MEROS DEVANEIOS TOLOS A ME TORTURAR

Estive ontem na cerimônia de colação de grau Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, vulgo formatura da FEA USP. Meu irmão do meio era um dos 240 formandos, que foram chamados, um a um, para receber o canudo de papel que lhes conferia o título de administradores, economistas ou contabilistas. Foram no mínimo 10 discursos, mais algumas músicas, shows pirotécnicos e a chamada nominal, além da presença de alguns nomes ilustres ( Senador Aloísio Mercadante e grupo Fat Family, por exemplo ). Quatro horas de cerimônia. E nesse tempo, bem sentada e com um sapatinho alto me apertando doloridamente o pé depois de um dia cheíssimo de trabalho… Deu pra reparar e pensar em bastante coisa.

Não vi nenhum negro se formando lá ( o mais escuro talvez fosse meu irmão, moreno jambo – que provavelmente também era um dos únicos ali que cursara o ensino médio em escola pública ). No estacionamento, uma incrível concentração de carros importados. Dentro do salão, damas trajadas com vestidos finos, cabelos arrumadíssimos e homens alinhados e elegantes – gente bonita, bem vestida e bem cuidada. Por trás das palavras bonitas dos discursos de professores e oradores, o que se ouvia era “somos ótimos por ter passado no vestibular mais concorrido do país, e merecemos ser vencedores pro resto da vida. Esse diploma é passaporte pro nosso sucesso profissional, e continuaremos vencendo e ganhando dinheiro, mesmo tendo uma certa peninha de quem não teve as mesmas oportunidades que nós”. Tsc.

Muitas questões rondando em tudo que foi dito e visto. O Senador Mercadante fez um discurso lindíssimo e engajado que foi um tapa na cara dos ricaços presentes, e que me trouxe apaixonadas lembranças. Ali estavam algumas grandes futuras fortunas do país, que vão esquecer tudo que juraram. Implícita, estava a questão da universidade pública, que é sustentada pelos impostos pagos por todos e que só tem perpetuado esse ciclo de fazer mais ricos quem já é rico e estrepar mais ainda quem já é pobre ( não é o caso do meu mano, mas é o caso de 90% dos que estavam lá ). A festa tinha um tom esnobe e elitista quase sufocante. E me lembrei até que eu tenho que superar essas implicâncias com o ambiente uspiano pra voltar lá, destrancar minha matrícula e terminar aquela faculdade de Pedagogia que pra mim é insuportável.

Mas o momento mais emocionante da festa foi a homenagem prestada pelos formandos aos seus pais. Entre abraços, rosas e muitas lágrimas, naquela hora, as famílias, não importa que história viveram, ou que realcionamento tinham, eram iguais. Os pais orgulhosos de seus filhos, e os filhos agradecendo aos seus pais pelo apoio, pela força, pelas oportunidades e pela exigência. E foi quando caiu a minha ficha de que, pra toda aquela gente, estar ali, naquele ritual de passagem tão pomposo, era a realização de um sonho.

Os sonhos realizados são deliciosos. Dão uma sensação de plenitude, de poder, de conquista, de recompensa. Quando você tem um sonho, o transforma em objetivo e vai atrás dele, faz investimentos. Muitas vezes, faz sacrifícios, escolhas dolorosas, gasta tempo, dinheiro e energia, deixa muita coisa no caminho e ganha outras. E no final, quando o sonho se realiza, apesar de tudo, fica o gosto da vitória, da felicidade. Um gosto de sabor muito raro, muito especial. Um sonho realizado é uma justificativa breve da vida, dá sentido a tudo. Mas é só.

Para aqueles formandos, a vida recomeça na segunda-feira, de outro jeito. Com um sonho realizado nas costas, eles agora têm de redirecionar suas vidas para outros caminhos. Mas aquele sonho, ironicamente, na hora em que foi realizado, morreu. Não há mais nada a fazer sobre ele, a não ser lembrar. E pude reparar na cara de alguns pais, e alguns filhos, aquele jeito de “Está feito. E agora?”. E quem não pensou nisso naquela hora, vai pensar depois. A realização é fugidia, e logo traz uma tristeza que tem qualquer coisa de vazio. Por culpa dessa eterna insatisfação que faz parte da constituição do espírito humano, o sonho realizado vira um sonho morto, e, frequentemente, um peso a ser carregado.

Lembrei de algo que li uma vez sobre isso. Os sonhos perdidos. Esses, sim, duram pra sempre, embalados pelos braços da nossa ilusão, dos nossos ideais, do desejo, e depois passam a embalar os nossos dias. Os sonhos não realizados ( ou não realizáveis ) sempre serão os melhores, porque são perfeitos. O melhor bolo da sua vida vai ser sempre aquele que você não conseguiu provar. O melhor caso de amor sempre será aquele que não vingou. O melhor emprego, com certeza, teria sido aquele que você perdeu por azar ou por falta de esforço ou oportunidade. A melhor viagem é aquela que você não conseguiu fazer. O melhor regime de governo é aquele que nunca vigorou. O melhor poema é aquele que nunca foi escrito. Com esses sonhos, sim, você vai ter que conviver pro resto da vida, porque eles são como aquelas roupas amassadas que escondem sujeirinhas em suas rugas, mas que não serão vistas enquanto não forem passadas pelo ferro quente da realidade, essa malvada realidade, tão entendiante e fascinante ao mesmo tempo. Sonhos que não se realizam são eternos.

Pensei nos meus sonhos realizados. Minhas formaturas, meus empregos, minhas aprovações, meus namoros, meus pequenos desejos satisfeitos. Já nem lembrava muito deles. Os frutos de alguns estão presentes em minha vida todos os dias, mas não me entusiasmam tanto quanto faziam quando ainda não eram realidade.

E percebi que tenho ainda muitos sonhos perdidos. Muitos. E, mais ainda, percebi que vem deles a força de tudo que sinto e penso. É pra sustentar de paixão os meus sonhos não realizados que eu vivo. É pra isso que estou aqui. Vem deles todo esse sentimento, toda essa vontade, toda essa certeza de que eu ainda tenho que viver um pouco mais, nem que seja pra dar um pouco mais de vida a eles. E, se por caso ou acaso, algum dos meus sonhos perdidos vier a se realizar, preciso colocar no lugar dele um outro sonho, ainda mais difícil e ainda mais forte, pra continuar querendo. Querendo, querendo, querendo. A vida sem desejo é sobrevida. E a vida sem sonho é semi-vida.

Olhei com carinho e sorriso pra todos esses sonhos que ainda não vi acontecer. Pensei no quanto ainda tenho por fazer na vida. Não dá pra negar que alguns deles viraram frustrações, pedrinhas no sapato, que me deixaram com um certo medo de andar. Mas foi bom ver que eles ainda estão lá. E que mesmo aqueles que deixaram de fazer sentido, ainda fazem parte de mim. Dizem que um sonho que não se realiza é perigoso, mas pensei no perigo ainda maior que representa um sonho realizado.

Tocaram com força no meu ombro:

– Menina, acorda, olha lá, finalmente acabou… Ele já está vindo!

Quando abracei meu irmão, que trazia em sua mão um canudo bonito de papel, gravado em letras douradas… Desejei que ele tivesse ainda muitos outros canudos com o que sonhar. Acabei falando, quando ele me mostrou o canudo:

– Legal, querido, mas… Depois de curtir um pouco ele, jogue fora. E bem jogado.

– Ué, mas por quê?

– Porque assim você vai sentir falta, vai querer ter outro… E vai ter o que fazer da sua vida, oras.

– É isso que dá deixar você sentada sem ter o que fazer…

Sim, é isso o que dá

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CARTA

“Há muito tempo sim, não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci: olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das carícias

( tão leves ) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que a sol-posto
perde a sabedoria das crianças.

A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.

É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.”

Carta, de Carlos Drummond de Andrade

Muito tempo sem você. Esse muito é meu muito, eu sei. Razoavelmente poucos anos se foram desde aquele dia triste – mas iluminado – em que lhe vi pela última vez. Mas esse tempo, cronologicamente tão ínfimo, tem quilômetros e quilômetros de sentimento. Parece uma esteira imensa de eternidade que cruza a minha alma por dentro; estou no meio e não vejo nem o início, e nem o final dela. Acho que é isso que chamam de saudade. Não uma dor aguda, desesperada, não uma crise. Mas uma falta crônica, que vai ganhando impiedosamente, dia após dia, mais tamanho, ainda que seja tranquila.

Você mesmo me disse uma vez que o esquecimento não era bom, e que era uma arma das pessoas fracas. Você me disse que as pessoas fortes não esquecem, mas se lembram, e remexem, e remóem, até que seja fácil viver com tais lembranças, até que não doam mais; assim essas pessoas nunca esquecem o que são – “a água do esquecimento é turva, não beba dela, querida”. Você me disse tantas, tantas coisas sobre a vida, me ensinou tanta coisa, me deu tantos exemplos, mesmo falando pouco. Da sua boca eu ouvi tantas coisas sábias, que todos os dias repito para alguém. É um jeito de não deixar você morrer, ainda que eu mesma morra amanhã, ou daqui a poucos dias.

Por algum tempo, eu tentei esquecer a falta que você me fazia, você, meu grande companheiro, meu herói, que me deixou aqui, sozinha. Sei que não fiquei e não estou sozinha de fato. Mas, por alguma razão, o seu lugar ninguém nunca mais ocupou. Um dia, decidi me lembrar de tudo quantas vezes quisesse. Lembrar do seu colo quando eu era criança. Lembrar da sua figura debruçada na janela daquela casa que tem o cheiro do melhor da minha infância, horas e horas, assobiando e vendo as pessoas andando de um lado por outro ( me pergunto o que tanto você pensava ). Lembrar dos seus cochilos no sofá. Lembrar do seu sorriso sereno diante das brigas de todos. Lembrar do seu jeito severo e firme, mas que se derretia em sorrisos e dengos pros seus queridos. Lembrar de como você gostava de palestrar sobre Deus, sobre os homens e sobre a vida, e como falava bem. Lembrar de como você cuidou de mim quando eu era menina, dos nossos passeios e dos segredos que você me confidenciava, dos nossos finais de tarde na varanda olhando o sol se pôr e conversando sem parar, de como eu me pareço com você. Lembrar de como você me compreendia. E do nosso amor tão bonito. Talvez nunca tenha admirado alguém como admirei você, nem mesmo o meu próprio pai – aquele a quem tantas vezes você substituiu, de tantos jeitos. Você e seus livros na estante, você e suas cantorias desafinadas, você e sua capacidade de se desligar do mundo, você e suas causas apaixonadas.

Tenho muito ódio dessa doença que foi apagando seu brilho aos poucos, de maneira tão poderosa, tão imponente, tão destruidora. Talvez ela seja a única coisa que eu realmente odeie na vida, e tenho medo que esse ódio ironicamente me torne uma vítima dela. Tenho ódio dela não só porque ela foi, aos trancos, me conscientizando que você não era eterno, e nem porque ela me obrigou a passar uma das provas mais difíceis que há pra se passar nessa vida, que é ver alguém que se ama morrer aos poucos. Mas não aceito ela ter entrado na nossa família, no nosso lar intocado, porque ela lhe fazia sofrer. Doía. Machucava. Tirava sua vontade, a sua força nas pernas, a sua memória, o seu fio de consciência, lhe deixava frágil e dependente como um bebê grande. Ela destruiu o mito que você significava pra mim. Mas o amor permaneceu.

Me lembro de todas aquelas madrugadas, quando eu levantava pra lhe dar o remédio, e encontrava você chorando baixinho no travesseiro. E uma vez você me disse que chorava de medo da morte. Você, que tinha tanta certeza das suas teorias sobre o que vinha depois do final… Chorava de medo da morte. Outra vez você chorou dizendo que queria tanto rever sua mãe morta, que queria ser um menino pra dormir nos braços dela de novo. Aquelas noites, cheias de dor, mas de carinho, cumplicidade e ternura entre nós, foram muito difíceis pra mim. Mas hoje eu sei que cada uma delas me deu exatamente o que eu precisava até me despedir de você. Me ensinaram o que é ser humana. Não queria mais seu sofrimento, por isso entendi quando você pediu que o seu sopro de vida se apagasse de uma vez. Mas, ainda assim, no dia em que você morreu, eu senti um golpe, e a minha alegria, a minha fé, nunca mais foram as mesmas. No fundo, acho que me decepcionei com Deus por ter tirado você de mim, e até hoje não me recuperei. Naquele dia, eu deixei de ser menina, e comecei a crescer. E como dói crescer… Ai, vovô querido, crescer dói demais. A consciência é uma passagem pra liberdade, mas também pra morte da ingenuidade, e até da inocência. Frequentemente é um remédio amargo de provar. Talvez como aqueles remédios que absolutamente ninguém – só você – conseguia me fazer tomar quando eu era uma criança teimosa.

Fazia, sim, muito tempo que não lhe escrevia, que não falava com você. Você sabe que sempre que me sinto triste e solitária, vou até aquela velha casa, e fico por ali, pensando em tudo que você me ensinou, observando os meus sonhos perdidos e realizados passando como um filme diante dos meus olhos, buscando conforto no passado. Mas não converso, não te chamo, não falo com você. É coisa minha. Você faz parte, mas é coisa só minha.

E aconteceu que tive um pesadelo ontem, e lembrei. Lembrei de como você me acalmaria facilmente com uma palavra, um sorriso, um olhar. E chorei de saudade. Queria você perto de novo, queria alguém que me entendesse como só você entendia. Alguém que me amasse incondicionalmente, essa certeza que você me dava, e que eu nunca, nunca mais tive. Fiquei com uma vontade imensa de falar, e fiquei pensando no que eu diria. Tanta coisa aconteceu, tanta gente passou por mim desde que você se foi, tanta coisa eu fiz e mudei. Já não sou mais a mesma. Estou mais velha, mais esperta, menos esperançosa, menos doce. Fiquei pensando se você ainda me reconheceria. E concluí que talvez só você me reconhecesse hoje e sempre, e me lançasse o seu olhar sereno, me dizendo algo como “o essencial nunca muda”, o que acalmaria tremendamente meu coração.

Então, meu medo passou. Meu medo, minha tristeza, e minha saudade. E ficamos sós, eu e minhas lembranças. Senti você vivo em mim, em tudo que sou e em tudo que penso, suas pequenas partes estão lá. E então, subitamente, eu soube que o amor de verdade nunca acaba. E que sempre estarei protegida enquanto eu puder descansar nesse amor que você deixou comigo.

“Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo.
Eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com seu carinho,
E lembrei de um tempo.
Porque o passado me traz uma lembrança do tempo que eu era criança,
E o medo era motivo de chôro, desculpa para um abraço ou consolo.

Hoje eu acordei com medo, mas não chorei, nem reclamei abrigo.
Do escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro.
Senti um abraço forte, e já não era medo – era uma coisa sua que ficou em mim –
Que não tem fim.

De repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito, porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás…”

Poema, de Cazuza

TUDO QUE SE QUER

Minha afilhada, Débora, filha de uma grande amiga minha, está com 9 meses, e é um bebê lindo.

( Antes que me acusem de ser parcial nesse julgamento, esclareço que não sou daquelas que acham todos os bebês lindos só por serem bebês. Alguns bebês são horríveis, têm cara de joelho e não são nada simpáticos. Mas minha afilhada, não. Ela é empiricamente linda, qualquer hora arrumo um jeito de escanear uma foto dela e colocar aqui pra comprovar minha afirmação. )

Sendo um bebê, além de lindo, muito amado, procuramos fazer pra ela um ambiente de carinho e sossego. Acompanhamos com ansiedade cada avanço de sua ainda curta vida, desde o primeiro sorriso, a primeira sílaba, o primeiro dentinho, o primeiro resfriado, a primeira vez que bateu palmas, que sentou, que reconheceu as pessoas, que estendeu os braços – tudo procurando ampará-la e incentivá-la. Sendo o único bebê por perto, ela é mimada e festejada por todos daqui de casa e das redondezas, os olhos estão voltados para ela. Todos procuramos dar a ela tudo que ela precisa.

Porém, em determinadas horas, ela chora. Chora, chora, chora. Chora sentida, as lágrimas caem, e ela começa a chorar cada vez mais alto. Mamadeira, chupeta, brincadeiras, brinquedos, televisão, música, chocolate, nada resolve. Imagino como deve ser difícil ser um bebê. O sofrimento de um desconforto, seja ele qual for, deve parecer eterno, um verdadeiro inferno, que nunca será resolvido. Até porque, para os bebês, o tempo e a passagem do tempo ainda não existe. Só existe o que estão vivendo e vendo, só aquilo é real. Não há a consciência da alternância da vida entre o prazer e a dor. Por isso, qualquer sofrimento é, de fato, desesperador. E quando aquela coisinha pequena chora desesperada, corremos pra ver o que podemos fazer por ela. E ela continua chorando… Até que uma de nós ( a mãe dela, minha mãe ou eu ) a peguemos no colo e, calmamente, a façamos dormir, cantando, balançando, sorrindo, acarinhando. Olhando-a dormir sorrindo, penso que aquele prazer, aquela segurança que ela experimenta, também é eterna para ela. Ali, onde ela respira profundamente e dorme tranquila, sorrindo, ninguém nem nada de mal a alcança. A mesma inconsciência de tempo que a faz chorar desesperada quando está angustiada, a faz feliz para sempre no momento em que está satisfeita. Ah, a inocência dos primeiros dias de vida… Só não é mais linda porque não é duradoura.

O colo é isso. O passaporte pra essa calma, pra essa felicidade, pra esse sono tranquilo. A certeza do amor e da proteção de alguém. Um coração batendo perto do seu, um afago, o calor do corpo, a voz baixa e macia, a respiração pausada e profunda, o reconhecimento do pulsar da vida nesses sinais vitais – a vida que segue e não está ameaçada, ao menos não naquela hora. O colo tem esse poder. O poder do contato, do carinho, do acolhimento. Olhando a vida com os meus habituais óculos cor de rosa, não consigo ver nada mais importante em um encontro de duas pessoas que a capacidade que elas tenham de dar colo uma a outra.

Com muita gente a gente pode querer ir ao cinema, tomar uma cerveja, conversar, trabalhar, passear, viajar, transar. Mas não é de qualquer pessoa que você quer o colo. E olha que todo mundo precisa de colo. Não importa condição econômica, idade, sexo, procedência, e nem mesmo índole. Até gente ruim precisa de colo.

Você pode ser uma mulher ou um homem crescido. Pode ter conta no banco, automóvel, documentos, responsabilidades no emprego, contas pra pagar, cadastro na Receita Federal, filhos que dependam de você. Pode ter conquistado o seu pequeno mundo, pode ser alguém importante. Pode ter muito ou pouco dinheiro, pode decidir o que fazer da sua vida. Pode ir pra onde quiser. Mas, em algumas noites, pode ser que você passe por um momento de angústia, tenha um sonho ruim, fique preocupado com as contas pra pagar, ou atormentado por um problema que parece invencível. Pode ser que nada consiga aplacar essa angústia – nem um copo de conhaque, nem um programa de TV, nem um telefonema de uma pessoa querida, nem uma barra de chocolate, nem um bom livro, nem uma balada divertida, nem um bom sexo. E aí você pensa que tudo que você queria era o colo da sua mãe, ou do seu pai. Ali, enquanto você estivesse deitado, sentindo ela ou ele mexendo no seu cabelo e dizendo palavras de ânimo, você se sentiria amado, seguro e confortável. Ali você poderia dormir sossegado, sem medo de nada.

Você pode ter um parceiro maravilhoso. Aquela namorada fantástica e invejável, aquele marido cheiroso e carinhoso. Pode ter com essa pessoa um entendimento intelectual incrível, daqueles que evidenciam que vocês combinam em idéias e propósitos. Pode ser louco por essa criatura, ter um desejo incontrolável por ela, e com essa pessoa fazer o melhor sexo da sua vida. Pode trocar com ela segredos e contas pra pagar. E se, além de tudo isso, essa pessoa conseguir perceber que em certos dias, você precisa de alguém que o prenda nos braços e diga, com todas as letras, que você é a pessoa mais especial do mundo… Alguém que te balance e toque seu corpo como quem toca um instrumento delicado e adorado… Alguém que faça sua alma se aquietar e alcançar um lugar alto, muito alto… Alguém de quem as batidas do coração soem nos seus ouvidos e ritmem o seu com a mais perfeita paz… Alguém que num abraço faça o mundo todo mudar de cara… Então, você tem tudo.

Um amigo é uma pessoa com quem você se diverte e com quem pode contar nos momentos difíceis. Mas se, além de companhia, esse amigo souber oferecer um toque de mãos, um olhar carinhoso, uma palavra mansa e um abraço seguro quando você precisa, então, mais que um amigo, você encontrou um amigo de verdade.

Todo mundo tem maus dias. Dias de doença, de desespero, de choro, de tristeza, ou de uma saudade que não tem fim. Todo mundo tem dias de revolta, de incompreensão, de projetos fracassados, de sonhos perdidos, de vontade de ir embora. Todo mundo um dia ou outro, se sente perdido, machucado, cheio de desejos irrealizáveis, de fome, de frio, de medo. Todo mundo tem em que são os problemas que vencem. Dias de perda, de solidão, de desistência. E, nesses dias, nada pode te acalmar – nenhum tipo de mamadeira, nem de brinquedo, nem de chupeta. Nenhum tipo de vício e nem de diversão barata. Nesses dias, só o que pode te impedir de chorar cada vez mais alto e mais sentido, é o colinho de alguém amado. E só as pessoas fortes admitem que são tão fracas que precisam e querem colo, nem que sejam pra dormir tranquilas acreditando na ilusão que aquele contentamento todo é eterno. Pelo menos infinito… Enquanto dura.

Abraço

* Ando numa correria LOUCA, sem tempo de escrever, nem de ler, nem de visitar os amigos… E muito menos tenho tido tempo pra cuidar da transferência da Mafaldinha pro endereço.com.br. Mas em breve estarei de volta à normalidade… Pelo menos assim espero. Aguardem e verão a minha nova casa. :-))))))

* Pra todo mundo que perguntou como se faz pra ter um endereço próprio longe do Blogger, sugiro que leiam este post, bem didático, do meu assessor para assuntos cibernéticos preferido. Espero que, seja em que hospedagem for, os bons blogueiros não desistam de postar cada vez mais, e melhor.

SAMBA DO AVIÃO – DEPOIS

Aquele cheirinho de mar por todo lado, o sol ( quente demais pro meu gosto ) insistente, muita tranquilidade, muita calma pra pensar e ter tempo pra sonhar, muita gente mais linda e mais cheia de graça. Deu pra entender porque a bossa-nova nasceu no Rio. Singela, simples, agradável, suave, bonita, sorridente – assim é a aparência da cidade que é merecidamente chamada de maravilhosa.

Tudo aquilo que eu sempre ouvi nos grandes sambas de qualidade e naquelas canções admiradas… Era tudo verdade. Que cidade mais linda, que gente mais descolada e simpática, que colorido diferente, que prédios transpirando cultura, história e identidade de todos os brasileiros pelos cantinhos, que lugar gostoso é o Rio de Janeiro. Pena que foi só um fim de semana.

Eu não sabia que era tão bom voar. Sentir o avião subindo, deixando a minha São Paulo horrorosa-cinzenta-adorada cada vez mais pequenininha, indo pra cima das nuvens. Eu estava eufórica. Acho que se eu mesma tivesse asas próprias não estaria tão contente de experimentar o que é voar. Nem posso descrever a alegria que é ver o avião pousar pertinho do mar daquela cidade, que já te deixa embasbacada antes mesmo do desembarque.

Eu não sabia também que era tão fácil fazer alguns mimos pra mim mesma. Eu mereço um vidão por trabalhar que nem uma camela… Ah, se mereço. Mereço viagens de última hora, por mais caro que elas custem. Tenho repetido esse mantra pra mim ultimamente, e até que tem dado certo.

Eu não sabia que o Rio não é tão perigoso quanto parece, e nem tão light quanto querem fazer parecer. Também não sabia que a beleza dos prédios antigos, da arquitetura da cidade e da arte que aquele povo faz é tão impressionante quanto as praias lindas e iluminadas de lá. Assim como não sabia que, aquele jeito carioca, cheio de si, no fundo, não é irritante para nós, paulistas carrancudos e tímidos – é, sim, envolvente, apaixonante. O Rio tem outro astral. É outra coisa totalmente diferente da coisa que rola aqui. E é bom. Diferente, mas bom.

Eu sabia que, qualquer loucura que a gente decida fazer na vida, principalmente no que se refere aos relacionamentos, sempre tem 50% de chance de dar certo, e 50% de chance de dar errado. E, mesmo não tendo dado muito certo nesse caso, a metade boa da coisa prevaleceu, e eu fiquei surpresa em saber que sou doida o suficiente pra fazer o que o meu coração pede, ainda que não seja o mais sensato ou o mais certo a se fazer, porque, como já disseram, o caminho se faz caminhando. Eu tenho orgulho de hoje ser uma moça que respeita a própria intuição, os próprios sentimentos e vai atrás do que quer, mesmo que seja pra quebrar a cara. E hoje eu sei que a gente só se arrepende de verdade daquilo que não faz.

Agora, tem uma coisa que eu sempre soube. A coisa mais linda da vida, seja no lugar que for, é ter amigos. É ter pessoas com quem contar, com quem rir, trocar segredos, passear, pessoas que se preocupam com você, que te defendem, que te puxem a orelha, que te abracem, te beijem, te coloquem no colo e te digam que você é bem vinda, amada e que sentiram saudade de você. Amigos de verdade, que mereçam cada gotinha do seu amor. Amigos são os verdadeiros portadores do amor. E que delícia é combinar a beleza de uma cidade como o Rio com a beleza da amizade das pessoas queridas. Só isso faria valer a pena ir até a Lua, se preciso fosse.

Em suma… O Rio de Janeiro continua lindo. Lindo, lindo, lindo. E eu ainda quero voltar lá muitas vezes pra comprovar isso.

Rio de Janeiro continua lindo!

SAMBA DO AVIÃO – ANTES

Bem, estou exultando de felicidade. Vou viajar… Para o Rio de Janeiro! Que delícia.

Nunca andei de avião. Nunca estive no Rio. Nunca fiz o que vou fazer lá da maneira que vou fazer. Mas está sendo ótimo! É bom saber que a vida sempre nos guarda surpresas boas, desafios novos, coisas boas pra se fazer e se sentir.

Lembrei do personagem do Harisson Ford, no filme Sabrina. Ele chega suando no aeroporto, está correndo atrás de sua amada, e está atrasado. Então, a funcionária da compania aérea, reparando que ele está suado e nervoso, pergunta a ele:

– É a sua primeira vez no Concorde, senhor?
– É a minha primeira vez em tudo…

Quando voltar conto se o Rio de Janeiro continua lindo. 🙂

MARIA MARIA

Republicado por conta de um certo espírito de porco que detonou os comentários.

Feliz dia da Mulher!

Tentei escrever algo especial sobre o Dia da Mulher. Mas, considerando minha crise criativa e a falta de tempo que anda me tirando as horas de fazer o que realmente quero nesses dias, não saiu muita coisa ( por algum infortúnio, resolvi ler o que escrevi antes de postar, coisa que nunca faço – via de regra não gosto do que escrevo – e acabei apagando tudo ).

Eu acho que já disse aqui o quanto gosto de ser mulher. Não se trata de feminismo gratuito ( muito respeito pelas feministas, mas não concordo sempre com elas ), uma vez que acho uma briga boba essa história de saber quem é melhor, mais inteligente, mais forte – o homem ou a mulher. Pra mim, a resposta pra essas perguntas não são o mais importante neste dia nem em dia nenhum, simplesmente porque penso que homens e mulheres são diferentes, e ponto. Mas gosto de ser mulher porque me sinto feliz desse jeito. Orgulhosa do meu corpo, da minha alma, do meu jeito de mulher.
Orgulhosa da luta histórica que mulheres que vieram antes de mim travaram pra chegarmos onde estamos, pra que eu pudesse dizer isso com tanta convicção e tanta paixão: ser mulher é muito bom.

Acredito, percebo, sinto que há muito a se falar sobre o feminino. Sobre o que é ser mulher num mundo preparado para os homens. Sobre a repressão do espírito selvagem e intuitivo que há em cada uma de nós. Sobre as alegrias, dificuldades, peculiaridades e prazeres de ser isso, ser feminina. E deve ser por isso que gosto tanto desse 8 de março e tudo que ele representa. É um dia pra se lembrar de ter orgulho de ser quem se é – uma mulher. Quem sabe um dia eu possa escrever direito sobre essas coisas todas.

Eu conheci uma pessoa que dizia ser inútil tentar falar de certas emoções, porque as emoções que valiam a pena ser comentadas já estariam melhor descritas em um poema. Lembrei-me desse ensinamento hoje. E por hora, há um poema do Manuel Bandeira, que uma vez me foi ofertado por um homem maravilhoso, e aos meus olhos, diz muito do que há de mais belo e cativante no feminino. Deixo de presente pra vocês, mulheres que passarão por aqui, como uma homenagem, um presente neste dia. Fica também uma dica de livro, filme e canção. E que essa força da alma feminina nunca seja sufocada em nenhuma de vocês. 🙂

Madrigal Melancólico

O que eu adoro em ti, Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.

A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
– Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento,
Graça que perturba e satisfaz.

O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E meu pai.

O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.

11 de junho de 1920 – Manuel Bandeira
(Em Estrela da vida inteira)

Feliz Dia da Mulher, meninas!

NEOLOGISMOS

Em um dos meus trabalhos, peguei de novo a classe de bebês de 3, 4 anos, por escolha minha. São os ingressantes na escola. Admito, é uma tremenda sacanagem. Planejamos, lemos, pensamos em mil estratégias pra tornar menos traumático o ingresso dos pitocos de gente na escola, mas… É fatal. É daquelas coisas da vida que não tem como ser fácil, e exige muita paciência de todos os envolvidos – pais, bebês, e nós, as professoras. Eles choram, se descabelam, colocam a gente doida, e estranham tudo e todos – e com razão. Não precisa ser muito sensível pra se colocar no lugar deles e imaginar o que eles sentem nos primeiros dias longe de casa e perto de quem nunca viram. Vão-se semanas de muito choro, muito colo e muita macaquice pra distraí-los.

Em pouco tempo, a maioria supera e acaba achando a escola divertida, e cá estou eu, um mês depois de iniciadas as aulas, babando por todos eles. E apesar de eles serem absurdamente encapetados, como há tempos não via… Os novos bebês são fofíssimos, espertos e muito, mas muito engraçadinhos.

É interessante como todos os anos a gente acaba encontrando mais ou menos o mesmo tipo de criança nas classes. Tem sempre o moleque que dá trabalho, não pára um minuto. A menina fofoqueira que cuida da vida dos outros o tempo todo. O tímido de óculos que não curte correr, e é metódico e estressado, mesmo aos 3 anos de idade. O descolado que não precisa de mim pra quase nada. A chata que fala e chora demais. Aquele esperto simpático que já no primeiro dia desponta como líder natural no grupo. A menina meiguinha cheia de trancinhas milimetricamente aprontadas no cabelo, cercada de mais outras tantas que falam sem parar. Aquela topetuda que não aceita ordens. Aquela outra engraçadinha que sempre tem uma tirada espirituosa. Aquela manhosa que só quer colo e acaba virando meu chaveirinho. Aquele fofo que é lindo, aquele outro insuportável que você não vai com a cara. Aquele mimado, que de tão mimado fica dependente ou inconsequente. Aquele briguento, aquele que tem a mãe pentelha, aquela outra que é saidinha e só fala em namorar. Aquela inteligente e cheia de vontade de aprender, e aquele que vive no mundo da lua e que eu demoro meses pra ouvir a voz. Cada um do seu jeitinho, a gente vai se afeiçoando e se conhecendo aos poucos. E é tão gostoso. Fico um trapo de tão cansada, mas rio a tarde toda das idas e vindas deles. Me sinto acolhida com tanto carinho, tanta esperança e tanta expectativa depositada sobre os meus largos ombros. E, mesmo com tantos tipos parecidos… Cada classe é única e deixa um tipo de lembrança especial.

Eles têm muitos obstáculos pra superar nesses primeiros dias, até se acostumarem com a escola. Meu lado profissional faz de tudo para acolhê-los bem, mas também se esforça em estimulá-los a se virar e se tornar cada vez mais independentes e seguros. Meu lado levemente sádico gosta de vê-los perdidos no corredor da escola, procurando em que porta entrar, ou de vê-los tentar resolver os problemas que pra nós, adultos, são facílimos – fechar uma mochila; tomar água num copo grande; respeitar a infinidade de horários e regras da escola; segurar a bolacha, o leite e andar ao mesmo tempo; guardar tudo que bagunçam; se relacionar com tanta gente diferente e esquisita, que eles nunca viram mais gorda ( no meu caso, mais magra, hehe ); entender o porquê disso tudo. E ainda tendo que ouvir dos pais: ” filho, obedeça a sua professora!”. E ainda assim eles conseguem sorrir e se adaptar a nós muito mais rápido do que nós a eles. Ah, essa facilidade e alegria de vida que mora na simplicidade das cabeças e corações das crianças… Um adulto interessante normalmente cobiça tal qualidade.

Meu lado carente adora saber que, no meio desse fuzuê todo, sou eu a referência deles. Onde eu estou, eles têm que estar também, somos companheiros inseparáveis. Eles gritam de felicidade quando me vêem no portão, e correm sorrindo pra me dar um abraço, tentando não tombar com o peso das mochilas – que são maiores que eles. Tudo que eu faço, falo e peço, eles fazem, e me olham com um carinho enorme e compreensão, mesmo quando estou brava, dando uma de louca, berrando e colocando meio mundo de castigo ( não me condenem, vocês não sabem como é complicado colocar ordem num barraco desses… São 35 criancinhas geniosas acostumadas a fazer o que querem, oras bolas ). E sendo eu a referência, a coisa mais natural é que eles vivam pra me cercar e, principalmente, me chamar o dia todo, pra tudo que precisam, ou só por chamar mesmo.

E é aí que está a maior sacanagem da coisa. Não gosto dessa história de me chamar de “tia”, por razões pedagógicas e porque acho horrível mesmo, dói nos ouvidos; então, peço pra eles que não me chamem assim. Tirando o “tia”, fica a opção de me chamarem pelo nome ( que alguns, sabiamente, escolhem ), mas a maioria escolhe usar aquele termo que designa a minha profissão, “professora”. É uma judiação. PROFESSORA é um substantivo comum feminino, composto por nada menos que 4 sílabas, sendo duas delas complexas, contendo encontros consonantais de difícil pronúncia, dois dígrafos. Isso é um trava-língua dos mais terríveis, quando você tem 3 anos, está nervoso e depende de uma pessoa ainda estranha pra se orientar. Judiação da grossa.

Por outro lado, eles terem que pronunciar a palavra PROFESSORA tantas vezes nos rendem boas gargalhadas com as palavras que eles acabam inventando. É uma das coisas mais legais da infância – não ter tanto medo de errar e criar novas e melhores formas de conceber palavras e idéias, o que torna tudo mais divertido e criativo. Claro, temos que corrigi-los, mas tudo a seu tempo. E, do que mais escutamos de engraçadinho, os neologismos partidos da palavra PROFESSORA são os mais frequentes e marcantes. Seguem alguns deles, que fiz questão de anotar nesses dias:

Prô
Pelessola
Pissora

Professola
Pessola
Pissola
Pifossora
Porossora
Pefessora
Profechora
Psora
Pissolinha
Pichora
Pofessora
Perefessora
Possora
Pisola
Pessossola
Porfessora
Plefessora
Plofessola
Prozinha
Prôfi
Prifessola
Pofessola
Fessora
Pafessora
Professora

O importante é que, seja como for, eles me chamem, muito. Significa que, no mínimo, confiam em mim. E enquanto eles dobrarem a língua de mil jeitos diferentes, com aquela vontade, só pra me chamar, eu vou saber que estou no lugar certo fazendo a coisa certa. Isso compensa muitas e muitas coisas. Ainda bem. 🙂

PS:. Grata pela força com a perguntinha aí debaixo… Ajudou um bocado. Hehe.

DROPS PRETO EXTRA-FORTE

Falta tempo pra escrever posts, esta semana está complicada. Mas tem algo que não pode esperar.

Há uma grande questão que há muito me incomoda… É chegada a hora de respondê-la. E se alguém aí puder fazer isso por mim, eu agradeço.

É possível ser amiga ( e só amiga ) de alguém que um dia foi, além de amigo, amante, amado, vício, tudo? Principalmente quando o amor não foi esgotado totalmente, e sim cortado em seu auge? Principalmente quando a coisa acabou mal, e demorou pra acabar? Dá pra relevar emoções tão fortes e fazê-las virar outras diferentes, sem o risco de voltar ao passado, já que nada mudou? Dá pra aceitar a presença daquela pessoa em sua vida de um outro jeito?

Que puxa. Já me tornei amiga de ex-namorado, ex-rolo, ex-ficante, até amiga de ex-amigo. Mas amiga de ex-amor… Nunca tentei. E, estranhamente, estou tentada a tentar.

Sinto um cheiro constante de perigo. Isso pode significar duas coisas: ou eu fiquei mais medrosa… Ou mais esperta.

Que puxa.