ANO NOVO, NOVINHO!

Meu sentimento em relação ao Natal é inversamente proporcional ao sentimento em relação ao Ano Novo. Se um me causa sensações de tristeza e tensão, o outro me provoca euforia, alívio e uma felicidade quase automática.

Durante esses dias, estive correndo pra arrumar uma porção de coisas que achava importante. Arrumei armários, podei as plantas, joguei muita coisa fora, deletei arquivos antigos do computador, comprei roupa nova, tracei alguns planos. Claro, ficou inevitável fazer aquele balanço do tempo que se foi. Percebi que esse ano, definitivamente, não foi fácil. Coisas ruins aconteceram, muitas, aliás; muitas derrotas, muitos problemas, muitas perdas, muito cansaço. Mas, que interessante, me sinto vitoriosa; e estou aqui de pé e pronta pra outra. E é por isso que eu adoro ano novo. A impressão que tenho é que tudo isso vai ficar enterrado. Existente, sim, afinal o que é enterrado não deixa de existir. Marcado, sim, afinal o que passou deixa marcas. Mas enterrado quando o meu reloginho andar amanhã.

Racionalmente falando, é uma bobagem. Um minuto tem 60 segundos. Das 23h59m do dia 31de dezembro a 0h00m do dia 1 de janeiro, não acontece nada de diferente com o mundo, com os corações das pessoas. É só um dia a mais ( ou a menos, conforme o ponto de vista ). Um dia depois do outro, nada mais do que isso.

Mas há nessa passagem um fenômeno especial que acalanta os corações tristes e cansados de viver. Um jeito de respirar diferente. É como se o tempo fizesse um agrado, uma carícia suave no rosto, dizendo: “não, não paro de passar, nunca pararei. Mas você pode zerar tudo agora pra tentar de novo, mais experiente ainda.”. Mudança. Novos ares, novos rumos, novo ânimo. Ano novo. E bissexto, ainda.

Não se trata daquelas promessas estranhas, “vou fazer isso, aquilo, deixar de fazer aquilo outro”. Normalmente, essas promessas, tão vazias de sentido e mal intencionadas, de novas não tem nada. É aquela sensasação mágica de novidade.

Na verdade, é uma ilusão. De ilusões também se vive, diria alguém que eu não lembro quem é. E, pra mim, essa é uma das ilusões mais deliciosas. É delicioso saber que aquela fatia de tempo que você tinha pra viver, e que viveu, bravamente – apesar do Bush, do Lula, da falta de grana, da violência, da solidão, da angústia, do desânimo, do capitalismo, do cansaço, dos chefes ditadores, das loucuras do dia-a-dia – passou. Foi bom? Passou. Foi ruim? Passou. Passou e você vai REcomeçar.

Eu adoro palavras que começam com esse prefixo, RE. REnascer. REconhecer. REfazer. REorganizar. REformular. REvitalizar. REcomeçar. Acho que gosto porque é inevitável que a vida tenha momentos bons e ruins; mas, independente do que tenha acontecido, quando você RE alguma coisa, está dando uma nova chance, significa que as coisas têm um movimento, que foram e voltaram. Pra mim, o ano novo é isso. Um REcomeço.

Você pode parar por aí. Tomar 5 litros de champgne, rir à beça, fazer simpatias, passar uma noite agradável, usar roupa nova e viver essa ilusão em uma noite. No dia seguinte, acordar de ressaca, e depois, ir trabalhar, estudar, e viver sua vida como vinha vivendo. Aí, o seu ano novo durou apenas algumas horas. É uma escolha. Isso significaria simplesmente viver essa ilusão, sem maiores pretensões. Afinal, quem não espera muito, não se decepciona muito. É uma escolha, sem dúvida.

Mas… Além da ilusão, está a Esperança. A Esperança é uma ilusão que foi à luta e enfrentou as verdades da vida. Uma ilusão que se pôs à prova da realidade, e ficou assim – pós-graduada, estudada, vivida, experiente, sábia. A Esperança não é ingênua, e nem boboca, nem fútil. Embora massacrada todos os dias pelos nãos que recebe, ela se mantém lá, forte, firme, silenciosa, segura, e respira calmamente no fundo das almas que ainda estão dispostas a fazer de sua existência algo mais do que o feijão-com-arroz que todo mundo faz. A Esperança, numa época como esta, é o que fica ali, sussurrando no seu ouvido – você pode, sim, acreditar; vai ser diferente.

Você argumenta, claro. O mundo vai continuar o mesmo, Dna Esperança, nem vem. Pessoas vão morrer. Os EUA continuarão sendo uma potência econômica massacrante. Aqueles velhos políticos nojentos vão se reeleger. A violência vai continuar, talvez piorar. Doenças vão continuar abatendo nossos corpos. Pessoas continuarão tendo acessos de mediocridade, maldade e prepotência. Desastres naturais, guerras insanas, repressões sutis e escancaradas, desemprego, insanidades e genocídios continuarão sendo estampa no jornal diário. Continuaremos sacrificando nosso tempo trabalhando demais e nos divertindo de menos. Talvez, em 2004, eu seja despedida, meu amor me abandone, falte dinheiro, paz, amigos. Talvez eu seja traída, maltratada. Talvez nada de miraculoso aconteça pra fazer do meu ano novo um ano bom. É, Dna. Esperança, não tente me enganar.

Mas Dna. Esperança, sempre pronta a lhe pegar numa curva, responde – e você? Se nada de bom acontecer, o que você vai fazer? Vai continuar sacrificando seus dias nessa rotina miserável? Vai continuar cometendo os mesmos velhos erros? Vai continuar se fechando para os encontros? Vai continuar fugindo das boas pessoas que aparecem pra você? Vai continuar fingindo que não vê as injustiças por aí e vai continuar encostado, sem fazer sua parte? Vai continuar rindo pouco, cantando pouco, tocando pouco, gozando pouco, olhando pouco para as belezas do mundo? Vai continuar amando, sentindo, pensando e agindo superficialmente? Vai continuar não aproveitando nada do que viveu? Vai deixar por menos? E você, o que você vai fazer? O ano novo é seu. Só seu. Ele pode começar à meia-noite do dia 01de janeiro. Ou no dia 15 de abril. No dia 29 de fevereiro, 13 de julho, 4 de outubro, 28 de dezembro, 10 de maio, 22 de setembro. Ele pode começar e acabar muitas vezes. Você decide o que vai fazer de novo quando bem entender.

Pessoas, que vocês possam dar ouvidos à Esperança. Que escutem o que ela tem a dizer e levem isso com vocês. Que possam valorizar cada momento que já passou, aprender com eles, mas sonhar muito e muito mais para os momentos que virão, sem medo. Que seja um ano novo, novinho em folha, sim… Mas mais do que isso… Que vocês estejam novos. REnovados. REfeitos. REanimados. REavivados. E que esse sentimento acorde com vocês REnascido a cada dia.

Feliz 2004! E até o ano que vem.

PS:. Agradeço mais uma vez a todas as visitas e comentários sobre o novo layout…

ROUPA NOVA

Sabe quando você compra uma roupa que cai bem? E você usa ela sempre, se sentindo mais bonita? Só que o tempo vai passando, os lugares que você frequenta vão mudando, você vai engordando… E a roupinha que você achou tão jóia, e que você gostava tanto, fica esquisita. É o sinal: hora de roupa nova.

Já faz um tempo que as pessoas me dizem que o blog fica difícil de abrir, porque o template é pesado, e mais outros pequenos problemas. Tentei mexer como pude, mas não resolveu muito. Além disso, reparei que a maioria dos blogs legais que eu leio têm um template exclusivo, personalizado, que simboliza um pouco do que o blog é. E apesar de saber que eu vou morrer de saudade daquele truque que fazia a página ficar mudando de cor, e que permitia o leitor personalizar a página… Espero que vocês gostem do meu vestidinho novo: mais leve, mais fácil de carregar, mais parecido com o que eu queria pra este espaço.

Aí do lado ficam os links para as outras coisinhas que antes ficavam visíveis; algumas coisas foram acrescentadas, outras retiradas. Por favor, comentem e me digam o que acharam, se gostaram… Sugestões, críticas e elogios são sempre bem vindos. 🙂

Meu amigo Marcelo, que tem a maior paciência comigo e é um excelente profissional de informática, foi o autor da façanha. Quero agradecer publicamente a ele e dizer: cara, eu adoro você. Não porque você é inteligentíssimo e competentíssimo, e nem porque vira e mexe você me ajuda a resolver pepinos. Eu gosto de você porque você é um amigão com quem eu adoro conversar mesmo quando não quero falar com mais ninguém. Um amigo daqueles que a gente quer levar pra vida toda. Obrigada, obrigada, obrigada, ficou lindo.

Este blog nasceu há quase 6 meses, e eu nunca, nunca poderia imaginar o que iria acontecer por causa e a partir dele. Sempre adorei escrever. É uma coisa que me faz um bem enorme. E gosto muito de Internet também. Portanto, o blog, depois de entender melhor o que ele era, pareceu uma saída interessante de unir a fome com a vontade de comer. No começo, os amigos de sempre me lendo, me ensinando, me apoiando, e depois outros tantos companheiros de escritas e leituras surgindo, comentando, trocando idéias. Que delícia!

O contadorzinho aí do lado está marcando quase 5 mil visitas. Todos os dias, pelo menos 30 pessoas diferentes abrem esta página. Pode parecer pouco para mega-sites e mega-blogs, mas… Nossa, isso é muita coisa pra mim. Muuuuuuuuuuuita coisa. Uma honra. Uma honra saber que o que eu escrevo pode ser lido por tanta gente, tantas vezes, tantos dias, de tantas formas. Só posso agradecer, muito, a todos os que têm passado por aqui. E desejar que cada vez mais pessoas possam se aventurar a comunicar o que sentem, pensam, desejam e vivem.

E, só pra constar… Estou me sentindo LINDA de vestido novo. 🙂

BALANCETE

Pronto, passou, passou…

E sabe que nem doeu? 🙂

Vamos à contabilidade:

DÉBITOS

* Minha avó desbocada perguntando pras netas recém-separadas de seus respectivos rapazes ( e doloridas por isso ) se vamos mesmo morrer todas encalhadas e, pior, sem lhe dar um único bisneto sequer;
* Um monte de caras bebendo no bar em frente a minha casa, que resolveram cantar “Eu te Amo” a noite toda, mas deixaram as famílias em casa na noite de natal ( e algumas esposas que vieram buscá-los dando show com o pau-de-macarrão na mão );
* Ter que ir a um shopping ( coisa que, normalmente, é detestável, ainda mais às vésperas de natal ) para procurar o meu único desejo fútil consumista, e ainda assim, não achar em lugar nenhum;
* Um molequinho de 5 anos que perguntou, olhando pro presépio aqui de casa, “quem é esse neném? Cadê o Papai Noel? Aliás, você sabia que não existe Papai Noel? Cadê os presentes?” Tsc.
* As reprises horrendas na TV, hipocrisias e discursos vazios de sempre, e o especial do Rei. Adoro o Rei, mas o desse ano foi de lascar.

CRÉDITOS

* Os queridos que mandaram e-mails e sms, telefonaram, mandaram cartões, apareceram esperada ou inesperadamente pra dar um abraço, visitaram, deixaram comentários aqui e me emocionaram muitíssimo com tantos atos gentis, sinceros e carinhosos;
* O texto do Contardo Calligaris na Folha de São Paulo sobre o Natal ( Esse link é pra assinantes UOL, quem quiser realmente ler e não conseguir por aí… Me peça que eu envio. ).
* Os abraços, sorrisos, beijos e até apertões na minha bochecha;
* Ter ouvido um coral maravilhoso cantando músicas natalinas na igreja e sair com lágrimas nos olhos;
* Ouvir e ver pessoas queridas, com quem não tinha conversado o ano inteiro;
* Ter feito o bolo de nozes com chocolate mais gostoso que eu já comi;
* Passar o dia na cozinha fazendo coisas gostosas, conversando e trocando idéias preciosas com mulheres interessantes da família;
* Ter levado parte do exagero de comida que a minha mãe fez pras pessoas que iam passar o natal com a barriga roncando;
* Os presentes, claro. 🙂

TOTAL:

Bem, de modo geral… Foi muito bom. Muito bom de verdade. Lucro certo.

PS 1 – Queridíssima Cacau me deu de presente um selinho fofo que ela fez pro blog:

Muito obrigada, menina, taí uma coisa que eu sempre quis ter e não ia conseguir fazer mesmo. Lindo.

PS 2 – Por falar em meu semi-analfabetismo informático, meu amigo querido e fera em html está fazendo um template lindo e exclusivo pra mim. Blog da Mafalda vai entrar o ano novo de roupinha nova… Aguardem.

O MELHOR DO NATAL

Meu mau humor com o natal passa no dia 25 à tarde. Anyway, não tem como fingir que não ouvi todos esses sininhos e memórias eletrônicas tocando melodias de natal desafinadas dentro do meu ouvido; e nem que não vi tanto pisca-pisca e dourado, prateado e vermelho queimando as minhas pobres retinas cansadas. O Natal é uma realidade… E não sou eu que vou ignorá-lo. Já pensei muito na hipocrisia, na miséria, na papagaiada comercial, na falta de grana e de boas perspectivas, nessa depressão que a obrigação de ficar feliz por esses dias acaba causando. Dor chama mais dor. Então… Fiquei pensando. O que é o melhor do natal?

…Não que eu despreze o sentido original da data. Muito pelo contrário. Mesmo sabendo que Jesus não nasceu dia 25 de dezembro, acho lindo o simbolismo e a comoção que essa história me causa. No mínimo, foi um nascimento que mudou os rumos da humanidade. E para as pessoas cristãs, é uma data importante pra lembrar de certos sentimentos que ficam ofuscados no restante do ano, mesmo que seja só uma lembrança. Mas é um pouco mais do que isso.

…Não que eu não goste das reuniões familiares, brincadeiras e festas de bota-fora. Sobrevivi a todos os amigos secretos do ano bravamente, sem fugir de quase nenhum, e até que não vi muita mesquinharia este ano. Gosto de preparar a ceia, enfeitar a árvore e a mesa, receber as pessoas aqui em casa, mesmo que a certa altura acabe o papo e só sobre um ou outro alterado pra dizer coisas interessantes. E nessas festinhas, apesar de muita gente respirar e transpirar hipocrisia e maldade, sempre dá pra achar alguém legal pra conversar, ou mesmo pra rir à toa um pouco. Mas é muito mais que isso.

…Não que eu não curta presentes. Adoro comprar coisinhas, fazer pacotes, fazer cartões, ficar satisfeita quando as pessoas sorriem com a minha lembrança. E adoro receber presentes também, é lógico. Mas é infinitamente mais que isso.

Pra mim, o melhor do natal são os “votos”. É a energia boa que circula quando você abraça um amigo, olha pra ele e deseja tudo de bom, do fundo do coração. É a oportunidade que você tem de agradecer, agradar, dizer coisas bonitas e tocar nas pessoas que convivem com você todos os dias do ano, dizendo pra elas o quanto as estima e o quanto elas são importantes pra você. Enfim, é a troca de carinho. Sendo assim, aproveito este espaço pra mandar meus votos de natal.

Minhas amigas que trabalham comigo todos os dias, nas duas escolas. As companheiras que dividem a paixão de ensinar, o saco cheio das chefas, as dificuldades do dia-a-dia, as boas e más idéias, as coisinhas fofas que as crianças fazem, as besteiras, dicas eróticas e papos divertidos. As colegas que olham todos os dias pra minha cara, esteja ela triste ou feliz, cansada ou disposta, dispersa ou ligadona… E sorriem dizendo “bom dia” ou “boa tarde”, com todo carinho e atenção. Vocês, que conversam comigo e aguentam minhas histórias, me ajudam, enxergam o que eu não consigo ver e me dão inúmeros toques, profissionais e pessoais. Aquelas que estarão comigo no ano que vem, ou as que vão embora… Não importa. Trabalhar com vocês é um prazer, e fico contente de, além de estar entre colegas de trabalho competentes, estar entre amigas carinhosas. Isso torna tudo mais fácil. Feliz Natal, queridas, eu amo vocês.

Essa família divertida e linda que eu tenho. Vocês, que cuidaram de mim sempre, me ensinaram, me acompanharam, brigaram, choraram, sorriram, e me fazem sentir tão especial sempre, me fazem sentir que eu tenho um lugar nesse mundo independente do que aconteça, me fazem sentir que sou amada assim, do jeitinho que eu sou… Eu nunca digo pra vocês o quanto isso me faz uma pessoa tranquila e segura. Então, eu digo agora. Vocês são a melhor família do mundo. Feliz Natal, eu amo vocês também.

Leitores deste blog, que me deram tanta força pra escrever cada vez mais e que trocam tantas idéias preciosas comigo. Que aturam meus posts gigantes, meus devaneios bobocas, minhas palavras soltas por aí. Aos que comentam, aos que passam batido, aos que vêm todo dia, aos que aparecem de vez em quando e até aos que só vieram uma vez. Aos amigos que eu tenho feito através daqui, tanto os que eu já conheci pessoalmente, e os que ainda vou conhecer ( ou não )… Vocês são maravilhosos, obrigada por tudo. Feliz Natal… Eu já amo muito vocês.

Os amigos de sempre, os antigos e os novos, os grandes e os pequenos, os de todo dia e os casuais, os virtuais e os reais. Aos amigos que um dia viraram amores, aos amores que viraram amigos, paqueras e afins. Vocês que me ligam, me escrevem, me chamam pra sair, me abraçam, me beijam, me levantam, me visitam, conversam, sorriem e choram comigo, me ensinam, me divertem, ficam lá, torcendo por mim… E me deixam retribuir tudo isso a vocês. Quando o resto todo falta, vocês estão lá pra completar minha vida. Obrigada por tudo. Feliz Natal… Eu amo vocês de paixão.

É por isso que o Natal vale a pena, pra lembrar o quanto de amor há entre nós. E se tem algo que ainda torna esse mundo doido suportável… Esse algo é o amor, e a esperança que vem dele.

Feliz natal pra vocês e pra quem vocês amam, pessoas… Tudo de bom, mesmo, do fundilho do meu coração. 🙂

PS:. Tem mensagem também no meu outro blog, Canções de Amor.

POSSIBILIDADES

POSSIBILIDADES

Tenho sentido uma enorme necessidade de escrever. Um comichão. Na verdade, não é só escrever. É pintar, conversar, cozinhar, mexer nos armários, comprar coisas novas, mudar o cabelo, vestir algo vermelho, estar perto de gente e ao mesmo tempo ficar quieta no meu canto. No meio de tudo isso, escrever é uma das melhores coisas pra se fazer. Tenho começado vários posts, sem terminar nenhum. Sem falar nas páginas arrancadas dos meus caderninhos de anotações. Tentei falar da ridícula prisão do Saddam. Do Blogger e as novas regras. Da minha cidade, que está pra fazer aniversário. Do caso dos juízes corruptos. Do Natal. Do Ano-Novo. Das férias. Das micagens dos amigos-secretos deste ano. Da programação da TV. Do Retorno do Rei. Da discussão acerca da redução da maioridade penal. E mais uma pá de coisas que andam rondando os meus pensamentos e as conversas perto de mim nesses dias.

Mas no fundo, não é nada disso. Não mesmo. A verdade é que eu quero mesmo é falar de romance. Sim, romance… Não há problemas em dizer que o que me falta é um romance. Aquele romance. Aquele que daqui um tempo vai chacoalhar a minha vida. Aquele romance que está começando a fazer falta e começa a pipocar em chances aqui, ali, acolá. A gente sabe, intuitivamente, quando algo interessante está pra acontecer, e sabe disso porque abre uma porta lá dentro. Não se trata de mais um pra beijar, amassar, pegar e mandar embora depois, isso é fácil. Não se trata também de recaídas de casos antigos, isso também é fácil. E nem de um namorado só pra marcar presença como aquele que eu arrumei há um tempinho, isso é mais fácil ainda. Não é nada disso. É romance de verdade, mesmo. Com R maiúsculo. Daqueles que a gente vive com corpo, alma, coração, tempo, tudo e mais um pouco, e torce pra durar pra sempre, de tão bom que ele é. Daqueles que fogem dos planos e quebram a nossa crista de moça segura, moderna e fria. E se, por um infortúnio do destino ou por incompetência emocional, vier a acabar… É daqueles romances que a gente lembra suspirando, com um sorriso nos lábios e diz: “ah, esse foi um grande amor na minha vida”… Romance de verdade mesmo. Paixão da boa. Amor arrebatador. Tesão intenso. Amizade delicada. Companheirismo forte. Nitroglicerina pura. Aprendizado total. História pra contar. Leveza, carícia, choro, sorriso, beijo, conversa, desejo, filme, mão dada, manias, música preferida, ciúme, olho no olho, códigos secretos, intimidade, carinho, elogios, palavras, sonhos, planos, idéias, lingerie nova, datas especiais, vivências. Daquelas coisas que acontecem que mudam a vida da gente de uma maneira tão intensa e definitiva que você pode dizer sem pestanejar que você não é a mesma depois que conheceu o fulaninho. Enfim… Romance. E quem acha que não existe… Está enganado. Existe sim, que eu vi e senti, com esse coraçãozinho que o tempo há de aquietar um dia. E quero sentir de novo.

Hoje bem cedo estava observando Dory Fifonha, minha tartaruga, nadando no aquário dela. Entediada, tadinha. De um lado pro outro, batendo no vidro de vez em quando, subindo na plataforma, comendo, fingindo que me escuta quando eu falo com ela, dormindo. Quando tiro ela de lá, ela olha, olha… E fica parada, sem querer se mexer muito. Não tem nada que estava animando-a a andar por aí. Nada que a provocava.
Desde que o primeiro esposo dela morreu ( por descuido meu ), tinha escolhido por ela que ela não precisava de outro. Pra quê? Ela tinha a nós aqui de casa, e ainda é muito bebê pra pensar em acasalar. Achei melhor que ela ficasse sozinha, menos trabalho pra mim e mais conforto pra ela. Mas ela cansou, ou fui eu que cansei… Ou cansamos juntas. O fato é que ela parecia estar precisando de algo mais. Sei que ela não pensa, mas eu penso e fiquei chateada por ela. Ela aprendeu uma porção de coisas desde que chegou aqui, está espertinha, uma graça. Mas faltava algo pra ela.

Não é bom viver sozinha, não é bom de jeito nenhum. Pode ser que seja bom ter períodos de solidão, daqueles que todo mundo precisa pra aprender coisas sobre si mesmo. Mas isso é bem diferente de fazer da solidão uma constante, um vício cômodo; é diferente de fugir dos relacionamentos com medo dos machucadinhos. A Dory Fifonha precisava de um companheiro, mesmo que fosse só pra ficar nadando na direção contrária e pra esbarrar nela de vez em quando. O problema dela eu resolvi rapidamente indo até o pet shop e comprando um tartarugo pra ela, um Fifonho, de presente de Natal. Eles ainda estão tentando se entender. Mas é notável a mudança qualitativa de humor que ela sofreu. E olha que ela é só uma tartaruga, sem polegar opositor e cérebro pretensamente desenvolvido. E olha que só se passaram algumas horas desde que ele chegou.

E eu, no meu aquário… Tão seguro, tão cheio de pequenos prazeres… Tão meu, do jeitinho que eu construí. Ando nadando de um lado pro outro, aproveitando tudo que ele tem, e começo a não ver muita graça nisso. Falta alguém pra esbarrar em mim e me provocar. No meu aquário, as coisas estavam meio confusas, e era um bom jeito de fugir, me distrair. Eu estava atarefada, doente, cheia de problemas, dores de cabeça, ainda presa a casos de antes que não saíam do lugar. Descansei um pouquinho, praticamente sarei, resolvi algumas coisas, estou de férias, coloquei alguns pontos finais em conversas que não estavam levando a nada. E agora me sinto liberta por dentro. Liberta pra pensar na minha vida, pra sentir o meu tédio e pra querer algo que mude tudo de lugar, pra olhar pro alto e pra frente. Liberta pra sentir aquela vontade de amar de novo. Que sensação mais dúbia é essa. Se por um lado, ela é uma delícia de se sentir, algo que se assemelha a acordar de um sonho bom com vontade de realizá-lo… Por outro, é um tanto dolorida, porque vem acompanhada de ansiedades e medos que são chatinhos, como imagino que deva ser chato pra Fifonha ficar batendo a cabeça no vidro de vez em quando. Tsc.

Às vezes, dá uma preguiça pensar em recomeçar tudo de novo. Preguiça de conhecer alguém, arregalar os olhos praquelas qualidades impressionantes, ficar pensando onde ir, o que fazer, o que dizer, fuçar os defeitos, preguiça de fazer planos, colocando todos os seus amigos pra torcer por você, preguiça de tentar fazer dar certo, preguiça de tentar acertar o passo com o de outro estranho até ele deixar de ser estranho. Mas também sinto saudade… Saudade de ter um telefonema pra esperar, de sentir o coração disparar à revelia da minha vontade, saudade de ter o que contar pras amigas depois do final de semana, saudade de um cheiro que desperte os desejos mais depravados, saudade de beijo diferente na mesma boca, saudade de ficar pensando no que fazer pra deixar a outra pessoa feliz… Saudade daquela coisa de ter um colinho pra dormir depois de uma noite maravilhosa. Saudade de paixão. E aí, na balança, pesa mais a sensação gostosa de lembrar como é bom estar apaixonada do que os medinhos e comodismos. E é nessa hora, nessa hora exata que a porta se abre. E quando ela abre… Uma hora alguém acaba entrando.

E esse alguém? Fico imaginando como ele é. Não se trata de ficar montando um sonho impossível. Tem uma música do Cazuza que ele diz que, quem fica esperando alguém que caiba no seu sonho, não sabe amar. Já passei da fase de ficar tentando encaixar uma pessoa nas minhas expectativas, isso sempre acabou mal, hoje prefiro ir me apaixonando aos poucos pela pessoa de verdade que está ali comigo. Mas não dá pra evitar de fazer perguntas sobre o meu novo amor. Onde mora? O que ele faz? Usa óculos? Qual a cor do cabelo? Já conheço, ou nunca vi antes? Onde vamos nos encontrar? Tem alguma mania? Gosta de beijo na orelha? Tem família? Algum talento especial? Como ele sorri? Alto ou baixo? Mais velho ou mais novo? Magrinho ou gordinho? Vai chegar devagarinho, pisando em ovos, cuidadoso… Ou vai entrar com tudo, como um furacão? Será que já chorou muito por amor? O que gosta de fazer? Vai me entender facilmente, ou vai me dar trabalho? Gosta de sorvete de morango? É ciumento? Está afim de viver uma história bonita, ou ainda vai acordar pra isso? As possibilidades são imensas… Um leque infinito delas, combinadas de milhões e milhões de maneiras. As perguntas são muitas. E não posso evitar de fazê-las. E é muito gostoso essa coisa de ficar pensando nele antes mesmo dele existir concretamente. É uma forma de acarinhá-lo desde já… E de me preparar pra isso tudo. Uma forma de estar com ele antes de estar, e de chamá-lo pra perto de mim.

Devaneios tolos esses que as pessoas românticas vivem construindo. Tolos mesmo. Mas dane-se, é bom de sentir mesmo assim. E enquanto ele não vem… Ou enquanto eu não o enxergo… Vou cuidando de mim, porque só tem uma coisa melhor do que gostar de alguém – é gostar da gente mesma. E vida longa aos romances.

“Como esta noite findará,
E o sol então rebrilhará,
Estou pensando em você…
Onde estará o meu amor ?

Será que vela como eu ?
Será que chama como eu ?
Será que pergunta por mim?
Onde estará o meu amor ?

Se a voz da noite responder
Onde estou eu, onde está você,
Estamos cá dentro de nós –
Sós…
Onde estará o meu amor?

Se a voz da noite silenciar,
Raio de sol vai me levar –
Raio de sol vai lhe trazer…

Onde estará o meu amor?”

Chico César

DIVAGAÇÕES METAFÓRICAS

( Pessoas, ainda não posso digitar muito, por isso publico algo que estava no meu arquivo de posts não acabados faz tempo. Faltariam 3 dias para as minhas férias, mas estou em licença, portanto, de férias antecipadas! Só felicidade, só alegria… Ai, que bom. :-))

Se eu fosse…

Um animal, seria um urso.

Um doce, seria uma torta de limão com merengue.

Um estação do ano, seria o inverno.

Uma sensação, seria o frio na barriga.

Uma resposta, seria “sim, eu vou”.

Um momento do dia, seria a madrugada.

Uma cor, seria vermelho.

Um filme, seria “Como Água para Chocolate”, de Alfonso Arau.

Um poema, seria a “Lua Adversa”, da Cecília Meireles.

Um elemento da natureza, seria a Lua.

Uma atividade física, seria dança.

Uma peça de roupa, seria uma luva de tecido fino.

Uma música, seria um “Simples Desejo” da Luciana Mello.

Uma fruta, seria um morango bem docinho.

Um brinquedo, seria um ioiô.

Uma pintura, seria este, da Tarsila:

Um profissional, seria uma psicóloga.

Um objeto, seria uma caneta.

Uma flor, seria uma dama-da-noite.

Uma agressão, seria uma mordida.

Uma história, seria “A Mulher Esqueleto”.

Uma comemoração, seria o Ano-Novo.

Uma parte do corpo, seria a boca.

Um chocolate, seria um Sufflair.

Um personagem, seria a Lindinha.

E você, o que seria? 🙂

DODÓI

O pior de ficar doente ( doenças dessas que todo mundo tem de vez em quando ), com certeza, é a sensação de impotência. Um corpo estranho simplesmente aloja-se no seu, e vai te incomodando, segue te incomodando, até o incômodo ficar difícil de aguentar e você tomar uma providência. E você fica sem entender como é que de uma hora pra outra, quando tudo estava bem, simplesmente acontece de você se sentir mal, mal, mal.

A dor… O que dizer da dor? Essa coisa absurda que tira sua paz e te impede de pensar em qualquer coisa que não seja ela mesma – exigente, a danada. Pode ser dor de cabeça, de dente, dor muscular, dor de machucado, ardência, formigamento, fisgadas. O vocabulário patológico é imenso. Pode ser aquela dor aguda e forte, que quase faz você desmaiar de tão desgracenta. Ou aquela crônica, que vai te pegando aos pouquinhos, piorando, piorando, piorando até que você se dá conta do quanto ela pode ser mais forte que você. Na briga com ela, até que ela deixe de existir, você sempre sai perdendo. Perde a concentração, a paciência. Fica ali, com vontade de chorar feito um bebê. E em alguns casos chora mesmo.

Além da dor, as doenças vêm acompanhadas de outros poréns. Moleza. Febre. Coriza. Palidez. Falta de apetite. Manchas na pele. Olheiras. Perca do brilho e de alguns fios de cabelo. Olhos opacos. Enjôo. Gosto amargo na boca. Desânimo. Insônia. Vontade de deitar e ficar ali deitada eternamente. E uma saudade forte e dolorida de quando você estava boa e podia mandar o seu corpo fazer o que você decidisse. Geralmente é nessa hora que você percebe o valor que a saúde tem. Coisa que você misteriosamente esquece quando fica boa de novo.

A doença te joga algumas verdades no rosto. A primeira delas é essa: você pode ser grande, mas não é do tamanho de um vírus folgado, de uma bactéria malcriada, de um micróbio petulante. Você é falível. E quando eles chegam, você tem uma pequena amostra do que pode ser a vida tendo que dividir o seu corpo com esses seres. E tem a certeza que vai morrer um dia, e, o pior: pode sofrer muito até que isso aconteça.

A segunda verdade é que médico de pronto socorro, via de regra, é um profissional que só sabe dar um diagnóstico: “você tem uma virose de origem desconhecida que vai melhorando aos poucos, basta você repousar e evitar algumas coisas. Tome aqui esse remedinho, e volte se não melhorar daqui a uma semana.” E quando você volta, ele repete tudo de novo, subestimando a sua inteligência.

Outra coisa difícil é você admitir que muita coisa poderia ser evitada com um pouco mais de cuidado. Meu caso, por exemplo. Não tinha como não ficar mal. Trabalhando 10 horas ininterruptas por dia, muitas delas andando de um lado por outro e de pé; fazendo a primeira refeição só às 3 horas da tarde; convivendo com dezenas de crianças gripadas; cheia de preocupações e de coisas pra resolver e sem conseguir sair do lugar; sem ânimo pra aceitar um mísero convite de cinema ou pra tomar um café; sem tempo pra cuidar das minhas plantas, da minha tartaruga, pra fazer tudo que eu gosto; sem tempo pra pensar em mim, no que eu quero, no que eu preciso; com uma faculdade chata pra terminar; cada vez mais longe dos amigos; sem dinheiro, sem estar apaixonada, sem previsão de grandes mudanças; e com uma chefe insuportável de chata e folgada no meu pé… Claro, tinha que dar nisso. Estresse, baixa resistência, e uma tal virose somada a uma dor nos ombros que me deixou derrubada e que me obrigou a parar na marra. Minha ex-terapeuta costumava dizer que o corpo é muito mais sábio que a nossa vontade, e quando a gente teima em fazer besteira, ele avisa: “peralá, que você não é de ferro, precisa de descanso e diversão”. E quando a gente não escuta, ele berra bem alto, do jeito que pode. E faz muito bem.

Mas no meio disso tudo… Essa coisa de ficar doente tem um outro lado. O lado de sentir-se desprotegida, frágil, fraca, tonta. O lado de não poder se virar sozinha, de precisar ouvir algo bom, de ter que andar devagar e se segurando nas coisas, de se sentir feia, ridícula, boba. De querer colo. De querer quem coloque o termômetro debaixo do seu braço e leve no médico. De precisar quem dê recados e resolva coisinhas pra você. De querer alguém pra ficar do seu ladinho, preocupado com você, te garantindo que tudo vai passar dali a uns dias. Alguém que vá fazer sopinha pra você ficar forte e te lembre da hora dos remédios. Alguém que telefone pra saber se você melhorou, que te mande e-mails gentis dizendo que sente sua falta, que puxe sua orelha e diga que avisou que você estava exagerando, alguém que estranhe seu sumiço. Alguém que faça você relaxar te garantindo que você não é insubstituível, e que as coisas vão andar bem até você melhorar. Alguém que cuide de você, ou melhor ainda: que te faça entender que você pode ser cuidada, que merece isso. Alguém que, de um jeito seguro e doce, faça você entender que às vezes a gente acaba tendo que depender de alguém, e que isso não é ruim, muito pelo contrário. Pode ser a mãe, o pai, irmão, irmã. Amigos de casa, do trabalho, amigos on-line, amigos de longa data, melhores amigos. Amores, pseudo-amores, paqueras. É bom saber que quando você precisa, as pessoas aparecem pra ajudar e mostrar carinho. Claro, sua dor, seu incômodo, isso ninguém pode passar por você. Mas saber que tem alguém passando com você é reconfortante, e quase tão importante pra sua recuperação quanto as pílulas e injeções.

Se é um pouco irritante depender dos outros, e se acostumar com a idéia de que você precisa aprender a confiar em outras pessoas além de você mesma… Por outro lado, é mais doído ainda se sentir abandonada e sem proteção. Experimentei um pouco de tudo, do calor do conforto e do frio do abandono esses dias e aprendi um bocado de coisas. Duas das mais importantes: a primeira a cuidar bem de mim tem que ser eu mesma; e quando eu falho, é bom deixar que os outros façam isso por mim.

Daqui a uma semana esse mal estar todo é passado. Mas vai ficar algo parecido com os versos do Renato Russo:

“Celebro todo dia
Minha vida e meus amigos
Eu acredito em mim
E continuo limpo.”

( Sei que este blog está virando um muro de lamentações, mas essa fase de lua minguante está acabando, agora só tem um fiozinho. E depois vem aquela outra fase, de lua nova, de ficar escondida bolando as coisas incríveis que vão acontecer. E depois aquela outra fase deliciosa, de lua crescente, que vai enchendo aos poucos até brilhar com plenitude, pra depois minguar de novo… A vida é isso mesmo, esse vai e volta, esse sobe e desce. Acho que essa explicação é mais pra mim mesma do que pra qualquer eventual leitor que esteja de saco cheio de me ouvir reclamar. 🙂 Além do quê, só falta uma semana pras minhas férias. :-)))))))))))))))))))))))))))

E antes que eu me esqueça… Obrigada pelo carinho de todos vocês. :-*

20 COISAS QUE EU QUERIA SOBRE MIM

* Eu queria muito aproveitar ao meu favor as coisas que eu aprendi na vida com muito custo.

* Eu queria muito aprender a adiar os meus desejos, e assim conseguir coisas como guardar dinheiro e persuadir pessoas.

* Eu queria muito ser menos caseira e gostar de coisas como baladas, shoppings e viagens.

* Eu queria muito aprender a não me apaixonar demais e nem de menos, é muito fina a linha que separa uma coisa da outra e eu geralmente não consigo ver.

* Eu queria muito mandar algumas pessoas irem à merda.

* Eu queria muito saber onde estão todos os livros e cd’s que eu emprestei e não devolveram, e queria muito também saber por que eu continuo não controlando isso depois de tantos perdidos.

* Eu queria muito aprender algumas coisas, como mexer no computador direito, tocar flauta harmônica, estacionar entre dois carros, fazer contas de dividir com vírgula e dois números na chave, e decorar a regra do verbo haver.

* Eu queria muito ter força de vontade pra fazer regime, já que todo mundo nessa vida vive falando em dietas; ou, no mínimo, queria muito entender por que eu não me importo com isso.

* Eu queria muito não ter cisma com médico e procurá-los preventivamente, e não só quando estou no bico do corvo.

* Eu queria muito não fazer mais da minha vida amorosa uma novela mexicana, cheia de homens complicados, casos sofredores e decisões extremosas, e queria também não gostar da adrenalina que isso provoca.

* Eu queria muito saber dar uma resposta brilhante e malcriada praquelas pessoas chatas que vêm perguntar por que eu ainda estou encalhada nas festas de família.

* Eu queria muito dedicar mais tempo pras coisas que eu gosto de fazer e menos tempo pras coisas que eu abomino.

* Eu queria muito colocar um ponto final naquele curso INSUPORTÁVEL de Pedagogia da USP, que é um verdadeiro chute gigante nos meus dois ovários de tão chato que ele é.

* Eu queria muito ser menos teimosa e mais prática, menos sonhadora e mais assertiva, menos idealista e mais empreendedora.

* Eu queria muito confiar mais na capacidade das pessoas que me cercam e ser menos protetora.

* Eu queria muito ser menos gulosa e ir com mais calma nas coisas que eu faço com tesão, inclusive nos desejos carnais como comer, dormir e transar.

* Eu queria muito organizar mais o meu tempo pra procurar mais as pessoas que eu amo de paixão.

* Eu queria muito lembrar o que eu queria muito há tempos atrás, porque tenho uma estranha sensação de que os planos se perderam e eu estou meio que voando pela vida.

* Eu queria muito trabalhar em um emprego só, e meio período, e ainda assim ganhar o mesmo que estou ganhando hoje.

* Eu queria muito parar de querer tanta coisa.

O resto até que vai bem. Se nada mudar, também… Dane-se.

Nem eu estou me suportando mais nesse mau humor de final de ano. E olha que eu não sofro de TPM, hehe…

ENCONTROS E DESPEDIDAS

ENCONTROS E DESPEDIDAS

25 crianças de 4 anos de manhã… Mais 35 à tarde. Pra cuidar deles na sala, só eu e Deus, e os 5 anjos da guarda que cada um deve ter ( sim, porque pra criança pequena tem uma pá de anjos da guarda, afinal, eles fazem as maiores loucuras com o corpo e vão e voltam inteiros todos os dias ). Nas condições mais complicadas ( afinal, trabalho em uma escola de latinha, longe daquela papagaiada de CEU que a prefeitura anuncia pra fazer comercial ), eles conseguem se divertir. E vão dividindo essa alegria de viver conosco, pobres, velhas, desvalorizadas e cansadas professoras de educação infantil.

Infelizmente, muita gente não saca que, trabalhando com crianças, dá pra colecionar gotinhas de sabedoria, carinho e felicidade todos os dias. Mesmo nos primeiros dias quando eles choram desesperados querendo ir embora, ou mesmo nos dias em que eu estou tão esgotada de cansaço que não consigo mais sequer olhar pra eles direito. Eles são fofos mesmo quando são irritantes.

Difícil essas coisas da vida. Eles chegam tão bebês. Não sabem pegar no lápis, ir ao banheiro sozinhos, não sabem tirar a blusa quando faz calor, falar o que pensam e sentem. Sofrem demais com essa coisa de ter que ir pra um lugar desconhecido, sem nenhuma pessoa familiar por perto, só porque os adultos decidiram que é bom pra eles.
Choram, esperneiam, se descabelam. E aos pouquinhos vão aprendendo que tem hora pra tudo. Aprendendo a amarrar o cadarço do tênis. Aprendendo a se defender dos outros. Que por mais que demore, a hora de ir pra casa sempre vem. Vão aprendendo a contar o que pensam. A negociar. Aprendendo a conviver com os nãos, com o preconceito, com os pontos de vista diferentes. Aprendendo que é importante saber quem se é, importante saber brincar e se divertir, importante se superar. Chegam batendo na altura do meu joelho, me olhando desconfiados, com raiva ou com medo. E saem batendo na altura da minha cintura, sorrindo, correndo, pulando que nem cabritos e berrando sem parar, alegres da vida, cheio de amigos e planos pro futuro. E tenho que deixar eles irem, só pra começar tudo de novo. Muito difícil essas coisas da vida. Na teoria funciona bem. Mas na prática, é complicado encontrar e separar, pra eles e pra mim.

“- Eu quero ir embora!!!!!!
– Você vai embora, quando der a hora certa. É difícil, mas vai passar, prometo pra você.
– Não quero saber, quero ir embora!!!!!!
– Se você ficar sofrendo tanto assim, chorando tanto, fica mais difícil, o tempo demora mais pra passar desse jeito.
– ( Chorando e batendo os pés no chão ) Mas como eu faço pra parar de chorar quando eu não quero parar de chorar???”

“- E você, mocinha, por que não chora como os outros?
– Porque eu sou forte e não tenho medo de nada. E eu gostei de você.
– ( Com ar de acabada ) Então quer dizer que eles não gostaram de mim, por isso eles choram tanto?
– ( Passando a mão no meu cabelo ) Não, eles só não olharam ainda direito pra você.
Eles vão parar de chorar depois, você vai ver.”

“- Quando a gente vai na piscina?
– Tem os dias certos, a gente vai marcar no calendário depois.
– E quem fala quando é o dia certo?
– Eu, ué.
– Por que você?
– Porque eu sou adulta, e sei quando tem que ir e quando não tem.
– Só por isso? Pois eu acho que a gente tem que ir hoje. E eu sou criança e sei quando tem que ir e não tem mais do que você, que é adulta.”

“- Quando eu vou pra minha casa, prô, eu fico com saudade de você.
– Então vamos pra minha casa, assim você não fica com saudade de mim.
– ( Pensando ). Mas e a minha mãe?
– Ela não pode ir, só você. A vida é assim mesmo, você tem que escolher se vai ficar com saudade de mim ou da sua mãe.
( Pensando mais ). Eu vou pra minha casa, então, mas eu vou falar pra minha mãe sentir muita, muita, muita saudade de você, tá? Assim ela vai junto e fica todo mundo feliz.”

“- Por que você fica com essa cara quando o seu telefone toca?
– Porque é meu namorado, e eu gosto muito dele. ( Fazendo cosquinhas ) Quando a gente gosta muito de alguém, fica com essa cara de boba quando fala com a pessoa, o coração bate forte, fica assim, toda besta.
– E se ele não ligar nunca mais?
– Acho que eu vou ficar triste. Será que ele não vai ligar mais?
– Ele é bem burro, imagina, não ligar mais pra minha prô. Só se ele for bestão.”

“- Ká, liga pro coelho da páscoa, liga, liga!!!!
– ( Fingindo ) Alô? Seu coelho? Vem aqui na escola pra gente te ver!
– ( Falando pro amigo ) – Hehehe, olha que boba, ela acha que o coelho tá falando com ela.
– Por que você tá falando isso?
– Ué, desde quando tem celular na floresta?!?!?”

“- Prô, tá linda com essa roupa! Parece uma princesa! Você é linda que nem uma flor de caramelo misturada com uma estrela bem brilhante, a mais linda do mundo inteiro, e eu te amo um tantão assim, ó!
– Nossa, e por que eu mereci tanto amor?
– Ué, eu só te amo!”

“- Se a cabeça de pensar fica dentro da testa, e se o coração fica dentro do peito, aonde fica a alma?
– Não sei, acho que lá dentro de tudo.
– Como você não sabe?
– Não sei, oras, quem te disse que eu sei de tudo?
( Me olhando pasma e decepcionada, depois com raiva ). – Também vou falar pra minha mãe não me mandar mais pra essa escola, professora que não sabe de tudo, onde já se viu? ”

“( Gritando histérica, bravissima ) – E vocês vão ver só, eu vou deixar vocês uma semana de castigo, sem parque, sem TV, sem brinquedo, sem nada!! E não quero papo com mais ninguém hoje!
– Prô, por que você fica tão brava? É só brincar de vaca amarela que a gente fica quieto, oras.”

“- Prô, você está com vontade de chorar?
– Estou, mas não vou chorar.
– Por que você quer chorar?
– Porque estou triste com uma pessoa.
– Com o seu namorado, né?
– Como você sabe disso? E ele não é mais meu namorado.
– Ele não ligou mais.
– É, eu briguei com ele.
– Se você quiser chorar escondido, pode chorar, eu não conto pra eles, tá bom?”

“- Minha mãe mandou eu te dar esse presente, e falou que você tem muita paciência com a gente, que se fosse ela não ia aguentar.
– E você também acha isso?
– Eu acho que a minha mãe é que é uma boba, ela não sabe brincar. ”

“( Me abraçando chorando e me dando uma florzinha na hora da entrada ) – Mas o que foi que aconteceu?
– Eu achei que você tinha morrido.
– Mas de onde você tirou isso?
– Eu sonhei que você tinha morrido, aí eu pedi pra minha mãe me trazer aqui ontem pra ver você e ela não trouxe.
– Mas ontem era domingo, eu não estava aqui. Pronto, eu não morri. Fica tranquilo.
– Você vai morrer?
– Vou morrer um dia, mas acho que não é agora.
– Se você for morrer, você me avisa?
– Se eu puder, aviso.
– E quem foi que fez eu sonhar um sonho tão feio? Saco, viu!”

“( Falando com a outra professora ) – Sabia que eu vou casar com a minha prô? Meu pai vai comprar um terreno, eu vou construir uma casa com uma garagem pra ela guardar o carro dela, e vamos casar.
( Outra professora morrendo de rir ) – Ah é? Ela é sua noiva?
– Noiva não. Ela é minha princesa e eu sou o príncipe dela.
– Ué, e não é a mesma coisa?
– Não. Os príncipes e princesas vivem felizes pra sempre, oras.”

“- Prô, você tá doente?
– Estou, estou com muito sono e dor de cabeça. Mas passa se fizer carinho, você faz?
– Faço… Mas toma um remedinho também, tá? Assim você sara de um jeito e de outro jeito.”

“- Vocês já estão grandes, é hora de ir pra classe de crianças maiores, outros pequenos vão vir… Vocês vão ter outros amigos, outras professoras, mas nós seremos sempre amigos.
– Você não gosta mais da gente?
– Eu gosto… Mas esse lance de escola é assim mesmo, vocês já estão grandes, não podem ficar mais nessa classe de bebês… Vão gostar da outra professora também.
– Tá. Mas você vai com a gente, né?
– Eu vou, mas só dentro do coração. Vocês também ficam só dentro do meu coração.
– Eu não entendi por que isso.
– Eu também não sei explicar. Mas é assim que é.”

E agora pra deixar esses toquinhos de gente irem embora e seguirem a vida longe de mim, depois de tanto olho no olho, abraço no abraço, alma na alma? Chuif. A vida é mesmo uma coisa difícil.

DROPS DE CAFÉ

É, não tem jeito… Eu também vou reclamar.

Já faz tempo que o sistema do Blogger.br já não é o mesmo. Não sou antiga de casa, há poucos meses atrás eu nem sabia direito o que era blog. Mas soube que, no início, as coisas não eram tão complicadas como são hoje. Parece que o servidor está sobrecarregado e que todos aqueles problemas de sistema estão ainda mais graves. As pessoas têm perdido comentários e posts, não conseguem fazer o login, as páginas estão demorando a abrir, certos calendários e arquivos saíram de ordem e, aos finais de semana, é praticamente impossível postar sem ter uma dor de cabeça. Aquelas mensagens de erro irritantes estão batendo cartão aqui na minha telinha, e, pelo que tenho visto por aí… Na telinha de outros tantos também.

Os motivos são muitos. Entendo quase nada de informática, mas leio as mais incríveis explicações. Há quem diga que o problema é o excesso de gente blogando. Outros dizem que há muitos blogs ociosos. Alguns, que o sistema foi mal planejado. Há até quem monte teses persecutórias sobre a eterna vontade da Globo em querer ferrar a vida das pessoas de bem. E por aí segue.

De qualquer forma, o final nós já sabemos. Blogar de graça, falando em português e com tantas ferramentas, possibilidade de espaço e facilidade de exposição é algo que logo logo vai virar nostalgia. Se quisermos continuar por aqui… Vamos ter que pagar pra blogar decentemente. E não vai ter choro nem vela.

Se isso é justo ou não, se vai ser bom ou não, não sei, e sinceramente, ando com uma preguiça absurda de pensar em qualquer coisa que não seja a chegada das minhas férias. Mas, como boa parte dos blogueiros, estou preocupada. Que coisa. Colocar docinho na chupeta pra depois tirar da boca… É muita maldade.

Uma solução para esse caso seria o sistema do Blogger.br ficar mais espertinho e aprender a eliminar blogs que não são visitados e nem atualizados há tempos, ou fazer um cadastro decente das pessoas e limitar espaço, números de blogs, ferramentas. Ou seja, se tornar um sistema mais simples, mas eficiente. Talvez fosse prático, mas com certeza seria menos divertido.

Infelizmente… É mais um espaço democrático que está com os dias contados. E aí, só vai nos restar postar no câmbio negro, buscando a economia informal ou partindo para as grandes corporações. É, Raulzito… Pare o mundo que eu quero descer.

Um PS: Como trazer seus comentários de volta
Se com você também aconteceu de entrar na sua página e não ver mais comentário nenhum, porque o link simplesmente não está mais lá, atenção para uma dica interessante:
* Entre na página inicial do Blogger;
* Acesse o link dos comentários e faça o login;
* Peça para ver os últimos comentários do seu blog;
* Delete o último deles;
* Pronto… Os comentários estarão de volta, intactos como antes.

Vivendo e aprendendo….