DROPS DE BRIGADEIRO


Quem não gosta de presente? Passa lá no Mondo Redondo pra ver como eu gosto…

EXPEDIENTE

Como vocês podem ver… O blog está passando por uma mudança de template. Ainda não está pronto, mas quero que vocês me digam o que acharam das cores, do layout, e principalmente das mafaldinhas que mudam a cada vez que a página é atualizada. Não é um charme? rs

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AGENDA CULTURAL DE FÉRIAS

Longe de mim querer fazer o que a minha querida Dani já faz tão bem. E nem quero bancar a resenhista, muito menos crítica de arte ou gastronomina. Apenas quis deixar registrado aqui coisas legais que vivi nas minhas românticas e bem aproveitadas férias de janeiro, ou um bocadinho antes. Espero que possa servir a vocês, pessoas queridas, finas, elegantes e sinceras, para que se animem a passear muito, porque há muita coisa boa a ser olhada e sentida por aí. 🙂

EXPOSIÇÃO

“Imagino o artista num anfiteatro
Onde o tempo é a grande estrela.
Vejo o tempo obrar a sua arte,
Tendo o mesmo artista como tela…”

Eu fui, já sabendo que não ia sair como entrei. Já contei aqui o quanto amo toda a obra desse artista incrível chamado Chico Buarque ( “Esse Grande Amor“, de 08 de fevereiro ). Imagina o que foi pra mim saber que fragmentos da vida e das idéias de alguém que eu tanto admiro estavam expostos a alguns quilômetros da minha casa… Não podia deixar de ir. Fui correndo.

A exposição Chico Buarque: O Tempo e o Artista, sob curadoria de Zeca Buarque Ferreira, foi montada para comemorar os sessenta anos do cantor, escritor e portador de adoráveis olhos claros. Já andou no Rio de Janeiro, e agora chega a São Paulo, abrigada no ambiente bonito, chique e de ótimo gosto do Sesc Pinheiros. Um passeio emocionante, não só pra quem gosta do Chico, mas pra quem tem o mínimo de interesse na história cultural e musical do Brasil. Bem cuidada, moderna e com um invejável apoio multimídia, ela não deixa de ser poética, simples e envolvente.

Claro, uma exposição sobre a vida de alguém é o óbvio. Imagens e papéis escritos, fotografias e documentos. Nesse sentido, nada de muito novo se pode ver. Mas dentro do óbvio, o surpreendente. Fotos de um Chico menino, no colo dos pais, com os amigos, com as filhas e esposa, na escola, na faculdade, cantando, escrevendo. Um bilhete de um menino de 8 anos para os avós. A observação de uma professora esperta profetizando que ali, no aluno menino, estava um futuro grande homem de letras. O depoimento do pai, Sérgio Buarque, dizendo que o filho não é tímido e certinho coisa nenhuma. Rascunhos de letras de música, correpondências datilografadas dos amigos ( uma delas, hilária conversação entre Chico e Vinícius sobre a letra da canção “Valsinha” ), uma intimação para depor, parecer da censura, um jornal da escola mimeografado, uma ameaça escrita do CCC, o discurso originalíssimo do orador da turma. Uma cidade imaginária desenhada, um jogo de futebol sem regras, caderninhos com pensamentos, bilhetes, capas de disco, e uma carta de Clarice Lispector, onde ela falava sobre o seu desejo de que aquele Chico nunca perdesse a candura que lhe era tão inerente; candura essa que ela mesma decidira esconder. E como se não bastasse, duas salas de vídeo ( onde pude ver aquele rosto sorridente olhando em meus olhos e cantando, “você nasceu pra mim…”… Não segurei uma lágrima de felicidade )… E um computador com fone de ouvido, para xeretar um software com TODAS as letras e músicas do artista, para se ouvir à vontade. Nunca quis tanto trazer algo pra casa quanto aquele computador.

O mais lindo de tudo é perceber que o tempo, implacável em passar sem esperar ninguém, vai construindo em alguém com alma de artista uma história que dura pra sempre, na emoção que sente, expressa, e toca o coração das outras pessoas. O artista nunca morre… Alcança o infinito, como diz a música escolhida para dar nome à exposição. Os poetas do tamanho do Chico – ele bem disse – como os cegos… Podem ver na escuridão. E trazem a luz para a vida de outras pessoas.

Se você mora em Sampa, vá correndo. Se não, viaje e venha ver. Lindo.

“No anfiteatro, sob o céu de estrelas,
Um concerto eu imagino…
Onde, num relance, o tempo alcance a glória,
E o artista, o infinito.”

MÚSICA
Coisas boas surgem de vez em quando, coisas ruins brotam aos montes toda hora, e coisas maravilhosas acontecem de vez em nunca quando o assunto é música. Mas eu sou daquelas que acham que ter música por perto é sempre bom, mesmo quando a música é ruim. Por pior que seja, sempre se aproveita alguma coisa. Se a música for boa, melhor ainda.

Nessas férias, guiada pelas mãos e ouvidos de alguém especial que agora me acompanha, reencontrei o prazer de ouvir aqueles moços de Liverpool, os Beatles. Não é só porque eles são gênios do rock, inovadores no jeito de tocar e nas experimentações que faziam. Não é só porque venderam toneladas de discos e marcaram a história da música pop mundial. E nem porque a união entre o Lennon e o McCartney resultou em composições que dosavam poesia e força em volumes iguais. Também não é porque o George Harrison, meu beatle preferido, era doce e meigo no seu jeito de tocar e nas letras amáveis que escrevia.

Ouvir Beatles é muito bom porque aquilo é música de verdade… Simples assim. Ouçam, ouçam e ouçam.

***

E o meu lado popularíssimo amou ganhar de presente o novo cd do Roupa Nova, que entrou na onda do Acústico e produziu um cd que não tem jeito de não agradar a quem um dia curtiu cantar “Sapato Velho” e “Linda Demais”. O grupo, famoso pelas baladas românticas rasgadas ( clássicas dos programas de rádio que traduzem “Endless Love” todos os dias na hora do almoço ) mostra que continua afinado, e através de arranjos musicais super harmoniosos, canta e toca ao vivo com extrema competência aquelas velhas canções que muita gente gosta – ainda que não admita em público. No repertório escolhido para o cd, todas aquelas que foram top hits e algumas experimentações, sem fuga do estilo. Já praticamente furei o cd de tanto ouvir e fiquei rouca de tanto cantar alto. Pra quem gosta, prato cheio.

TELEVISÃO

Em tempos de tanta porcaria, é uma grata surpresa assitir a microssérie Hoje é Dia de Maria. Vários e vários pontos positivos fazem dessa superprodução global um dos melhores compêndios televisivos de cultura popular. Direção, sensível e competente. Escolha do elenco, perfeita. Os bonecos do grupo Giramundo e os figurinos de papel de Jum Nakao, suntuosos e deslumbrantes. Fotografia, de cair o queixo. Trilha sonora, delicadíssima. As histórias e cantigas tradicionais do povo brasileiro foram bem tratadas e ganharam vida bonita nas atuações de pessoas como Osmar Prado, Letícia Sabatella e aquela gracinha de menina talentosa, Carolina Oliveira. E claro, tem o Rodrigo Santoro. Ai. Hehe.

Nessas horas a gente pára e pensa: se são capazes de colocar no ar uma pérola como essa, por que as emissoras insistem em exibir coisas como Luciano Huck, novelas xexelentas e a maior porcaria de todas – o tal de Big Brother – no horário nobre? Pena de nós… Pena.

CINEMA

Brad Pitt, George Clooney, Andy Garcia e… Bruce Willis. Sonho de toda mulher? Sim. Desfilando ali na tela de cinema… Pertinho. Trama interessante, passatempo divertido e despretensioso e colírio para os olhos. Ai, ai. É Doze Homens e Outro Segredo. Minha amiga leitora, se ainda não viu… Vá. Já!

COMIDA

O restaurante mais antigo de São Paulo é uma cantina italiana. No coração do Bexiga, a uns passos da praça da igreja, a cantina Capuano é tradicionalíssima. Na parede rústica, fotos antigas de imigrantes italianos e lembranças boas. A toalha xadrez, a música italiana de fundo, o ambiente pequeno, mas acolhedor ( perfeito para um romance ) e o excelente atendimento só reforçam o sabor delicioso das massas e carnes do cardápio. E quer saber o melhor? O preço não é uma exorbitância. Muito pelo contrário. Nham.

Agora, se a intenção é bater um papo em lugar charmoso altas horas da madrugada, tranquilamente e saboreando coisinhas deliciosas como sopinhas, pãezinhos e saladas, vale a pena dar uma corrida até a Lapa e visitar a Dona Deôla. A padaria de esquina é aconchegante e serve pães e bolos deliciosos, além do jantar, onde você, depois de pagar alguns reais, come até cansar. Dizem que o café da manhã também é de pedir bis. Bom pra começar ou pra fechar a noite. Destaque para o bolo de limão e para o caldo verde, ambos maravilhosos.

TEATRO

Ao ver um de seus filhos, ainda bebê, dormindo no berço, Jorge Amado pôs-se a imaginar uma história emocionante e instrutiva com a qual pudesse presenteá-lo. E foi assim, com o amor mais puro de um pai, que ele escreveu o belíssimo conto O Gato Malhado e A Andorinha Sinhá.
Tanto tempo depois, a história ganha a direção cuidadosa e delicada de Wladimir Capella e vira uma das peças de teatro mais lindas que eu já vi. Tocante do começo ao fim, os cenários e figurinos tecnicamente perfeitos enfeitam a atuação impecável e o roteiro fiel e bem escrito sem ofuscar o mote da história de amor impossível entre a andorinha rebelde Sinhá e o gato vagabundo Malhado. Apaixonados, eles tentam enfrentar a sociedade e as regras injustas para viver um romance pouco usual, mas intenso e carregado de beleza e poesia. A trilha sonora é bem cuidada e merece destaque, especialmente a canção tema do casalzinho.
Diz lá no prospecto que a peça é infantil. E é mesmo. Mas eu, que já fui ver algumas vezes, vi muito marmanjo saindo com os olhos inchados de tanto chorar. Espetáculo no sentido mais amplo da palavra.

Resumo da ópera… A gente quer comida, diversão, balé e tudo que tem direito. Eu mereço, vocês merecem. É ou não é?

5 COISAS QUE VOCÊ…



Eis a primeira lista de 2005!
Que beleza.
Como lista é uma beleza mesmo, resolvi fazer uma lista múltipla. Lá vai.

5 COISAS QUE VOCÊ DESCOBRE QUANDO ESTÁ DE FÉRIAS
* Ter o direito de desligar o despertador é uma dádiva das mais maravilhosas que um ser humano pode experimentar.
* Ver novela da tarde e Chaves pode ser ótimo de vez em quando.
* A Lua continua linda e digna de ser olhada horas a fio sem ter que dormir rápido pra acordar cedo no outro dia.
* Visitar velhos amigos e ganhar muitos abraços renova as forças.
* A vida sem trabalhar, como tudo que é bom, cansa.

5 COISAS QUE VOCÊ DESCOBRE QUANDO ESTÁ NAMORANDO OFICIALMENTE
* Longe é um lugar que não existe.
* É bom ter alguém que goste de você, a despeito de qualquer problema e ansiedade que isso cause.
* O príncipe encantado já era – morreu ou está nos braços de uma outra princesa. Bom mesmo é ter um homem de verdade por perto.
* Você descobre que está encalhada quando sua família faz brincadeiras sobre casamento com o rapaz que acabaram de conhecer.
* Namorar no sofá é uma delícia. Nham.
BÔNUS: Estar apaixonada é a melhor coisa do mundo. E tenho dito. Hehe.

5 COISAS QUE VOCÊ DESCOBRE QUANDO VAI FAZER A ARRUMAÇÃO GERAL DOS ARMÁRIOS
* Liberar espaços é básico. Senão, coisas novas não chegam. Mesmo. ( Sim, isso é uma metáfora da vida. )
* Não é politicamente correto esquecer roupas que não se usa mais e das quais você nem se lembra no fundo do armário.
* Não é produtivo deixar pequenas coisas que podem ser reparadas, restauradas, arrumadas, costuradas ou organizadas pra fazer depois: ou se faz na hora, ou é melhor jogar fora.
* É muito gostoso enfrentar fragmentos de velhas lembranças com novos olhos e nova disposição de alma.
* É preciso admitir que há coisas que você não vai precisar, portanto… Não precisam ser guardadas. Definitivamente não é saudável juntar tanta porcaria.

5 COISAS QUE VOCÊ DESCOBRE QUANDO COMEÇA A USAR MAIS O ORKUT
* O mundo é realmente pequeno.
* Neste mesmo mundo, tem muita, mas muita gente mesmo que não bate bem, é trololó de pai e mãe.
* Vontade de aparecer e educação, geralmente, não se misturam.
* Parece que pra boa parte das pessoas é muito bom ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar. Mesmo que algum deles você mal conheça.
* As pessoas podem descobrir muitas coisas da vida de outra em poucos cliques, uma vez que a outra em questão resolve se expor. E isso nem é tão ruim.

5 COISAS QUE VOCÊ DESCOBRE ASSISTINDO TV ABERTA DURANTE O DIA
* As pessoas podem ser insuportavelmente medíocres.
* As pessoas podem ser secretamente sádicas.
* As pessoas podem ser visivelmente maldosas.
* As pessoas podem ser totalmente superficiais.
* Não se deve ver programas de TV aberta durante o dia.

EXPEDIENTE
Pessoas, algo no meu blog vai errado. Não consigo postar direito, as pessoas não conseguem acessar nem comentar. Estamos trabalhando para melhorar tudo isso. Desculpem o transtorno. Hehe.

DROPS DE MEL

Seguinte: tentei escrever sobre Tsunami, política, férias, inteligência, meandros do sistema olfativo, fazer uma lista, um conto, uma historinha, uma resenha, abrir uma discussão. Comecei e nada prestou, nada deu certo. Então, eu me rendi. Dane-se: vou ser repetitiva e persistir no assunto… Simplesmente porque neste momento ele persiste em minha vida. 🙂

Novamente falo sobre paixão no Mondo Redondo. Quer ler? Clica!

SUSPIRANDO

Suspiro, dizem, é nome de flor, nome de loja, sobrenome de papagaio, nome de cidade, nome de ponte em Veneza, nome de brinquedo, de marcação musical e de uma pequena abertura que se faz em um recepiente pressionado por algum conteúdo interno que precisa escapar aos poucos, pra não fazer o tal recepiente explodir.

Suspiro também é o nome daquele doce super-doce feito com clara de ovo, raspas de limão, açúcar, paciência, um fogo brando e muita sorte ou competência pra acertar o ponto. Todo branquinho e grande, ele é duro de morder, mas desmancha na boca como mágica. Colocam ele na merengata de morango, no sorvete, no bolo ou na torta de limão, pra acentuar o sabor desses pratos. É tão leve que você poderia jurar que não comeu… Não fosse o gosto forte e melado que fica na boca e gruda na garganta.

Suspiro também é aquilo que o doente faz no hospital um pouco antes de morrer, na última tentativa de respirar mais um pouquinho. Ou o que esse mesmo doente fez tantas vezes antes quando não aguentava mais de dor. Suspiro é o que aquela moça faz quando debruça na janela e fica com o olhar perdido no horizonte, com aqueles olhos de quem não está vendo nada, ou olhando através das coisas. Provavelmente porque ela sente que está quase morrendo de saudade de alguém.

Suspiro é o que a minha mãe – mulher forte, decidida e prática – faz antes de dormir. Desde pequena que ouço ela suspirar à noite, muitas vezes, muito alto, tão alto que chegava a me acordar. Antes me perguntava por que ela suspirava tanto. Hoje eu sei que é de cansaço… E de solidão. Às vezes ela suspira de dia também, quando está fazendo algo que a irrita ou cansa muito; geralmente, os suspiros diurnos da minha mãe são seguidos de um “ai” ou um som bem profundo, que parece que vem do fundo da alma. Mas nenhum é mais profundo do que aqueles que ouço vir do quarto dela quando ela se tranca lá pra ouvir velhas canções de amor, suspiros que ela deixa escapar desde que ficou viúva e desistiu do amor. Talvez seja saudade do meu pai, como a moça da janela deve ter saudade de alguém. Talvez seja só um suspiro triste, de quem acha que não pode mais suspirar de alegria de novo.

Suspiro é o que eu deixo fluir baixinho quando estou de saco muito cheio da minha chefa, suspiro de raiva e insatisfação. Ou quando me pego entediada, sem muitas esperanças que algo legal vá acontecer. Também é aquele som que sai de mim quando abraço alguém muito querido, que não vejo ou não abraço faz tempo, e sinto o perfume daquela pessoa causando uma verdadeira descarga de felicidade nas minhas células nervosas, seja essa pessoa um familiar, um amigo ou um querido muito querido mesmo.

Suspiro é aquela expressão de alívio que vem quando você espirra, goza, ou consegue ir ao banheiro quando está com muita vontade de fazer xixi. Tem gente que suspira porque está feliz, porque está triste, porque sente saudade, porque está insatisfeito, porque gosta de contemplar a vida, ou porque quer demonstrar o quanto admira algo muito bonito e hipnotizante como uma lua cheia de verão ou uma flor colorida e delicada.

O suspiro é aquele pedaço que estava bem no fundo, tão fundo, que você precisa respirar forte pra ir pegar lá dentro de você e trazer pra fora, porque senão aquilo começa a te sufocar por dentro. Suspiro é sentimento e sensação transformados em reação biológica. Suspiro é expressão pura e concreta de que algo acontece dentro de você. Quando você suspira, puxa o ar com vontade e depois solta com mais vontade ainda, como se aquele vento entrasse dentro de você pra fazer uma faxina em cada partícula dos seus pulmões, deixando tudo limpo depois. Nem sempre é bom suspirar. Mas é sempre necessário. E não há quem não suspire vez ou outra.

E apesar de existirem muitos tipos de suspiro, de muitos jeitos, para expressar muitas coisas… Eu posso afirmar com a certeza mais absoluta desse mundo que nenhum suspiro é mais gostoso, mais desejado nem mais digno de ser chamado de suspiro do que um suspiro de paixão. Aquele mesmo, que a gente faz quando olha no olho de uma pessoa e aquele olhar parece cair direto dentro do seu. Aquele que a gente deixa sair apressado quando a pele é tocada de leve por aquelas mãos que parecem desejar tanto o seu corpo, ou o que vem bem longo e lento no meio de um beijo quente, molhado e demorado. Suspiro apaixonado é aquele que vem antes de dormir, quando você tem certeza de que um certo alguém vai aparecer no seu sonho logo mais, ou aquele que chega quando você acorda sorrindo, e já pensa de novo naquela pessoa. Suspiro apaixonado é aquele que você dá depois de atender ansiosa o telefone e vê que é aquela pessoa mesmo que você estava esperando, porque é tão bom ouvir aquela voz e ela foi tão desejada nos seus períodos tristes de solidão. Suspiro apaixonado é aquele que vem quando você finalmente descansa nos braços de alguém especial, sentindo uma paz imensa – paz que logo é roubada por outros suspiros, porque não há paixão que rime com paz. Suspiro apaixonado vem na cola daquela música, das mãos dadas, do carinho e das frescurites que a gente acha tão bonitinha só porque é aquela pessoa que fez, e por aí vai. Quero ver quem me prova que existe suspiro melhor que suspiro de paixão… Existe não.

Ai, ai………..

CARTAS DE INTENÇÕES

Uma carta de intenções não é uma lista de promessas. Quem faz uma promessa prende-se a uma camisa de força. Uma carta de intenções é apenas uma carta de intenções. E lá vai a minha.

Em 2005 eu pretendo não pensar em promessas de ano novo, nem de semana nova, nem de mês novo, nem encher de promessas velhas nada que seja novo. Em 2005, eu pretendo fazer coisas novas quando tiver vontade, e repetir as coisas de sempre quando for preciso. Se o novo vier, será bem vindo… E sempre vem. Só.

Em 2005 eu pretendo juntar menos papel. Pretendo comprar umas cores diferentes de esmalte, para combinar com as cores de roupas diferentes que eu pretendo comprar também. Vou tentar usar o cabelo de um jeito diferente, já que uso o mesmo corte, a mesma cor e os mesmos jeitos de prender há anos. Vou tentar gastar o meu dinheiro de forma mais racional. Como sei que não vou conseguir, então vou procurar curtir cada coisa que eu não resistir a comprar ou fazer com ele, sem culpa. Aliás, em 2005, não quero saber de muita culpa, porque vou continuar acreditando que cada um faz o melhor que pode. Eu, pelo menos, sempre faço. Sendo assim, pouca culpa. Só vontade de melhorar da próxima vez, mesmo.

Em 2005, eu quero trabalhar menos, ou de uma maneira que me canse menos. Se bem que isso, eu sei, vai ser difícil de acontecer. Então, a intenção, pelo menos, é descansar mais. E levar as coisas com mais leveza. Pretendo me envolver menos em fofocas, reclamações, estresses desnecessários. Pra isso, pretendo usar a meus ouvidos e minha boca nas proporções que me foram dadas: dois para uma.

Em 2005, eu vou cuidar melhor da minha saúde, dominando a minha indiferença pelo hábito de ir ao médico. Também vou cuidar melhor da minha família, prometendo encarar as ações e palavras deles com mais amor e mais carinho, ensinando o que eu aprendi e aprendendo o que me for ensinado. Pretendo também, aos poucos, caminhar algumas horas por semana, de preferência em um lugar bem bonito onde eu possa me encantar com a natureza. Pretendo ouvir mais música, e doar umas roupas velhas e jogar fora algumas antigas cartas de amor – porque elas ocupam muito espaço e é preciso que haja espaço para cartas novas. Aliás, em 2005, eu pretendo ter um coração apaixonado e rendido que escreva muitas cartas de amor, e que sinta vontade de demonstrar carinho de maneira tranquila e duradoura.

Em 2005, eu pretendo abraçar mais pessoas, e tentar lembrar de não terminar o dia sem lembrar de pelo menos um querido ou querida – e fazer essa pessoa saber disso. Pretendo responder mais aos telefonemas, lembrar mais dos aniversários, não deixar um email pessoal e carinhoso passar batido por semanas. Atenção e afeto nunca são demais entre pessoas que se gostam. Pretendo dirigir melhor e com mais calma, eliminando aos poucos alguns hábitos ruins que, segundo me dizem, estão estragando meu tomatinho. Pretendo cuidar bem do meu celular pra não ter que trocá-lo de novo.

Não vou fazer regime, que não dou pra isso, mesmo sendo gordinha. Então, vou gostar mais ainda de mim, e cuidar da minha alimentação o suficiente pra continuar com o colesterol, pressão e diabete em níveis ótimos. Aliás, eu pretendo comer menos a noite e me habituar a tomar café da manhã. Pretendo também visitar mais os blogs amigos, arrumar uma maneira sistemática pra fazer isso.

Em 2005, eu vou tentar usar agenda. Provavelmente não vou conseguir, mas posso tentar, quem sabe assim em 2006 posso fazer isso com mais tranquilidade. Pretendo viajar uns dias pelo menos uma vez, vencendo essa minha mania de ficar em casa. Vou molhar as plantinhas, e se superar o trauma de ter visto minhas tartarugas morrerem, vou pensar em outro animalzinho de estimação. Irei mais vezes ao cinema, tomarei mais sorvete, e beijarei mais na boca. Vou fazer um óculos pra não magoar minhas córneas usando só as lentes. E vou também apagar das listas de msn, icq, agenda de telefone e afins o nome de pessoas que não conheço, ou que não quero mais conhecer. Vou tentar ter uma relação mais amigável e doce com a minha mãe, pelo menos no que depender de mim. E vou tentar escrever posts menores e menos melosos.

Vou apontar os lápis, organizar os arquivos de computador, parar de morder os lábios e comprar um relógio novo. Vou também pintar muitas mandalas, fazer um curso de culinária, tocar um instrumento e dominar minha preguiça de ler o máximo que conseguir. Vou tentar ajudar na reconciliação de pessoas que brigaram. E visitar a minha vó, que já está bem velhinha, mais vezes, por mais que o dia tenha sido cansativo. Vou aposentar meu edredon velho, colar mais estrelinhas no meu teto e suspirar de paixão sempre que der. Aliás, vou fazer o possível pro meu coração viver de sobressalto por causa da paixão… Ainda que isso me cause algumas dores. Pretendo também me envolver em algum trabalho social na igreja e lembrar de começar e terminar todos os dias com uma pequena oração de agradecimento.

Vou gritar menos com as crianças, ter mais paciência ainda com as pessoas e manter os meus cds dentro da capa. Pintar muitas mandalas, e pra começar, vou imprimir e pendurar esse texto no mural do meu quarto pra não esquecer de todas essas intenções.

Acima de tudo, em 2005 eu pretendo viver e amar, do melhor jeito que eu conseguir. E que a cada dia, quando eu for dormir, eu pense que, por algum motivo, por minúsculo que seja, aquele dia valeu a pena.

Feliz 2005 pra vocês, pessoas. E muitas intenções de festas brotando nos corações todos os dias.

PS:. Tem post também no Mondo Redondo… Beijocas pra todos.