POST-RESPOSTA ROMANTIQUINHO

POST-RESPOSTA ROMANTIQUINHO

O que eu penso sobre o amor entre duas pessoas? Ora, que difícil de responder.

Um dia eu achei que amar era guardar um sentimento platônico e perfeito por alguém distante, admirar, idealizar, sonhar com aquela pessoa, e desejar algo que nunca viria. Mas com o tempo, descobri que não podia ser só isso, porque o amor se alimenta de troca, não de ilusão.

Depois eu achei que o amor era algo que nunca dava errado, um roteiro emocionante e bem escrito que, quando bem encenado, deixava satisfeito os atores e a platéia, ainda que fosse uma comédia de erros. E topei encenar alguns trechos. Mas comecei a pensar que não podia ser bem isso, porque o amor que não é feito de verdade e profundidade não sobrevive ao fim do primeiro ato.

Aí eu comecei a pensar que o amor era um jogo de estratégia. Bastava escolher bem o parceiro, bolar os passos a serem dados e controlar as variáveis. Fiz muitas continhas, calculei bem direitinho, fiquei satisfeita com tanto controle e me sentia segura na mesmice do cotidiano. E tudo até que deu certo por um tempo. Mas aí eu descobri que amor sem emoção, sem imprevisibilidade e sem derrotas não aquecia o coração, ao menos não como eu acho que deva estar aquecido um coração que ama.

Então veio a idéia de que o amor era um enchente de emoções, algo que, para ser bem forte, tinha que ser bem dolorido, bem intenso. Então eu amei desse jeito, chorava e sorria da maneira mais genuína que existe, dependi, precisei de alguém. Me sentia totalmente tomada pelo amor e tudo que vinha da pessoa amada. Mas então eu descobri que o amor não era só isso, porque quem ama precisa de paz quase na mesma proporção que precisa de inquietação, que amor não precisa doer tanto e que nenhum amor pode ser mais forte do que o amor que a gente sente por si mesmo.

E foi quando veio a impressão de que o amor era um diálogo maduro e sensual entre um homem e uma mulher, um monte de conjecturas intelectuais entremeadas de encontros sexuais intensos e arrebatadores, que não precisava de nenhuma espécie de compromisso. E foi assim por um tempo. Mas depois ficou meio estranho, porque o amor parece pedir um pouco de parceria e aprofundamento, coisa que só se consegue com o coração aberto ( e não só o corpo e a mente ).

Então eu comecei a investir em algumas experiências, porque pensava que o amor era algo que eu poderia ter pra mim, em mim, e que conseguiria tirando um pouco de cada pessoa com quem estivesse. Mas também não deu… Porque o principal do amor é ter um pouco de constância, de conhecimento de um outro, um mesmo outro que se deixa conhecer aos poucos, e sempre.

Depois eu desisti do amor por um tempo. Porque precisava cuidar bem de mim, porque me magoei demais… Ou porque eu cansei, mesmo. Mas não existe cansaço que não se cure com um pouco de reclusão e descanso.

E hoje, eu não sei bem o que o amor é, não. Não sei se é tudo isso junto, não sei se é nada disso. Só sei que ele já esteve comigo, e que faz muita falta.

De qualquer forma, é sempre um prazer descobrir… Ah, se é. 🙂

EXPEDIENTE

* A título de esclarecimento, o concurso 25 000 NÃO é só para moradores de Sampa. Quem mora longe só não ganha o jantar, mas ganha o presente. Por isso, vale participar, seja do lugar que for. 🙂

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RETICÊNCIAS

RETICÊNCIAS

( UPDATE
* Post novo no Diário de Classe… Sobre o tempo. Caros colegas atarefados, passem por lá. 🙂 )

Sabe quando você quer escrever uma coisa, e não sabe o que é?

Então você começa. E escreve, escreve.

E aí você pensa que é algo ameno, mas não é. E pensa que é algo romântico, mas não é. E pensa que é algo engajado, mas não é. E pensa que é algo poético, mas não é. E também não é algo bem humorado, nem triste. Não é uma historieta erótica ou de suspense. Não é uma lembrança, não é a continuação de algo que você já tenha escrito, não é uma notícia. E não é nada. Mas é tudo ao mesmo tempo. E fica lá, coçando dentro de você, querendo sair. Mas não sai.

E então você pensa que é efeito da semana complicada e intensa que você teve. Algumas semanas não são apenas um conjunto de dias para se viver, um depois do outro, cumprindo a rotina de cada hora como se fosse um roteiro decorado – comer, dormir, conversar, trabalhar, andar, tomar banho, escovar os dentes. Algumas semanas são verdadeiros furacões que passam pra tirar tudo do lugar, arrastando algumas coisas pra longe e trazendo outras tantas. Mas sem deixar nada como estava.

Então você pensa que é interessante como as coisas se dão, tão rápidas em alguns momentos e tão lentas em outros… Mas o ritmo da vida não somos nós que decidimos. Apenas decidimos como e se dançamos com ele. E até pensa em escrever sobre isso. Mas não consegue também.

E aí você vê que a semana, que teve tanta coisa diferente, é tão indefinida quanto o que você sente. Ainda é cedo pra saber o que é bom ou o que é ruim. Mas foram muitos inícios, muitos términos, muitos encontros agradáveis e desagradáveis, muitas emoções diferentes e polarizadas. E então você se toca que não vai dar pra escrever sobre nada mesmo, a não ser sobre essa sensação esquisita de indefinição que ficou.

E aí você escreve e fica em paz. 🙂

EXPEDIENTE

* Lendo o post do companheiro Inagaki, e tudo que ele diz lá sobre essa maldita mania que o povo tem de se apropriar de textos carinhosamente escritos pra repassar por email trocando autorias, mutilando pedaços e descaradamente roubando de quem escreveu pra publicar ou repassar como se fosse seu, resolvi usar a dica do site Copyscape pra saber se tinha alguém usando indevidamente textos do meu blog. E não é que tinha? Fora algumas citações sem autoria, que até passa, achei uma garotinha xarope, que não só colou textos daqui lá como se fossem dela ( escrevendo, inclusive, uma historinha pra introduzir o post e justificar quando “ela” escreveu aquilo ) como também colocou lá comentários que as pessoas deixaram aqui como se fossem pra ela.
Pensei em dar o endereço da fulana aqui pra vocês me ajudarem a xingá-la, mas não vou dar Ibope pra uma garota mentirosa e ladra ( não roubou só de mim, como de outras pessoas que eu conheço ). Espero que ela passe aqui pra ler isso e saiba do meu profundo desprezo por pessoas que fazem esse tipo de coisa. A falta de capacidade e de sinceridade é sempre uma tristeza. Tsc.

* Em alguns dias este blog sairá do ar por um tempo, pra voltar com layout novo e um pouco mais de organização. Espero que vocês gostem da arrumação que eu e meu miguinho estamos fazendo. 🙂

* E lá vamos nós pro GRANDE CONCURSO DO VISITANTE 25 000. Funciona assim: se você for o visitante 25 000, deixe um recado nos comentários pra eu saber quem é você, e me mande um email pra avisar. Se o 25 000 não se manifestar nos comentários, fica valendo o 25 001, e assim por diante. O vencedor, além de batatas, ganha um encontro com direito a jantar pago ( se morar em Sampa ) e um presente surpresa. Boa sorte!

MAIS DO MESMO – FASES DO FIM DE RELACIONAMENTO ( Baseado em fatos reais – versão revista e ampliada )

MAIS DO MESMO – FASES DO FIM DE RELACIONAMENTO ( Baseado em fatos reais – versão revista e ampliada )

Este post foi escrito a pouco mais de um ano, é requentado. Lembrei dele de repente hoje e achei que não tinha nada melhor pra dizer… Hehe. Eu escrevi pensando nas moças, mas hoje sei que os moços passam por pedaços parecidos. Vai especialmente pra Camila que há meses me pede pra eu escrever algo assim. Vamos lá.

Terminar um relacionamento é um saco. Vou repetir isso uma porção de vezes até me conformar ou descobrir o motivo pelo qual as pessoas têm que passar por isso. Mas, tirando do que já vi e já vivi, dá pra ver que todo final, todo luto, passa por algumas fases. Elas não acontecem necessariamente em uma ordem, e podem acontecer todas juntas. Às vezes leva-se anos para passar por todas ( ou pelo menos a maioria delas ). Às vezes leva-se alguns poucos dias. Não importa, de todo jeito… Tudo isso é um saco. Saco.

1 – CHOQUE ( Ou, “Hã?” )
É quando acontece. Ponto final, acabou. Não deu tempo de perceber nem pensar em nada ainda, só se percebe a realidade. Dessa vez, foi. Caiu no chão, quebrou, já era. Não importa quem entrou com o pé e quem entrou com a bunda. Tão pouco importa o motivo ( desamor, traição, tédio, medo, ciúme, atormentações em geral, você descobrir que o cara é um chato, etc, etc, etc ). Você não reage, não respira, não entende, não consegue pensar. É como se a vida se suspendesse por um momento, fazendo você se debater no ar sem conseguir pisar no chão. É um saco. Mas passa logo.

2 – DOR ( Ou, “Vou morrer disso” )
As horas passam aos pouquinhos. Os dias vão vindo. E você se dá conta que não é mesmo só mais uma briga. Acabou. Sua vida vai seguir e aquela pessoa não vai mais estar por perto. E aí começa a doer. Às vezes, dói no dedinho mindinho do pé; outras, dói o corpo todo. A cabeça, o peito, o coração. Você fica gripada, não quer dormir, não quer comer, só chora e fica ouvindo músicas que falam de amores perdidos. As pessoas se preocupam com você, mas nada te consola e nem te anima. Você tem certeza que nunca vai superar aquilo. Mas, sendo uma pessoa normal, você vai superar. Só que até lá… É um saco.

3 – RAIVA ( Ou, “Que vá queimar no mármore do inferno”)
Aqui, você começa a ter raiva, ódio, nojo do indivíduo. Se pergunta dia e noite como você pode ter se apaixonado por tão chato, tão nojento, tão feio, tão sórdido, tão cafajeste, tão… Tão repugnante ser. É a hora de pegar um saco de lixo e fazer uma limpeza – rasgar fotos e cartas, mandar devolver presentes. Você joga pragas, diz pra todo mundo que não quer ver nem pintado de ouro, deseja todo o mal pra ele. E se tiver uma nova moça no meio… Coitada. Ela também será atingida pelo poder das suas energias negativas. Você jura que odeia essa pessoa do fundo do coração. Mas não odeia não, tolinha. E é um saco perceber isso.

4 – RACIONALIZAÇÃO ( Ou, “Eu nem queria mesmo.” )
É a hora de se acalmar. Você procura mantras, textos de apoio, psicólogos, os amigos. Todos dizem o mesmo, que você é linda, maravilhosa, e logo vai achar um outro fofo… Que nada acontece por acaso, que foi melhor assim, etc. E você vai repetindo todas essas frases lindas e fingindo acreditar. Você racionaliza, explica o seu romance todo e as razões e desrazões de tudo ter começado ou acabado. E, durante um tempo, isso funciona muito bem. Você parece pronta pra seguir sua vida sem pensar no indivíduo, desejando pra ele um caminho de luz. Mas só parece. Saco.

5 – VINGANÇA ( Ou, “Ele me paga.” )
Aqui, é uma recaída da fase da raiva. Só que agora, você acha que só conseguirá purgar seu ódio se fizer ele te pagar com juros os preciosos momentos que você perdeu com ele. Você traça planos mirabolantes. Procura essas mulheres que fazem feitiços na boca do sapo. Dá telefonemas anônimos pra família e pra namorada nova dele. Faz fofocas. Difama. Arruma um outro só pra passar na frente dele e fazer o maior farol. Dependendo do caso, xinga diretamente, move ações na justiça, tira tudo que pode dele. Mas aos poucos você percebe que isso não adianta nada, que saco.

6 – GALINHAGEM ( Ou, “Estou em outra, quer ver?” )
Ora, mas pra que tanto desespero? Existem muitos outros homens por aí. E então você começa a sair. E fica com um. E dá uns beijos em outro. E se atraca com um outro lá. Faz loucuras que nunca fez, chuta o pau da barraca, e não sente a menor culpa. Afinal, você não quer mais se envolver, e diz que está numa fase descolada. Só que em cada boca, em cada abraço, em cada cheiro, é no desgraçado que você pensa, e de repente você vê que só lotou a sua agenda e o seu currículo com um monte de caras que não passam de alguém pra você achar que é um saco no dia seguinte. Ai.

7 – DESPREZO ( Ou, “Nem ligo”)
É a hora de fazer força para esquecer. Você entende que essa adrenalina toda não faz bem pra alma e nem pra pele, e decide sossegar. Simples. Só não pensar. Ignora totalmente a existência dele. Nem enxerga mais. Esquece do número de telefone. Arquiva tudo que se escreveram e se deram numa caixa, lacra e coloca no fundo do armário. Pronto. Tudo enterrado. Mas o defunto logo começa a arranhar o caixão querendo sair. E sai. Saco.

8 – VAZIO ( Ou, “…” )
Saco.

9 – RECAÍDA ( Ou, “Vai ver que não é bem assim…” )
De repente, um telefonema… Um encontro marcado, ou casual… Uma conversa amigável em nome dos bons tempos. E você pensa, “puxa, podemos ser amigos… Por que não?” E então vocês começam a se ligar, a se falar, a se encontrar. E de repente, estão falando do passado, lembrando coisas, rindo juntos. E mais de repente ainda, ele passa a mão no seu cabelo, te olha fundo e te beija. E você pensa, “por que não podemos ficar? Só um pouquinho… Não tem problema.” Mas tem problema sim. O problema é que, depois de uma recaída, o seu saco fica cheio como nunca.

10 – O NOVO NAMORADO ( Ou, “Pra esquecer um amor antigo, só um novo amor.” )
É isso que todo mundo diz. Que a dor de amor se cura com outro amor. E você, tolinha… Acredita nessa bobagem e arruma um outro namorado. Pode ser um outro namorado mesmo, oficial, com carteira assinada. Ou outro rapaz por quem você acha que se apaixonou. E com o tempo, você se pega pensando no passado, e fazendo mil comparações. O outro, mesmo longe, parece muito melhor. E então você entende que, mesmo sendo um saco aceitar isso, ninguém substitui ninguém. E que as situações mal resolvidas só podem deixar de ser mal resolvidas de uma maneira: sendo resolvidas. E então manda o novo amor embora de dentro de você tão rápido quando chegou.

11 – SAUDADE ( Ou, “Ai…” )
É a hora de encarar que saudade dói. E mesmo sendo um saco… É preciso sentí-la, até esgotá-la, mesmo que você se esgote com ela. É quando você deixa de resistir pra curtir essa dor até o fim. E, geralmente é quando caem todas as fichas.

10 – SUPERAÇÃO ( Ou, “Bola pra frente” )
O tempo passa, passa, passa. As coisas se acomodam. Aos poucos, você vai deixando a idéia fixa de lado. Começa realmente a ver o lado positivo das coisas. Começa a se desligar. E quando você vê… A pessoa está longe dos olhos e do coração. E vira uma lembrança gostosa de lembrar e reviver. De repente, você pode até virar amiga do fulano. A doença já curou. Passou. Vem aquela vontade de cuidar de você mesma, de ficar só e de sentir aquela solidão que não é triste, apenas necessária pra recomeçar. E o seu saco esvazia, ficando pronto pra começar a encher de novo com o próximo. Afinal, como se diz por aí… A fila tem que andar.

E ainda bem que anda mesmo.

***

Fazendo uma conta rápida aqui… Acho que finalmente cumpri minha penitência até o fim. Isso não é ótimo???

MEUS BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS

MEUS BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS

Como vocês bem sabem, eu sou fanática por datas comemorativas. E fiquei pensando no que dizer no dia das crianças. Falar dos meus alunos tão fofinhos, falar das frases inteligentes que eu escuto das crianças por aí, falar sobre a infância, sobre as crianças de rua, falar da Debinha, minha afilhada fofa e que nos surpreende a cada dia… Falar da vontade cada vez maior que eu tenho de ser mãe. Comecei todos esses posts, talvez um dia os termine. Mas comprovei o que eu já sabia – sou uma saudosista por natureza. E eis a minha listinha comentada de brinquedos e brincadeiras preferidos. Alguns detalhes mamy teve que me ajudar a lembrar… Espero estar sendo fiel à realidade.

* Lalá e Lulu

Meu pai me deu este primeiro brinquedo semi-eletrônico quando eu tinha uns 8 anos. A Lalá era uma boneca loirinha que, uma vez posta 4 pilhas dentro dela, andava rebolando com o Lulu, seu cachorrinho, segurando ele pela coleira. Era muito bonitinha de se olhar. Por uns 5 minutos, depois perdia a graça. O fim da Lalá foi ser enforcada na coleira do Lulu e depois jogada na sacola de brinquedos pra doar sem dó nem piedade.

* Disquinhos de História e Vitrolinha Vermelha

Eu tinha uma vitrolinha vermelha que minha mãe comprou pra mim. Uma daquelas que virava uma maletinha. E meu pai ganhou de um amigo toda a coleção dos disquinhos de história, aqueles que tinham os contos clássicos ( e que foi relançada agora em CD ). Vários deles eu ouvi até riscar. Os que eu não gostava eu quebrei. Eu era uma menina nervosa. Hehe.

* Susi

Era o que é hoje a Barbie. Eu tinha umas 4, dada por tias e avós ( minha mãe me conhecia bem demais pra me dar uma boneca dessas ). Eu penteava tanto o cabelo loiríssimo e liso da Susi que ele embaraçou nas pontas. Aí eu cortei e foi pior. Pintei o cabelo dela com canetinha e cortei a roupa dela, colando uns adesivos pra ela virar menudete. Não restou nenhuma pra contar história.

* Brincadeiras de Rua

Eu fugia quando ninguém estava vendo… E ia pra rua. Lá, eu brincava com os moleques, e essa era a minha maior alegria, já que o meu irmão não gostava de fazer outra coisa senão ver TV. Amarelinha, pega-pega, esconde-esconde, bafo, bolinha de gude, carrinho de rolemã, pipa, mês, passa-anel, mãe da rua, barra manteiga, bola, pega-cinta, escolinha, morto-vivo, stop, duro ou mole, subir em árvore, pular muro, casinha, escolinha, comidinha, médico ( no bom sentido ), todas as brincadeiras de roda. Não tem nada melhor pra uma criança que brincar longe da supervisão dos adultos. Nada.

* Ursinho Peposo

Era assim: eu ganhei o Peposo da minha tia no dia das crianças. O mais horrendo ursinho de pelúcia de todos os tempos. Dizem que ele chupava o dedo das próprias mãos e dos pés, mas aqui em casa nunca conseguimos fazer o dedo parar na boca do urso mais que uns 8 segundos. O Peposo tinha uma esposa, a Peposa, que eu ganhei do meu avô no natal. E, por infelicidade, deram o Peposinho pro meu irmão. Toda vez que eu queria fazer a família ficar completa, tinha que ameaçar, chantagear, subornar ou bater no meu irmão. Aliás, sair no tapa com ele era o meu esporte favorito. 🙂

* Meu Bebê

Um dia meu pai nos soltou numa loja de brinquedo e disse, “podem escolher um brinquedo, qualquer um, mas é um só, eu não vou interferir”. Eu e o Rodrigo ficamos doidinhos correndo na loja, de um lado por outro. Até que eu bati meus olhos nela. Linda, grande, um bebê de verdade ( mesmo sendo loira ). Ela passou a ser minha filhinha preferida. Brinquei anos com ela, até que ela literalmente acabou de tanto uso. Quando eu fiz 15 anos, me deram uma outra igual, mas não tinha mais a mesma graça… Tenho saudades do meu bebê. Só pra constar… O Rodrigo, boboca, não escolheu um autorama nem um carro de controle remoto, nem uma bicicleta. Ele escolheu um carrinho daqueles pequenininhos que viram robô, que durou menos de uma semana. Tsc.

* Bicicleta Caloi Ceci

A propaganda ensinou, eu fiz: enchi a casa, os bolsos das roupas, os armários e sapatos dos meus pais com aquele bilhetinho: “NÃO ESQUEÇA A MINHA CALOI”. Aí o Papai Noel me trouxe: uma Caloi Ceci, dourada, com cestinha preta. Pintei e bordei com essa bicicleta, até que caí e quebrei o braço em 5 lugares. Mesmo engessada, eu andava pra cima e pra baixo, em casa, na rua, nos parques, na praia quando íamos viajar. Até hoje me lembro de como era bom andar e abrir os braços sentindo o vento bater no rosto… É como se fosse voar mesmo.

* Coleção de Luxo – Sítio do Pica-Pau Amarelo

Quando me falaram que eu ia ganhar de natal uma coleção de 4 livros gigantes, quase sem figuras, cheio de letras, eu fiquei possuída de raiva. Escrevi uma carta xingando o papai noel de nomes nada bonitos. E deixei o presente fechado um bom tempo. Quando resolvi abrir, foi um encanto. Aos 10 anos, já tinha lido todas as histórias do Sítio. E se um dia eu tiver filhos, tenho certeza que vou dar pra eles o mais precioso presente que já ganhei, ainda que eles não entendam isso de imediato.

* Gibis – Turma da Mônica

Poucas crianças tiveram a sorte de ter um pai que trabalhou na Editora Abril. Uma vez por mês eu ganhava uma caixa de gibis da Turma da Mônica. Hoje, tenho que assinar pra ler… Chuif. Me trancar no quarto e ler as histórias da turma era o melhor momento do mês.

* Banco Imobiliário

Tive muitos jogos, mas esse é mesmo o inesquecível. Nunca fui boa de matemática, nem pra lidar com o dinheiro, por isso não me lembro de ganhar uma partida do meu irmão ( que hoje é administrador e bancário ). Mas adorava passar horas e horas debruçada com os primos e amigos em cima desse e de outros tabuleiros. Delícia.

* Discos

Balão Mágico, Arca de Noé, Pirlimpimpim, Patotinha, Pluct Plact Zum, Saltimbancos… Que sorte tivemos nós, que escapamos do domínio das Xuxas da vida.

* Ferrorama

Era brinquedo de moleque. Meu pai comprou pro meu irmão, que odiou. Ele sempre foi chato. Então, brincávamos nós dois. Era uma delícia ficar olhando aqueles trenzinhos correr de um lado pro outro, tão rápidos e bonitos. Nunca mais vi… Será que ainda existe?

* Pistache e Farofinha

Essas foram as bonecas da minha infância. A Estrela lançou a coleção Sorvetinho, bonecos com um sorvetinho pendurado e com cabelos e roupa imitando um sabor, uma cor de sorvete. Eram cheirosinhos também. A Pistache era verdinha, vestido xadrez preto, chapeuzinho e cabelo marrom. Uma vez fui visitar minha vó no interior, me trouxeram dormindo e largaram a boneca lá. Chorei 3 dias seguidos, fiquei doente. Me deram outra, mas não adiantava. Acho que a boneca ganha o cheiro, o jeito da gente conforme vamos usando… E meu pai teve que viajar de novo pra buscar a boneca antes que eu morresse ou minha mãe matase ele. A Farofinha era fofa, tenho ela até hoje… Linda.

Os brinquedos e brincadeiras de uma criança são quase tudo que ela tem que é somente dela e de outras crianças. Sem eles, ela não aprende, não cresce, não se torna uma pessoa feliz. E infeliz também é a pessoa que não reaprende a brincar depois que cresce.

Se alguém aceitar o cumprimento, feliz dia das crianças pra vocês. E pra mim também… Pra criança que sou agora e pra criança que um dia fui. 🙂

EXPEDIENTE

* É notícia velha, porque estou mesmo super atarefada e sem tempo pra escrever e ler blog. Mas pra quem não sabe ainda, achei de suma importância colocar aqui que, recentemente, o blog Imprensa Marrom saiu do ar. A razão? Um comentário irritou alguém que entrou com uma ação. A justiça mandou retirar o blog do ar, assim, sem perguntar direito o que aconteceu. Inagaki explicou todo o polêmico acontecido em seu post do dia 30/09. O Imprensa Marrom voltou a funcionar. Mas essa história não cheirou nada, nada bem. Nada bem mesmo.

* Você conhece o Skype? Mesmo sabendo que qualquer coisa é melhor que a porcaria do msn, tenho que dizer que esse programa realmente é legal. Funciona assim: você baixa, se cadastra, procura os amigos, compra um microfone ( se já não tiver um ) e conversa com qualquer pessoa que estiver cadastrada em tempo real. Ele tem uma versão em português, e o som é perfeito, parece de telefone mesmo. E não tem interurbano. 🙂 Se alguém quiser tentar, meu nick lá é karicabral.

* Falando em programas porcarias, o Orkut está cada vez mais lento e difícil de mexer. O Estadão criou um esquema parecido, totalmente em português, chamado Link. Achei melhor que o tal Multiply. Pra quem já se cadastrou, estou lá como Karina Cabral. Quem quiser um convite, só mandar email.

* Eu já falei que logo logo teremos novidade por aqui? Já? Bem, aguardem… Pelo que eu sei, está ficando bom, muito bom. 🙂

* Por favor, se algum visitante frequente deste blog estiver tendo dificuldades para abrir a página ou mandar comentários… Avisem-me pra que eu possa aporrinhar meu amigo querido, consultor, companheiro de cinema e guru Marcelo pra dar um jeito nisso. Brigada.

* Olhando o contador aí do lado, percebo que estamos chegando perto do 25 000… Claro que teremos concurso! 🙂

O DESEJO

O DESEJO

Quando tudo é escuridão, ele é um sol inteiro dentro do quarto.
Depois do almoço, ele é um pedaço de queijo com goiabada.
Quando não se aguenta mais de vontade de fazer xixi, ele é um vaso sanitário desocupado.
Num dia de encontro de família, ele é um namorado bonito e charmoso pra exibir bastante.
No final de um dia de trabalho exaustivo, ele é um banho quente e demorado.
E no dia do seu aniversário, ele é um presente bem embrulhado com algo muito bom dentro do embrulho, algo que você não sabe o que é, mas gosta antes mesmo de saber.
Em um lugar feio, ele é estar sentando no alto de um morro de uma praia carioca olhando o mar.
Na segunda-feira de manhã, ele é a sexta-feira de tarde.
Se estiver muito frio, ele é um cobertor ( de lã e de orelha ).
Num momento de intensa solidão, ele é um abraço bem apertado, daquele de quebrar ossos.
Quando se está fazendo um texto, ele é uma frase final arrebatadora, melhor que “e foram felizes para sempre”.
Diante de qualquer coisa feita, ele é um “puxa, que máximo isso aqui, quem fez uma coisa assim, tão incrível?”.
Para a noiva, ele é um filme de romance perfeito em forma de ilusão.
Para o trabalhador cansado, um feriado prolongado com direito a viajar pra um lugar paradisíaco de graça e sem sofrer no trânsito na ida e na volta.
Para um cachorrinho, ele é uma casinha no quintal, uma tigela de ração e muita atenção do dono.
Para o asmático, ele é um aparelho respiratório descongestionado num ambiente aberto e ventilante.
Para o insone, hipnose eficiente.
Para os amantes que têm que se despedir, um relógio parado.
Para um cabelo assanhado, uma maria-chiquinha.
Para o espirro, simplesmente acontecer.
Para um dia abafado, águas de março fechando o verão.
Para a lua, céu sem nuvens e muitos espectadores olhando para o alto.
Para a pipa, vento forte e uma rabiola potente e bem cortada.
Para o bebê, mamãe, mamãe e mamãe.
Para o publicitário, uma idéia luminosa em formato de frase.
Para a amante, um final de semana com direito a passeio público e roda de choop com os amigos.
Para a partitura, um instrumento afinado e um instrumentista habilidoso.
Para o casal apaixonado, dormir abraçado depois de transar a noite toda.
Para o tímido, um auditório repleto de ninguém pra ouvi-lo falar muito e alto.
Para a fruta madura, um moleque atrevido que goste de subir em árvore.
Para a árvore, um preguiçoso pra encostar-se nela a tarde toda.
Para o desempregado, o número correto da mega sena.
Para o diabético, um suspiro ou um quindim.
Para o ansioso, uma bola de cristal que funcione.
Para a mulher do marinheiro, o barulho do barco ancorando na praia.
Para o doente, alívio.
Para qualquer um, qualquer outro.
Sede, fome, tesão, paz, alegria, vida.
O desejo é assim, pode ser tudo, pode ser nada. Só se pode desejar o que não se tem… E desejar mais ainda o que não se pode ter. Porque o desejo é isso. O eterno querer para a eterna falta. E é nada que fuja disso pode ser a seiva da vida.

Para validar, uma música linda do Chico.

Junto à minha rua havia um bosque
Que um muro alto proibia…
Lá todo balão caía,
Toda maçã nascia,
E o dono do bosque nem via.
Do lado de lá tanta aventura,
E eu a espreitar na noite escura,
A dedilhar essa modinha.
A felicidade
Morava tão vizinha…
Que, de tolo,
Até pensei que fosse minha.

Junto a mim morava minha amada,
Com olhos claros como o dia…
Lá o meu olhar vivia
De sonho e fantasia –
E a dona dos olhos nem via.
Do lado de lá tanta ventura,
E eu a esperar pela ternura
Que a enganar nunca me vinha.
Eu andava pobre…
Tão pobre de carinho…
Que, de tolo,
Até pensei que fosses minha.

Toda a dor da vida
Me ensinou essa modinha…
Que, de tolo,
Até pensei que fosse minha.

* Post inspirado em um verbete do Pequeno Dicionário de Palavras ao Vento, da Adriana Falcão. Simplesmente genial. Se não leu ainda… Tá esperando o quê? 🙂