DROPS MISTO – RAPIDINHAS ( VERSÃO REVISTA E ATUALIZADA )

Drops de Anis – Refrescante
Eu tenho horror à idéia de ser acomodada, e mais horror ainda à idéia de me conformar com situações mixas, injustas ou estáticas. Muitas vezes a gente fica indignada com alguma coisa levemente ou totalmente errada, como é o caso da professora do post anterior. Eu a conheço muito bem e conheço bem a situação da escola onde ela está. E desde que ela e outras pessoas resolveram colocar a boca no trombone, muita coisa já mudou por lá. Mas ainda é pouco. E é minúsculo se pensarmos que a Educação Brasileira como um TODO – desde as creches até as pós-graduações, em níveis particulares ou públicos – está em estado terminal e muito longe do que pode ser considerado ensino de qualidade. E isso diz respeito a quem estuda e a quem não estuda, a quem tem filhos e a quem não tem. O futuro do Brasil só pode estar atrelado à escola e como ela é ou pode estar. Não tem outro jeito. Por isso, nossa função de cidadão vai além de simplesmente ler notícias como essas e achar um absurdo. É por isso que, em nome da professora e de todos os sobreviventes que estão naquela escola, eu quero agradecer muito a todos que mandaram emails pra prefeitura e pros meios de imprensa, telefonaram e tomaram algum tipo de atitude contra o que leram. É por essas e outras que nós ainda temos fé na humanidade. Valeu mesmo. Dou notícias dessa história pra vocês.

Drops de Laranja – Cítrico

Eu tenho e você não tem. A câmera digital mais linda, menorzinha, mais fofa, mais eficiente e mais barata da paróquia. Vou tirar foto até não poder mais. Me aguardem.

Drops de Abacaxi – Ácido

É uma grande porcaria ter que declarar imposto de renda e deixar o governo me assaltar o dinheiro suado que eu ganhei no último ano. Como se já não bastassem todos os outros descontos de salário e impostos que eu pago. Como se já não bastasse eu ter que me preocupar em gastar com transporte, saúde e educação tirados do meu bolso porque os serviços que esse mesmo governo oferece nessas áreas e em muitas outras não prestam. E mais revoltante ainda saber que esse presidente, que se elegeu com o meu voto também, não foi capaz de encaminhar uma decisão de corrigir essa maldita tabela decentemente. Que ridículo.

Drops de Tutti-Fruti – Divertido

Tradução do Orkut para o Português… Quem fez aquilo? Muito ridículo… Aff.

Drops de Morango – Doce

Recebi uma corrente literária que está andando a galope pelos blogs interessantes por aí. 🙂 Obrigada a Cathy e a Adelaide por terem me indicado nominalmente, ao todos os outros que me sugeriram. Antes de lerem as respostas, quero lembrá-los de dois detalhes importantes. Um, que eu não gosto muito de ler, e mesmo quando gosto, tenho preguiça. E outro, que eu tenho me encantado muito mais pela Literatura Infantil do que pela Literatura feita para adultos. Seguem as respostas.

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
( Eu não tinha lido essa pergunta direito e tinha respondido de outro jeito… Depois ninguém acredita quando eu digo que tenho preguiça de ler. rs Obrigada, Milton, pelo toque. 🙂 )
Eu queria ser o livro “Chico Buarque – Letra e Música”, porque ali está muito do que eu acredito sobre a vida e sobre as pessoas.

Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?
Olha, tem alguns personagens com os quais me identifico de forma quase que atemporal. É o caso da Tita, de “Como Água para Chocolate”, ou do Ulisses com sua “Odisséia”. Mas em geral, enquanto leio, de alguma forma me relaciono com aqueles personagens por meio da imaginação. E é só.

Qual foi o último livro que compraste?
Foi uma grande compra na Companhia das Letras. Comprei “Mortos de Fama – Elvis e sua Pélvis” pra presentear meu namorado, “Lendas e Contos da África”, “Guia dos Curiosos – Sexo”, “Divinas Aventuras” – todos esses para presentear a mim mesma. 🙂

Qual o último livro que leste?
Se valer livro pra criança, acabo de ler um chamado “O Santinho”, que é uma reunião de crônicas do Luís Fernando Veríssimo para crianças – terno, profundo e divertido, como tudo que ele escreve. E de literatura adulta, eu acabei de ler o livro “21 Histórias de Amor”, de vários autores – uma reunião de historietas românticas ( ou nem tanto ) escritas por grandes autores da literatura brasileira contemporânea. Romântica incurável que sou, amei.

Que livros estás a ler?
Tenho a bendita mania de começar a ler um monte de livros ao mesmo tempo. Estou lendo “Uma Vida com Propósitos”, de Rick Warren, “Anjos e Demônios”, do Dan Brown, “Guia dos Curiosos – Sexo” do Marcelo Duarte, “Lá vem História”, da Heloísa Pietro e “Contos e Lendas do Egito Antigo”. Todos muito bacanas. Sem falar nas “Mil e Uma Noites”, que não consigo terminar nunca.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
“Como Água para Chocolate”, da Laura Esquivel, por ser uma excelente companhia quando se está só.
“Mulheres que Correm com os Lobos”, da Clarissa Pinkóla Estés, por ser um livro que me ajuda a lembrar quem eu sou sempre que eu esqueço.
Uma antologia de poesia bem feita, porque a vida sem poesia não é algo aceitável.
“O Guia dos Curiosos”, porque é preciso se distrair de vez em quando, e porque é bom saber das coisas.
“Mitologia Grega”, do Junito de Souza Brandão – porque aquelas histórias explicam os mistérios da humanidade diretamente pra minha alma, burlando a vigilância da racionalidade.
E levaria também um caderno em branco, pra poder escrever sobre tudo isso.

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
Um bocado de gente interessante já respondeu isso. Acho que faltam a Catarina, o e uma porção de gente que não tem blogs… Vou repassar por email. 🙂

Drops de Yogurt – Gostoso

E no meio disso tudo, eu posso dizer uma coisa. Como é legal ter um namoradinho pra me fazer esquentar a cabeça e relaxar alternadamente. 🙂

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DENÚNCIA


Recebi esta carta de uma professora, e achei por bem usar este espaço para fazer uma denúncia real e muito triste. Não posso revelar a identidade dela… Mas pra bom entendedor, palavras inteiras e pesadas como estas bastam.

Peço que repassem este escrito para onde acharem melhor, principalmente os cidadãos da cidade de São Paulo ( de preferência para os meios de imprensa ). A fonte é de credibilidade e as informações muito fiéis à realidade. Thanks, pessoas.

“Sou professora de Educação Infantil, e trabalho em uma escola municipal da cidade de São Paulo. Uma escola que fica bem longe, na periferia da cidade – lugar que os prefeitos nem se lembrariam de passar, não fosse a época de eleições. As crianças que atendemos lá são pobres. Alguns são miseráveis. Elas e suas famílias só agora estão começando a conhecer coisas como asfalto, transporte coletivo, água encanada. Lá ainda não há coleta de lixo regular – tudo bem diferente da minha própria realidade, que não é das melhores, mas é bem mais abastada que a deles.

Não sei se vocês sabem, mas há um dispositivo na lei do funcionalismo público ( ao meu ver, um dispositivo perverso e antidemocrático ) que me impede de falar publicamente contra a Prefeitura, sob pena de perder o meu emprego. Portanto, nem posso dizer o meu nome a vocês… Como eu gostaria de dizê-lo. E não posso porque estou escrevendo para fazer uma denúncia-desabafo, porque preciso dizer às pessoas o que anda acontecendo naquela escola.

A escola onde trabalho, até meados de dezembro de 2004, era uma das escolas de latinha, aquelas, que os políticos usaram à exaustão durante a última campanha eleitoral. Elas foram construídas pelo governo Pitta. Aliás, construídas é força de expressão. As escolas de latinha eram barracões com telhado e alguns banheiros. Apenas isso. Nem mesa e nem cadeiras tinham quando foram inauguradas.

Quando cheguei nessa escola que trabalho hoje, há uns 4 anos atrás, não achei que fosse de lata. Educadores que, como eu, gostam do que fazem, compraram a idéia de humanizar aquele espaço para receber as crianças. Pintaram as paredes, conseguiram mesas e cadeiras, fizeram o possível para tornar o lugar menos feio.
A comunidade amava aquela escola. Tiravam os sapatos sujos de barro em dia de chuva para entrar nela. Colaboravam, enobreciam aquele lugar. Faziam festas, usavam o espaço da escola para se reunirem e se organizarem como grupo. A escola foi o centro de muitas discussões e o meio para muitas conquistas do bairro. Eu achei tudo isso lindo. Apesar de feia e esquisita, aquela escola era sim, a escola dos meus sonhos, porque tinha a alma linda – e a alma de uma escola são as pessoas que lá vivem. Acreditei no projeto e resolvi ficar lá até hoje.

A latinha é quente. Muito quente. Em dias de chuva, faz um barulho infernal. O número absurdo de 35 crianças por sala parecia dobrar lá dentro. Quando chovia muito, a escola era inundada e as professoras tinham que sair das salas com lama até o joelho, com as crianças no colo, para fazer a saída. As melhoras eram feitas com muito esforço e colaboração da comunidade. E assim, conseguimos transformar aquela escola em um lugar bom para aprender e ensinar. Não era o ideal, mas era bom.

Pois bem: em meados de 2004 nos disseram que o Ministério Público tinha ordenado a substituição da escola de latinha pela escola de alvenaria. Ficamos contentes… Finalmente sairíamos daquela situação precária. Fizemos muitos planos… Talvez pudéssemos fazer salas de leitura e informática para as crianças. Quem sabe ampliar o parque, ou fazer uma brinquedoteca… Não passaríamos tão mal com o calor e o barulho. As professoras não teriam que acabar com suas cordas vocais e sua saúde trabalhando. A população finalmente teria direito à escola que merece. E o compromisso público da prefeitura com eles seria honrado. Honrado. Honra… Que palavra mais antiga. Nem sei se alguém ainda sabe o que ela significa. Talvez por isso eu esteja com os olhos cheios d´água agora. Fico com vontade de chorar de saudades de ver alguém que saiba o que significa ter honra.

Quando voltei das férias neste ano, já estávamos na escola que eles chamam de “escola modular”. Ela foi construída entre um barranco e uma valeta. As paredes são de um compensado que, segundo soube, é feito de pedaços de madeira unidos por uma gororoba que usam pra fazer ração de gado. O cheiro é horrível. Nem posso descrever. O chão é de cimento, e solta um pó absurdo, que resseca as nossas peles e provoca os tipos mais variados de alergia, em nós e principalmente nas crianças. As salas são ainda menores. O corredor pequeno.
Não tem pátio para fazer uma brincadeira de roda e nem pra pular corda, não tem pátio para fazer uma atividade com os pais. Não tem segurança. Não tem beleza.
Nada que pudesse ser agradável para as crianças. Mesmo assim, nos demos as mãos e nos comprometemos a fazer o nosso melhor para passar por isso rapidamente e sem dor. Afinal, nos disseram que passaríamos ali apenas os 90 dias necessários para construir a escola oficial. E nos disseram também que ela seria idêntica ao barracão de lata – apenas as paredes seriam substituídas por tijolos. Nossos planos de melhoria forma por água abaixo… Mas prosseguimos.

Depois que as crianças chegaram, sentimos na pele o peso do descaso do governo.
O descaso do governo fez com que as obras parassem. O atual diz que o anterior deixou dívidas. E o anterior diz que o atual não sabe administrar o dinheiro.
Pouco me importa quem é culpado, porque pra mim culpado são ambos. Mas o fato é que pararam as obras. Totalmente. E ficamos lá, enfiadas naquele barracão feito gado no curral. Os papéis nas mesas das coordenadorias de educação, os números dos estatísticos, as licitações na mesa do secretário, tudo isso pra eles é só um detalhe. Eles esquecem que aquela papelada, aquele monte de números é GENTE.
Gente que está sofrendo com o descaso deles. Gente…

Nos dias de calor, nesses dias em que faz 35, 36 graus, lá dentro foi comprovadamente constatado que faz mais de 40. As crianças passam mal. Minha pressão abaixa violentamente. Os ventiladores não dão conta. Algumas escolas como a nossa chegaram a ficar sem luz elétrica por uns dias. As paredes soltam farpas. O chão solta um pó que faz as crianças irem e voltarem do hospital constantemente. As professoras e funcionários estão adoecendo.

Não há cozinha. A merenda é arrumada em uma sala como as de aula. Todos os dias as crianças comem bolacha seca e um suco cheio de corantes, que até já provocou intoxicação. Não há mais almoço. Nem uma fruta. Um nada.

A instalação elétrica é precária e mal feita. A energia cai toda hora, e estamos constantemente sob o risco de um curto-circuito… Lembrem – numa escola de madeira.
Os tapumes que usaram pra fazer o muro já estão caindo. A umidade da chuva já apodreceu as paredes até a metade, que estão empenadas – piorando o cheiro e a proliferação de insetos como traças, cupins e mosquitos, que nos picam o dia todo. Encontro aranhas e marimbondos nas caixas de brinquedos das crianças dia sim e o outro também.

O esgoto também tem algum problema, porque o cheiro dos banheiros é horrível.
Uma aluna minha, uma menina de 5 anos, vomitou esses dias quando foi até lá. E eu nem pude socorrê-la porque também vomitei ao entrar no banheiro. Nos dias de chuva, sofremos com as goteiras e com os buracos no teto de amianto.

Em frente à escola tem um lixão e um matagal. Cortaram um pouco da grama, mas ela cresce e ninguém corta de novo. A diretora da escola faz o que pode. É uma lutadora. Mas está cansando. O mesmo acontece com as professoras, que choram de desespero porque não conseguem dar aulas com o mínimo de decência. Elas estão desistindo… E o grupo, que era tão unido, está estressado e entrando em desavença. Falo por mim. Tenho mordido os lábios de noite, acordo com a boca toda machucada. De nervoso. Talvez não seria assim se eu não me importasse, se tirasse licenças médicas e deixasse as crianças sem aula – já que a escola não conta com professoras substitutas. Mas eu me importo, e não consigo evitar.

Entendam, não se trata de reclamações vazias. Eu estou falando de uma escola…
Uma escola para crianças. Uma escola! Lá deveria ser um porto seguro pra elas.
Não devia ser assim. O tempo que essas crianças estão passando lá não volta mais, o que eles estão perdendo ninguém vai repor nunca. E no entanto, a escola de latinha foi derrubada e nada, nem um tijolo foi construído. Nem um sequer.

Claro que reclamamos. Os pais reclamam. E só escutamos promessas vazias.
“Estamos estudando as licitações.” “Em 120 dias faremos o que for preciso para tirar vocês de lá.” “A administração anterior é a culpada.” “São Paulo é uma cidade muito grande, não há como resolver os problemas tão rápido.” “Tenham paciência.” Mas não dá mais pra esperar.

Sabe, eu sou apaixonada pelo que faço, sempre fui. Encontrei o magistério bem cedo, e nunca mais parei. Sempre achei que esse era o meu caminho, o meu dom. Eu faço o meu trabalho com alegria, gosto da poesia que há na convivência diária com as crianças, gosto de aprender as coisas, acredito na mudança da sociedade através da educação. Esse é o único caminho. Era o que eu acreditava.

Certamente quem tem seus filhos em uma escola paga, ainda que seja pequena, nem sonha o pesadelo que estamos vivendo. Os executivos, donos de empreiteiras, o prefeito e o secretário de educação, certamente, não se lembram mais da professora que os ensinou a escrever o nome. Aquela população está tão acostumada a ter pouco que acha demais já terem conseguido uma vaga em um bairro que tem uma demanda 3 vezes maior que o número de vagas nas escolas. Para a imprensa, esta é apenas uma notícia. Para o governo, mais um problema. Acontece que os dias passam e não vemos um movimento para que as coisas melhorem. E o que devemos fazer? O quê? Chorar? Desistir? Construir a escola nova com nossas mãos?
O que podemos fazer?

Não se trata desta situação em si. Não é isso. Acontece que ela me mostra o que a educação significa para a maioria das pessoas. Uma meleca, um nada, uma insignificância, um depósito de crianças. Ninguém se importa. Essas crianças estão perdendo parte importante de sua educação. Vão sair defasadas em muitas coisas, elas, que já estão condenadas a viver na falta de oportunidade nessa sociedade capitalista nojenta, cheia de valores distorcidos. É injusto que elas passem por isso. Muito injusto.

O conhecimento é poder, é liberdade. Eu aprendi isso no magistério. Nossos alunos de lá sairão menos poderosos e menos livres. Os catedráticos em educação ficam lá, sentados em suas cadeiras confortáveis de professores beneméritos, vomitando teorias, dizendo como temos que trabalhar. Sou professora como eles, mas claro que eles se acham melhores do que nós. Eles dizem que as crianças têm direito ao conheciemento, ao espaço, à brincadeira. Mas eles nem sonham o que é trabalhar num lugar desses. Os políticos vão lá e dizem que vão nos ajudar, mas não fazem nada de concreto. E enquanto eu estou aqui escrevendo isso com o meu coração na mão, eu fico pensando que tudo que eu penso, tudo que eu acredito, tudo que investi é uma enorme besteira. Penso que isso tudo não tem jeito, não.
A poeira daquele chão está fechando minha garganta. Aquele calor está fazendo o meu ânimo cair. E quem é que vai nos dar voz? Quem é que vai lá ouvir aquelas crianças, aquela comunidade?

Amanhã, quando chegar a hora, eu vou ter que ir trabalhar. Encarar aquelas crianças e dizer, “isso é o máximo que conseguiram fazer por vocês. Perdoem esse mundo imbecil que os adultos construíram, que obriga vocês a passarem por isso.” Eu posso pedir perdão a eles, e tentar fazer meu trabalho, dar o máximo que eu puder. Eu posso… E tentarei. Até que chegue um dia em que eu canse tanto que ache que não vai mais valer a pena. Se esse dia chegar, um pedaço bom de mim vai ter morrido. E tenho certeza que um pedaço bom da vida dos meus alunos morre todos os dias naquele lugar… Sem nem chegar a florescer.

Pela primeira vez na vida, tenho pena de mim mesma. Muita pena.

Obrigada pela atenção… Que ela vá além dessa leitura.

Professora.”

AS GRANDES VERDADES DA VIDA, SEGUNDO EU

Fazia tempo que não fazia uma listinha… Que saudade delas.

É sempre complicado falar em verdade, sempre complicado usar frases dos outros, sempre complicado falar genericamente e sempre complicado pensar que algo que pensamos hoje pensaremos para sempre. As coisas mudam, as pessoas mudam e isso é muito, muito bom.

Isso posto, segue a listinha das frases mais significativas da minha vida até aqui. Foram eleitas porque vira e mexe, mexe e vira… Elas fazem um sentido enorme pra mim.

“Nem sempre vai ser assim.”
( Retirado de uma história chinesa )

“As pessoas felizes não incomodam ninguém.”
( Não sei quem inventou, mas é verdade verdadeira. )

“A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas triste pelo que há nela
De fragilidade e incerteza.”
( Manuel Bandeira )

“Nunca diga nunca.”
( Vi num filme, mas não sei quem escreveu. )

“É melhor se sofrer junto do que ser feliz sozinho.”
( Vinícius de Moraes )

“É quando eu fico fraca que eu fico forte.”
( S. Paulo )

“Hoje eu só quero que o dia termine bem.”
( Daniel Carlomagno )

“O pior analfabeto é o analfabeto político.”
( Bertold Bretch )

“Se o egoísmo tivesse corpo, ele seria homem.”
( Desconheço o autor, mas aposto que era uma autora. )

“O destino é um gozador.”
( Luís Fernando Veríssimo )

“A mentira é bonita.”
( Mario Quintana )

“Sorria que seu rumo se alumia.”
( Também desconheço o autor, mas funciona pra mim. )

“Sou minha mãe e minha filha, minha irmã, minha menina. Mas sou minha, só minha, e não de quem quiser.”
( Renato Russo )

“Façam muitas manhãs, que se o mundo acabar eu ainda não fui feliz.”
( Chico Buarque, claro. )

“Morrer de vez em quando é a única coisa que me acalma.”
( Paulo Leminski )

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
( Saint Exupéry )

“Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.”
( Autoria Controvertida )

“A saudade é o revés de um parto; a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu.”
( Chico Buarque, é lógico. )

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.”
( Fernando Pessoa )

“As pessoas fazem o melhor que podem. Se tivessem conseguido mais, teriam feito.”
( Desconheço a autoria )

“Amor não é amor,
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.”
( Shakespeare )

“Ainda que seja noite
O sol existe.”
( Wladmir Maiacovski)

“Basta a cada dia o seu mal.”
( Jesus Cristo )


ESTANTE

De uns tempos pra cá, tenho recuperado um hábito que todo mundo diz que é ótimo, mas pouca gente pratica pra valer: esse lance de ler. Eu tenho uma preguiça infinita de ler ( acho que já disse isso aqui umas vezes ), apesar de ler muitíssimo. Acho aborrecido e muito sonolento ficar deslizando os olhos por aquele monte de letras amontoadas. Prefiro mil vezes conversar, conversar e conversar ( uma pena que nem sempre eu possa convidar Shakespeare, Machado de Assis, Luís Fernando Veríssimo ou Manuel Bandeira pra tomar um goró aqui em casa ). Sem falar que alguns livros são fedidos, feios e difíceis; são poucas as pessoas que têm o dom da clareza, leveza e profundidade quando o assunto é escrita.

Por outro lado, é lendo que eu aprendo mais coisas, e como acredito piamente que conhecimento é liberdade ( já dizia o Millôr, “quem não sabe, acredita.” ), e como a liberdade é uma sensação maravilhosa… Compartilho aqui com vocês as leituras de ultimamente.

* As Boas Mulheres da China, de Xue Xinran, Companhia das Letras.
A princípio, é mais uma obra que chama a atenção para a opressão e a desigualdade social entre os sexos. Mas o livro é muito mais que isso – trata-se de uma reflexão intensa sobre o que é ser mulher e, além disso – sobre o que é ser uma pessoa em um mundo tão louco e tão cheio de atrocidades.
Nem vou dizer que essa é uma leitura obrigatória para todas as mulheres do mundo. E nem que os homens deveriam ler tanto quanto ou mais que essas mesmas mulheres. Infelizmente, as verdades que constam nesse livro não são digeríveis ou aceitáveis para muitas pessoas. Mas quem lê, não pode negar que as histórias das boas mulheres da China podem mudar uma vida. No mínimo, fazer com que os óculos com os quais você enxerga o mundo fiquem menos embaçados.
Xinran é uma jornalista chinesa. Em tempos de mudanças políticas e econômicas na China, ela tinha um programa de rádio. Nele, se tocava um pouco de música, se lia algumas notícias… E se conversava com mulheres. Aos poucos, elas foram chegando e contando suas histórias. E Xinran reconta algumas delas nesse livro.
Há histórias de mulheres oprimidas, estupradas, violentadas de diversas maneiras, diminuídas, deixadas à margem de tudo, inclusive de suas famílias e da sociedade em que viviam. Por exemplo, da mocinha que criava uma mosca como animal de estimação. Ou da senhora catadora de lixo que escondia um segredo absolutamente improvável. Ou da moça que sofreu inúmeros abusos em nome da Revolução e acabou enlouquecendo. São histórias reais, que acontecem em um lugar que fica logo ali… Há poucos anos atrás.
A leitura do livro é fácil – Xinran escreve bem, e transmite pelas palavras muito de seu conhecimento e de sua emoção; conta histórias sobre seu país e sua gente, e a história dela própria. Mas, apesar da leitura leve, o conteúdo de cada capítulo é pesado e forma bolos de angústia no estômago e na alma. No entanto, quando acabei de ler – ou melhor, enquanto lia-, algo em mim se transformou. Através da luta e da busca da dignidade humana vivida por aquelas mulheres, eu percebi que também tenho um caminho a trilhar, muito longo ainda; que também tive histórias sofridas e ainda assim estou de pé, como boa mulher que sou; e que todos merecemos a felicidade, muito embora sejamos afastados dela. Vale a leitura. Mesmo.

* Amor é prosa, sexo é poesia, de Arnaldo Jabor – Ed. Objetiva.
Como diria a minha mãe, o Arnaldo Jabor é aquele cara feio e chato que fala coisas bem rápido no Jornal Nacional. Um conhecido meu diria que é um diretor de cinema que fez filmes meio doidos nos anos 80. Tem também uma infinidade de textos circulando pela internet que, dizem, são dele – provavelmente, 90% não é. Não sou leitora assídua dos jornais e revistas onde ele assina colunas. Tenho um livro dele que nunca cheguei a ler inteiro, talvez porque quando o ganhei, fosse imatura ainda pra entender algumas coisas. E pra piorar, ele estava na lista dos mais vendidos, o que, no Brasil, costuma ser péssimo sinal. Por isso, cheguei a esse livro por mero acaso, se é que acaso existe, e torcendo o nariz. Lista de mais vendidos + promoção na livraria + intuição que nunca me deixa… Pronto, estava na minha estante.
O subtítulo diz, “crônicas afetivas”. Não podia ser mais acertado. Ele fala sobre Bush, avô, sexo, paixão, filhos, questões existenciais, amor e política sempre do mesmo jeito – emocionado, consciente, lúcido e cheio de razões-emoções que contagiam quem lê. Afetividade é isso mesmo, esse eterno olhar para si mesmo e para o mundo, banhando esse caminho em sentimentos e pensamentos, e isso ele faz muito bem. Sem falar que escreve maravilhosamente; é daqueles autores que parecem estar falando com você através das letras, sem que você nem perceba que está lendo.
A crônica que dá título ao livro ( e que inspirou uma conhecida canção ) é imperdível. Leitura rápida, agradável e, para os olhos mais atentos… Cheia de possibilidades. Adorei.

* O Código DaVinci, de Dan Brown – Ed. Sextante.
Tá, eu li. E li porque todo mundo leu. Só por isso. E quer saber? Gostei muito.
Sem entrar no mérito de questões religiosas e/ou políticas ( que originaram uma avalanche de livros caroneiros que estão infestando as vitrines por aí ), toda a trama de O Código da Vinci é muito envolvente e dinâmica. Se o livro do Jabor remete a uma conversa inflamada e tocante, esse lembra uma tela de cinema, frenética, cheia de imagens mentais que vão se movendo, se encaixando e desencaixando, tirando o fôlego e o sossego do leitor.
A história é manjada – um assassinato, um quebra-cabeças cheio de códigos secretos e investigações, um mocinho e uma mocinha, e várias pessoas em volta que, aos poucos, vão se revelando vilões ou outros mocinhos – uma surpresa atrás da outra. Lembra os adoráveis filmes do Indiana Jones, aventureiros, inverossímeis e deliciosamente divertidos. Ou então os antigos romances da Agatha Cristie. Se pegou, fica difícil largar até saber o final.
Organizado em capítulos curtos, muito bem escrito e bem amarrado, o livro ainda provoca uma curiosidade e uma vontade imensa de visitar o Louvre de perto, e conhecer um pouco mais sobre a História da Arte e da Religião. Se não houver grandes pretensões… É diversão de primeira.

EXPEDIENTE
* Todos os links foram retirados do site da Livraria Cultura que é, sem dúvida, um dos melhores lugares para se estar no mundo, e uma perdição pro meu bolso.
* Orkut em português… Ai, que benção.
* Bem, pessoas paulistanas… O que estão achando do novo prefeito? Eu ando tão emocionada com as coisas que ele vêm fazendo por nossa cidade que nem consigo escrever sobre isso. Mas logo o choque passa… Ah, se passa.