DROPS DE AMORA – TER OU NÃO TER NAMORADO

DROPS DE AMORA – TER OU NÃO TER NAMORADO

Até comecei a escrever uma listinha daquelas, mas me lembrei deste texto perfeito e achei que ele diria tudo. LINDO, simplesmente lindo.

O texto, como tantos outros, é erroneamente atribuído ao maravilhoso poeta e cronista Carlos Drummond de Andrade, quando na verdade é de autoria de um outro fantástico escritor, Artur da Távola. Você pode entender mais sobre o assunto da troca de autorias clicando aqui.

TER OU NÃO TER NAMORADO

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil por que namorado de verdade é muito raro.
Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrimas, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil .
Mas namorado é mesmo difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem quer se proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia, pedindo proteção.
A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira, basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar.
Se você tem três pretendentes , dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade.
Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, do carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhadas quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo metrô, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer sesta abraçado, fazer compras junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e do amado e sai com ela para parques, fliperama, beira d´agua, show de Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonho ou musical do metrô.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado.
Não tem namorado quem ama sem gostar, quem gosta sem curtir, quem curte sem se aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, de madrugada ou no meio dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações, quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar.
Enfeite-se com margaridas e ternuras escove a alma com leves fricções de esperança.
De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passar debaixo de sua janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de conto de fadas.
Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente começar a fazer sentido.”

Artur da Távola

Enlouqueçam-se…

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31 comentários sobre “DROPS DE AMORA – TER OU NÃO TER NAMORADO

  1. Adoro esse texto.
    É bom demais ter namorado, ter alguém a quem amar, ter alguém que nos ame. Mas é importantíssimo não deixar que os problemas, a vida agitada ou seja lá o que for, nos tire a capacidade de enxergar essas pequenas coisas que fazem toda a diferença em um relacionamento.
    Beijos!

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  2. É… ‘nAMORar’ – de verdade – traz amor agasalhadinho, no maior aconchego. Também traz a delicadeza da amora, palavra tão doce que bem que podia ser, na gramática amorosa, o feminino de amor. Obrigada pelo “Drops”, que adoçou esta manhã. Beijo pra você.

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  3. Kari… andei meio sumidinha, não é? Pura falta de tempo! Mas senti uma baita saudade do teu canto… E adorei parar um pouco mais aqui hoje! Amo este texto, e mesmo tendo namorado precisava de um incentivo para me enlouquecer mais… Obrigada! Bjux!!!

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  4. Esse texto não é do Drummond????

    Relendo-o, percebi que ele poderia ser seu, tem o seu jeitinho.

    Bjo, queridíssima…

    Carlinha, feliz dia dos namorados pra nós… Já que o Zé continua sem pc e vai enfartar qdo souber que vc mudou de interesses. * rs

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  5. Estava navegando e encontrei seu blog… puxa, q legal!!!! Adorei… O engraçado é q havia recebido hj este texto como sendo do Drummond… mas legal saber q é real// do Távola. Reforçando: achei interessantíssimo sua página e muito inteligente…
    Cheiros,
    Silvinha

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  6. Oi, tudo bem?
    Achei seu blog procurando aquela magnanima letra de Almir Sater, e acabei achando um blog tão sobranceiro como a letra. Mas o porte deste blog tão visitado, não vai se engrandecer com essas palavrinhas bobinhas ditas por um estranho que do vento efêmero surgiu. Te poupo de perder mais tempo lendo isso.
    Keep this way.
    C you

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  7. Passei um bom tempo acreditando que este texto era mesmo do Drummond (Com o advento da Internet essas atribuições errôneas, de autoria, são uma constante, né?). E foi pelo Jornal da Poesia, mesmo, que tomei conecimento de que era do Artur da Távola.
    Lógico que “à Cesar o que é de César”, mas não faz muita diferença. Ambos são excepcionais, assim como o texto, né mesmo?
    Ó, já falei pra Mô: no dia que vcs forem se encontrar, também quero ir, viu?
    Bjs

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  8. Só louco… amou como eu amei… só louco, quis o bem que eu quis… amar e namorar sempre !!!! Delíííííííííííiiiccccciiiiiiiiiiiiiiiiaaaaaa!
    Beijos, Mafaldinha… espero que possa estar conosco no dia 20 !!!!

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  9. O texto é lindíssimo!
    Passei os Dia dos Namorados sozinha, mas mesmo assim foi delicioso! Afinal a melhor companhia tem que ser a nossa mesmo, e me sinto bem assim… Isso é o que mais importa não é? Não estou procurando um namorado, estou me procurando, quem sabe nessa procura eu encontre alguém especial, talvez até já tenha achado, mas essas coisinhas tem hora certa pra acontecer, e nunca é a hora que a gente quer… E isso é pra gente aprender a dar valor…
    Bom domingo pra vc!
    Beijos

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  10. ACHEI O TEXTO LINDO!!!! É MUITO PROFUNDO …PARABÊNS POR ESSE TEXTO…. SÃO PURAS VERDADES…. FICAR HOJE EM DIA TÁ NA MODA, MAS AS PESSOAS CONTINUAM NA VERDADE É CADA VEZ MAIS SOLITÁRIAS… VIVA! AO NAMORO!!!!!

    RIO DE JANEIRO ABRAÇOS PARA TODOS

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  11. Esse texto é divino!

    Nao conhecia e me fez muito bem porque sou dessas pessoas que curte a própria vida e tenho que ficar ouvindo essas pessoas que se sentem o último dos mortais porque nao ~têm namodrado, eu nunca entendo isso.

    valeu pelo texto!

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  12. Mas o Drummond tem tbm uma poesia linda, mto parecida… soh percebi que naum podia ser dele por causa do “Chico Buarque” mencionado no texto, que naum era nada ainda na época do Drummond…
    Prefiro a original.

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