PESSOAS OU PERSONAGENS? – PARTE III – BETH, A TERAPEUTA

PESSOAS OU PERSONAGENS? – PARTE III A – BETH, A TERAPEUTA

Psicólogas... Há uma crença popular de que tratamento psicológico clínico ou é pra gente doida de pedra, ou pra dondocas e frescos em geral. Carregava comigo a força dessa idéia quando iniciei a minha faculdade de Psicologia, aos 18 anos. Pra variar, caí de pára-quedas lá. Até ali, nenhuma das escolhas que eu tinha feito na vida eram realmente escolhas, mas a faculdade de Psicologia me pareceu algo divertido e interessante, por que não? Queria entender a cabeça das pessoas, passei a minha vida toda observando, pensando, tentando, trabalhando com elas. Achei que a Psicologia poderia ser um instrumento valioso no meu ofício de professora… Mas era só.

Desde os primeiros momentos do curso, jurava que não queria ser psicóloga clínica, de jeito nenhum. Alguns de meus colegas e professores eram tão pedantes e chatos que agravavam meu horror à idéia. Não queria ser daquelas pessoas que vivem interpretando a si mesmas e aos outros, e muito menos queria pertencer ao grupo dos profissionais que se acham a última coca-cola do deserto, e gelada, daqueles que dizem que todo mundo precisa de um psicólogo. A Psicologia é uma carreira facilitadora de achismos, charlatanismos e simplificações; e um abrigo perfeito para egos inflados, papagaios inconsequentes e pessoas vazias. Tal como não queria me envolver profissionalmente com a clínica terapêutica, também achava que podia prescindir de um psicólogo na minha vida pessoal. Afinal de contas, pra que ir a um lugar todas as semanas passar uma hora inteira falando de mim mesma pra alguém que não vai me dar respostas prontas, e ainda pagar por isso? Bobagem, balela, blá-blá-blá, algo nada científico. Ignorei o conselho de todos os professores ( que pregavam que todos os futuros psicólogos precisavam de terapia psicológica ). Criei teorias interessantes sobre o assunto, todas pra apoiar a minha repulsa pelo consultório. Para mim, estava claro – psicologia, só se fosse institucional. Tola, ainda não sabia o que sei hoje – se existe alguém que não pode dizer que jamais vai fazer uma coisa… Esse alguém sou eu. É fatal.

Passei os quatro primeiros anos do curso construindo um bom conhecimento teórico, e algumas paixões por algumas teorias – talvez nenhum curso seja mais gostoso para quem gosta de pensar sobre a vida do que esse. Mas nada que me tocou a alma e nem despertou em mim o tesão de exercer a profissão. Li muito, escrevi demais, tive conversas memoráveis. Conheci a fundo Freud, Skinner, Jung, Pearls, Winnicott, Klein, Fromm, Pichon e mais um monte de nomes. Aprendi a aplicar todos aqueles testes insuportáveis, treinei um ratinho na caixa de condicionamento, frequentei o laboratório de Anatomia… Até chegar ao quinto ano. No curso de Psicologia, o quinto ano é feito só de estágio e supervisão – prática e mais prática. Comecei os estágios na área organizacional e institucional, e, apesar de me interessar pelas discussões dos casos clínicos, ignorei a possibilidade de atender um paciente.

Um professor, daqueles que a gente odeia – mas precisa – depois de tentar com toda delicadeza me convencer da idéia de que eu precisava atender um paciente ( sem sucesso ), um dia, a um semestre do meu tão sonhado e suado diploma, me disse:

– Escuta aqui, garota, aqui está a pasta com um prontuário – você vai atender um paciente, um molequinho, de 2 anos e meio.
– Eu não quero atender, dê pra alguém que quer, tem gente que mataria pra ter essa pastinha… Eu tô fora, obrigada.
– Não estou perguntando se você quer. Você vai atender e pronto.
– Por quê?
– Porque EU quero.
– Você não pode mandar em mim, não quero e pronto.
– Posso, sou seu professor e vou te provar que você leva jeito pra coisa. Se depois você quiser desistir, problema seu.
Silêncio. Olhei aquela criatura com o maior ódio desse mundo.
– E se eu não atender?
– Eu não deixo você se formar, porque vou infernizar tanto a sua vida que você vai se arrepender amargamente do dia em que escolheu esse curso.

Achei que era fim de discussão. Mesmo uma aluna topetuda e teimosa tem que ter medo do perigo e saber qual é a hora de parar de questionar e acatar as ordens. Ele deixou o prontuário na mesa, virou-se e foi embora. Malcriado.

Li o prontuário. Daniel ( claro, troquei o nome e alguns detalhes, psicóloga e padre não quebram certos segredos ), 2 anos e 6 meses, não dorme à noite, é agressivo, treme e bate nos pais, que acabaram de se separar. A mãe procurou atendimento porque não sabia mais o que fazer com seu pequeno ditador. Pede urgência.

A única coisa que eu pensei é, como, meu Deus, como alguém leva uma criança de 2 anos e meio a um psicólogo?!? Quem é o doido, o moleque ou ela? Por mim, mandaria a mãe procurar ajuda e ponto final. Mas a minha curiosidade foi maior. Algo me dizia que o moleque precisava encontrar comigo. Comprei a idéia. Preparei a caixa de brinquedos, a sala lúdica, marquei o horário, conversei com os pais. E quando entramos na sala, o molequinho e eu… Nossa, que coisa doida. Parecia que sempre estivera ali. Que ali era o meu lugar. Ele e eu nos entedemos perfeitamente. Eu lia os sinais que ele me dava, e, hora intuitivamente, hora racionalmente, respondia a eles. E ele saiu dizendo, “eu volto pra te ver, amiga, preciso da sua ajuda pra enfrentar os monstros”.

Ali eu saquei o que era uma terapia psicológica. E deixei minha teimosia boba de lado pra me envolver com a magia da ajuda profissional às pessoas que estão sofrendo e/ou querem se conhecer um pouco mais ( mesmo que isso me custasse ver o sorriso vitorioso do meu professor chato quando me ouviu relatar, tão encantada, o que tinha acontecido na sessão ).

Ainda na clínica, atendi mais 3 pacientes além do Danielzinho, que levei depois comigo pra uma salinha que montei com alguns amigos, quando eu já estava formada e com o certificado na mão. E lá, surgiram mais alguns, todos crianças, que com gente grande eu não me entendia. E em pouco tempo eu senti na pele o quanto podia ser complicado lidar com os problemas dos outros antes de pensar nos meus. Como é difícil essa missão, a de amparar pessoas que chegam a você tão frágeis, tão tristes, tão esperançosas, tão duras. Como é sério isso, o quanto depositam em você problemas, cargas e responsabilidades que não são suas, e o quanto isso pode grudar nas suas costas se não houver preparo e responsabilidade. Como é complicado cuidar dos outros sem cuidar de si mesmo antes. Não dava mais pra fugir. Pra ser psicóloga, pelo menos se quisesse ser uma das que não são picaretas… Eu precisava procurar a MINHA terapeuta.

Foi uma luta. Conseguir indicação de alguém em quem pudesse confiar… Achar um lugar que fosse acessível, da minha casa ou dos meus locais de trabalho… Tomar coragem de ligar… Separar um ( bom ) dinheiro pra isso… Arrumar um horário numa semana cheia de compromissos. Fui amadurecendo a idéia, arrumando a minha vida, bati em algumas portas erradas, até que liguei pra pessoa certa. O cartãozinho estava lá, Elizabeth, terapeuta junguiana, telefone tal.

– Elizabeth?
– Pode chamar de Beth… Eu mesma.
– Queria marcar um horário pra conversar.
– Claro… Estava mesmo te esperando, moça.

Marcamos. Era uma quarta-feira chuvosa, chuvosa mesmo. Nunca vou me esquecer. Torcia as mãos de nervoso no ônibus, vendo aquela tempestade cair como se fosse um mau sinal. Pensei em desistir. Cheguei a deixar alguns vagões do metrô passarem antes de decidir. Mas acabei indo. Meu guarda-chuva quebrou, o trânsito estava impossível, fiquei totalmente ensopada, o carro passou e jogou mais água em mim, meu walkman ficou com as pilhas fracas, quase fui assaltada, e cheguei atrasada, mais nervosa ainda. Passei no banheiro pra respirar, lavar o rosto e torcer o cabelo molhado. Ouvi ela me chamar, e fui. Mal conseguia reparar nela, entrei na sala sem saber se era loira ou morena, gorda ou magra, velha ou jovem. E só depois que me sentei na poltroninha ( coberta por um plastiquinho providencial ), de frente pra ela, é que percebi o que significava aquilo tudo pra mim. Não sou de tremer, mas tremi dos pés à cabeça. E não olhei no olho. E depois de um sorrisinho burocrático, começamos.

– Olá, Mafalda… Você está toda molhada… Parece cansada… Foi um longo caminho até aqui, né?
– Sim, foi… E como foi.
Respondi automaticamente… Mas entendi o que ela quis dizer.
– Me conta, o que te trouxe aqui?

Ai, ai, ai… Se o caminho para trás era longo… Ainda mais longo seria o que viria. Sabendo disso, respondi a pergunta.

Continua…

DROPS DE LIMÃO SEGUIDO DE ENQUETE

DROPS DE LIMÃO SEGUIDO DE ENQUETE

Misericórdia...

Nossa, nossa, nossa… Acho que acabei de ouvir a pior música do mundo.

Mas diga aí, você, caro leitor amigo, ou caro amigo leitor… Na sua opinião, qual é a pior música do mundo? Que pérola do cancioneiro popular ou erudito irrita seus ouvidos? Que combinação entre letra chinfrim e melodia pobre ofende seus tímpanos? Hein, hein? 🙂

DROPS DE LARANJA

DROPS DE LARANJA

* Relativismos, primeiros passos, dificuldades e vitórias, hoje, na minha vez de rodar no Mondo Redondo.

Passa !

* Estou tendo problemas para acessar blogs hospedados no Weblogger… E quando consigo acessar, não consigo comentar… Chuif.

* Alguém aí que manja dessas coisas poderia me dar de presente um selinho com o nome do meu blog, daqueles que todo mundo tem e só eu não tenho? Hein, hein?

COISAS QUE NÃO TEM A MENOR GRAÇA

COISAS QUE NÃO TÊM A MENOR GRAÇA

E eis que finalmente termina o concurso do visitante 15 000.. E quem ganhou foi o Andy. Me disseram que foi uma briga boa… Mas fiquei contente que tenha sido ele o ganhador, ele, que é uma graça de moço e vem aqui sempre. Parabéns, querido, vamos conversar direitinho pra acertarmos essa premiação. Obrigada a todo mundo que participou, deixou comentários fofos e pra quem sempre vem aqui prestigiar. E quem não ganhou, não desanime… Teremos o concurso do 20 000. Hehehe.

Mas, indo ao que interessa…

Tem coisa melhor que escrever listas? Não, não tem. Lá vai mais uma.

Coisas que não têm a menor graça:

Macarronada sem queijo.

Corpo sem alma.

Tarde de verão sem pôr-do-sol.

Sorvete sem cobertura.

Amizade sem segredos.

Briga feia sem tapa.

Cinema sem jujuba.

Frio sem chocolate quente.

Decisão sem convicção.

Cachorro-quente sem salsicha.

Vidas sem excessos.

Lingerie nova sem espectador.

Sequilho sem chá mate.

Doce sem açúcar.

Pipoca sem sal.

Beijo na boca sem língua.

Amor sem paixão.

Sono sem sonho.

Aniversário sem brigadeiro.

Trabalho sem realização.

Presente sem cartão.

Festa Junina sem quadrilha.

História de amor sem lágrimas.

Novela sem final feliz.

Neném sem sorriso.

Viver sem correr riscos.

Sexo sem tesão.

Montanha-russa sem friozinho na barriga.

Futebol sem palavrão.

Namoro sem envolvimento.

Fidelidade sem lealdade.

Pessoas sem defeitos.

Vida sem emoção.

TANTAS PALAVRAS… TANTOS AMIGOS… TANTO AMOR…

TANTAS PALAVRAS… TANTOS AMIGOS… TANTO AMOR…

Caminho

Um pouco antes no espelho:

“- Ei, dona menina… Precisa tirar a trava da sua inspiração pra deixar uma mensagem bem legal pro visitante 15 000. Afinal, são 15 000.”

Vim, e sentei aqui muito determinada. Trabalhei, conversei, ouvi música, e pensei, muito, no que significa esse número tão grande ( pra mim, ele é enorme ). O que significa tudo que eu escrevi aqui esse tempo todo, o que tem significado mais esse canal de comunicação com o mundo, quem são as pessoas que têm me “lido” em todos os sentidos que essa palavra pode ter. Pensei nas pessoas maravilhosas que conheci e tenho conhecido através do blog, e nas que ainda sei que vou conhecer. Nos amigos de sempre, que vivem por aqui me bajulando e me incentivando, como se não bastassem os sorrisos, telefonemas, abraços e colinhos que me dão fora dessa realidade virtual. Pensei nas muitas pessoas talentosas que tenho lido, e que têm me ensinado tanto, e ainda dão a honra de vir aqui me ler. Pensei muito no que significa me expor, me expressar, compartilhar tantos sentimentos, impressões, risos e choros através das letras. Pensei na força da palavra, no alcance impressionante que ela tem. Pensei na comunhão que faz nos identificarmos todos nas experiências uns dos outros configuradas nesses bites de sons, imagens, cores e sinais. Pensei em como é bom poder compartilhar experiências, e registrá-las. Pensei muita coisa. Pena que minhas mãos não acompanhem meu pensamento pra eu poder contar tudo.

E o resultado de tanta pensação me veio em um trecho de canção do Renato Russo:

“Celebro todo dia
Minha vida e meus amigos
Eu acredito em mim
E continuo limpo.”

Obrigada a quem passa sempre por aqui pra ler esse monte de devaneios estranhos que brotam no cotidiano de uma moça que teima em ser uma contempladora da vida e do mundo. ( Dizem que quem contempla muito vive pouco… Não sei. ) O fato é que me enche de alegria saber que sou humana, que tenho uma vida, que penso e sinto e posso encontrar tantas outras pessoas que vivem, pensam e sentem como eu. Não sei quem será o visitante 15 000, nem como vai ser o lance do presente, mas a grande questão não é o que as coisas são, e sim o que elas significam. E tudo o que penso é que tanta gente boa por perto só pode significar que a vida anda bem. Com altos, baixos e médios, mas anda… E da melhor maneira que poderia andar.

Pra todos vocês, e principalmente pro visitante 15 000, deixo uma das músicas mais singelas e mais lindas que já fizeram. E que retrata exatamente o que eu chamo de maturidade diante da vida.

“Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais…
Hoje, me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei…
Eu nada sei.

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir…

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias,
Pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir…

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega ,
No outro vai embora.
Cada um de nós compõe a sua própria história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.

Sou feliz por ter vocês como leitores… Obrigada por tudo, de coração.

Mafaldinha agradece o carinho de sempre. :-)

E só pra relembrar… O visitante 15 000 ( ou o mais próximo disso ) deve deixar um comentário alardeando sua vitória, e matando todos de inveja… Hehe. E depois ainda me mandar um email ( mafaldacrescida@hotmail.com ) avisando da sua identidade. 🙂 Fazendo isso, ganha automaticamente um presente, que pode ser entregue via correio ou pessoalmente, caso o vencedor more perto e esteja afim de um chocolate quente ( sorvete, com esse frio, nem pensar. rs ). Torço por todos, juro! E vou me sentir felicíssima em presentear @ felizard@. 🙂

IRMÃO URSO

IRMÃO URSO

Ursinhos Polares

Segundo os biólogos de internet e uma ou outra lembrança dos tempos de escola, alguns animais de sangue quente, em uma determinada época do ano, passam por um peculiar processo de combate às adversidades climáticas. Sentindo as agressões do tempo, eles entram em um período de letargia, mais conhecido como hibernação. Durante algum tempo, eles ficam em estado de sono profundo. Em algumas espécies, o corpo permanece dormente e inativo por algumas semanas. A respiração quase cessa, o número de batimentos cardíacos diminui, e o metabolismo restringe-se ao mínimo necessário para garantir a sobrevivência. A temperatura do corpo cai, e não é necessário nenhum tipo de alimentação, cabendo às reservas de gordura e energia armazenadas pelo corpo nos tempos de atividade intensa garantir o funcionamento fisiológico dos órgãos.

A hibernação é necessária para esses animais para que possam suportar o frio rigoroso e a escassez de alimentos, principalmente nos pólos do planeta. Se dá de maneiras diferentes conforme a espécie, e em muitos casos, acontece em etapas. Em algumas outras regiões, animais fazem o mesmo devido ao calor excessivo e a falta de água ( aí a coisa toda passa a chamar estivação ). Hibernar acontece com ursos, marmotas, morcegos, esquilos, ouriços. Algumas experiências demonstram que, mesmo se forem mantidos em ambiente aquecido, esses animais hibernam por alguns meses, cumprindo o ciclo.

Eu gosto do frio. Gosto da cor, do tom, da moda, do jeito das pessoas durante o inverno. Gosto do quê de recolhimento e da vontade que dá de abraçar alguém debaixo do cobertor. Gosto de chocolate quente, de sopa ( deixa a Mafalda de verdade saber disso… ), de pijama de flanela e edredon. Acho que o frio deixa as pessoas mais elegantes, mais lentas e mais pensativas, e os tons cinzas são mais suaves e profundos.

Mas esse inverno ( que aqui em Sampa, praticamente já começou ), tem algo de diferente. Os dias estão passando por mim tão rapidamente, e eu sinto que nada posso fazer sobre eles. O tempo todo me dá uma vontade enorme de dormir, de ficar quieta, de ficar só, de parar de pensar, de ter um descanso longo, de fazer o mundo esperar por mim até eu me sentir pronta pra acordar sem ficar com essa sensação de estar sendo levada, carregada.

Talvez seja apenas cansaço pelas muitas e muitas voltas que a vida deu nos últimos anos. Posso afirmar seguramente que, fora aquelas coisas absolutamente essenciais, sou outra pessoa. Outra pessoa, que viveu intensamente coisas que jamais imaginaria viver. De repente, a vida fez um sentido enorme, tão grande, e eu precisei agarrar aquilo tudo com todas as unhas, com toda a força e vontade. E quanta coisa eu fiz em tão pouco tempo… Quanta gente, quantas experiências, quanta mudança. E, de repente de novo, tanta conquista começa a me cansar. Talvez pra causar aquele desconforto mais que necessário pra buscar novas coisas. Mas mesmo assim, por hora, fica só essa sensação de que preciso dormir envolta na manta desses sonhos todos – os realizados, os que deixaram de fazer sentido e os que ainda faltam acontecer.

Talvez tanta vontade de apagar seja um pressentimento ruim de que um inverno rigoroso e agressor esteja pra acontecer. E se for isso, quem me dera passar por ele dormindo, sem que nada pudesse me incomodar, sem que nada pudesse me atingir, sem que eu pudesse sentir as variações climáticas. Não, não se trata de pessimismo, ou medo, ou vontade de desistir. É apenas um desejo de trégua, um espaço pra dormir em paz enquanto o frio não vai embora, como se isso fizesse parte da minha própria natureza.

Acho que há algo hibernando em mim, ainda que eu esteja andando por aí, trabalhando, dirigindo, conversando, indo ao cinema, ouvindo música, escrevendo. Sinto como se faltasse um pedaço, me sinto distante das pessoas, e sem vontade de me aproximar. Sinto meus projetos parados, minha vida amarrada em tantos pontos sem que eu consiga desatar os nós, e pra falar a verdade, nem me dá vontade de fazer isso. Tudo que eu queria era ficar assim, quieta. Pelo menos por um tempo. Não sei se o mundo esperaria por mim. Se as pessoas continuariam as mesmas depois que eu voltasse. Se os rumos seriam outros, ou se tudo permaneceria igual. São tantas perguntas, e me dá um cansaço maior ainda pensar em todas elas.

Enquanto eu não descubro se isso tudo é só efeito retroativo das últimas semanas difíceis, ou se faz realmente algum sentido… Vou ali tirar um cochilo.

Urso Polar Hibernando

EXPEDIENTE

* E enquanto o meu relógio pessoal gira lentamente, o contadorzinho aí do lado gira depressa, depressinha! E, tal como foi no concurso do 5 000, que a queridíssima e fiel leitora Penny Lane ganhou, fica valendo a seguinte regra… Se você entrar, e o numerozinho aí do lado marcar 15 000… Deixe um comentário dizendo, “sou o 15 000!”, e mande-me um email – mafaldacrescida@hotmail.com. O vencedor ou vencedora ganha um presente, um cartão e, sendo morador em Sampa, pode também ganhar um jantar, almoço, cinema, sorvete, café… Ao gosto do freguês. 🙂 Se o 15 000 não estiver afim ou comer bola… Fica valendo o 15 001, 15 002 e assim por diante.

* Quero deixar um beijo especial de agradecimento ao Sr. Ribeiro, que me fez uma citação tão linda no blog dele e ainda me chamou de escritora. 🙂 Obrigada, querido, e escritor é você. 😉 Agradeço também a todas as visitas e comentários fofos lá no Mondo.

* Dentro de alguns dias, esse bloguezinho vai completar um aninho de vida… Oh, quem diria.

DROPS DE MARACUJÁ

DROPS DE MARACUJÁ

* Quer ler uma historieta ultra-romântica? Então vai lá conferir minhas voltas no Mondo Redondo… Faço questão da presença de vocês lá. 🙂

Clica aí e vai me ler lá! :-)

* E atenção… O contador está correndo, a passos largos em direção ao visitante 15 000! A coisa funciona assim: se você for o visitante 15 000, deve deixar um comentário e me mandar um e-mail ( mafaldacrescida@hotmail.com ) avisando. Se o visitante 15 000 não se pronunciar, fica valendo o 15 001, 15 002 e assim por diante. O vencedor ganha um presente, e, se morar em Sampa, de quebra, ainda pode ganhar um jantar, sorvete, cinema… Ou tudo isso junto. 🙂 Alea jacta est!

FILHA DA MÃE

FILHA DA MÃE

Maternidade

Quando não lembro que caminho eu faço pra chegar mais rápido no centro da cidade,
Ou que caminho eu tenho que seguir pra fazer a coisa certa na vida;

Quando preciso de um conselho sincero sobre que roupa vestir pra ficar mais elegante pra ir naquela festa,
Ou preciso de um conselho sobre o que fazer diante de um dilema da vida;

Quando quero saber quantos ovos eu tenho que colocar no bolo de leite fervido,
Ou quantas vezes posso bater a cabeça antes de chegar no meu limite;

Quando sinto uma dor imensa no corpo, aquela de gripe, e sinto falta de alguém que faça uma sopinha e traga remédio pra mim,
Ou sinto uma dor imensa na alma, que só um colo seguro poderia sarar;

Quando preciso de alguém que me defenda das pessoas maldosas,
Ou do mundo, que me ataca ferozmente parecendo que vai arrancar um pedaço;

Quando sinto orgulho de um desenho, um texto, ou qualquer coisa que eu faça,
Ou me dá aquela vontade de lembrar de alguém de quem eu possa me orgulhar;

Quando me dá vontade de comer aquele pudim de leite delicioso,
Ou me dá vontade de me alimentar de palavras de carinho e companheirismo;

Quando preciso de uma boa bronca pra deixar de ser menos bagunceira e cuidar melhor do meu quarto,
Ou quando preciso que alguém me dê um presta-atenção sobre as coisas que venho fazendo erradas comigo mesma e com os outros;

Quando me sinto bem em família no natal,
Quando quero ter certeza que sempre vai haver um lugar pra mim nesse mundo,
Quando preciso falar com alguém que me conhece melhor do que ninguém,
Quando o meu orçamento vai estourar no fim do mês,
Quando estou tão cansada que não quero fazer mais nada,
Quando preciso tomar decisões éticas e estéticas,
Quando vou fazer a minha declaração de imposto de renda;
Quando preciso de um exemplo de mulher e de amor,
Quando quero me sentir amada, aprovada e amparada,
E quando eu quero dar meu amor pra alguém que eu sei que o merece por tudo que fez por mim,

Tudo que eu consigo pensar é:

“EU QUERO A MINHA MÃÃÃEEEEEE!!!!!!!!!”

Feliz dia das mães a todas aquelas que têm, tiveram ou terão filhos, e principalmente pra melhor mãe que eu poderia ter: a minha. 🙂

Mãe e Filha

DROPS DE HORTELÃ

DROPS DE HORTELÃ

* A quem interessar possa… Tem post no Canções de Amor, meu outro blog rejeitado, sobre essa coisa de maternidade. 🙂

Mamãe e Filhinho

* Já que todo mundo está fazendo, lá vai:

– Pegue o livro mais próximo de você.
– Abra o livro na página 23.
– Ache a quinta frase.
– Poste o texto em seu blog junto com estas instruções.

Pra sorte dos leitores… O livro mais próximo é um de poemas e letras de músicas do Vinícius de Moraes. Como selecionar apenas um verso de um poema é quase um pecado, aí vai a quinta estrofe:

“Assim como o oceano só é belo com luar
Assim como a canção só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem só acontece se chover
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver

Não há você sem mim e eu não existo sem você…”

Vinícius, ô criatura abençoada…

UM ANJO QUE CAIU DO CÉU

UM ANJO QUE CAIU DO CÉU

Me dá a mão?Se você, por alguma infelicidade imensa, ainda não encontrou, com certeza um dia vai encontrar. Ou melhor, é bom prestar atenção, porque com certeza, eles estão por perto. Geralmente eles aparecem de repente, mas pode ser também que estejam por perto há tanto tempo que você nem se lembra quando chegaram. O fato é que eles existem. Gente especial. Especialíssima.

São mais ou menos assim: riso largo, voz mansa, gestos suaves, olhos atentos e trazem consigo um ar tão leve, tão saudável, que fazem você se lembrar como é bom respirar. Não têm medo de tocar, de abraçar, de beijar, de fazer um afago no cabelo, de sorrir pra quem não conhecem. Dizem o que pensam e sentem com paciência, mansidão e compreensão dos limites dos outros. São queridos por todos – nem os invejosos conseguem ter raiva deles. Você não vê esses seres fazendo coisas como fofocas, intrigas, maldades gratuitas. Humanos que são, têm defeitos, mas são tão poucos que nem são relevantes. Educados, sensíveis, simples, amáveis, íntegros, sábios, positivos – certas pessoas são tão capazes de fazer você se sentir tão melhor que fazem você pensar – e eventualmente dizer – que anjos de vez em quando caem do céu pra iluminar a vida dos pobres mortais aqui da Terra.

Um anjo é isso mesmo – alguém que cuida de você, ao mesmo tempo tão perto e tão longe, que segura quando você cai. Que é sincero sem ser grosseiro. Que é doce sem ser trouxa. Que é sorridente sem ser bobo. Que é otimista sem ser ingênuo. Que é sábio sem ser pedante. Que é silencioso sem ser omisso. Que é radiante sem ofuscar o resto ao seu redor. Pessoas que são tão fofas, tão legais, que sempre que você se lembra delas, acaba sorrindo. Aquela vizinha que sempre diz um “bom dia” fervoroso quando você passa. Aquele senhor que você encontrou no ônibus e desejou que sua vida fosse abençoada, como se fosse seu pai, só porque você cedeu seu lugar pra ele sentar. Aquele amigo que você nunca viu de cara feia, e que aguenta os seus maus humores bravamente. Aquela senhora que trabalha com você e bate a mão no seu ombro, solidária, quando você está cansadíssima, sussurrando – “calma, querida, o dia já vai acabar”. Aquele outro amigo que manda um cartão, telefonema ou email inesperado dizendo o quanto gosta de você e deseja tudo de bom. Aquela tia que você nunca viu alterando o tom de voz. Aquela pessoa que sempre tem algo de bom pra dizer, e que não usa de ironia, ou de sarcasmo barato pra disfarçar as suas próprias fraquezas. Gente pra quem palavras como “eu te amo”, “me desculpe”, “estou aqui”, “sinto saudade” não constituem um trava-língua. Gente boa mesmo, gente de bem, gente que faz diferença por aí e nem esperam nenhuma espécie de pagamento por isso. Gente pra quem nada é difícil, que está por aí pra facilitar pros outros. Gente que todo mundo olha e diz – “Fulano? Ah, aquele sim, é uma pessoa realmente ESPECIAL!”.

Essas pessoas, além de saber o quê, sabem quando fazer algo que pode mudar o seu dia pra melhor. Um telefonema, um toque, um sorriso, um olhar compreensivo, uma frase, e pronto. Elas literalmente conseguem salvar o dia.

Ando de saco muito, mas muito cheio da minha vida do jeito que ela está, e sem perspectivas de mudanças próximas. Perdidinha da Silva. E claro, isso me deixa frequentemente calada, chateada e desanimada. E hoje, um desses anjinhos, sem que eu precisasse pedir nada, enxergou o que anda por trás dos meus sorrisos burocráticos, e me mandou um recadinho. Um bilhete perfumado, em papel bonito, com letra caprichada, cheio de carinho e com uma letra de música, que dizia algo assim:

“Não existiria som se não houvesse o silêncio…
Nâo haveria luz se não fosse a escuridão…
A vida é mesmo assim:
Dia e noite, não e sim.”

Gostaria de dizer o quanto essa coisa tão simples me fez bem, e o quanto outras pequenas coisas também me fazem bem durante os meus dias, e o quanto estou agradecida, pelo carinho desse e de outros anjinhos que têm me rondado. Mas…

Tem certas coisas que eu não sei dizer…

:-))))))))))))))))