em instituições. E trabalhei com muitas delas como professora. Convivendo com as pessoas, os meus sonhos de infância perfeita foram destruídos; a gente sempre acha que a vida dos outros seguiu mais ou menos como a nossa. Mas não. Nem todas as crianças têm a vida que eu tive. Algumas são maltratadas, surradas, queimadas, espancadas, humilhadas, desacreditadas, estupradas. Outras vivem sob tantas regras e disciplinas, que crescem com medo de falar e andar. Algumas pagam pelas inseguranças de seus pais, e ficam inseguras também. Outras, não têm chance de aprender. Algumas, são criadas pelos irmãos, também crianças, e outras não têm quem leia pra elas, quem lhes faça um carinho, quem as abrace dizendo que vai ficar tudo bem. Algumas, tão pequenas, já viram coisas que eu não teria estômago pra ver. Outras, têm pais ocupados que as deixam na mão de pessoas estranhas, sem saber ao menos qual é o tom de voz que elas têm. Algumas têm que trabalhar pra completar o orçamento da família. Outras, vivem doentes, anêmicas, tristes, sem ter quem cuide delas, dependendo da pena de outras pessoas. Algumas parecem adultos pequenos, de tantas responsabilidades que lhes deram. E muitas não são ouvidas, nem percebidas. Muitas presenciam brigas, tapas, discussões, vícios, violência e crescem achando tudo isso normal. Enfim, o mundo é malvado, inclusive para as crianças. Eu vejo isso todos os dias, e até hoje não me acostumei a achar normal. E tomara que eu não me acostume nunca.

Mas se tem algo que me impressiona é a capacidade que os pequenos têm de passar por cima de tudo e continuar lutando, eles não largam o osso, continuam tentando, brigando pelo direito deles de crescer bem e felizes. Continuam sorrindo, conversando, jogando coisas pro alto, deixando a gente doida. É por isso que eu gosto de estar perto deles sempre. Eles me cansam ( afinal, por dia, são 60 molequinhos de 4 anos ), me apurrinham, exigem tudo de mim, me sugam. Mas me recompensam a cada minuto; quando me fazem um carinho, quando me trazem uma florzinha roubada do jardim da vizinha, quando sorriem, quando conversam comigo, quando me rodeiam, quando me olham como se eu fosse a pessoa mais linda e preciosa do mundo, quando dizem que me amam, quando voltam do final de semana querendo me contar tudo que fizeram. Gosto da vozinha fina, dos traços delicados, do cheirinho, da energia, daquela inocência que eles têm. Gosto até dos malcriados e terríveis, esses são inesquecíveis. Gosto da facilidade que eles têm para aprender tudo que se ensina pra eles. Gosto da felicidade que eles mostram quando fazemos algo de bom. E acho que gosto de tudo isso porque não deixei a minha menina, aquela que tem dentro de mim, morrer.

Agora, adulta, e não mais tão ingênua, dá pra entender que é nas coisas de criança que está a felicidade. Eu me sinto bem quando estou no colo de alguém. Quando me lambuzo comendo alguma coisa. Quando tomo chuva e esqueço da vida, me deixando molhar. Quando pulo, quando danço, quando canto. Quando cantam parabéns pra mim diante de um bolo lindo de aniversário. Estou feliz quando estou protegida pelas pessoas que amo. Quando me sujo toda mexendo com tinta. Quando abraço, quando toco, quando beijo, quando fico pele a pele com alguém querido. Quando rolo pelo chão, quando conto piada, quando desenho, quando leio gibi, quando brinco de luta. Estou em felicidade plena quando alguém me elogia, quando fico deitada na laje de casa olhando as nuvens ir e vir, quando brinco, brinco e brinco. A menininha lá dentro de mim é que me deixa feliz. As coisas boas estão com ela, e aí, enquanto estou aqui, escrevendo sem parar sobre isso, sinto uma emoção enorme pelo que a minha mãe quis dizer no cartão. Enquanto eu deixar essa menininha viver… Enquanto eu reservar um tempo do meu dia e um espaço no meu coração pra me rodear dessas coisas boas, e mostrar isso aos outros, eu vou estar bem.

Quando eu era criança, tinha pressa de crescer. Olhava as moças e adultas da rua, dirigindo, indo pra onde queriam, com dinheiro na carteira, sem ninguém pra mandar nelas, namorando, tendo filhos, comprando, saindo, voltando, dizendo o que queria, e achava aquilo o máximo, e vivia dizendo que quando eu crescesse, eu seria feliz de verdade. Hoje eu sei que, na verdade, o tempo passou, eu cresci, e hoje sou dona do meu nariz pra fazer uma porção de coisas, pra tomar uma porção de decisões e assumir uma porção de responsabilidades. Minha vida de adulta tem grandes conquistas, mas é nas coisas de menina que eu ainda sou feliz. Por isso que hoje aceitei os parabéns pelo dia da criança, e vou fazer de tudo pra continuar merecendo uma caixa de chocolates nesse dia. E viva todas as crianças do mundo, as pequenas e as grandes.

Criança Não Trabalha
( Palavra Cantada )

Paulo Tatit & Sandra Pires

Lápis, caderno, chiclete, pião
Sol, bicicleta, skate, calção
Esconderijo, avião, correria, tambor
Gritaria, jardim, confusão

Bola, pelúcia, merenda, crayon
Banho de rio, banho de mar, pula-cela, bombom
Tanque de areia, gnomo, sereia
Pirata, baleia, manteiga no pão

Giz, merthiolate, band-aid, sabão
Tênis, cadarço, almofada, colchão
Quebra-cabeça, boneca, peteca, botão
Pega-pega, papel, papelão

Criança não trabalha, criança dá trabalho!
Criança não trabalha

1, 2, feijão com arroz,
3, 4, feijão no prato,
5, 6, tudo outra vez!!!!!!!

10 DIREITOS NATURAIS DAS CRIANÇAS

1. Direito ao ócio: Toda criança tem o direito de viver momentos de tempo não programado pelos adultos.

2. Direito a sujar-se: Toda criança tem o direito de brincar com a terra, a areia, a água, a lama, as pedras.

3. Direito aos sentidos: Toda criança tem o direito de sentir os gostos e os perfumes oferecidos pela natureza.

4. Direito ao diálogo: Toda criança tem o direito de falar sem ser interrompida, de ser levada a sério nas suas idéias, de ter explicações para suas dúvidas e de escutar uma fala mansa, sem gritos.

5. Direito ao uso das mãos: Toda criança tem o direito de pregar pregos, de cortar e raspar madeira, de lixar, colar, modelar o barro, amarrar barbantes e cordas, de acender o fogo.

6. Direito a um bom início: Toda criança tem o direito de comer alimentos sãos desde o nascimento, de beber água limpa e respirar ar puro.

7. Direito à rua: Toda criança tem o direito de brincar na rua e na praça e de andar livremente pelos caminhos, sem medo de ser atropelada por motoristas que pensam que as vias lhes pertencem.

8. Direito à natureza selvagem: Toda criança tem o direito de construir uma cabana nos bosques, de ter um arbusto onde se esconder e árvores nas quais subir.

9. Direito ao silêncio: Toda criança tem o direito de escutar o rumor do vento, o canto dos pássaros, o murmúrio das águas.

10. Direito à poesia: Toda criança tem o direito de ver o sol nascer e se pôr e de ver as estrelas e a lua.

Todo adulto tem o direito de ser criança!

Feliz dia das crianças, pessoas!

20 TRECHOS – FALANDO DE AMOR COM HERBERT VIANNA

Taí uma pessoa que eu queria conhecer pessoalmente. Ele sempre traduz o que eu sinto.

“À noite eu me deito então me perco com os pés na terra…
Vagando entre os astros, nada me move, nem me faz parar…
A não ser a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei
Nem que seja só para estar ao seu lado
Só pra ler no seu rosto…
Uma mensagem de amor…”

“Às vezes te odeio por quase um segundo,
Depois te amo mais…”

“Você sorriu e me propôs que eu te deixasse em paz
Me disse, ‘vai’, e eu não fui…
Não faça assim
Não faça nada por mim
Não vá pensando que eu sou seu”

“Não pedi que ela ficasse,
Ela sabe que na volta
Ainda vou estar aqui…”

“Você diz não saber o que houve de errado
E o meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria
Ah, meu Deus, era tudo o que eu queria
Eu dizia seu nome,
Não me abandone jamais…”

“E o tempo, senhor dos enganos
Apaga os momentos sofridos
E aqui te traz vez por outra
Pra passar umas horas comigo…”

“Quando tá escuro e ninguém te ouve,
Quando chega a noite e você pode chorar,
Há uma luz no túnel dos desesperados
Há um cais de porto pra quem precisa chegar
Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando, vê se não vai demorar…”

“Não estou bem certo
Se é só ilusão
Se é você já perto
Se é a intuição
Aonde quer que eu vá
Levo você no olhar…”

“Todo receio, todo remédio
Tudo que sempre causava dor e medo se foi
Foi por te ver andando
Reto entre tudo que há de incerto em mim…
E sempre te quis
Sempre te quis assim
Só pra mim…”

“Há quem não veja a onda onde ela está
E nada contra o rio
Todas as formas de se controlar alguém
Só trazem um amor vazio
Saber amar
É saber deixar alguém te amar…”

“Tendo a lua,
Aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu…”

“Gosto de falar das flores, fugir do tempo, de me perder
Posso até perder a hora mas sei que já passou das seis
Sei que não há no mundo quem possa te dizer
Que não é tua a lua que eu te dei
Pra brilhar por onde você for
Me queira bem
Durma bem
Meu amor…”

“Se o seu mundo for o mundo inteiro
Sua vida, seu amor, seu lar,
Cuide tudo que for verdadeiro
Deixe tudo que não for passar…”

“Vem a noite
Cai seu manto escuro devagar
E eu ainda te espero chegar
Não telefone, não mande carta
Não mande alguém me avisar
Não vá pra longe,
Não me desaponte,
O amor não sabe esperar….”

“Levante as mãos para o céu e agradeça se um dia encontrar
Um amor, um lugar, pra sonhar
Pra que a dor possa sempre mostrar
Algo de bom”

“Eu ando tão perdido de desejo
Em cada esquina eu imagino te ver
Hoje é domingo, eu tenho 25
Eu acho que vai chover
Eu sigo chamando, chamando…
Você não me abraça
Mais um pouco eu desisto
Eu quase morro de raiva e disfarço
E me pergunto: será que vai chover?
Eu não sei, não, não…”

“Fico acordado noites inteiras
Os dias passaram a não ter mais fim
E a esfinge da espera, olhos de pedra sem pena de mim
Faz tanto frio , faz tanto tempo que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos em outdoors pela avenida
Você sempre tão distraida
Passa e não vê, não vê… ”

“Desculpas é que eu não vou pedir
Pelo que eu quero e o que não quero fazer
Outro dia eu apareço
Enquanto isso vamos nos entender
Esqueça o que te disseram sobre casa, filhos, televisão
É preciso sangue frio pra ver que o sangue é quente
E vai ser diferente…”

“Lágrimas por ninguém, só porque é triste o fim…
Outro amor se acabou.”

“Cada canção de amor abre a ferida que não vê fim
Cada fração da dor agora é chuva, e cai em mim.
Mas tudo vai passar
Como tudo passará.”
Quem quiser continuar cantando… À vontade. 🙂

EFEITOS FANTASMAGÓRICOS

Eu nunca fui muito chegada em Parapsicologia. Gostava do Arquivo X, via toda semana porque torcia por um romance entre os personagens principais, mas achava aquela conversa toda de ETs, fenômenos e entidades estranhas um papo doido e meio sem sentido. Nunca entendi o fascínio que algumas pessoas têm pelo além, já que a vida por aqui já é tão complicada e cheia de graça. Mas todo mundo tem seu momento de pensar nessas coisas. E olha eu aqui tentando falar de fantasmas.

Um fantasma é uma entidade do além que, a princípio, tenta se comunicar com o mundo dos vivos. A mitologia de várias culturas e civilizações traz histórias desse tipo. Tanto faz se a imagem é daquele fantasma que faz barulhos, arrasta correntes, mexe móveis e mora em casas assombradas, se é um espírito que mora no rio ou atrás da montanha.
Se é aquele que move forças poderosas para o bem ou para o mal, ou se é aquele que precisa conversar com a sua amada que ficou viva. Ou se é alguém que já morreu e tenta fazer contato com quem tem dons e habilidades especiais. Em essência, o fantasma é aquele que um dia viveu entre nós, participou da realidade; e por um motivo brusco, foi arrastado para uma outra dimensão, de onde tenta incessantemente sair, pois não se conforma de estar lá. E às vezes consegue, partindo para assustar quem ainda está por este mundo, vindo resolver suas pendências para poder descansar em paz. É uma existência paralela, mas não menos poderosa que a nossa.

Se fantasmas existem de verdade ou não… Tem gente que prova que sim, gente que prova que não e não faz diferença quem está certo, tanto faz. O fato é que, céticos ou não, todos temos contato com fantasmas internos, aqueles que ficam lá dentro de nós.
São situações mal resolvidas, sentimentos mal digeridos, vontades sufocadas, ansiedades, sonhos impossíveis, idéias maldosas ou tristonhas, sofrimentos intensos, tensões… Enfim, coisas que sufocamos com toda força, mandando pro fundo do fundo. E de vez em quando essas coisas voltam de lá pra nos assustar, nos lembrar da nossa fraqueza e pedir pra serem resolvidas. E é aí que vem aquele medo de fantasma. Medo do que eles significam. Medo do mal que podem nos fazer. Medo de não sermos capazes de enfrentá-los. Medo do que eles expõem. Medo que eles apareçam nas horas mais impróprias, no meio da sala de visitas, quando menos esperamos. E, pensando evitar problemas, gastamos uma energia enorme pra sufocá-los mais ainda.

Todo medo vem de uma necessidade de preservação. Alguns medos são necessários e preservam a nossa vida, a nossa integridade, as nossas relações. É eu ter medo de morrer atropelada que me faz olhar antes de atravessar a rua. Simples, o medo cuida de mim, me conserva inteira e a tudo que eu tenho também. Em contraponto, pra absolutamente tudo que vamos fazer precisamos de uma dose mínima ( ou máxima ) de coragem. Pra levantar da cadeira em que estou sentada, preciso de coragem para arriscar dar alguns passos, correndo o risco de cair, me machucar. Para mudar de emprego, preciso de coragem para ousar outros ares. Para terminar um relacionamento amoroso e começar outro, preciso de uma dose enorme de coragem para arriscar ficar sozinha e não voltar a encontrar alguém que me faça feliz. E assim a vida vai se dosando, entre pequenas e grandes doses de coragem. Uma pena que nem sempre a coragem apareça quando queremos que ela venha. E o medo, que era apenas um companheiro discreto e meio chatinho, vira um senhor poderoso e mandão, um fantasma imenso que te paralisa e não te deixa fazer nada.

Dia desses conversava com um amigo querido que me perguntou: “do que você mais tem medo?”. É uma pergunta difícil de responder, eu não encontrei a resposta. Tenho medo de morrer jovem. Medo de levar bronca. Medo de decepcionar irremediavelmente as pessoas. Medo de parecer ridícula. Medo de errar. E medo de acertar sempre. Tenho medo de perder os amigos, a família, as pessoas que eu amo. Medo de acontecer uma desgraça. Medo de ser escrava dos meus desejos, e das minhas ilusões de realizá-los. Tenho medo de querer tanto uma coisa que acabe esquecendo de viver pra consegui-la. Tenho medo de dar tudo errado de uma hora pra outra, de ser infeliz. Sei lá.
Tenho medo de muita coisa. São meus fantasmas, só meus. O que me mete medo, pra outra pessoa, é fichinha. Tem quem tenha medo de barata, de dirigir, de altura, de perder, de arriscar. Mesmo os corajosos e valentões guardam suas fraquezas. E isso não é vergonhoso, pelo contrário, é isso que nos faz humanos. Não é gostoso de sentir… Mas pode ser bom. E se soubermos levar as coisas… Os fantasmas podem ser grandes companheiros.

E é isso que eu tenho tentado aprender. Chamar os meus fantasmas pra tomar chá e bater um papinho no sofá, por mais assutador que eles pareçam. Naquele filme que tem o fantasma mais charmoso do mundo, “Sexto Sentido”, o psicólogo diz ao menino que sofre ao ver fantasmas por todos os cantos: “fale com eles”. É isso. Fantasmas gostam de atenção. Gostam de ser ouvidos. Quando você finge que não está vendo, eles começam a gritar bem alto e atirar coisas pela sala. Eles precisam da nossa companhia e compreensão. Só que pra falar com eles… É preciso olhar pro aspecto assustador que eles têm. Olhar pro sangue escorrendo, pro machado enterrado na cabeça, pro olhar debochado, pra cara pálida, pros olhos escuros. Olhar bem lá dentro e dizer, “qual é a sua?”. E ouvir o que eles têm pra dizer até que eles não tenham mais o que falar e possam descansar. E isso dá um trabalho absurdo, que às vezes cansa.

Como já contei outro dia, fui ver ao filme “Lisbela e o Prisioneiro”. Entre muitas frases hilárias e outras tantas românticas, algo dentro de mim calou fundo quando ouvi o Leléu dizer a sua amada Lisbela, “Eu também tenho medo. Mas eu não tenho medo de ter medo”.

Aí é que está a grande sacada. Ter medo não é o mal. O mal é não saber encará-lo. A história da Chapeuzinho Amarelo aí embaixo que o diga. Ela, uma menininha amarelada de medo, tinha seus fantasmas e monstros, que não a deixavam em paz. E só aprendeu a rir, conversar e brincar quando aprendeu a olhar o seu medo bem de pertinho até ele ficar pequeno e divertido. Só se faz isso tendo muita, mas muita coragem. E aprender onde essa coragem mora é que são elas… Mas quem procura, acha. E é muito bom saber que aquele fantasma horroroso pode ser camarada. E é por isso que quando eu crescer, o meu chapéu vai ser amarelo. Ah, se vai.