NOTÃO DE ESCLARECIMENTO


Parece que o texto aí embaixo, para o meu mais absoluto espanto, se tornou um hit na internet. Com autoria, ou não, ele anda circulando pelos e-mails de pessoas dos mais diferentes lugares, e sendo citado em centenas de páginas, blogs e jornais virtuais.

Como tantos outros que já deixei aqui ( alguns deles bem famosos também, ainda que pouca gente saiba que saiu daqui ), ele é apenas uma opinião pessoal sobre o que vi e ouvi durante os meus dias nesta Terra. Não tenho e nem tive a intenção de convencer, doutrinar, seduzir e nem influenciar ninguém. A maior parte das vezes, escrevo para mim mesma. Apenas registro pensamentos insistentes para ter um pouco de sossego deles. Essa é a função social dos maiores textos deste espaço. E mais: como metamorfose ambulante que prefiro ser, pode ser que daqui a algum tempo nem eu mesma concorde totalmente com esse ou qualquer outro texto que escrevi.

Sendo assim, queridos leitores, novos ou antigos, assíduos ou flutuantes… Gostaria de responder aos muitos comentários que recebi pelo Mafalda Crescida, por e-mail ou na minha página do Orkut.

Aos que concordaram comigo, ou elogiaram o texto de alguma forma, digo que é muito bom saber que podemos partilhar de idéias e ideais; afinal, de que outra maneira podemos refletir sobre este mundo louco senão juntos, um esclarecendo os pensamentos e emoções do outro? Afinidade é tudo nessa vida!

Aos que discordaram do texto educadamente, agradeço, sinceramente; afinal, de que outra maneira podemos mudar e avançar, senão através das pessoas que nos mostram outros lados das questões que defendemos? Divergência é tudo nessa vida!

Aos que divulgaram o texto com créditos, obrigada. Bom saber que as coisas que pensamos podem ser amplificadas tanto e tão rápido.

Aos que repassaram o texto sem crédito intencionalmente, sugiro que repensem seu papel de leitor.

E aos que me xingaram, ofenderam ou demonstraram uma tremenda incompreensão do sentido real desse texto, me acusando de radical, de reacionária, de desrespeitosa, burra… Ou mesmo aos que atacaram o blog, dizendo que ele é “só um espaço onde você fica colocando suas idéias que ninguém quer saber” ( como se blog servisse para outra coisa )… Vão catar coquinhos na descida da rampa. Seus comentários foram e serão devidamente deletados. Afinal, a dona da pensão, pelo menos aqui, no MEU espaço, sou eu. Como se diz por aí, coloquem-se em seus devidos quadrados e vão escrever seus próprios textos, em seus próprios blogs.

Que coisa doida é a internet, sô!

Beijocas para os que forem gente boa.

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CRIANDO UM MONSTRO

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… Nada?

Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: “ela não quis falar comigo”. A garota disse não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não. Seu desejo era mais importante.

Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único. Faltaram muitos outros nãos nessa história toda.

Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. NÃO. Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi punida com uma bala na cabeça.

O mundo está carente de nãos. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos ( e alguns maridos, temem dizer não às esposas ). Pessoas têm medo de dizer não aos amigos. Noras que não conseguem dizer não às sogras, chefes que não dizem não aos subordinados, gente que não consegue dizer não aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros. Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.

Os pais dizem, “não posso traumatizar meu filho”. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer não, você não pode bater no seu amiguinho. Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos. Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei. Não, você não vai passar a madrugada na rua. Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação. Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos. Não, essas pessoas não são companhias pra você. Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. Não, aqui não é lugar para você ficar. Não, você não vai faltar na escola sem estar doente. Não, essa conversa não é pra você se meter. Não, com isto você não vai brincar. Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro não que a vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante.

Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer – é também responsabilidade. E quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem. O não protege, ensina e prepara.

Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora – e tento respeitar também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

IDADES DO AMOR

O amor juvenil arranca.
O amor adulto puxa.
O amor maduro pede.

O amor juvenil é alegre.
O amor adulto é contente.
O amor maduro é satisfeito.

O amor juvenil é angustiante.
O amor adulto é indiferente.
O amor maduro é certo.

O amor juvenil quer, quer e quer.
O amor adulto exige, exige e exige.
O amor maduro investe… E espera.

O amor juvenil teme.
O amor adulto desconfia.
O amor maduro crê.

O amor juvenil depende do outro.
O amor adulto conta com o outro.
O amor maduro desfruta com o outro.

O amor juvenil exibe-se.
O amor adulto protege-se.
O amor maduro cuida-se.

O amor juvenil é escandaloso e exibido.
O amor adulto é discreto e defendido.
O amor maduro apenas é.

O amor juvenil ninguém segura.
O amor adulto ninguém nota.
O amor maduro ninguém ousa diminuir.

O amor juvenil encanta-se, ilude-se.
O amor adulto afasta-se.
O amor maduro conhece.

O amor juvenil consome.
O amor adulto aproveita.
O amor maduro partilha.

O amor juvenil sonha.
O amor adulto observa.
O amor maduro vive.

O amor juvenil exclama.
O amor adulto interroga.
O amor maduro reticencia.

O amor juvenil inventa todo dia.
O amor adulto quer sempre o mesmo.
O amor maduro perdura em suas próprias manias.

O amor juvenil pode ser impertinente.
O amor adulto pode ser chato.
O amor maduro pode ser rabugento.

O amor juvenil faz.
O amor adulto planeja.
O amor maduro flui.

O amor juvenil dói.
O amor adulto envenena.
O amor maduro deixa saudade.

O amor juvenil é para sempre.
O amor adulto é até amanhã.
O amor maduro é para hoje.

O amor juvenil é belo e vivaz.
O amor adulto é seguro e fugidio.
O amor maduro é sábio e forte.

Bom mesmo é amar. Em qualquer idade. De qualquer jeito.

VOTA, BRASIL!


Depois de um domingo perdendo meu tempo pensando em política… Fiquei com uma vontade doida de escrever. Deve ser porque não tenho remédio tarja preta em casa.

* Reeleição, no Brasil, deveria ser terminantemente proibida. Um país que é tão permissivo e corrupto não pode dar a chance de um governante usar a máquina da prefeitura, do estado ou do governo federal descaradamente pra se reeleger. Que pelo menos tenham o trabalho de tentar esconder as falcatruas.
* Se eu não fosse funcionária da prefeitura, diria pra todo mundo que os recursos ( financeiros, de pessoal e de aparelhagem ) da administração municipal foram abusadamente utilizados para reeleger o atual prefeito ( que, no fundo, é só um boneco do antigo prefeito ).
* Marqueteiros são os cavaleiros do apocalipse. E José Serra é o anticristo.
* Democracia e ignorância não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Normalmente, sai a democracia e fica a ignorância.
* Vereadores e deputados mereciam ter uma eleição separada. Só assim o povo pensaria antes de votar no legislativo.
* Uma cidade que elege gente como Clodovil, Sérgio Mallandro, Netinho de Paula, Dinei e Dra Havanir pra ser vereador ou deputado gosta de ser ALOPRADA.
* A carência de discutir propostas ao invés de promessas, propagandas e ataques é tanta que muita gente, inclusive eu, optou por votar em alguém que, embora não tenha boas propostas, pelo menos se preocupou em discuti-las. E é muito triste votar em alguém PELO MENOS. Gostaria que fosse PELO MAIS.
* Antigamente o povo trocava voto por saco de farinha e dentadura. Agora, troca por passagem de ônibus e lata de leite ninho. ( não ) Estamos evoluindo (!) (?) (…)
* No tocante à educação, quase tudo que falaram durante a campanha foi mentira. Imagina no resto.
* Se o futuro da minha cidade é o meu futuro… Tô fudida. E mal paga. Literalmente.