SOBRE O MEU LAR… PARTE I

Aos amigos e/ou frequentadores deste espaço… Dois comunicados importantes e potencialmente divertidos:

1 – Meu contador andou sumido por uns dias e deixou de marcar alguns números, mas o fato é que ele está marcando quase 5000 visitas. Como este fato me deixa um bocado contente, e como alegria pra ser boa de verdade tem que ser dividida, vamos combinar assim: o visitante número 5000 que estiver afim de ganhar um presente SURPRESA e bem legal do blog da Mafalda, favor deixar um comentário dizendo algo do tipo “sou o 5000!” e depois me mandar um e-mail ( mafaldacrescida@hotmail.com ) pra acertamos os detalhes. Prometo fazer o possível e o impossível pro prêmio valer a pena. Se o visitante 5000 comer bola, ou não quiser comentar… Fica valendo o 5001, 5002 e assim por diante. 🙂

2 – Aos paulistanos e/ou frequentadores de São Paulo que estiverem afim de colaborar comigo para montar um post diferente por ocasião dos 450 anos da cidade, peço que me enviem por e-mail (mafaldacrescida@hotmail.com ), até dia 20/01, algumas palavras sobre Sampa. Publico tudo aqui, com os devidos créditos e links. Os amigos mais chegados estão intimados a participar. E os menos chegados também estão. Só relembrando: não precisa ser paulistano nem morador pra participar. Afinal, não é só família que a gente chama pra comemorar aniversário… É ou não é? 🙂

Obrigada, obrigada, obrigada.

Segue o primeiro post da nova série sobre Sampa. Eu sei, eu sei, já estou devendo várias séries. Mas essa é especial. 🙂

SOBRE O MEU LAR – PARTE I

( Fotos by Juca Martins, encontrado na net pela Cacau )

“De onde você é?” “Qual a sua cidade?” “De onde vc tc?” “Onde você mora?” Qual é o seu lugar? Onde é o seu lar?

MINHA cidade está para completar 450 anos no próximo dia 25. Digo MINHA porque é minha, sim. E ai de quem disser o contrário. Nasci aqui, cresci aqui, vivo aqui, e salvo poucas vezes que cruzei estas fronteiras, estive aqui quase o tempo todo da minha existência. Meus avós migraram e imigraram pra cá. Meus pais nasceram e cresceram aqui. Aqui eu estudo, trabalho, me divirto, faço amigos, transito, pago impostos, convivo, namoro, sou e estou. Mais do que o lugar onde eu moro, aqui é o meu lar. O lar, para além de um lugar, é uma sensação de acolhimento. E nada pode ser mais acolhedor do que a idéia de que você pertence a um lugar, e que aquele lugar lhe reconhece como parte integrante dele. É assim que me sinto aqui. Piso nas calçadas com segurança, porque me sinto em casa.

Tenho com a minha cidade uma relação intensa de amor e ódio. Sempre achei que deveria ter nascido em outro tipo de lugar. Um lugar mais bonito, no mínimo menos poluído e menos estressante. Uma cidade pequena, com menos gente, mais tranquila… Pra um ser tão pastel como eu sou, seria melhor. Às vezes me sinto agredida por São Paulo, oprimida com o tamanho, o poder e a desigualdade deste lugar. Todo esses quilômetros, estatísticas e números gigantescos; essas longas distâncias; esse comportamento truncado das pessoas; esse jeito meio estúpido e cimentado de ser que a cidade tem; esse monte de problemas de estrutura que atingem a tanta gente – especialmente pessoas suburbanas como eu… E por aí vai. As mazelas são muitas. Ao mesmo tempo, penso que não me acostumaria longe daqui. Saber que tenho tantas opções de tantas coisas me faz sentir livre, mesmo que eu decida não usufruir delas. Sei que está tudo ali, ao alcance da mão, das marginais ou das linhas de metrô. Acho que esse ar poluído já faz parte dos meus pulmões; esse estresse já faz parte da adrenalina que me empurra pra frente. E mesmo que assim não fosse… Mesmo que eu fosse embora, eu saberia que São Paulo sempre vai ser a minha casa. E só é assim porque a cidade já faz parte de mim.

Para algumas pessoas, tanto faz estar aqui ou ali. São pessoas de espírito livre, nômades, não se apegam. Para outras, é de extrema importância o lugar onde constróem seu ninho; pessoas que por mais que viajem por aí, gostam de saber que podem voltar pra casa uma hora, e que lá vão poder assimilar tudo que viram e aprenderam em outros cantos. Há certas pessoas que mantêm uma relação intrínseca com o lugar onde nasceram, como se aquele espaço tivesse feito parte do útero materno que as abrigou. De um jeito ou de outro, o lugar onde você cresceu e o lugar que escolhe pra ser sua morada sempre passa a fazer parte da sua identidade, de quem você é. É por isso que ainda que eu fugisse de São Paulo, ela iria comigo pra onde eu fosse. Mais ou menos como o Caetano Veloso cantou sobre a cidade natal dele, “um gosto muito raro trago em mim por ti… Meu trabalho é te traduzir”.

À primeira vista, São Paulo não é um lugar bonito, pelo menos não se comparada a cidades de beleza natural como o Rio de Janeiro, Florianópolis ou Fortaleza. Também não é lá muito charmosa como Belo Horizonte. Nem organizada como Brasília ou Curitiba, nem tão interessante como cidades históricas do tipo de Ouro Preto ou Salvador. Muito menos acolhedora como a maioria das cidades interioranas. A graça de São Paulo está em organizar o caos que ela aparenta à primeira vista, e só se consegue isso entrando em convivência profunda com a cidade. São Paulo é do tipo que se descobre aos poucos. Tímida, grosseira até, mas muito complexa e cheia de oportunidades pra todos os gostos. Sempre se pode ser surpreendido por aqui.

Fico pensando qual é a identidade da minha cidade. Seria esse concreto todo? O cinza no céu? A loucura do dia-a-dia? A tal garoa gelada? E quando vejo, do alto dos arranha-céus ou dos picos dos montes cobertos de asfalto aquele monte de espaços claustrofobicamente tomado de casas e prédios, penso que o que há de melhor por aqui, com certeza, são as pessoas. Essa cidade transborda de pessoas por todos os lados, todos os tipos de pessoas. Pessoas com suas histórias, sonhos, medos, dores e amores. Pessoas que, como eu, têm na cidade o seu lar. E é principalmente por isso que São Paulo vale a pena.

Continua…

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Um comentário sobre “SOBRE O MEU LAR… PARTE I

  1. Não conheço Sampa. Aliás, esta é uma lacuna que pretendo preencher em breve. A velha rixa Rio-São Paulo não encontra o menor espaço na minha cabeça. Achei o texto lindo, emocionante. Esse amor e ódio que a gente tem pela terra onde vive é muito interessante.

    Ana Beatriz Guerra | Homepage | 15-01-2004 21:08:05

    Adorei Sampa até vir morar em Botucatu. Daí, passei a odiar a qualidade de vida que se leva na capital paulista. Mas mês passado redescobri a cidade. É a mais encantadora do país, sem dúvida. Aqui em Botucatu não tem espetáculo de dança contemporânea, nem o cruzamento da Av. Paulista com a R. Pamplona, que se não me engano é o assunto dessa foto. E eu estudei três anos de minha vida no prédio da Gazeta, no Objetivo. Nenhum lugar tem esse escadão… Fiquei de queixo caído com o new look do Blog, Mafalda. E achei um link para o meu espaço, fico honrado demais. Obrigado. E um abraço bem grande, tá tudo lindo aqui. Tiger

    Tigre | Email | Homepage | 05-01-2004 01:04:55

    Acabei de achar o contador… :o)

    Cacau | Email | Homepage | 04-01-2004 22:09:46

    Amor e ódio. Essa tb é minha relação com Sampa. Infelizmente, ando muito descontente com essa cidade, ou melhor, com os habitantes dela. Ficaram 10 as fotos, hein? Ah, sim… achou o contador? beijos

    Cacau | Email | Homepage | 04-01-2004 22:08:41

    Muito bom seus posts, e suas inovações.. Fico torcendo para ser o número 5000…rs Um beijo pra ti. 🙂

    Beta | Email | Homepage | 04-01-2004 17:48:24

    Fique com vontade de conhecer Sampa só por causa do seu post. rsrsrs. Beijão, minha querida. :-****

    Mulder/RJ | 04-01-2004 16:10:24

    Eu tive o prazer de conhecer Sampa em 2002, início de outubro. Fiquei de boca aberta. Foi uma passagem muito rápida, mas me emocionei com tanta complexidade, tanto movimento, tanta loucura e tanta beleza também. Quero voltar um dia com mais tempo, pra poder conhecer melhor. Moro em Natal, também amo a minha cidade, amo muito. Também sou enraizada na minha terrinha! 🙂 Venham conhecer! Aqui também é lindo! Aliás… eu amo o Brasil (apesar dos pesares).

    Carlinha | Email | 03-01-2004 23:54:09

    Muito bacana o seu blog. Um abraço e feliz 2004.

    Arquimimo Novaes | Homepage | 03-01-2004 20:31:47

    Mafaldinha, que linda homenagem! Eu amo Sampa, Sampa é do coração. Acho que todas as vezes que coloquei meus pés na Avenida Paulista, meu coração bateu mais forte. Ladeira da Memória é uma homenagem a São Paulo. Beijo enorme,

    mafalda | Homepage | 03-01-2004 17:55:09

    Mafalda, depois de tudo o que vc falou, será que ainda ficou algo por dizer ? Sou carioca e moro em Sampa há 7 anos. Esta cidade é a cidade das oportunidades ! Qq uma que vc queria, vc encontra. Beijo grande !

    Deize | Email | Homepage | 03-01-2004 16:46:29

    Ai miga, fiquei mais tanquila quanto ao contador e sobre SAMPA, vou tentar falar alguma coisa, mas com certeza uma ñ me sai da cabeça: A MINHA AMIGA QRIDA AMADA KARI MORA NA CIDADE DE SAMPA. Beijoca miga, amo vc.

    Vigulina | Homepage | 03-01-2004 13:09:56

    Pode deixar, querida, eu vou mandar pra vc palavras sobre Sampa, talvez não tão belas quanto as suas, mas… Tento. Felicidades pra vc e pra essa galera super legal que frequenta seu blog ( até vc, Zé Chato ).

    Fúlvio | Email | 03-01-2004 12:15:15

    Pô, agora você me pegou, hein? O que dizer de Sampa? Ando tão revoltada com essa cidade… :o( beijos

    Cacau | Email | Homepage | 02-01-2004 23:07:02

    Minha passagem por São Paulo durou algumas horas para a gravação no programa do Jô. Não sei se minhas palavras seriam suficientes para falar de Sampa =)

    SlothSam | Email | Homepage | 02-01-2004 22:33:43

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