E AÍ, PRÔ!


O professor Eugênio era educadíssimo e apaixonado, e falava de Filosofia como quem recitava um poema.
A professora Rose aguentava as nossas caras feias para as equações de segundo grau e tinha a maior paciência do mundo para ensinar o que eu nunca consegui aprender.
A professora Sônia tinha a língua presa e gostava de abraçar as alunas.
A professora Zezé sempre iniciava as aulas de Química com uma meditação bem zen.
O professor J.P. era bonitão e derretia o coração das normalistas nas aulas de Educação Física.
A professora Patrícia gostava de poesia e foi a primeira pessoa que me disse que gostava do que eu escrevia.
O professor Diógenes era inteligentíssimo e ensinou a diferença entre equinócios e solstícios de um jeito que eu nunca mais esqueci.
A professora Kátia era chata, mas manjava muito de arte.
A professora Cida teve coragem para começar do zero com adolescentes que não sabiam sequer fazer contas de dividir no segundo grau.
A professora Maria Antonieta era sábia e tranquila, e me ensinou sobre a responsabilidade e a delícia de ser psicóloga de crianças.
A professora Sílvia ensinava História, OSPB e EMC de um jeito consciente e divertido.
O professor Ruberval me desafiou, e por causa disso eu descobri que gostava de ser psicóloga clínica.
A professora Mara colocava três estrelinhas de prêmio no meu caderno cada vez que eu acertava a lição.
A professora Maria peitou o reitor da faculdade para defender os alunos da falta de segurança nos arredores do prédio.
O professor Ricardo tirava meleca do nariz enquanto corrigia nossos cadernos de mapas.
O professor Carlos me deu um susto quando ensinou que o Tiradentes não passava de um herói nacional fabricado.
A professora Ana Rosa queria que a gente aprendesse – e não decorasse – os mistérios da Biologia.
A professora Dora fingia que não via que eu não gostava de estudar piano em casa.
A professora Marinella era linda e poliglota.
O professor Arnaldo era petista roxo, e recitava poemas de Castro Alves em suas aulas de português.
O professor Beto não economizava para ensinar arte, e suas aulas eram um banquete pros sentidos, pra cabeça, pro corpo e pro coração.
O professor Marco me derrubou da minha impáfia adolescente quando me deu uma lição de moral que eu nunca mais esqueci.
A professora Rita era ruiva e linda, e me ajudou a aprender a ler e a recitar a fala da personagem Leopoldina no teatrinho de 7 de setembro.
A professora Gilda era minha fã, e perto dela eu me sentia especial sempre.
O professor Gilberto era chato de galochas, e brigávamos todos os dias, mas ele foi o primeiro que percebeu que eu tinha um certo talento pro desenho e pra pintura.
O professor Carlos me ajudou a entender que adolescentes gordas também podem jogar vôlei, handball e fazer ginástica olímpica sem o menor problema.
A professora Terezinha me defendeu da maldade de algumas coleguinhas esnobes.
A professora Clélia me ensinou que na vida a gente não pode fazer só o que quer.
A professora Gisele era a paixão da minha vida, e eu perdi a conta de quantas cartinhas de amor e poemas eu fiz pra ela.
Todos eles, os outros que não citei e os outros que eu não lembro o nome ( ou fiz questão de esquecer ), estão em mim, em quem eu sou, em quem eu me tornei.
Que coisa mais linda é ser professora…
É um jeito nobre e certeiro de marcar a vida das pessoas para sempre.

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8 comentários sobre “E AÍ, PRÔ!

  1. A melhor professora que eu já tive na vida foi uma que me deu aula na quarta série. Chamava Fátima e gostava de passar a mão nos nossos cabelos enquanto fazíamos a tarefa. Ela amava seus alunos, e esse amor eu tb vejo em vc, amiga.
    Um beijo!

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  2. O melhor professor que tive na vida, com certeza, foi aquele que acreditou em mim. E por causa da confiança dele, eu me ergui e me tornei o que sou hoje.
    Um abraço pra ele, que estará sempre em bom lugar no meu coração…
    E um beijo pra você.

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  3. Oiee td bem?
    Sinceridade? Essa foi a primeira vez qque visitei sua página, mas acredito que doi a primeira de muitas…
    Podem dizer o que quiser da internet. Que é pr gente “a toa”, um “mal necessário”, que “vem sendo usada d maneira errada”, porém todas essas teorias provincianas são desmentidas quando nos deparamos com coisas maravilhosas, como a deste momento.
    Seu blog é… inexplicável! A maneira como escreve, coloca os fatos com simplicidade, alegria, como brinca com as palavras, e sobretudo, a felicidade que transmite por possuir a arte de “lencionar”. Li, reli… li novamente. Procure nos subtemas: amor, diversão, drops, e eleger o mais marcante seria injusto. é realmente- sem palavras- suas colocações. Me fez lembrar a subjetividade de Clarisse Lispector, por vezes, e a descontração do Jabor- é, o Jabor que sua mãe disse ser o “cara do jornal que fala rápido” (rsrs).
    Apesar de um tanto nova- 17 anos- sou admiradora de talentos assim, expontâneos, ou não. Vc disse ter muitos livros e nem sempre lê-los, essa é uma grande semelhança entre nós duas. Tenho uma paixão por livrarias, e é impossível sair de uma sem ter comprado algo, ou dado uma “folehadinha” nas novidades. O último exemplar foi “O Caçador de Pipas” (pq td mundo disse que era bom, pq fala de história- “a menina dos meus olhos de estudante do terceiro ano”- fala de amizade, fala da vida). Um livro lindo, assumo, pelo menos nas suas 200 primeiras páginas, pois foi nelas que dei um tempinho na leitura. Os deveres escolares me chamam…
    Não sei ao certo como cheguei aqui, contudo seja lá qual tenha sido a motivação ela valeu a pena. Muito mais que a pena!

    Sobre o post acima “E aí, prô!”, relembrei os da escolinha, da escola, do colégio, semelhanças, diferenças… a certeza de que cada um é singular. Essa semana mesmo, meu professor de redação me encubiu com a tarefa de falar sobre a minha eduação e quem teve influência sobre ela (proposta do Vest da Fuvest). Impossível seria se não me lembrasse de vocês. Se pensam que ensinam: matemática, português, geografia, história, filosofia, literatura, redação e artes, apenas, estão enganados, pois as maiores lições que nos transmitem são as de VIDA. É uma conversa casual ali, um dedinho de prosa aqui, que passamos a adimirá-los com convicção, e uma vez tendo o feito vocês passam- com toda sua bagagem de ensinameto- a fazer parte da nossa história, assim como quem não quer nada. Isso é o mágico da profissão, mais que se deixar conquistar diariamente, CONQUISTAR seus alunos pelas ações- singelas ações.
    Apesar de você não ser minha professora e de não conhecê-la gostaria que soubesse que algum aluno (a) lhe devota esse mesmo sentimento de carinho, assim como eu tenho pelos meus MESTRES.
    Ahh, não é a toa que escolhi ser como vocês. PROFESSORA. Uma cruel decisão cheia de PRÉconceitos e jugamentos. Mas minha, minha e minha!!

    Parabéns pelo blog, pelo seu dia, por seu trabalho!!
    Estou enviando meu e-mail, no “e-mail required”, após essa leitura estarei disposta a receber na minha caixa de mensagens uma surpresa sua, se assim desejar!!
    Um garnde abraço!

    Natália Bastos (Sete Lagoas- MG)

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  4. Guapa, que texto lindo… Que bom seria que cada professor citado pudesse lê-lo… Como professora, saiba que é um orgulho ver que depois de tanto tempo um aluno nosso cresceu e levou consigo um pouquinho de nós, adaptando ensinamentos e fazendo algo novo e maravilhoso com ele…

    =]

    besos…

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  5. O melhor mestre que tive foi uma professora da oitava série que me ensinou a gostar de ler. ela faleceu antes que ue pudesse agradecer-lhe tal presente. Mas fica aqui minha homenagem à brilhante professora Luísa Peruginni! Um abraço!

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