Silence Is Golden


Antes de tudo, existiu o silêncio. É o que dizem.

Dizem que não há silêncio absoluto. Mesmo se um ser humano entrasse dentro de uma capsula isolada, seria impossível que ele não ouvisse algo. Nem que fosse o seu próprio coração… Batendo.

Dizem também que o silêncio se faz necessário antes e depois de um grito.

Minha mãe sempre disse que a palavra é de prata… E que o silêncio é de ouro.

Dizem que os constantes ruídos que ouvimos de todos os lados, todo o tempo, causam uma perda auditiva crônica e uma irritabilidade constante.

E dizem também que todos nós precisamos de um pouco de silêncio de fases em fases.

Ando meio silenciosa. Ao menos tão silenciosa quanto posso, no meio das pessoas, das obrigações, dos pequenos prazeres do dia-a-dia.

Tenho saudades da minha voz… Tenho saudades do meu teclado. Mas, acima de tudo, percebi que ando com imensas saudades de mim. Daí a razão do silêncio. Preciso demais de mim mesma, de coisas que só eu posso me dar. Coisas que só vou encontrar depois de alguns minutos de silêncio.

Minha amiga astróloga diz que é o Retorno de Saturno. Minha amiga psicóloga diz que estou precisando de terapia de novo. Meu médico diz que estou com crises agudas de estresse. Meu grande amigo diz que preciso de um pouco de colo. Meu coração me diz que não é nada. Só silêncio.

Enquanto estou em silêncio, estou tentando trabalhar um pouco menos, e de maneira mais leve. Estou também aprendendo a tocar violão, e fazendo aula de canto. Estou tentando não ligar pra problemas que não vão fazer a mínima diferença daqui a algum tempo. Estou passeando por aí de carro, deixando o vento bater no meu rosto com força. Estou também fechando a porta do meu quarto e indo dormir mais cedo, depois de uma boa olhada no céu estrelado, na lua. Enquanto estou em silêncio, estou pensativa e calada. Estou revendo planos, conceitos e renovando os desejos. Enquanto estou em silêncio, estou escrevendo em meu caderninho debaixo da cama coisas que eu não quero que ninguém leia. Ninguém… Nem mesmo eu.

Meu avô, pessoa sábia e querida, todas as tardes encostava no parapeito da janela e ficava lá, em silêncio, um bom tempo… Olhando a vida passar. Às vezes as pessoas se irritavam e questionavam por que ele perdia tanto tempo olhando pra lugar nenhum. Ele nunca respondia… Apenas sorria. Um dia, ele me disse que no silêncio da janela ele conseguia ouvir melhor a si mesmo.

Enquanto estou em silêncio, estou construindo uma janela bem linda, cheia de flores… Para admirar a vida.

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