DROPS DE MORANGO AZEDINHO

DROPS DE MORANGO AZEDINHO

Coração Vagabundo

É engraçado como você ouve uma coisa a vida toda. Como que, por pressentimento, acha aquilo bonito, mas não sabe por quê. E, de repente, num dia cinzento como o de hoje, um dia frio e cheio de pensamentos desesperançosos, um dia de cansaço e vontade de desistir de tudo que realmente é importante, um dia de estranhamento e uma leve, mas persistente tristeza… Você ouve aquilo, e cada palavra faz todo sentido do mundo.


“Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer

Meu coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher
Que passou por meu sonho sem dizer adeus
E fez dos olhos meus um chorar mais sem fim…

Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo em mim…”

Caetano Veloso


A voz doce da Gal está aqui, soando nos meus ouvidos naquela batida de violão cadenciada e insistente. E só consigo pensar que, por mais que eu tente, por mais que eu force, por mais que eu PRECISE ser menos passional, menos ingênua, menos crédula, mais dura… Não consigo. Meu coração vagabundo não se cansa, quer ser tudo o que quer… Quer guardar o mundo em mim. Mas… Será que cabe?

PS 1 – MUITO OBRIGADA por terem ido me visitar lá no Mondo Redondo e fazerem do meu post de estréia uma experiência tão gostosa.

PS 2 – Como tudo que era pra dar certo pode dar errado… Meu contador simplesmente sumiu. 😦 Mas assim que ele voltar, ou eu arrumar outro, daremos a largada pro concurso do visitante 15 000.

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DROPS MISTO

DROPS MISTO

* Morango – Um convite, um sorriso, e mais palavras

Há algumas semanas, recebi um email de um certo moço me convidando para integrar uma equipe que há muito tempo descobri, acompanho e admiro. Gente muito boa no trato com as letrinhas agrupadas, uma equipe e tanto mesmo.

Fora o estranhamento inicial ( jamais pensei ser convidada ), fiquei muito contente e resolvi aceitar. E, de vez em quando, vou convidá-los pra me ver girando lá:

Mondo Redondo

Hoje tem post meu, de estréia ( prestigiem, por favor… rsrsrs ). E eu espero que, quem vá, goste e volte todos os dias. Pra mim sempre valeu a pena visitar o blog.

Obrigada, Andy, pelo convite e por ser esse amigo novo tão incrível sempre, e a todos os mondanos por terem me recebido tão bem. 🙂

* Jiló – O preço que se paga por ter um emprego

Fiz a minha Declaração Anual de Imposto de Renda por esses dias, o que aniquilou o meu bom humor e a minha esperança na humanidade. Nem vou ficar reclamando, acho que todo mundo já sabe que é um assalto, um absurdo, uma coisa revoltante. Mas vocês sabiam que o brasileiro assalariado trabalha até o meio de maio SÓ pra pagar impostos ao governo? Dêem só uma olhada neste post do meu caríssimo Inagaki e vejam se não é de se descabelar de ódio, fiozinho por fiozinho.

* Abacaxi – Cadê meu pique?

Acho que estou mesmo ficando velha, não na idade, mas no sentido espiritual da palavra. Vendo que mal se conseguia andar nos corredores, que era no mínimo 3 horas de congestionamento pra entrar e pra sair, e que os preços estão lá nas alturas, não fui à Bienal do Livro deste ano. Acho que fazia mais de 10 anos que eu não faltava. E antigamente, essas dores de cabeça com superlotação e congestionamento eram fichinha pra mim. Onde será que foi parar o meu pique? De qualquer forma, acho super legal que as pessoas gostem tanto de ir a uma feira de livros. Isso só pode ser bom sinal.

* Laranja – Bagunça produtiva

Falando desta humilde casa que sempre se alegra em receber as visitas de vocês, eu e meu caro colega e consultor cybernético estamos nos esmerando para arrumar o template, os links, os arquivos e importar toda a mudança do Blogger pra cá. O problema é que o Movyble Type não fala a minha língua, e dá um trabalho danado cuidar de certos detalhes; isso tudo somado a minha falta de tempo e ignorância em html dá nessa bagunça que vocês estão vendo, mas aos pouquinhos a gente se entende e arruma tudo.

* Uva – Programa de Fidelidade

E atenção, pessoas! Eis que o contador vai virando, virando, e se aproxima do visitante 15 000. E claro, tal como foi prometido, vamos ter concurso de novo, com direito a prêmio! Me aguardem.

UM LIVRO, UM CD, UM FILME

UM LIVRO, UM CD, UM FILME

Todo mundo tem preferências eternas e preferências momentâneas no que se refere a livros, cds e filmes. E, pra nossa sorte, tem muita coisa boa pra se ler, ouvir e ver. Melhor assim.

Seguem 3 que estão me rondando ultimamente.

“Os Dez Mandamentos”, Vários Autores – Ed. Bertrand Brasil – 2001 Lojinha

Não se engane. Nada mais crédulo e menos religioso do que esse livro.

Aparentemente é uma simples reunião de dez contos, escritos por dez grandes autores da Literatura Brasileira Contemporânea. Entre eles, Carlos Heitor Cony, Orígenes Lessa, Helena Silveira, Moacir C. Lopes, Luis Fernando Veríssimo. Cada um deles se inspirou em um dos dez preceitos negociados entre Deus e Moisés durante quarenta dias e quarenta noites do alto do Monte Sinai para criar uma história que, reunidas, revelam a fragilidade do homem diante do desejo de transgredir cada parte da severa legislação escrita nas tábuas da lei. E é aí que o livro deixa de ser uma simples reunião de historinhas. Desejo x Lei é e sempre foi o grande nó do ser humano, que inventou essa coisa de viver em sociedade e não deu conta do recado até hoje. Roubo, adultério, cobiça, mentira, traição, morte, raiva, inveja e outras coisinhas simpáticas fazem parte dessa natureza indomável das pessoas, que precisa ser reprimida pra tornar possível a convivência do modo como a entendemos. Deus e Moisés sabiam disso, e no fundo, todos nós sabemos. Só que os autores desses contos souberam colocar essa angústia em palavras.

Há contos belíssimos, outros emocionantes, outros graves. De todos, o do Luis Fernando Veríssimo sobre o “não matarás” é simplesmente embasbacante. Felizmente, Veríssimo é tão bom em outros estilos quanto é no humor, e esse conto diz muito sobre a vida e o que ela é. Deus, em primeira pessoa, vai contando as dúvidas e angústias que tinha enquanto compunha seus primeiros personagens e os via guiando seu próprio destino, muitas vezes à revelia do autor: Adão, Eva, Abel… E Caim. Contar mais é pecado. Só lendo pra saber. Mas tem um pequeno diálogo entre Deus e Caim que merece a citação:

“- Não é o Senhor quem decide nossas vidas?
– Só até certo ponto. Veja.
Mostrei a fruta em que Eu estava trabalhando no momento, e que viria a ser a laranja.
– Eu faço o protótipo da fruta e coloco dentro as sementes. Meu trabalho termina aí. Na semente está o destino certo da fruta, mas seu único destino certo é ser esta fruta e nenhuma outra. Destino não é biografia. Na sua semente está o seu destino final, mas sua biografia é você quem faz. Onde estas sementes cairão, onde esta fruta nascerá e como crescerá, que uso farão dos seus gomos, nada disso é comigo.
– Eu, então, sou como essa fruta. Um invólucro de semente entregue ao acaso.
– Ao acaso, e à sua decisão. Pois, ao contrário da fruta, você tem vontade própria. Pode determinar sua vida, escolher o seu caminho, mudar de rumo se for preciso. Só não pode mudar o destino que Eu implantei em vocês como uma semente.
– E qual é o nosso destino?”

Boa pergunta.

“O Bloco do Eu Sozinho”, Los Hermanos – BMG, 2001 Lojinha Letras

Os caras dos Los Hermanos são aqueles que deviam ter processado muitos outros por terem feito plágio descarado da tal Anna Júlia ( “oooooooo, Carlaaaaaaaaa…” ) aquela música legalzinha, mas cansativa que tocou à exaustão uns anos atrás. Mas ao invés de fazer isso, eles resolveram fazer coisa melhor. E olha… Põe coisa melhor nisso.

Não conhecia “Bloco do Eu Sozinho” até uma semana atrás ( o título já diz tudo ). Por acaso, procurando uma música, achei outra ainda mais “sentimental” e acabei ouvindo. E caí de joelhos. Achei um absurdo alguém entender tão bem uma dor de amor. Achei que era só comigo que certas coisas aconteciam ( a gente sempre acha ). Indo atrás do resto do bloco… Me apaixonei instantaneamente. Tudo aquilo é verdade. Amar é sofrer, e sofrer muito, que sofrer pouco é besteira. E sofrer em grande estilo não é coisa pra qualquer um.

Quase todas as faixas são a expressão mais crua, poética e profunda de uma dor-de-cotovelo daquelas, e, como se não bastasse, um trabalho muito bem feito, cuidado nos menores detalhes. Os acordes dissonantes e distorcidos se juntam com a voz meiga, harmônica e dolorida de Marcelo Camelo, enquanto instrumentos de diferentes portes e potências vão disputando espaço de uma maneira que beira o limite entre o equilíbrio e a loucura. E no final, dá tudo certo. Canções calmas, baladas delicadas, sambas simpáticos, agudos doloridos e batidas raivosas vão se misturando e compondo um verdadeiro retrato do que é a tristeza de ser deixado, da melancolia da solidão, da raiva de ter sido feliz e ver tudo acabado. Dói. E eu fiquei surpresa de ver que pra mim ainda está doendo.

Fazia tempo que eu não chorava ( não sei se já disse isso aqui, mas não sou de chorar ). Mas tive que chorar ouvindo algumas dessas canções. Afinal… “Quem é mais sentimental que eu?!?”?

“O Fugitivo”, de Andrew Davis – EUA, 1993 Lojinha

Pôster do FilmeMuito já se falou sobre esse filme. Sim, é blockbuster de primeira, com cenas de ação que tiram o fôlego, alta produção, orçamento caro, um mega-astro no papel principal e uma edição de som que, mesmo 10 anos depois, deixa muita gente no chinelo. O filme é estrelado pelo charmosérrimo Harrison Ford, acompanhado do ganhador do Oscar Tommy Lee Jones, que roubou toda a cena como Agente Guerard. A história é de um antigo seriado de TV, e já tinha certa aceitação popular. Enfim, o filme tinha que ser o sucesso que foi.

Mas pra mim, “O Fugitivo” é mais do que simples entretenimento. É uma história de obstinação. Uma lição sobre a teimosia.

A sinopse está aí em cima, mas em linhas gerais, um médico corretíssimo é acusado e condenado à morte pelo assassinato da mulher que amava. Num golpe de sorte ( esse “golpe de sorte” é uma sequência de ação de 10 minutos incrível e asfixiante ), ele consegue escapar da cadeira e passa a se dedicar a provar sua inocência, juntando as peças de um quebra-cabeça. Um policial federal, junto com sua equipe é chamado para capturá-lo, e se dedica com a mesma força a prender o suposto criminoso. Uma briga e tanto.

Em muitos momentos, é desesperador ver o bom médico, mancando, triste, acuado, escapando por entre os dedos do não menos bom policial a cada sequência, mais liso que sabonete. Sempre que vejo o filme, me pergunto por que um dos dois simplesmente não desiste. E acho que essa sensação vem do fato de que correr atrás de um objetivo, principalmente se ele está a alguns passos de vantagem sobre você cansa. E cansa muito. E cansa mais um pouco. E é aí que, além da razão, está a teimosia. A teimosia aliada ao esforço dá em final feliz. Ainda que, ao longo do processo se mude muito de opinião, de postura, de jeito, de lado. Aí está um dos grandes valores dos heróis: eles até caem, mas não param.

Mas é pela trama bem amarrada e pelas cenas bem feitas que esse é um filmão. O resto, é divagação, dessas que andam tão presentes ultimamente nos meus dias.

PEQUENOS PRAZERES – 25 COISAS QUE EU ADORO

PEQUENOS PRAZERES – 25 COISAS QUE EU ADORO

* Beijo na boca e sussurro no ouvido.
Beijo na Boca

* Chaves e Novela Mexicana.
Chaves

* Sorvete de iogurte com amora da Gelateria Zuchero, que é a oitava maravilha do mundo.
Sorvete com Calda, hummmmmm

* Sessão da madrugada no cinema.
Escurinho do Cinema

* Dirigir em alta velocidade na estrada.
Carro na Estrada

* Passatempo “Duplex” Coquetel.
Revistinhas de Passatempo

* Lençol de cetim, pijama de seda e pantufa da Lindinha.
Cama Gostosa

* Rádio bem alto e dança sozinha no quarto.
Rádio

* Nhem-nhem-nhem no telefone com moço dengoso que nem eu.
Telefome

* Banho depois de dia cheio.
Banho

* Namorar moço grande e fofo.
Urso de Pelúcia

* Dengo e mimo de amigos.
Denguinho

* Dívida paga e dinheiro pra gastar à toa.
Dinheiro!

* Surpresa.
Surpresa!

* Dormir agarradíssima do travesseiro.
Travesseiro da Japonesa

* Feriado prolongado.
Sombra e água fresca

* Falar sozinha.
Eu e eu mesma

* Descobrir que estava certa.
Certo

* Ouvir música do Luis Miguel e cantar bem alto.
Luis Miguel

* Presente, dar e receber.
Presente

* Flores.
Buquê

* Ver que a justiça tarda mas não falha.
Vingança

* Lembrar coisa boa e planejar coisa melhor ainda.
Devaneio

* Sonho erótico.
Sonho

* Escrever listinhas bobas.
Sorriso

BRAVE HEART

BRAVE HEART

Coração Partido

Este é para os solteiros.

Tenho muitos amigos, e, como dizia o Renato Russo, os celebro todo dia. São pessoas ótimas, porque já passei da fase de me obrigar a aturar gente ruim. Não são bandidos, gente honesta, que sabe rir, sabe brincar, sabe ajudar, sabe chorar. Pessoas que estão na luta pra ser alguém melhor todos os dias. Muitos deles são bonitos, e nenhum deles é uma aberração de feio. Homens e mulheres, gente legal, gente difícil, com ou sem dinheiro, gente de 15, 25, 35, 50, 65 anos, que trabalha nas mais diversas profissões. Gente como eu. E ultimamente, a maior parte deles me vem falar do mesmo assunto, incessantemente, sempre que me vê ou conversa comigo. “Mafaldinha querida, a coisa que eu mais quero na vida é ter alguém pra amar e ser feliz. Mas não consigo.”

As razões são as mais diversas possíveis. Sou traumatizada. Não gosto de compromisso. Não consigo dividir. Só acho homem canalha. Não tenho tempo pra relações românticas, trabalho demais e é assim mesmo. Estou esperando a pessoa certa. Ninguém consegue balançar o meu coração. Ele é egoísta. Ela é inconstante. Ele é galinha. Ela é fútil. Ele liga demais. Ela liga de menos. Já fui muito magoada. Não confio e nem acredito mais. Não suporto mais, mas já me acostumei com ele. Posso viver melhor sem. Não tenho paciência. Ninguém se enquadra nos meus critérios. Nenhum deles presta. São todas vaganundas. Tenho um, mas queria ter vários. Tenho várias, mas no fundo não tenho nenhuma. O mundo é cruel. As pessoas são más. E ninguém me ama, ou pelo menos parece que quer me amar. E assim seguimos, todos procurando. Mas ninguém acha ninguém.

Por trás de todos os discursos, engraçadinhos, sofridos ou articuladamente racionais ( inclusive o meu ), dá pra ouvir nitidamente a mesma lógica. Tenho um medo terrível de me envolver; porque, pra me envolver, preciso me expor. E se me expor, posso ser machucado demais. E fungindo da dor, vamos nos metendo em confusões cada vez piores, armadilhas cada vez mais sofisticadas. E deixando doer cada vez mais, afastando o que mais queremos ter. E quero ver quem prova que estou errada.

Essa coisa de felicidade no amor é um prêmio pros corajosos. Precisa muita coragem mesmo pra amar. Coragem pra dar sua cara a tapa, correndo sérios riscos de levar um safanão. Não é pra qualquer um mesmo.

Essa coisa de amor dá muito trabalho. Gasto de dinheiro, noites em claro. É muito difícil aturar as manias dos outros. Se coloca em xeque os preconceitos, as idéias pré-concebidas. Muitas vezes, tem que se fazer escolhas difíceis. Outras muitas vezes, tem que se ser sensível o suficiente pra perceber as necessidades do outro e considerá-las, ainda que sejam contrárias as suas. Há que se abrir mão de muita coisa também – de paquerar todo mundo a qualquer hora, de programinhas antigos, de velhos passeios, de pessoas, de hábitos, de objetivos. E, o mais difícil – tem que se aprender a mudar! Mudar, sim. Porque todo mundo muda. E quando a outra pessoa muda, ou a gente muda junto ou deixa ela se afastar. E pra mudar, se mexe em feridas que muitas vezes dóem. E lá vai mais esforço… E tudo isso por algumas horas de felicidade. Não parece muito rentoso.

A verdade é que a gente paga um preço pra amar alguém. E paga também um preço pra ficar sozinho. E, pensando que o preço de amar é muito alto, acabamos esquecendo que ficar sozinho também não é nada fácil. Assim como a adrenalina da paixão é viciante, também é viciante a apatia da solidão. E assim, vamos ficando cada vez mais defendidos, mais cheios de manias, nos apegando a esse monte de coisas que conquistamos e que são boas, sim, mas não completam. Tsc.

Amigos, eu que tantas vezes os escuto atenciosamente e calada, e tantas outras vezes falo sem saber o que estou dizendo… Pensei muito e acho que é hora de nos mexer, que sem esforço não vai rolar nada mesmo.

Primeiro, limpar a vida dos amores mal resolvidos, mágoas, medos infundados, sonhos impossíveis, pessoas que só querem acabar com o que temos de bom. Mandar toda essa gente pro seu devido lugar, bem longe, acomodados no nosso passado, ou longe da nossa vida, e deixar um espaço livre pra alguém legal chegar.

E depois… Parar com os discursos de que nossa integridade pessoal está acima de tudo. Está nada. E parar com esse papo de que nos bastamos sozinhos. Balela. A verdade é que quem não tem alguém não pode ser feliz de verdade. Parar de ter vergonha de se expor, vergonha de acariciar, de falar, de tocar, de rir, de comer perto, de tirar a roupa, de se soltar na cama e fora dela. Parar de interpretar um papel e de ficar tentando adivinhar o que o outro espera de nós. Parar de ficar vendo pêlo em ovo, e simplificar as coisas. Dar um jeito de nos livrarmos dessas velhas manias bobas que estamos criando, de achar que tudo tem que ser perfeito, de ficar esperando alguém que preencha nossos requisitos, de ficar sonhando com o príncipe ( ou princesa ) encantado, de ficar cheio de dedos pra falar de sentimentos e tentar, quantas vezes for necessário, até criar uma casca mais grossa. Precisamos crescer e aparecer. E parar de nove-horas. Parar de nos apegar a preconceitos estéticos, práticos e morais que são uma desculpa pra não amar de verdade. É isso, ou assumir logo que preferimos ficar sozinhos e pronto, deixando de choramingar na frente do espelho. É isso ou não vamos parar de ficar correndo atrás do próprio rabo. Pra isso, claro, vamos precisar de coragem.

Eu não tenho ainda. Mas vou dar um jeito de ter, nem que seja aos poucos. Ah, se vou. Me aguardem.

E só pra não perder a mania de citar…

“Tem gente que ama, que vive brigando
E depois que briga acaba voltando
Tem gente que canta porque está amando
Quem não tem amor leva a vida esperando

Uns amam pra frente, e nunca se esquecem
Mas são tão pouquinhos que nem aparecem
Tem uns que são fracos, que dão pra beber
Outros fazem samba e adoram sofrer

Tem apaixonado que faz serenata
Tem amor de raça e amor vira-lata
Amor com champagne, amor com cachaça
Amor nos iates, nos bancos de praça

Tem homem que briga pela bem-amada
Tem mulher maluca que atura porrada
Tem quem ama tanto que até enlouquece
Tem quem dê a vida por quem não merece

Amores à vista, amores à prazo
Amor ciumento que só cria caso
Tem gente que jura que não volta mais
Mas jura sabendo que não é capaz

Tem gente que escreve até poesia
E rima saudade com hipocrisia
Tem assunto à beça pra gente falar
Mas não interessa o negócio é amar… ”
Carlos Lyra e Dolores Duran

“Quem não ama demais não ama o suficiente.”
Shakespeare

TODO CAMBIA

E foi bom enquanto durou. Mas é hora de mudar… E dessa vez pra domicílio próprio. Agradeço a este serviço, que me permitiu conhecer o prazer de blogar por todo esse tempo, e me possibilitou tantas experiências maravilhosas, e dentre elas a maior de todas – conhecer gente boa e trocar idéias. Amigos queridos que eu sei que vão comigo pra onde eu for.

Porém… A partir de hoje quem quiser me visitar vai ter que bater em outra porta:

http://www.mafaldacrescida.com.br

Casa Nova

Estão todos convidados pra tomar um chá na minha nova casa. Ainda está meio desarrumada, alguns móveis fora de lugar… Muita mudança daqui será levada pra lá depois, e infelizmente, outras coisas vou ter que deixar aqui ( como os adoráveis comentários que, muitas vezes, foram melhores que os posts a que se referiam. Só de pensar nisso me aperta o coração… 😦 )

De qualquer forma, será um imenso prazer recebê-los lá!

E quem disser que eu tô muito CHIQUE, bem… Tem toda razão. Hehehe.

LEVANTA-TE E ANDA

Ressurreição

“Porque a tristeza de Deus produz mudança… mas a tristeza do mundo produz morte.” II Co 7:10

De tudo que eu ouvi nesta Páscoa, este versículo e algumas palavras que vieram dele foi o que de mais precioso eu guardei.

Andaram me ensinando que a tristeza é feia. Que ela é desnecessária. Que eu deveria fazer de tudo para evitá-la. Que chorar é feio, que é sinal de fraqueza. Que é humilhante sentir a falta de alguém, uma vez que eu deveria me bastar. Assim como é degradante admitir que a falta de algumas coisas e pessoas me fazem infeliz. Até porque a infelicidade é indesejada. Desejável mesmo é o sorriso, o sucesso, o dinheiro, o reconhecimento, os elogios. E que é nisso, nessas coisas boas, e não na tristeza, que eu devo concentrar minhas energias.

Disseram que o sofrimento é destruidor. Que ele machuca, que ele dói e que a dor não é suportável. Que os suspiros de sofrimento não devem ser proferidos. Que a vida é bela e que devo fazer de tudo para esquecer que sofro. Que eu posso tomar tranquilizantes, me viciar em trabalho, ficar em frente ao computador e à TV, arrumar a todo custo mil formas de ocupar meu tempo e minha cabeça pra não sentir solidão, vazio, tédio. E que se eu viver sempre assim, vou ter a impressão da satisfação constante, ainda que seja irreal. Sim, porque também não se pode estar insatisfeito.

Falaram que as falhas não são bem vindas. Que tudo deve ser perfeito – corpo, alma, coração. Que devo evitar contato com quem e com o que é falho, que devo mudar o que consideram falho em mim pra ser aceita. Que todo erro deve ser rapidamente corrigido, e evitado, ainda que das maneiras tortas, pois o importante é não errar. Que devo pensar em mim antes de pensar em mais nada, ser exigente com as pessoas e não tolerar delas nenhum tipo de escorregão. Que devo analisar tudo que me dizem, e que eu digo, que devo entender e desmembrar os sentimentos, para que eu os domine, e não eles me dominem. Me disseram que o amor de verdade é pragmático e intolerante. E que é feio uma moça moderna aceitar, perdoar, deixar pra lá. O certo é fazer caso de tudo, e fazer tudo certo, do jeito que tem que ser.

Me ensinaram a ter medo da morte. Me ensinaram a correr de tudo isso. E, de repente, eu quase caí nessa.

“Que gente maluca, tem que resolver…”

Pois bem, agora me concentro em não ter mais medo de sofrer. Não ter mais medo de ter medo. E nem mesmo tenho medo das pequenas mortes do cotidiano. Todos os dias, as coisas morrem. Flores, amores, animais, ideiais, sonhos, projetos, pessoas, governos, sistemas, sociedades, esperanças, idéias, vidas em geral. A morte faz parte da vida. Passamos por ela diariamente. E, se nos permitirmos vivê-la, ressurgimos dela. Como num domingo de páscoa.

A história da Paixão de Cristo é uma das de maior força da humanidade. Os incrédulos podem encarar como um arquétipo heróico importante para a sociedade ocidental. Os crédulos podem sentir-se extremamente tocados pelo que houve com aquele homem que foi tão massacrado e passou por tamanho sofrimento por causa da sujeira da humanidade. Mas ninguém pode negar que é uma história valorosa. E apesar de triste, redentora.

Todo o ritual do sofrimento pelo qual Cristo passou, desde que vislumbrou toda a dor que passaria e pediu para que seu pai afastasse dele aquele cálice, até dar o último suspiro depois de ser crucificado, não foi fácil. Simbolicamente, ele carregou nos ombros o peso das falhas de todos os homens e mulheres – e isso não deve ter sido nada leve. A Bíblia é um livro fascinante, e quem a conhece bem pode entender melhor essa história que é tantas vezes contada fora de contexto. Mas a questão principal não é essa.

Voltando ao versículo, o sofrimento divino produz mudança, porque é cheio de história, de aprendizado, de reflexão. E é necessário. O sofrimento vazio, vivido às pressas, pouco sentido, evitado, vira mais sofrimento. E quem foge dessa verdade carrega uma cruz muito pesada, e que fica cada vez mais pesada.

Muitas pessoas revivem, através de alguns dogmas religiosos, todo esse sofrimento, compadecendo-se da figura de Cristo e relembrando todo o sacrifício feito. Jejuns, orações, vigílias, abstenções, domínio da vontade do corpo, abnegação. Sofrimentos e esforços necessários para dar morte a algumas coisas que são falhas nelas mesmas. Respeito imensamente todos esses rituais práticos, e de certa forma, acho que os faço no coração, de outra forma. E anseio por me sentir assim, ressurreta. Sinto a morte me rondando ultimamente. Vazio, tédio, acomodação, incômodo. Algumas coisas vão ter que morrer, eu sei disso, para dar lugar a outras. E o importante é vencer essa morte.

A ressurreição é diferente do renascimento. Quem renasce começa de novo. Quem ressurge, volta do buraco negro da morte divinamente, mais sábio, mais completo, mais vivo. A ressurreição é assustadora e encantadora ao mesmo tempo. E vem pelo sofrimento. Sofrer não é bom. Mas pode fazer bem. E no encalço do sofrimento bem vivido ( que produz sempre as maiores pérolas da humanidade ), vem a alegria. E a vida.

Feliz páscoa a quem entendeu tudo isso, e também a quem não entendeu. Que o espírito de liberdade e ressurreição seja uma constante na vida de vocês.

Feliz Páscoa!

* Bem vindos a esta nova casa! Que seja apenas a primeira das mudanças que estão pra acontecer, e das quais eu tenho sentido o cheiro incessantemente. Peço a todos os que têm o link para este humilde bloguezinho que mudem o endereço, mas que não deixem de vir. Mais uma vez, agradeço ao meu miguinho Marcelo pela assessoria nesse processo de mudança ( logo os arquivos estarão aqui ). E, pra quem interessar… Ter casa própria é mais barato do que parece. Dêem só uma olhada aqui.

A VIDA SOBRE 4 RODAS – PARTE III – 8 MESES DEPOIS…

– Me diz, como é que pode, você, tão delicada pra algumas coisas… Dirigindo que nem homem!

– Eu dirijo que nem homem?!?!

– Dirige.

– Isso é um elogio ou uma crítica?

– ( * Silêncio )

– Puxa… Eu sou uma motorista.

E foi assim. E depois assim. Decidi que ia ter, fiz contas, fui lá e comprei, sem pensar em como ia pagar. Comprei e deixei um mês parado na garagem, com medo de pegar. Curti, enfeitei, timidamente fui ousando, aprendendo… E pronto. Nove meses depois, sou uma motorista.

Em alguns momentos, realmente achei que não ia conseguir. A engrenagem de um carro é uma coisa complicada, e pra dirigir numa cidade louca como essa é necessário muita atenção. É preciso coordenar dois pés em três pedais, duas mãos em um volante e um câmbio com cinco marchas, e um cérebro em uma infinidade de semáforos, placas, faróis, truques, comunicação entre motoristas, espelhos, indicações e rotas. Não é fácil, não. Dá medo de bater, de perder o controle do carro, de atropelar alguém, de ser assaltada no farol. Mas com um pouco de perseverança, o inimaginável se torna possível.

( Quando você não sabe uma coisa, e precisa dela, fica escravo de quem sabe. Conhecimento é liberdade. Sempre foi. É por isso que eu gosto de aprender de tudo. E acho que qualquer esforço vale a pena pra se aprender algo. )

Atualmente, o momento mais feliz do dia é quando estou sozinha com o meu tomatinho por aí. Não é uma questão de status, nem de ostentação ( até porque é um carro popular ), nem de nada além de curtição. Curtir chegar em casa mais cedo. Curtir não ter que me estressar no ponto de ônibus esperando quem não vem. Curtir não ter que carregar peso, nem ter que andar 20, 30 minutos pra chegar em casa no fim do dia quando não aguento mais de cansada. Curtir poder sair de noite sem me preocupar se ainda vai ter ônibus pra voltar. Curtir poupar tempo, curtir ir pra lugares que não poderia ir antes. Curtir as facilidades de um veículo automotor.

Claro, tanta comodidade me custa algumas coisas, em dinheiro e em espécime. IPVA, licenciamento, seguro obrigatório, combustível, manutenção, lavagem, xampuzinho, silicone, limpa vidro, flanelinha, estacionamento, óleo, seguro. O bico da minha mãe percebendo que a filhinha cresceu mesmo, servir de marmitão pra levar fulano aqui e ali, parar de caminhar ( o único exercício físico que eu ainda fazia diariamente ), ficar mais fácil parar em qualquer lugar pra comprar comidas engordantes, sorvetes e chocolates. Irritação no trânsito parado. Sem falar na tal mensalidade, que chega todo mês e morde uma boa fatia do meu orçamento.

Mas o melhor de tudo foram as experiências com o meu primeiro carro. Dirigir sozinha. Pagar o mico de deixar o carro morrer e atrapalhar meio mundo na rua. Quebrar calota. Bater na muretinha na saída do cinema e amassar o pára-choque. Raspar marcha. Pegar estrada sozinha, ir viajar. Dirigir de noite sem rumo, ouvindo música e pensando na vida. Voltar do baile de madrugada. Dar carona. Ajudar quem precisa. Ir no drive-in e namorar em grande estilo. Derrubar suco de limão no banco. Gostar dos amigos e familiares curtindo essa conquista comigo. Levar mamy no supermercado. Marcar mil compromissos num dia e cumprir todos. Paquerar no farol fechado. Sair em dia de chuva. E rodar, rodar, rodar. Muitos quilômetros. Acima de tudo, sentir-me capaz de conquistar coisas que eu quero, desde que saiba fazer isso aos poucos.

E de tanta experiência, além da emoção de cada momento vivido, o que ficou foi mesmo a sensação de liberdade. De ir rápido, sozinha e com certo conforto onde eu quero. De turbinar minhas passadas nessa vida com um motor e quatro pneus a mais. Essa sensação boa de realização. E é por um pouco de tudo isso que eu amo o meu tomatinho de paixão. Ele é meu xodó.

Provavelmente, eu terei outros carros. Nunca liguei pra isso, mas pode até ser que eu tenha carros melhores, mais potentes, e mais caros que esse. Ou não. Sei lá. Mas, aconteça o que acontecer, meu tomatinho vai ser sempre lembrado de uma maneira especial. Meu primeiro carro é ótimo, não pelo que ele é, nem pelo que ele custou, mas pelo que ele me possibilita. E, como todo objeto… Está a serviço da minha felicidade em pequenos pedacinhos.

Toda vez que me sinto poderosa dentro dele, me vem aquela velha canção dos Beatles…

“Baby, you can drive my car
Yes, I,m gonna be a star
Baby, you can drive my car
Baby, I love you…”

PS:. O tempo e o ânimo andam escassos ultimamente, sinto falta de escrever aqui, falta de visitar os amigos… Mas volto em breve. E com novidades!

DROPS DE MARACUJÁ

Hoje cedo, depois de uma intensa crise que se apossou da minha mente e me levava a ficar no trabalho, no sofá, na mesa, em frente ao computador, perto do telefone, no carro, e em todos os outros lugares sentada e vendo a vida passar, sentindo que tinha algo a dizer, mas que não sabia o que era, e que também não conseguia entender, mas que andava me sufocando… Finalmente achei que tinha conseguido achar a ponta do novelo e que ia desenrolar tudo e fazer grandes coisas, no trabalho, em casa, com as pessoas e com esse tecladinho. Mas… Era primeiro de abril, que pena. Nada aconteceu.

“A mentira é uma verdade que esqueceu de acontecer…”
Mario Quintana

Ah, essa sensação de nada que tomou conta de mim de repente… Que meleca.