PEDIDO

Só quem é gostado compreende o milagre que o carinho faz na vida de alguém. Não importa quem seja, não importa como seja, não importa o que tenha havido antes, e os defeitos importam pouco. Quem é gostado por alguém fica leve, novo, recuperado, cheio de esperança e desejo, e cheio de vontade de gostar de volta e ser gostado novamente, num ciclo ininterrupto. Dá uma fome imensa de mudar tudo, e ao mesmo tempo, cultiva-se um desejo secreto de que nada nunca mude, embora a mudança seja, mesmo a nossa revelia, parte de tudo que existe – inclusive do gostar.

Ser gostado é tão simples e tão bom que basta um olhar carinhoso, um gesto inesperado de admiração, uma palavra suave… E tudo muda de referência, de importância, de valor, de rumo. Ser gostado é ser salvo da frieza, da dureza, da dificuldade, da solidão. Ser gostado é achar um lugar que é só seu no mundo, porque o mundo está na pessoa que gosta de você e lhe estende a mão cheia de flores, carinhos e lições. Só um tolo para não compreender como é grandioso abandonar-se nas mãos e no coração de um outro alguém, desde que seja alguém capaz de gostar. Um gesto de fé, coragem e confiança que só pode render bons frutos. Quando nos deixamos gostar, estamos dizendo, “eu acredito e confio em você – cuide da minha alma como se a sua estivesse morando nela”.

Gostar não é fácil, tampouco é fácil deixar-se gostar. O gostar implica em conhecimento profundo – conhecimento não só intuitivo, mas sentido, pensado, apreendido. É um longo caminho.

Apaixonar-se, encantar-se, iludir-se, deixar-se enganar por belezas e ganhos momentâneos… É deliciosamente e perigosamente fácil; não que seja ruim, e não é – mas é fácil. Gostar de verdade, não. Para gostar de verdade, é preciso enxergar além do que está exposto. É preciso conviver inteiramente dia a dia. É preciso aguentar a decepção e o fracasso, uma vez que somos tão falhos e bobos. O gostar é especialmente e constantemente provado nos sabores e dissabores do cotidiano real.

Não temo e não me envergonho em dizer que só sendo gostada, posso experimentar um pouco do que acredito ser a felicidade em sua face mais pura. Sofro de carência crônica de sentimentos pulsantes e fortes – de preferência, mais fortes que eu e meus medos, que eu e minhas travas, que eu e minhas dificuldades, que eu e meu passado. Sinto-me estimulada com o desafio de conhecer e me deixar conhecer, e ainda assim, gostar. Me esmero em gostar de tudo que faço, de todos com quem quero conviver, porque acredito que me dedicando a gostar, posso receber de volta o que dei. Por isso, peço, de coração aberto e humilde, que você goste sinceramente de mim.

Goste nos dias quentes, quando o sol deixa tudo claro e iluminado. Goste quando eu estiver sorrindo, quando contar uma piada, quando estiver alegre e disposta, quando estiver animada e brilhante. Goste quando eu tiver boas idéias e fizer carícias delicadas, goste quando eu for sedutora e provocante, goste quando os planos acontecerem do jeito que foram pensados e sonhados. Curta quando eu vier cheia de presentes e motivos. Repare em mim quando eu cortar o cabelo, me perfumar e vestir uma roupa nova só pra você. Quando eu for vitoriosa, quando eu conseguir fazer tudo certo, quando minha família lhe parecer agradável, quando minhas coisas forem bonitas e arrumadas, quando eu for esperta e espirituosa… Quando eu não der mancada, quando a minha saúde estiver no auge, quando eu deixar você louco de desejo, e quando tudo for bom, certo e perfeito… Goste de mim.

Mas goste também de mim nos dias de resfriado, de dor de cabeça, de indisposição. Goste quando eu estiver triste e calada, quando eu me sentir perdida, quando eu não quiser conversar. Me abrace quando eu parecer carente, me desmonte quando eu estiver agressiva, crítica ou ácida demais, me receba quando eu não parecer receptiva, me procure se eu me esconder. Olhe com desejo mesmo quando eu estiver feia, quando eu não combinar as roupas e errar na cor do batom. Ache graça nos meus erros, me corrija com amor, se eu precisar. Respeite meus pontos de vista, mesmo quando eles não forem de encontro aos seus. Tenha orgulho de mim, e repare no que eu faço. Se interesse pela minha vida, meu dia, meus problemas, e goste de mim em tudo isso. Tente gostar dos meus amigos também. Seja firme quando eu for topetuda ou parecer sabichona demais. Entenda as minhas caras feias, os meus silêncios, e me cobre se eu for injusta. Valorize nossas diferenças… Elas nos equilibrarão. Cuide de mim. Tenha paciência se eu quiser voltar ao passado, e me diga se ele magoar. Não deixe que eu vá pra longe de você com sombras no olhar. E deseje o meu bem, seja otimista sobre o meu futuro, sonhe comigo. Me ajude quando precisarmos recuperar as forças do nosso gostar. Demonstre e fale sobre o que sente, de um jeito carinhoso, sincero e cuidadoso, porque posso ser forte como uma rocha, mas me faço frágil pra poder gostar de você. Quando tudo for desagrado, dor e dificuldade… Goste de mim.

Me deixe fazer tudo isso por você também… Acredite nesse milagre que faz coisas ruins serem boas e belas com o tempo e o nosso esforço.

E por fim, lembre-se de me fazer saber que sou gostada, mesmo quando você achar que já disse e demonstrou tudo.

E eu… Eu vou continuar sendo feliz no nosso gostar, enquanto gostarmos um do outro assim. Imagina só quanta coisa há esperando por nós se conseguirmos… Eu acredito sempre no amor. E sei que você também acredita. Que bom que é assim.

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DROPS DE GARAPA – RELOADED

A CIDADE DAS GAIVOTAS

Morava no vigésimo andar, bem no alto. Gostava da sensação de olhar para baixo pela janela e pensar que estava acima de quase tudo que via. Mas sempre tinha algum prédio mais alto. Sempre havia alguém que poderia pisar nele sem piedade. Nos últimos dias, a janela estava fechada. Sem luz, sem calor, sem claridade. Só ele e as paredes. Algum barulho no corredor, só pra garantir que havia gente viva por perto. Mas ninguém batia na porta. Deitado no sofá, ele pensa que São Paulo é uma cidade perfeita pra quem quer ser como ele – uma ilha de solidão cercada de gente por todos os lados.

Hoje é o meu dia de colaborar no Focando. Se quiser continuar a leitura, dá uma passada !

“Justo a mim me coube ser eu!”

“Foi a minha adorada Mafaldinha que me acordou para esse delicioso e assustador fato em uma de suas tirinhas. Justo a mim me coube ser eu. Com a minha vida, a minha existência, faço o que quiser. E, salvo certos casos de violência e opressão extremas, ninguém me demove da idéia de que são nossas escolhas ( ou a falta delas ) que nos fazem assim, do jeito que somos. Em situações normais, não existem vítimas. O que faz a diferença é termos consciência disso, ou não.”

Quer ler mais?

Passa lá no Mondo Redondo… Espero você ali, depois de um clique. 🙂

ENQUANTO ISSO…

Depois de um longo e encantador verão… Cá estou de volta às atividades normais da vida – trabalhar beirando o limite do esgotamento ( muitas vezes, ultrapassando-o ), correr de um lado pra outro o tempo todo, lidar com os velhos problemas ( quem sabe, de formas diferentes ), encarar o extrato bancário eternamente negativo no banco e, dentre tantas dificuldades, um dos meus maiores prazeres – escrever pra este bloguezinho e voltar a visitar os blogs amigos.

Peço perdão pelo sumiço não-avisado, e pela carência de posts decentes. É que estava muito entertida em não fazer nada, com uma preguiça que não era deste mundo… E, claro, fazendo coisinhas deliciosas como ler, ir ao cinema de tarde, organizar as minhas coisas, fazer planos, ficar à toa, dormir muito, andar de mãos dadas e chamego por aí com o namorado mais fofo do mundo e fazer visitas a velhos amigos que nunca deixaram de morar no meu coração. Tudo isso renovou minhas forças e, apesar das minhas preocupações, estou esperançosa de que muitas coisas boas acontecerão em breve.

Voltar de férias é aquela sensação de domingo à noite pós-Fantástico quadruplicada – algo muito bom aconteceu, mas está acabando minuto a minuto, sem que você possa fazer nada pra impedir. Você sabe que vai ter que voltar ao cotidiano com todas as suas pílulas diárias de chatice e felicidade. E a vida é isso. Quem vai negar? É justamente os períodos de cansaço que dão tanto significado e valor aos períodos de descanso… Que bom que é assim.

E pra recomeçar, uma listinha que fiz enquanto suportava algumas das inúteis e chatas reuniões do começo de ano. Não sei se já disse isso aqui, mas meu trabalho seria perfeito se fosse somente eu e as crianças… Enquanto elas não voltam, suporto os adultos, brincando de fazer desenhinhos e escrever besteiras nos meus caderninhos.

Enfim… Vamos ao que interessa.

COISAS QUE EU FARIA SE TIVESSE SUPERPODERES

* Arrumaria minha casa e meu local de trabalho em menos de 30 segundos sem tirar um fio de cabelo do lugar.

* Lançaria visão de raio-x queimante para fritar algumas pessoas insuportáveis e irritantes só com um olhar.

* Faria poções mágicas que curariam feridas da alma – mediante cumprimento de algumas tarefas.

* Leria pensamentos ocultos das pessoas quando tivessem se esgotado todas as outras tentativas formais de compreendê-las.

* Chegaria mais rápido a qualquer compromisso, sem enfrentar congestionamentos ou faróis fechados, simplesmente porque iria… Voando.

* Aliás, quando saísse do trabalho cansadíssima ou quando tivesse que vir embora pra casa por já estar muito tarde pra ficar andando de carro por aí em segurança… Me teletransportaria.

* Com meu supercérebro, auxiliado por meus superneurônios e supersinapses, seria poliglota, teria uma supermemória e faria cálculos matemáticos complicadíssimos num piscar de olhos.

* Ficaria invisível quando alguma visita indesejável chegasse, quando quisesse chegar perto pra ouvir os cochichos da minha chefe falando mal da vida alheia, quando quisesse ir pela Marginal no dia da placa do meu carro e quando quisesse dar um susto homérico em alguém.

* Teria algum instrumento mágico, como um laço da verdade, uma capa, um carro potente, ou um cinto com mil e uma utilidades.

* Teria uma espada justiceira que me desse visão além do alcance, pra não ter mais que usar óculos ou lentes de contato.

* Teria uma superforça pra ter um supersoco, só pra garantir que ninguém ia se meter à besta comigo.

* Trocaria lâmpadas, guardaria as fôrmas de bolo e pegaria os livros da última prateleira da estante sem precisar de escada com o meu braço elástico.

* Teria uma identidade secreta… Que é a parte atormentada, interessante e filosófica de ser uma superheroína.

* Descobriria e guardaria comigo a fórmula que faz a poção do amor perfeito. Mas não a usaria para mim. De jeito nenhum.

* Enfim, para administrar tantos superpoderes, pediria aos céus que me dessem uma supersabedoria. Senão eu estaria superestrepada em pouquíssimo tempo… E rapidamente sentiria saudade da normalidade.

EXPEDIENTE

* Muito obrigada pela opinião acerca do novo visual do blog. 🙂 Assim que der, acertarei com o meu consultor internético e amigo querido os últimos detalhes pro blog ficar redondinho, redondinho ( acho que ninguém mais usa essa gíria, “redondinho”… Aff. Hehe. ).