DEPENDE DE QUEM?

Esperanças à parte, deve ser verdade o que sinto sobre 2008.
Em 2008, a fumaça dos carros, o desperdício e a falta de consciência vão continuar destruindo a natureza. Mas eu posso tentar ter atitudes mais ecologicamente responsáveis no meu cotidiano.
Em 2008, é provável que haja ainda mais guerras, violências e assinatos estúpidos. Mas eu posso tentar plantar a paz nas minhas relações, evitando brigas inúteis, discussões sem sentido e tentando dirigir de maneira menos agressiva.
Em 2008, políticos vão continuar corrompendo, roubando e mentindo. Mas eu posso tentar me informar melhor, pegar no pé dos políticos que elegi e me preparar para as próximas eleições de forma mais consciente.
Em 2008, a Educação vai continuar em último plano na agenda do povo brasileiro. Mas eu posso tentar ser uma professora melhor para os meus alunos.
Em 2008, os meus amados vão me decepcionar muitas vezes. Mas eu posso tentar ser mais compreensiva e justa nos meus feedbacks, para que continuamos evoluindo no intuito de construir relações divertidas, calmas e saudáveis.
Em 2008 vou ter que engolir muitos sapos. Mas eu posso tentar me trabalhar pra não me sufocar com eles, ou devolvê-los, se assim for melhor.
Em 2008, o sedentarismo, a comida ruim, o estresse e o ar sujo de São Paulo vão continuar detonando minha saúde. Mas eu posso tentar me cuidar melhor, evitando excessos, dormindo direito e respeitando os limites do meu corpo.
Em 2008, a correria vai de novo me engolir, roubando o tempo de descanso, de diversão e de encontrar os amigos. Mas eu posso tentar tornar sagrado um horário na minha semana, mesmo que pequeno, dedicado só a mim.
Em 2008, o dinheiro suado que eu ganho vai valer cada vez menos. Mas eu posso tentar não gastar com bobagens e cuidar melhor pra não ficar apertada.
Em 2008, a vida vai seguir como sempre segue.
E vai depender de mim fazê-la melhor, aproveitando a chance de recomeçar de um outro jeito.
Certamente não vou mudar o mundo.
Com certeza não conseguirei mudar tudo que preciso a minha volta.
Talvez consiga mudar um pouco em mim mesma.
Mas também é certo que não passarei por um ano sem aprender nada de bom.
Um brinde a 2008!
E que ele venha pra ensinar exatamente o que é preciso aprender.
Tim tim!
🙂

Anúncios

QUERO TRAZER À MEMÓRIA AQUILO QUE ME DÁ ESPERANÇA


A natureza humana é má e perversa. Tente educar uma criança pra ver se não é verdade. Não é preciso ensiná-la a morder, a tomar as coisas da mão de alguém, a fazer careta, a esconder o que ela acha que é dela para não emprestar aos outros, a discriminar e execrar aquilo que lhe parece ruim ou feio, a dar um tapa na cara da mãe que a alimenta e que fica sem dormir dias por causa da manha dela. Mas tente fazê-la entender como é importante o amor, a solidariedade, a doação, a leveza, a nobreza, a lealdade. É trabalho pra uma vida inteira. E o pior: boa parte das vezes não dá certo. A natureza humana é ruinzinha, sim. E egoísta. E cruel. E violenta. E covarde. E megalômana. E triste.

Porém, está em um belo texto da Bíblia: quero trazer à memória aquilo que me dá esperança. O ser humano é capaz de fazer coisas absolutamente incríveis. As pessoas conseguem dar significado a coisas que aparentemente não parecem com nada, nem serviriam para nada. Me dá esperança olhar uma obra de arte. Me dá esperança ver um belo buquê de flores. Me dá esperança pegar alguém no colo. Me dá esperança ler um lindo poema. Me dá esperança ouvir uma boa música. Me dá esperança ver tanta gente discutindo alternativas para salvar o planeta. Me dá esperança ver que muita gente vive na batalha pra conseguir ganhar o pão honestamente. Me dá esperança saber que tem gente que supera o seu complexo de ostra e se aventura a gostar de uma outra pessoa. Me dá esperança que aquela mesma criancinha do começo do texto, ruinzinha por natureza, consiga domar seus instintos malvados em prol de conviver bem com outras pessoas. Porque no fundo é isso que queremos: estar com outras pessoas – numa boa, confortáveis, de barriguinha cheia e com perspectivas e sonhos coloridos pela frente.

Tá certo que é legal ganhar presentes, cozinhar uma porção de coisas gostosas pra comer, encontrar os parentes e amigos, conferir a exuberância das decorações de natal pela cidade. Mas o que eu acho que estou querendo dizer é que o melhor de tudo mesmo é acreditar que vale a pena continuar acreditando na humanidade. É isso que eu acho que Deus quis dizer quando permitiu a vinda de Cristo a este mundo. Ele tomou uma decisão – acreditar no nosso pequeno ( mas resistente ) potencial de bondade e crescimento pessoal.

É uma decisão possível para nós acreditar nisso também. Não ignorando as coisas horríveis que acontecem todos os dias em todos os cantos só porque é natal. Mas acreditando que, mesmo diante de tantos problemas, coisas boas ainda podem acontecer. E muitas delas podem começar por nós.

E é isso que eu desejo a vocês, pessoas queridas, neste natal: muita fé e esperança. Não no que somos, porque as coisas não andam nada agradáveis nesta Terra. Mas sim no que podemos ser.
Beijos e Feliz Natal!