O FIM DA HISTÓRIA DA ESCOLA DE MADEIRINHA

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Lembra da professora que nos contou sobre a história da escola de latinha, que virou madeirinha, etc e tal?
Então… Essa semana, ela escreveu esse email, que coloco aqui pra vocês saberem o final da história…

Fiquei contente em lê-lo… Espero que gostem também.

“Queridos amigos,

Este é um e-mail de agradecimento.

Há alguns meses, mandei a vocês um texto que escrevi contando a situação da EMEI onde eu trabalho. Contei que era uma escola de madeira, em situação caótica, e que a administração Serra nada estava fazendo para reverter o quadro triste e desesperançoso com o qual eu e minhas colegas nos deparávamos todos os dias. No email, eu pedia também que vocês divulgassem o que leram, mantendo em sigilo o meu nome.

Hoje, a situação da escola de madeira não é muito diferente do que era naquele tempo.
Continua cheia de poeira, animais nocivos, buracos, falta de segurança e blá blá blá.
Logo logo nos mudaremos para a escola nova, que rapidamente está sendo construída, embora ela não seja, nem de longe, a escola que precisávamos, com o espaço que precisávamos, do jeito que sonhamos. Mas algo muito importante aconteceu… E quero contar a vocês o que foi.

Naqueles dias, além de mim, as outras educadoras e as famílias das crianças se mobilizaram de diversas formas. Eu vi mães que quase nunca saíam de casa indo até a Câmara Municipal conversar com vereadores. Eu vi reuniões e reuniões de professores, diretoras, coordenadoras, vereadores, pais, mães, jornalistas e sindicalistas, todos juntos, para discutir sobre a educação lá mesmo, dentro das salas de madeira. Vi meus alunos ouvindo leituras de jornais e revistas falando sobre o assunto, e todos os outros alunos escrevendo reivindicações, e pedindo que seus direitos de estudantes e de pessoas fossem respeitados. Vi gente se inteirando sobre direitos de cidadania, sobre meios legais de ação, sobre política e sobre o funcionamento de uma escola. Vi um grupo de professores se descobrir mais unido do que nunca. Vi minha diretora, apaixonada e lutadora, indo até a coordenadoria dia sim e outro também para forçar uma comunicação. Vi minha coordenadora abrindo espaços de discussão para escrever e bolar manifestos, registros e outros documentos que vão resgatar a nossa história depois. Vi políticos bem intencionados fazendo seu trabalho e defendendo a nossa causa. Vi pessoas que jamais saberiam de uma situação como essa se informando e oferecendo apoio. E vi também uma escola de concreto ser levantada em tempo recorde. Vi crianças, seus pais, professoras e equipe pedagógica redescobrindo o valor de sua cidadania. E vi também todas essas pessoas recuperando a esperança porque se descobriram fortes e unidos. Tanto, que acabei vendo o poderoso prefeito de São Paulo indo visitar um local que, provavelmente, ele nem viesse saber que existia.

No dia da visita, foi montada toda uma parafernália de maquiagem. Arrumaram calçadas, tiraram lixo da rua, consertaram postes de luz, asfaltaram trechos de terra – tudo isso em poucos dias. A impressão era que queriam apenas fazer politicagem na frente das câmeras. Ele visitou as obras e depois quis ir embora, mas os pais insistiram e conseguiram que ele e o secretário da educação sentissem o drama. As mães agarraram o braço dele, se colocaram na frente dos carros da prefeitura e não deixaram que ele saísse antes de entrar na escola e conversar com elas. Tudo em paz e com educação. Foi muito lindo o ganho que nós todos tivemos. O prefeito fez muitas promessas naquele dia. Algumas cumpriu, outras não. Outras talvez ainda cumpra. Mas o fato é que o maior sucesso, a melhor coisa que aconteceu nesse caminho, não foi apenas a escola nova. Mas a descoberta de que é botando a boca no trombone que conseguiremos as coisas, que é não desistindo de brigar pelo que é justo que chegaremos a algum lugar. E isso fez de mim uma educadora muito mais feliz. Fez todo aquele inferno valer a pena.

Por isso tudo, quero agradecer muito a quem buzinou na orelha e nas caixas de e-mails de jornais, revistas, televisões e meios legais. Agradeço a quem encaminhou o texto para vereadores, deputados, ministérios; a quem encaminhou denúncias para o Ministério Público, para a Prefeitura, para a SME; a quem fez referência ou postou a denúncia em seus blogs. Quero agradecer também a quem encaminhou para os amigos, que encaminharam a outros amigos, e assim fizeram a nossa história ficar conhecida, aumentando a corrente. Mesmo a quem não pôde fazer nada, mas torceu e se indignou, eu também agradeço, em meu nome e em nome daquela comunidade escolar. Nesse caminho todo, até bons amigos eu ganhei. E agradeço a eles todo o carinho e atenção.

Acho que é isso que eu queria contar a vocês. Valeu a pena. MESMO. O que ganhamos com tudo isso, ninguém nunca vai tirar de nós. E se quiserem realmente saber o que é que eu quis dizer com isso tudo… Lembrem-se de não desistir de uma causa se ela realmente for justa. 🙂

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DECLARAÇÃO LIVRE DOS DIREITOS DE QUEM AMA

A pedido de uma grande e querida amiga, vou repulicar este texto que saiu originalmente no Mondo Redondo há um tempo atrás.

A presente declaração não tem a pretensão de ser definitiva, universal e nem correta. Tão pouco deve ser imposta, decorada ou aplicada sem que haja esforço, conquista e maturidade das pessoas envolvidas. Somos todos responsáveis por nós mesmos e pelo que sentimos, e capazes de construir, modificar e abolir nossos próprios direitos enquanto seres que amam.

Compreendido isso, fica estabelecido que quem ama tem:

Artigo I. O direito de amar demais, de sentir-se plenamente tomado pelo amor, de estar apaixonado e não conseguir pensar em mais nada que não o próprio amor e o abalo total e perfeito que ele causa.

Artigo II. O direito a maus dias, dias de dúvida, de mau humor, de vontade de ficar só, de medo ou de necessidade de afastar-se subitamente do ser amado – sem que para isso seja preciso apresentar causa lógica ou motivo aparente.

Artigo III. O direito de idealizar a pessoa amada enquanto quiser e quantas vezes quiser, e nessa idealização, não perceber narizes grandes, quilos a mais ou a menos, vozes fanhosas, pés tortos, odores fortes, faltas de talento ou tendências para avareza, futilidade ou chatice.

Artigo IV. O direito de propagar seu amor ao mundo, falando dele a toda hora, a todo momento, a todas as pessoas, em qualquer lugar. Fica conferido às pessoas em volta o dever de ter paciência quase infinita com o ser que ama.

Artigo V. O direito de sorrir à toa, de suspirar repentinamente, de perder a concentração, de cantar canções ridículas, de escrever poemas em papel de seda, de roubar flores da praça, de andar flutuando, de chorar em finais felizes de filme.

Artigo VI. O direito à ilusão de que o amor é mágico e eterno.

Artigo VI. O direito de conhecer a essência do ser amado, saber quem é a pessoa amada e poder descobri-la e redescobri-la todos os dias, sem máscaras, sem falsas impressões, sem reservas viciadas.

Artigo VII. O direito à insanidade, a cometer atos escandalosos ( libidinosos ou não ), a gritar, a quebrar coisas, a rasgar cartas e presentes, a beirar a fronteira do ódio, a faltar repentinamente no trabalho, a cancelar compromissos por causa do amor.

Artigo VIII. O direito à tristeza, à saudade, à infelicidade causada pelo abandono, à ansiedade, à raiva, às lágrimas, à dor, ao medo de perder, à fuga, à dependência e a tudo o mais que estiver contido na sombra do amor.

Artigo IX. O direito à correspondência, pois nenhum amor unilateral pode ser, de fato, amor.

Artigo X. O direito de continuar sendo uma pessoa, com desejos próprios, solidões, projetos individuais, tempo para os amigos, distâncias e afastamentos que desejar e precisar.

Artigo XI. O direito de reapaixonar-se pela mesma pessoa quantas vezes quiser.

Artigo XII. O direito de desejar infinitamente o corpo da pessoa amada, e à vontade incessante de colar pele a pele com ela.

Artigo XIII. O direito de não amar mais, e de poder ir embora quando o amor acabar.

Artigo XIV. O direito a não dar explicações a ninguém sobre por que ama.

Artigo XV. O direito à lealdade da pessoa amada, e de saber dos planos principais, projetos e discordâncias dessa pessoa sem que isso precise necessariamente significar o fim do amor.

Artigo XVI. Enfim, quem ama sempre tem o direito de escolha. Para este último direito, ficam desde já revogadas quaisquer disposições em contrário.