DROPS DE CEREJA

DROPS DE CEREJA

* Amor e morte podem ser companheiros inseparáveis. Nada mórbido, mas muito romântico. Quer saber por quê? Passa lá no Mondo Redondo, que hoje é minha vez de falar de amor, esse assunto incansável e tão cheio de vida.

* Ando sem tempo de visitar as pessoas em seus blogs que eu adoro, e de atualizar o blog, e de mexer nos links, no template, na organização do site e até de respirar. Mas prometo fazer um esforço pra isso tudo ser possível breve, muito breve. 🙂

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NOVA SÉRIE – ANTIGOS TRABALHOS DE ESCOLA

NOVA SÉRIE – ANTIGOS TRABALHOS DE ESCOLA

Faxina no pc dá nisso. Esse foi escrito aos tenros 18 aninhos, no começo da faculdade de Psicologia, pra uma professora que era uma graça de pessoa. Ela propôs uma reflexão a partir deste texto.

Engraçado como certas coisas não mudam. E outras mudam bastante. Mesmo.

A gente não devia mesmo aceitar um monte de coisas que ficam nos empurrando dia-a-dia para o pior da gente. Porque aos poucos a gente acredita que o pior é só o que tem, e só o que a gente merece, e é tão fácil acreditar no pior…

Não devia mesmo aceitar ser desrespeitado, maltratado, humilhado, diminuído. Não devia mesmo aceitar que nos ensinassem como viver, já que viver é uma coisa que todo mundo nasce sabendo. Não devia deixar que roubassem o brilho da gente, o sorriso, a vontade, o desejo, e até o que temos de ruim. O que a gente tem devia ser só da gente, pra gente dar pra quem, como, onde e do jeito que quisesse. E devia ser assim sempre. A vida da gente só da gente.

A mesma vida que nos provoca a vontade de lutar, crescer, respirar, querer, pode ser diminuída em beleza e importância pela falta de vontade de mudar. Mudar, essa coisa que todo mundo devia fazer a todo momento, mas que, sabe-se lá por que, a gente esquece o caminho, e passa a temer mais que tudo no mundo.

A cada ônibus lotado, a cada mês em que a gente perde noites sem dormir achando que não vai ter dinheiro pra fazer o mínimo, a cada noite mal dormida, a cada garfada engolida no horário apertado de almoço, a cada vez que a gente deixa de abraçar alguém querido porque está de mau humor ou estressado demais para notar a presença de um outro alguém, essa vontade de mudar e de viver vai morrendo um pouquinho. Morrendo de tanto se acostumar.

Acaba sobrando muito pouco pra gente se lembrar que é gente, que tem direitos, que precisa viver e que merece viver muito bem. A gente vai começando a achar que está nesse mundo só pra fazer o que os outros querem, e aos pouquinhos a gente vai esquecendo do querer que está lá dentro, esse querer que é o retrato do que a gente é. E sem saber quem é, e o que quer, a gente vira nada. É como se uma jóia rara e linda fosse sendo encoberta por um monte de pás de lixo, até se perder e ninguém saber que uma coisa tão preciosa está perdida, ali, à-toa…

Aos pouquinhos, a gente vai esquecendo de se chocar quando vê na televisão crianças morrendo de fome. A gente vai esquecendo de reclamar quando chove e milhares de pessoas perdem tudo o que tem porque ninguém joga papel no lixo. A gente vai achando normal o desemprego, a fome, a doença, o medo, a desgraça.

Aos pouquinhos, a gente vai esquecendo de olhar as coisas bonitas do mundo. Vai esquecendo de curtir o carinho das pessoas legais. Vai perdendo tempo com coisas que não levam a lugar nenhum, e vai deixando de ter tempo pro que interessa.

Aos pouquinhos a gente vai se interessando em inventos novos, viagens a planetas distantes, guerras sem sentido, pessoas mesquinhas… E vai deixando de olhar para dentro de nós, da nossa casa, da nossa roda de amigos, da nossa alma. Aos pouquinhos, a gente vai inventando aparelhos e rotinas que prometem facilitar tudo, mas que só nos roubam o resto de tempo que havia.

Resta saber onde está aquela jóia coberta de lixo. Tirar pá por pá, olhando com cuidado, até reencontrá-la. Resta lembrar em qual parte do caminho a gente deixou a nossa vontade de amar, de crescer, de evoluir e de mudar. Resta saber em qual lata do lixo, em qual ônibus lotado, em qual apartamento minúsculo a gente trancou o que tinha de melhor. E ir lutar pra reconquistar o que a gente perdeu. Trabalhando, brigando, assistindo televisão, sim. Mas tendo um tempinho pra cultivar o que faz a gente viver de bem com o mundo. Isso a gente não sabe mais. Mas devia saber. Ah, se devia.

SORRIA QUE SEU RUMO SE ALUMIA

SORRIA QUE SEU RUMO SE ALUMIA

Hoje na igreja fizemos uma reflexão muito importante e elaborada sobre a alegria. De fato, está cada vez mais difícil sorrir. As pessoas andam carrancudas, com medo e cheias de grilos bestas, esqueceram como é que se faz para achar o sorriso perdido dentro da alma. E o que acontece é isso; acaba sendo uma tarefa cada vez mais difíciel encontrar quem saiba contar uma piada com gosto, quem saiba olhar pra um desconhecido na rua e dar um sorriso simpático, quem saiba ver graça nas coisas mais bestas sem se sentir culpado por isso, quem saiba viver sem analisar e pensar tudo ou quem saiba o valor que tem uma boa sessão de gargalhadas entre amigos ou familiares. Uma tristeza isso tudo.

A verdade é que a alegria é leve, descongestiona todos os vazos sanguíneos, diminui as rugas. Não se trata daquela euforia exagerada, e nem daquele riso desesperado, de quem não quer acreditar que a vida pode ser ruim; tão pouco pode ser alegre quem se violenta, quem tem metas muito altas, quem não consegue ver além dos problemas. E, pode até parecer uma dessas besteiras que se vendem em livros de auto-ajuda, mas é verdade verdadeira que 90% das preocupações que temos são absolutamente desnecessárias. Os problemas resolvíveis serão resolvidos com o tempo e a cabeça fresca. E os que não são… Esses já estão resolvidos por si mesmos, nada a fazer.

A alegria é um deleite, aquele prazer tranquilo e constante, que faz você assobiar de manhã a sua música preferida, brincar com a criancinha que acena pra você do carro da frente, fazer careta pro chefe obtuso ou escrever bilherinhos na sala de aula. Assim, pequenos prazeres. Não que as grandes emoções não sejam deliciosas, elas são. Mas nada se compara aos pequenos e presentes prazeres do dia-a-dia.

Isso sem falar no principal: uma pessoa alegre é bonita. Ainda que seja feia, velha, suja ou o que for. Se for alegre, brilha, e brilha muito, tanto que faz você esquecer de qualquer coisa que não seja aquele sorriso.

Voltei pra casa tentando identificar quais são as coisas que drenam a minha alegria diária. O que me tira o bom humor, o que mina a minha espontaneidade, tranquilidade e segurança. Quais são os drenos que fazem a alegria escorrer pelos ralos e sumir para as profundezas de sei lá onde:

* Pessoas mal humoradas, melindrosas, desatenciosas, exigentes e chatos em geral. Aquelas especialistas em fazer você murchar por algo que dizem, que fazem ou até mesmo que desejam em silêncio. Eca.

* Cansaço. Cansaço tira a alegria, deixa a gente derrubada, impede de tentar fazer outras coisas legais.

* Solidão. Ela tira a alegria aos pouquinhos, principalmente se é você quem decide isolar-se dos amigos, dos possíveis amores ( ou dos amores possíveis ), dos colegas e queridos.

* Adversidades. Essas não dá pra prever. Shit happens. E pouco ou nada se pode fazer sobre isso. Há fases ruins, mas há outras melhores. O importante é entender que são fases, e paciência.

* Horários. Ter horários pra tudo é uma coisa, definitivamente, estressante. E se tem uma coisa que tira a alegria, é estresse.

* Falta de dinheiro. Isso, além de tirar a alegria, tira o sono. De muita gente. O meu, é muito difícil. Até porque, pra eu perder o sono, o mundo precisa acabar antes.

* Dormir pouco. Não dá pra ser alegre com olheiras. A não ser que tenha se perdido o sono por um motivo muito, mas muito nobre. Ainda assim, ninguém merece acordar 5h30 da manhã. Isso é uma agressão, me tira a alegria e me tira do sério.

* Não comer doce. Nossa, isso me tira a alegria e a paz no coração. E olha que até pouco tempo atrás eu não tinha essa dependência insana de açúcar.

* Ficar doente. Ninguém pode ficar tranquilo e feliz sentindo dor ou sabendo que está doente. Um nariz entupido, por exemplo, não deixa você respirar direito. E aí, não dá nem pra sorrir.

* Falta de projetos. Sem sonhos, não há motivação. E sem motivação, não tem de onde tirar alegria.

* Simplicidade. Tudo que é complexo demais é difícil. E dificuldade definitivamente não combina com alegria.

* Chaves. Sem ver o Chaves, tenho meia hora a menos de sorrisos garantidos por dia. E o SBT não dá nem sinal de que vai voltar a colaborar comigo. Chuif.

Sendo assim, hora de acordar e mudar. Sim, porque sinto que preciso urgentemente voltar a ser alegre. Mas bem alegre mesmo, como há tempos não acontece. As crises vêm e vão, só que quando vão, levam um pouco da nossa alegria com elas. E se não batalharmos, e muito pra ter essa alegria de volta, vamos ficando cada vez mais tristes. E não pode, não pode não. Felicidade urgente. Pra mim e pra vocês todos.

LISTA COMENTADA – CLICHÊS DOS TRIÂNGULOS AMOROSOS

LISTA COMENTADA – CLICHÊS DOS TRIÂNGULOS AMOROSOS

( Antes de tudo, quero avisar que este post não é só meu. Ele é de várias pessoas que conversaram comigo nos últimos meses. Apenas reuni as idéias. )

É fato: está acontecendo uma enorme epidemia. Amigos meus, gente legal que eu conheço há tempos… Gente de boa procedência mesmo, já pegou, de um jeito ou de outro, esse maldito vírus. Escuto diariamente muitos causos sobre o assunto, na padaria, na escola, nos telefonemas e e-mails dos mais chegados, dentro de casa. Eu mesma, eu, tão espertinha pra algumas coisas, já caí doente, e mais de uma vez – e está difícil me perdoar por ter vacilado na profilaxia da coisa. Antes que alguém acuse, eu mesma me acuso: sim, é pessoal; sim, é passional; sim, é julgamento, pode até ser moralista, e blá blá blá. Mas não posso me furtar de dizer que é uma epidemia a baita falta de vergonha na cara de pessoas que têm compromisso com outras irem atrás de uma terceira pra pedir carinho, sexo ou seja lá o que for com a cara lavada. Falta de vergonha na cara e falta de lealdade, e não tem como suavizar isso. A não ser que o parceir@ saiba claramente e concorde, quem tem compromisso, ao ir atrás de outra pessoa, está fazendo uma coisa muito, muito errada. E ponto final.

Não são uma, não são duas, não são dez pessoas que conheço nessa situação. Hoje mesmo, vi o pai de uma aluna convidando a mãe de outro pra dar uma escapadinha de noite assim, na cara dura. Parecia até que era pra eu escutar. Como eles, quase todo mundo que eu conheço já esteve em uma ponta do triângulo, essa figura geométrica aparentemente irresistível – ou traiu, ou foi traído, ou foi cúmplice na traição, ou tudo ao mesmo tempo. Eu já achei por um tempo que, numa situação dessas, culpados eram os três. Mas hoje, vendo tantos casos, de tantos jeitos, eu não sei mais o que pensar.

Não se trata de uma trepadinha fora do casamento, noivado, namoro, ou seja lá o que for. Se for só isso, é ruim, mas não é assim, péssimo. Mas o que acontece é que essas pessoas, não contentes em trair o companheiro na cama, traem nos sentimentos, começam um relacionamento à parte, que conta com um, dez, trinta encontros, onde fala-se em paixão, em amor, em carinho, onde há lágrimas e sorrisos, e onde se fazem planos com a terceira pessoa, dormindo abraçadinhos. E depois, essas pessoas voltam pra casa como se nada tivesse acontecido, ou, quem sabe, ainda mais dóceis e amáveis com @ companheir@ para amenizar a culpa.

Quem não encontrou ainda, vai encontrar. De repente, cruza seu caminho, e além de cruzar, estaciona bem na sua frente. É a pessoa-que-tem-um-compromisso-mas-que-tá-afim-de-você. Às vezes, ela tem a mínima decência de avisar esse pequeno detalhe antes de envolvê-l@. Às vezes, omite isso, pelo menos até seduzir o suficiente pra ficar difícil voltar atrás sem provar até o fim. Geralmente carinhosa, inteligente, brilhante, segura, sedutora, confusa, essa tal pessoa sempre tem uma boa história pra contar, se mostra carente, em problemas, mal amad@. E você, mesmo ressabiad@, escuta. E ao escutar, se envolve. E ao se envolver, se entrega. E ao se entregar, se ferra. Tsc.

Ninguém que ama alguém está livre de desamar essa pessoa o suficiente pra se interessar por outra. Essas coisas não são planejadas, acontecem, é natural. Em algumas relações, estar aberto a novos amores é previamente combinado e aceito ( o que é ótimo, acho um barato quem consegue levar bem essa de ter um relacionamento aberto para outras experiências, mesmo achando que eu não conseguiria ). Mas, na maioria dos casos, acontecer de um dos dois se interessar por outr@ é um problema. O certo, nessa hora, seria o simples – resolver o problema, da maneira mais honesta possível. Abrir para o parceiro o que está acontecendo, tentar conversar, mudar o que está errado, e se afastar da pessoa que despertou tanto desejo; ou, então, romper o relacionamento e se aventurar a ficar com essa nova pessoa; ou ainda, ficar sozinh@ pra desembaralhar tudo. Mas não. Acontece que o certo é difícil, e ninguém quer fazer o difícil hoje em dia; afinal, levar um relacionamento a três nem é tão difícil assim. As pessoas têm preferido trair, mentir, passar pra trás, enganar, levar vida dupla. Tudo pra esconder que não se banca sozinha; tudo isso pra esconder a falta de coragem e de auto-conhecimento. Ou pra esconder a sem-vergonhice mesmo. E aí, é um festival de horrores e trapaças com os sentimentos dos outros, onde ninguém sai ganhando. E, mesmo que seja “sem querer”, é uma safadeza.

Para a terceira pessoa, o relacionamento a três costuma ser estimulante. Normalmente, ele é cheio de encontros furtivos e apaixonados, sexo selvagem, discussões torrenciais e excitantes, presentes, elogios intermináveis, medos, muito, muito movimento. Mas muito desgaste também. Muita culpa, muita solidão… Muitas minas que vão sendo plantadas no terreno da auto-estima e que explodem a cada falta de respeito com os sentimentos, a cada compromisso furado, a cada vez em que se é deixada de lado, a cada falta de carinho e manipulação. E, quando se vê, lá está a terceira pessoa, sobrando, esperando por um telefonema, uma hora na agenda no fim da tarde, sem poder ligar, mimar, assumir um relacionamento e todas essas coisas chatas que todo mundo quer. E ela se acostuma a ter pouco, talvez porque tenha medo de amar decentemente alguém e assumir todos os riscos, tédios e delícias que um relacionamento de verdade traz. Talvez porque se sinta desrespeitada e magoada quando ela mesma não se respeita, não ache que mereça mais que isso. E uma vez começado, é facílimo continuar. Tsc tsc.

Para quem é traído, o relacionamento a três costuma ser muito doído, mas muito útil. Afinal, é através da terceira pessoa que o que estava ruim ganha um gás pra poder continuar; é justamente o relacionamento clandestino que sustenta o oficial quando ele chega ao limite do insuportável. Muitas vezes, essa pessoa, consciente ou não, faz questão de fechar os olhos e fingir que não sabe de nada, pois também não tem coragem de ser alguém independente e buscar seu caminho sem quebrar esse ciclo de dependência; não consegue mais ser uma pessoa inteira. E por isso, se submete a humilhações veladas, a displiscências, a amores pela metade, tudo pela manutenção da coisa toda. Quantas vezes não ouvi pessoas dizendo, “eu sei que ele me trai, mas deixa, pelo menos assim ele não me enche o saco e tudo fica como está”. Tsc, tsc, tsc.

Pra quem trai, o relacionamento a três costuma ser cômodo. Afinal, de um jeito ou de outro, a pessoa está garantida. Conheço muita gente que quando se vê amad@ por duas pessoas, se enche de orgulho e prepotência, se sente segur@ e passa a desconsiderar os sentimentos dos outros ( muitas vezes com um discurso de que considera demais esses mesmos outros ) pisando na bola, fazendo o que bem entende, se achando a última bolacha do pacote. E tem quem seja tão sedutor na maneira de expor os problemas que acaba conseguindo o que quer. Sem falar nos que fazem isso pelo simples prazer da conquista. E é melhor nem me alongar, porque por esses dias, ao ver mais duas amigas lindas, inteligentes e interessantíssimas envolvidas com esse tipo de pessoa, e ao me ver quase lá de novo, me deu um sentimento de desaprovação total por toda a raça humana. Mil vezes tsc.

Pra acalmar tanta coisa, só fazendo uma listinha. Fizemos uma compilação, algumas pessoas queridas e eu ( homens e mulheres, diga-se de passagem ), das frases que essas pessoas-que-têm-um-compromisso-mas-que-estão-afim-de-outras costumam dizer. Cuidado ao ouvi-las. Mesmo que, num relance, elas sejam sinceras, só têm uma tradução: você, e no mínimo mais uma pessoa, vai se meter em problemas. Se gostar de pepino, sirva-se à vontade, que é mesa farta. Se não… Saia correndo. Enquanto é tempo.

FRASES CLICHÊS DOS TRIÂNGULOS AMOROSOS

* “Eu tenho um relacionamento, mas ele está muito ruim, quase no final mesmo.”
* “Eu me envolvi com você sem querer…”
* “Eu não sou casad@, só moro junto. ”
* “Juro que não é só sexo, eu gosto de você como amiga também.”
* “Não quero te iludir.”
* “Você é especial.”
* “O que eu faço?!?”
* “Não quero magoar ninguém…”
* “Você me seduziu, eu não tive saída, quem manda ser tão maravilhos@? ( Ou gostos@, ou lind@, ou qualquer coisa do tipo )”
* “Eu só estou esperando uma oportunidade para conversar com ele(a)…”
* “Eu estou com ele(a), mas é de você que eu gosto.”
* “É que agora ela(e) está fragilizado porque perdeu o emprego ( ou alguém morreu, ou o cachorrinho de estimação sumiu, ou algo do tipo ).”
* “Estou confus@, não sei o que fazer…”
* “Estou tomando coragem. ”
* “Eu tentei conversar com ele(a), mas ela chorou e eu fiquei com pena. ( ou tentou se matar, ou ameaçou, ou teve crise de depressão, ou qualquer variação nesse sentido )”
* “Me dá só mais um tempinho, já estou quase me separando.”
* “Não posso terminar meu relacionamento porque ela(e) gosta muito de mim, e sofreria demais se eu a deixasse… ”
* “Ela(e) é dependente de mim, você não, você é tão melhor, e admirável…”
* “Eu poderia ter mentido, mas fui sincer@…”
* “Eu não te contei antes porque tive medo de te perder… Mas eu ia te contar.”
* “Se você me pressiona, eu não consigo ficar calm@ pra resolver tudo.”
* “E se eu me separar, quem garante que com você vai dar certo? Vamos dar mais um tempo pra ver…”
* “Sabe, essa nossa sociedade patriarcal capitalista precisa da monogamia para garantir a propriedade, mas na verdade, o homem é um animal poligâmico, e… ”
* “Se você terminar o seu relacionamento, eu termino o meu.”
* “Não tenho esse direito, mas morro de ciúme de você.”
* “Eu não estou diferente, é impressão sua, querid@, só fiquei trabalhando até mais tarde.”
* “Não sei de quem é esse telefone, deve ter sido mensagem errada, essas companias telefônicas não prestam.”
* “Ainda que eu tivesse outr@, você sabe que @ preferid@ é você.”
* “Foi só sexo… ”
* “Se você não confia em mim, fica difícil.”

E a campeã:
* “É complicado, é tudo tão relativo… Não dá pra decidir nada, assim, tenho que pensar bem.”

Infinitos tsc tsc.

Só uma dica, daquelas de mãe mesmo: quem curte Psicologia, Mitologia, e quer se aprofundar no assunto, pode ler o livroSêmele, Zeus e Hera – o Papel da Amante no Triângulo Amoroso”, de Hans Jellouscheck, da Editora Cultrix.

DROPS DE FRUTAS VERMELHAS

DROPS DE FRUTAS VERMELHAS

“A TV conhece muitas histórias, mas o contador ME conhece.”
Quer conhecer uma história de amor recontada por alguém que ama contar histórias?
Então dá um clique aqui e confira meu post no Mondo Redondo.

* O concurso do visitante 20 000 não vai rolar, por questões de falta de tempo e de criatividade. Mas logo chegamos aos 25 000 e tudo vai ser festa. 🙂

TRILHA SONORA

TRILHA SONORA

Tem gente que escuta música porque prefere isso a não ouvir os ruídos secos e malvados do cotidiano. Tem uma pequena parte de pessoas que prefere o silêncio. E tem até quem não gosta de música nenhuma. Tem gente que tem ouvido delicado e erudito, e que seleciona tudo que ouve com cuidado e precisão. Outros têm ouvido pior que estômago de avestruz – primeiro ouvem, gostam, decoram, e só muito tempo depois, fazem um julgamento da qualidade ou falta dela – se fizerem. E outros, como eu, pensam cantando. E assim como entra na nossa cabeça todo tipo de pensamento, quem pensa cantando escuta no radinho interno todo tipo de música nas mais variadas horas.

Faz um tempo já ( desde que eu achava que era louca de pedra ) que eu reparei que sempre tive essa mania, a de ser dj da minha própria festa. Não era raro no meio de uma discussão, de um beijo, de um amasso quente, de uma conversa, de uma situação de evidência ou simplesmente quando não estava acontecendo nada… Lá dentro começar a tocar uma música. Às vezes eu ficava brava porque isso me desconcentrava, às vezes ficava contente porque me tranquilizava, às vezes ficava satisfeita porque me dava o insight que eu precisava praquele momento. O fato é que a rádio interna sempre foi muito eficiente, e nunca me deixou viver sem trilha sonora, mesmo quando, no mundo real, só havia silêncio ou barulhos estranhos.

Quando eu era pequena e via nas novelas aquelas cenas românticas em que tocava alguma música, achava o máximo, o ápice. Aquela música era daquele casal, e onde quer que eu a escutasse, lembraria da história deles – geralmente uma história perfeitamente novelística. A música sempre faz isso, remete, remete, remete. Remete ao passado, a uma imagem, aos sentimentos, sensações. Manda você pra onde ela quer que você vá, mesmo se você não aceitar o convite.

Romance sem “nossa música” não é romance. O namorado mais fofo que eu já tive adorava músicas românticas. E vivia me dedicando uma penca delas, das mais variadas maneiras. Até que escolhemos uma ( ou foi ela quem nos escolheu? ) que era só nossa, a nossa música. Mesmo hoje, tanto tempo depois, escuto essa canção e lembro dele – é automático e inevitável. E junto com a lembrança vêm aquele calor gostoso que vinha do jeito que ele tinha de cantá-la pra mim. É como se o mundo parasse pra ouvir. E não é raro, numa noite de frio, solitária, melancólica, dessas que eu tenho de vez em quando, rolar na minha rádio interna aquela batida melosa, aquelas palavras doces, aquela música, e eu conseguir dormir tranquila, como se a música me embalasse tanto quanto os braços dele faziam. Às vezes, tenho raiva dele. Mesmo quando estou com outra pessoa, toca uma música que ele me dedicou uma vez, e pronto – lembro dele. Ele quase acabou com o estoque de baladinhas sentimentais. Ainda bem que é quase. E que outras músicas são criadas todos os dias. A fonte é infinita.

Tem também aquelas músicas que você odiava, mas que de alguma forma marcaram sua vida como ferro quente marca pele de gado, forte, profundo e inesquecível. O meu primeiro beijo, por exemplo. Eu planejei tudo pra ser com a música que eu gostava. Estávamos no carro, eu e ele, e o rádio tocando. Tímida e morrendo de medo, finalmente escutei a tal música tocar. Era uma voz feminina, cantando em inglês. Os primeiros toques começaram, um piano suave, e eu pensei, “é agora, se ele me ama, ele vai me beijar e vai ser tudo perfeito”. Ele já estava acariciando meu rosto, eu já estava derretendo, quando ele fez uma cara séria e meteu o dedo no botão pra mudar de estação:

– Música insuportável. Odeio isso.

Claro, não beijei, pelo menos não naquele dia. Oras, que sujeitinho desagradável, não adivinhou meus desejos. Mas aquela música nunca saiu da minha cabeça, como o primeiro beijo que não aconteceu. No fim, beijei pela primeira vez num lugar público ao som de “Biquini de Bolinha Amarelinha”. O beijo foi bom. E essa música do meu primeiro beijo… Bem, deixa pra lá.

O inverso também acontece. Tinha uma música que eu adorava, achava linda, emocionante, bem feita, letra perfeita. Foi quando um infeliz que eu amava muito mandou essa, com aquele ar distante e saudoso:

– Essa música me lembra tanto fulana…

Daquele dia em diante, ouvir a tal música me dava embrulho no estômago, raiva incontrolável e vontade de morder alguém – exatamente o que eu senti na hora. Ou seja, a canção acabou pra mim.

E é assim. Tem música pra formatura, casamento, festa de 15 anos, velório, igreja, mãe, pai, festa de família, primeira transa, namorado, amizade. A música que estava rolando quando você pagou aquele mico, ou quando foi assaltada no ônibus, ou quando recebeu a melhor, ou a pior notícia da sua vida. Trilhas involuntárias.

Tem também as trilhas pensadas. Essas são assim: você tem algo a dizer, sente algo, e pensa, pensa numa música que diga tudo por você, uma música que explique, que dê esperança, que acalme, que esclareça, e que faça você ter aquela sensação de “puxa, como essa pessoa sabia exatamente o que eu sinto??”. E acha – e aquela passa a ser a sua música, ou a música daquela situação, porque conta a sua história, diz o que você sente.

Teve um tempo em que eu escolhi uma canção tema, pra me acompanhar. Uma canção tema era isso, algo que me traduzisse, que fosse toda eu, que eu pudesse cantar pra mim mesma toda vez que me sentisse mal, como se fosse mesmo a introdução de um capítulo importante da minha história que estivesse pra acontecer, e que eu tinha que protagonizar direitinho, da melhor forma que conseguisse. A canção tema me dava força, ânimo, e fazia com que eu fosse reconhecida, ainda que esse reconhecimento fosse só por mim mesma. Como o tema do Hawaí 5-0, do Mad About You, do Harry e Sally, do Missão Impossível. E eu até empinava o nariz quando andava na rua escutando a canção tema dentro da minha cabeça, como se o mundo parasse pra me ver passar. Com o tempo, aquela canção deixava de fazer sentido, e eu percebia que era hora de mudá-la. E percebia também que eu tinha mudado. E escolhia outra, e outra, e outra. Que mudar é bom e faz bem. E nenhuma música fica eternamente nas paradas de sucesso.

Agora, agorinha mesmo, estou sem canção tema. Fase difícil essa, a de escolha, a de indefinição. Acho que é porque uma canção tema tem que dizer quem eu “estou” agora, e eu ainda não sei direito. Sei que não sou aquela de antes. Mas também não sou ainda aquela de agora. Saco.

Mas tudo isso era pra perguntar pra você: qual é a sua canção tema? Diga-me. Assim posso lembrar de você sempre que eu a ouvir por aí. Porque a música é, acima de tudo, um excelente lembrador de pessoas. 🙂


ALMOÇO EM FAMÍLIA

ALMOÇO EM FAMÍLIA

Há 20 anos atrás, era assim. As mulheres na cozinha, chefiadas pela minha avó e minha mãe, picavam coisas, misturavam, mexiam, riam juntas e trocavam confidências aos cochichos encostadas no frio da pia, ou no calor do fogão, conforme o teor da conversa. As crianças, correndo no quintal e preparando musiquinhas e pecinhas para apresentar para os adultos. Os homens, conversando e rindo alto na sala, conversando sobre suas paixões e interesses, desde o resultado do campeonato paulista até o carro do ano, ou o candidato mais acertado. Meu avô sentado no sofá, observando tudo. Muitas visitas, pessoas que não tinham família próxima ( às vezes, nem distante ), vizinhos, gente que vinha de longe e de perto conferir o barulho e a festa da minúscula casa da minha avó, que, por algum mistério, era grande o suficiente para abrigar as 30, 40 pessoas que baixavam lá no almoço do Dia dos Pais.

Os pratos eram muitos. As crianças iam pra mesa antes, era uma maneira de organizar. Depois do almoço dos 7 netos e seus pequenos amigos, era a vez dos adultos – 5 filhos, 4 noras, 1 genro e mais alguns sobrinhos, parentes, famílias. Tinha música, barulho alto, muita risada, muita conversa sobre tudo – política, religião, novelas, atualidades, sentimentos. Depois da sobremesa, o pudim de leite, era a vez de todos irem pra sala apreciar a apresentação que as crianças prepararam, e eram presentes e orgulhos para todos os lados. Depois, alguns iam cochilar, outros conversar baixinho, outros namorar, outros brincar, outros iam embora, mas nunca de barriga e nem de alma vazia.

Vinte anos e muitas voltas depois, um outro dia dos pais, outro almoço, o primeiro depois de um longo período de silêncio. A casa antiga da vovó não existe mais, pelo menos não para nós; agora, o lugar escolhido foi o apartamento do meu tio. A ausência do meu avô e do meu pai, e a impossibilidade de minha vó estar lá me fizeram pensar mil vezes antes de ir. Era bem provável que eu pudesse me magoar mais. Quando decidi que não ia, minha mãe disse:
– É sua família, menina malcriada. Você não tem outra, e nem vai ter. Tem que ir sim.

Para evitar problemas e as carradas de chantagem emocional de minha mãe, fui.

Agora, não são mais 7, mas 10 netos, alguns ausentes ( talvez não tenham mães tão eficientes no convencimento quanto a minha ), todos crescidos. O cheirinho da comida não era mais o mesmo, tinha algo diferente; mas era bom também. Fora do prédio, um frio enorme, e lá dentro, o calor do fogão aquecia a casa. Olhei para as pessoas, algumas eu não via há meses. Todas me pareceram velhas, muito velhas, inclusive eu, meus irmãos, meus primos. Não há mais crianças. Alguns dos meus tios abatidos, cansados. Minhas tias, minha mãe também. A doença de minha vó, a morte de meu pai e meu avô, o câncer que atacou dois dos meus tios, todos os sofrimentos, rusgas, mágoas e desentendimentos desses anos, estava tudo lá. Os problemas também. A falta de dinheiro, os planos fracassados, as dificuldades do dia-a-dia, que andam nos cansando tanto. Senti um peso no coração, um pressentimento, uma preparação. Tive vontade de voltar e ir embora, achando que o que me aguardava eram aborrecimentos, caras feias. Mas reparei, o apartamento era menor ainda que a antiga casa da vovó; e estranhamente, acolheu perfeitamente a todos. Talvez esse fosse um sinal que coisas importantes fossem acontecer ali, naquela sala.

Os jovens conversando sobre suas atribuladas vidas, seus planos – trabalho, namoros, internet, divertimentos; já não corremos mais, mas ainda sabemos brincar uns com os outros, e começamos a rir, a contar casos, a trocar idéias. As mulheres na cozinha, batendo pratos; cansadas, encomendaram alguns pratos na padaria; mas o que cozinhavam, pareciam fazer com muito amor. Os homens conversando, mas não falavam apaixonadamente sobre nenhum assunto, só amenidades. De vez em quando eu parava e olhava para aquelas pessoas, num saudosismo insistente, tentando reconhecer neles as pessoas de antes. E nada me vinha, a não ser quadros de antigamente, como fotos emolduradas e pregadas na parede, fotos amareladas, pras quais ninguém olha mais. Por um momento, achei tudo aquilo um esforço perdido.

Foi quando, antes da hora de comer, minha tia, a anfitriã, pediu a palavra. Agradeceu pela força que teve daquela família durante a doença do seu marido. Disse que amava os filhos. Que agradecia a Deus toda a força que tirou de onde nem tinha, e disse que aquele almoço era um agradecimento, e uma tentativa de lembrar a todos que, passasse o que se passasse, éramos uma família. Minha mãe, emocionada, levantou-se e na frente de todos pediu perdão a um irmão com quem não conversava há anos, e eles se abraçaram. Muitas lágrimas de todos, muito carinho, muito perdão, tudo muito sincero. Uma oração especial foi feita em homenagem aos pais que estavam na sala, e aos que não estavam também. Meu tio disse que não teria passado pelo que passou se não soubesse do amor, da torcida e das orações de todos que estavam ali. E a esposa dele disse, apontando para nós, “só sobrevivemos e criamos eles porque nos amamos. Não vamos nos esquecer disso. Nossos corações quebrantados é sinal do nosso amor.”

Senti falta do meu pai, queria que ele estivesse lá também. Mais falta ainda senti do meu avô, que não iria se sentar na ponta da mesa como o patriarca daquela família numerosa ( a mesa, agora, é pequena e redonda ). Senti também falta da minha avó, que ficou aqui em casa, deitada, mas que certamente adoraria ter visto todo o “povo” dela junto novamente. Mas, apesar dessas dores, ter ido ao almoço de dia dos pais da minha família só me trouxe boas lembranças, bons sentimentos, boas emoções, e vontade de realizar boas coisas. Pensei que todos esses planos mirabolantes que fazemos é uma grande bobagem, se não tivermos aquela paz que renasceu de repente ali.

Reconheço os traços daquelas pessoas nos meus traços. O cabelo enrolado, a cor da pele, os lábios grossos, os olhos castanhos. Reconheço também as marcas que eles sofreram, e que também ficaram marcadas em mim. Tanto medo, tanto amor, tanta emoção, tanta dedicação a mim, meus irmãos e meus primos. Reconheço as risadas, as manias, as coisas que eu repito sem perceber. Reconheço o gosto por cinema, por música, por falatório, por ser sentimental, como todos eles são. Reconheço a teimosia e a personalidade forte que eu tenho, e que cada um ali tem também. Reconheço os valores que eles me ensinaram, eles, pessoas imperfeitas, mas honestas, lutadoras, simples. E com esses exemplos, me ensinaram a viver direitinho. E eu percebi como é bom ter um lugar, uma história. Como é bom saber de onde se vem, e que, não importa para onde eu vá, sempre terei para onde voltar. Como é bom ter uma família. Não consegui dizer nada disso a eles, mas no abraço de cada um, vi que não era preciso. Eles sabem, eu sei. Sem eles, eu não seria quem sou. E apesar de todas as neuroses que brotaram dessa família, sem essa mesma família, o apoio e o amor dela, não me sentiria capaz de seguir.

Por esses dias, pensava com raiva nas repetições da vida, nos reencontros, nas coisas que pensamos enterradas, sufocadas, e que, de repente, reaparecem para mostrar que nada desaparece de fato; nada deveria voltar, eu pensava. Malditos os padrões que fazem escolher para mim coisas que eu não queria. Maldita essa carga que carregamos, de fazer histórias tão iguais, malditos esses círculos dos quais não podemos fugir, maldita a profecia do Belchior, de que somos os mesmos e vivemos como nossos pais. Maldito o passado que construímos, que nos aprisiona e que nos causa tanta dor, nos dá tanto medo de mudar. E pedi, não sei nem bem pra quem, que acontecessem coisas que me mostrassem que podia ser tudo diferente, que eu podia chutar tudo e ignorar a pessoa que eu era, o jeito que eu sou, e construir outra pessoa novinha. Era o que eu queria, era o que eu pensava. A resposta veio.

E hoje, vi que o tempo passa, e certas coisas não mudam. Existem laços que não se destróem, pessoas que não se afastam, amores que não se esvaem pelo ralo. Existem pessoas que lutam para ser felizes, algumas conseguem, outras não, mas todas podem recomeçar se conseguirem se lembrar de onde partiram. Vi que uma foto, um sorriso, uma lembrança, uma comunhão, são combustíveis para que não morramos de amargor nesse mundo que costuma ser tão frio, racional, calculista e solitário. E vi que meu sucesso, meu fracasso, minha vida é louvada, e é importante, senão pra mais ninguém, para eles, que me amam tanto, e a quem eu amo tanto também. Minhas conquistas têm valor, seja ela aprender a andar, saber recitar uma poesia, ter comprado o meu carro, trabalhar, ou continuar sendo apenas quem sou. A oração antes da comida, as mãos dadas, os abraços, as piadas, tudo continua no seu devido lugar. E que bom que é assim.

Hoje também, vi que o tempo passa, e certas coisas mudam muito. Mudam ao ponto de radicalismos bobos e velhas manias ficarem tão pequenas que nem aparecem. Mudam ao ponto de pessoas que não eram capazes de falar de sentimentos, hoje serem capazes de olhar no olho de um irmão e dizer que amam, que perdoam. Mudam ao ponto de sermos capazes de superar dores juntos que achamos que nunca mais iriam embora, ausências que machucam, mas não nos destróem, se tivermos onde nos apoiar. Mudam os objetivos, as atenções, as canções, as risadas. E que bom que é assim.

E no meio de tudo isso, o mais importante é mesmo o amor. E que bom que é assim.

Na saída, minha tia perguntou:
– Encheu bem a barriga, querida? Estava tudo gostoso?
– Enchi muito mais que isso, tia, obrigada. Tudo estava no ponto.

Quando saí, era o Chico quem cantava ao fundo dos papos que, agora, estavam muito mais animados. E ele cantava,

“E a gente vai se amando, que também, sem um carinho, ninguém segura esse rojão…”.

Não segura, não. Não MESMO.

DROPS RÁPIDOS APARENTEMENTE SEM SABOR

DROPS RÁPIDOS APARENTEMENTE SEM SABOR

* A vantagem de ligar o piloto automático é continuar indo em frente sem de fato ir, porque no fundo a vontade era estar bem parada. E a vantagem de encher-se de compromissos é não ter tempo de pensar em porcaria nenhuma, nem mesmo pensar no porquê de não querer pensar em porcaria nenhuma. Até por que, em certas horas, não adianta nada mesmo.

* Beijo roubado é das melhores coisas do mundo, mesmo que depois você não queira beijar de novo o indivíduo.

* Ultimamente quase não lembro do que sonho. Das duas, uma: ou ando sonhando muito, tanto que não é preciso lembrar… Ou não sonho mais.

* Acabo de ler na camiseta da Bebel, da Grande Família – “Seu mundo é do tamanho dos seus desejos”. Ê, mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não solução… Etc e tal.

* Acabo de notar que escrevi muitas vezes a palavra mundo.

* Outra das melhores coisas do mundo é chocolate. Uma pena que cause uma dependência insana.

* Minha professora de Literatura, aquela maravilhosa, que me ensinou que eu posso ler a Odisséia ( na verdade, ela me ensinou que eu posso ler o que eu quiser ) se foi pra lecionar em outra turma. Saudades eternas. Mas chegou o professor novo, fofo e charmosérrimo, de Música. E parece que a festa vai ser boa, muuuuuuuuuuito boa.

* Como é bom fazer curso de culinária e bater papo com aquelas senhoras donas de casa que sabem tudo das coisas simples da vida. Me dá inveja, até. Mais quatro quintas-feiras de deleites naquela cozinha didática, e de papos profundamente fúteis com aquelas sábias senhorinhas. Uma delas me disse hoje, “jamais case com alguém de quem você gosta mais dele do que ele de você”. Vamos ver se ela me ensina quinta-feira que vem como fazer essa conta, já que nunca fui boa de cálculo.

* E com tanta coisa melhor pra se fazer, ainda tem gente que quer que eu volte praquela faculdade insuportável? Nem.

* Eu tinha algo de importante pra dizer, por isso comecei a escrever este post. Mas esqueci o que era. Tsc.

DROPS DE ABACAXI

DROPS DE ABACAXI

* Interessad@ em uma aula rápida de contabilidade, com estimativas de preços? Hoje tem post meu no Mondo Redondo. Quem for, aproveita e dá uma passeadinha pelos outros escritos, que a equipe de blogueiros que me acolheu lá é fantástica e anda muito inspirada.

* Pois bem, eu fui. Sempre gostei do texto. Sempre adorei as músicas. O Chico Buarque é o meu amor eterno. E eu fui, com minha amiguinha que sempre é ótima companhia. A Ópera do Malandro, direção de Charles Muller, é uma montagem perfeita – ótimos atores, ótima adaptação, coreografias suaves, cenário incrivelmente perfeito, figurinos caprichados e uma orquestra ao vivo com cordas, sopros e vozes. Três horas de espetáculo em dois atos. Não fossem as cadeiras desconfortáveis da Tom Brasil, 3 horas que eu não sentiria passar, de tão gostoso que foi. O texto é atualíssimo, apesar dos seus 25 anos, e as músicas… Bem, as músicas são as músicas do Chico, não precisa dizer mais nada. Encantada até agora.
A quem interessar possa, a temporada paulistana da peça, com casa lotada todos os dias, foi prolongada – mais um final de semana. Valeu cada centavinho do ingresso caro.