THE POWER OF GOODBYE

Então é chegada a hora de desistir. De parar de insistir. De deixar ir. De não ir mais atrás. De aceitar a mudança. É chegada a hora de abandonar o sonho.

Eu, que tantas vezes falei sobre sonhos – os realizados, os perdidos, os roubados, os vendidos, os compartilhados, os recorrentes, os enterrados – hoje venho falar sobre os sonhos abandonados. Aqueles que a gente sonha com todo o carinho, mas chega a hora de admitir que não são pra nós. Chega a hora de admitir que temos de deixá-los para trás. Temos que parar de sonhá-los para que eles não nos consumam, para que não estraguem nossa própria capacidade de sonhar.

Não é muito fácil, e normalmente esse abandono só vem pela dor. É assim com aquele negócio que você queria tanto fechar, mas na última hora ficou sem recursos pra concluir. Assim com aquela cidade que você queria tanto viajar pra conhecer, mas que na hora de fechar o pacote, não havia vaga no hotel. Assim com aquele trabalho que você queria tanto fazer, mas bem na hora alguém fez antes de você. Assim como aquela pessoa que você ama tanto, mas tanto, e tanto, só que uma hora percebe que ela não ama você do mesmo jeito. É assim com aquele bebê que você queria tanto ter, ou com aquele carro que você queria tanto comprar, ou com aquele amigo que você queria tanto conservar, ou com aquela oportunidade que você não queria perder. Não deu. Simples assim. É hora de abandonar o sonho. Não que ele tenha morrido, mas precisa ser deixado como está, incompleto e triste em sua essência, amarrado ao passado. Uma cruz na beira da estrada, uma canção inacabada, algo que tinha tudo pra ser, mas não foi. Simplesmente deixado. E a atitude tem que vir de você.

E não é fácil. Dói. Um sonho abandonado precisa ser encarado antes de ficar para trás. E olhar pra ele dói. Dói porque desistir de um sonho cultivado é desistir de uma parte de si mesmo. A gente investe energia, investe tempo, investe dinheiro, investe coração, investe esforço. Mas se não dá, não dá. Aposta errada. É necessário aceitar isso para seguir em frente.

Não acho que investir em um sonho, seja ele qual for, seja tempo perdido. Nunca é. Como disse o sábio Ulisses enquanto fazia sua Odisséia, o importante é o caminho, não a chegada. Mas é verdade que nos custa admitir que a vida, que tantas vezes se mostra plena, bela e voluptuosa, também sabe se mostrar mesquinha e medíocre, e nos negar o que mais desejamos. E por isso dói a desistência. Desistir é prova do nosso fracasso, mas não desistir é prova da nossa teimosia, da nossa burrice. É preciso deixar ir.

Não deixar isso virar amargura é uma tarefa difícil, mas não impossível.

Madonna, na canção abaixo, fala sobre o poder do adeus. Dar adeus a um sonho, seja ele qual for, dói, sim. Mas é libertador. Extremamente libertador. E hoje eu vou cantar com ela, do fundo do meu coração.

Não sei que imagens meu inconsciente me trará daqui a pouco quando eu for dormir as poucas horas que me restam até amanhã, mas sei que hoje algo foi abandonado aqui dentro, por mim. Estou cansada de tentar realizar aquilo que não é pra mim. Cansada de ser deixada em segundo plano por meus próprios sonhos cultivados. A vida precisa se renovar em mim. E assim será. Simplesmente porque eu decidi dizer adeus ao que não pode ser realizado. Vou sentir saudade, claro que vou. Mas quero e preciso ir mais longe, mais alto, mais distante. E irei… Porque amanhã vai ser dia de sonhar outros sonhos. Mais lindos e mais intensos.

Então, adeus sonhos antigos. Foi bom enquanto durou. Mas agora há outros horizontes a enxergar, porque meus olhos também estão novos.

Your heart is not open, so I must go.
The spell has been broken, I loved you so…
Freedom comes when you learn to let go,
Creation comes when you learn to say no.

You were my lesson – I had to learn.
I was your fortress – you had to burn.
Pain is a warning that something’s wrong
I pray to God that it won’t be long…
Do you wanna go higher?

There’s nothing left to try,
There’s no place left to hide,
There’s no greater power
Than the power of good-bye.

There’s nothing left to lose.
There’s no more heart to bruise.
There’s no greater power,
Than the power of good-bye.

Learn to say good-bye…
I yearn to say good-bye…

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O PIOR DO AMOR

O pior do amor não é a solidão, o vazio, a sensação de faltar um pedaço, a expectativa constante de encontrar alguém diferente. Porque na solidão, está o desejo do outro.

O pior do amor não é o susto do encontro, a ansiedade de saber-se apaixonado, o medo de dar tudo errado, a indecisão sobre o mais certo e o mais errado a se fazer, não é aquela insegurança e atrapalhação dos primeiros momentos. Porque todos os inícios são deliciosos pelo prazer de ter coragem pra começar.

O pior do amor não é a idealização do outro, a desconcentração, a perda de si mesmo e o olhar estranho para o restante do mundo. Não é essa sensação de que finalmente encontramos o que estávamos procurando, e o terror de perder tudo isso de uma hora pra outra. Porque nos primeiros sonhos, estão o brilho da paixão e a alegria.

O pior do amor não é a realidade, o dia-a-dia, o tédio, a rotina, a percepção de quem é realmente aquele que você ama, não é ver todos os defeitos, não é se decepcionar e magoar com o que o outro pode fazer, não é o abrir de olhos. Porque na realidade estão a maturidade e os principais ganhos.

O pior do amor não é o montante de bobagens que fazemos, nossas escolhas erradas, não é quando fazemos o pior tentando o melhor, não são os erros, não é olhar para o outro e ver como somos capazes de magoá-lo, não é baixar a guarda e ser ferido. Porque em todas as tentativas, está a vontade de acertar, está o cuidado.

O pior do amor não é a carga negativa dos sentimentos ruins, não é o ciúme, a inveja, a mágoa, não é o egoísmo, não é enxergar nossas próprias fraquezas, não é o abandono, nem a infantilidade. Porque é o lado escuro que dá sentido ao que é claro.

O pior do amor não é quando tudo começa a escorrer entre os dedos,quando temos a sensação horrível de que vai acabar a qualquer momento, quando tentamos, em vão, fazer o tempo voltar pra salvar o que já está perdido, não são as tentativas desesperadas de evitar o fim. Porque mesmo na dor, ainda há aprendizado e luta.

O pior do amor não é nem mesmo ser rejeitado, não ser escolhido, porque no sonho houve esperança.

O pior do amor não é nem mesmo o fim, a saudade, a tristeza de deixar ou ser deixado, porque mesmo isso tudo deixa algo para guardar e fazer história.

O pior do amor é a espera… É a indiferença. Especialmente quando a espera é por quem não vem.

“Cansei de esperar por ela,
Toda noite na janela,
Vendo a cidade a luzir.

Nestes delírios nervosos,
Dos anúncios luminosos,
Que são a vida a mentir…

E cada vez que subia,
O elevador não trazia
Essa mulher, maldição!

E quando lento gemia
O elevador que descia,
Subia o meu coração.

Cansei de olhar as reclames,
E disse ao peito, “não ames,
Que o teu amor não te quer.

Descansa, fecha a vidraça,
Esquece aquela desgraça,
Esquece aquela mulher…”

Deitei-me então sobre o peito.
Vieste em sonho ao meu leito,
E eu acordei, que aflição!

Pensando que te abraçava,
Alucinado apertava
Eu mesmo o meu coração.”

( “Arranha-Céu”, delicada e triste canção de Silvio Caldas e Orestes Barbosa, brilhantemente interpretada por Zé Renato. )

CARTAS…

Quando a Internet não passava de um sonho maluco em algum roteiro de ficção científica… Eu aprendi a escrever cartas.

Me lembro do prazer imenso ao escrevê-las, para os de perto ou  de longe. A escrita sempre foi um jeito genuíno de expressar aquilo que sinto. E em que outro tipo de texto podemos derramar mais emoção do que em uma carta? Nenhum outro é mais pessoal do que esse.

Na minha caixa de guardados, elas estão lá. Muitas, muitas cartas, vindas de todas as partes do país, e algumas de outros lugares do mundo. Cartinhas simpáticas de amizade, bilhetes, cartas de amor, cartões, postais, cartas solenes, declarações. O cabeçalho geográfico no começo, o meu nome escrito logo depois de algum adjetivo, e linhas bem traçadas, assinadas quase que invariavelmente “com amor”. Algumas com meia página, outras verdadeiros tratados em folhas e mais folhas – frente e verso. Letras caprichadas, outras quase ilegíveis ( e dizem que se pode conhecer muito de alguém por sua letra ). Papéis de todos os tipos, canetas de todas as cores e jeitos. Cada carta me lembra alguém querido, que se foi, ou ainda está, mas que um dia me emocionou com seu carinho e dedicação de cansar as mãos me escrevendo sobre o que estava vivendo, pensando ou sentindo. Pessoas que fizeram minha caixa de correio ser nuito mais do que um depósito de contas a pagar e propagandas de coisas que não quero comprar.

Escrevíamos cartas com correntes para receber outras tantas milhares de cartas… Cartas com perfume e com presentinho escondido dentro do papel… Colecionávamos papéis de carta que não tínhamos coragem de usar… Passávamos horas na papelaria escolhendo o melhor, da caneta ao envelope… E ali, por trás das voltas de cada letra, estavam nossos sentimentos, notícias, impressões, bobagens… Lágrimas e sorrisos.

Lembro de uma amiga em especial, a melhor amiga, que foi morar no Japão. Ela me escrevia uma vez por semana, me contando da angústica de estar só em um país estranho, enquanto eu escrevia daqui, tentando compensá-la, dando notícias de todos e falando da nossa saudade. Escrever aquelas cartas, segundo ela me disse, ajudou-a a manter a sanidade.

Lembro também de outra amiga, tão doce, que me mandava cartas e sempre anotava no envelope uma mensagem simpática para o carteiro, transbordando carinho para o envelope.

Lembro também do carinhoso namorado, a quem eu escrevia intermináveis cartas declarando meu amor, ou discutindo a raiva, o ciúme, a tristeza e o medo que a voz embargada me impedia de confessar olho no olho.

Com o tempo, escrever cartas passou a fazer parte do passado, um hábito enterrado por essa correria maluca que nos faz achar um absurdo parar para escrever a mão quando é tão mais rápido digitar no teclado; não temos tempo para comprar o papel, a caneta, o envelope, para passar no correio, e nem paciência para esperar o carteiro chegar. Demorar e esperar passaram a ser verbos ingratos em tempos de 140 caracteres e mensagens via celular.

Mas a carta… A carta é diferente. Ela é um ato de carinho muito especial. Ela é contato. Dá uma emoção diferente, saber que o papel foi tocado pela pessoa que escreveu… É bonito ver a letra mais firme ou mais tremida, a marca da lágrima no papel manchando a tinta de caneta, o amarelado do guardado, a dedicação do escritor e do leitor.

Dia desses, estimulada por esta menina maravilhosa e pelo meu amigo Emanuel, que me escreve belas palavras manuscritas, resolvi acariciar alguns amigos via correio. Escolhi dez queridos – entre eles, alguns leitores assíduos deste blog – e escrevi cartas. Foi uma experiência deliciosa, que tocou o meu coração e me aproximou das pessoas, pelo que foi escrito e pelo jeito que foi escrito. Tendinite e atrapalhações de tempo à parte, a experiência valeu muito a pena… E já recebi, contente, respostas na minha caixa de correio que muito, muito me alegraram, e me animaram a escrever mais e mais cartinhas.

E hoje peço aos amigos queridos e amores que escrevam e-mails, mandem recados via SMS, marquem encontros, telefonem, apareçam no Twitter e nas redes sociais. Mas também escrevam cartas, cartões e bilhetes que possam se somar às lembranças de amor e amizade que todos nós adoraríamos ter. E eu tenho… Que bom.

RAINING…

Minha natureza interior sempre adorou água. Em meus sonhos, lagoas, mares, poças, rios, cachoeiras, banheiras, bicas, torneiras… E chuva, muita chuva. Tudo isso sempre me ensina muito sobre o que estou sentindo. Aprendi que água é símbolo de emoção. As minhas, sempre tão represadas, se soltam em meus delírios oníricos noturnos, me lavando por dentro.

Chuva fininha é melancólica, porque normalmente é gelada, constante, pouco agressiva e sem hora pra acabar. Chuva de granizo é forte e destruidora, deixa a gente espantado com a força da natureza. Cheiro de chuva no asfalto é meio sufocante, cheiro de chuva na terra é gostoso e revitalizante, provoca um sentimento diferente. Chuva de verão é grossa, rápida, passageira, refrescante e dá a impressão que lava tudo com ela, que leva tudo com a enxurrada. Chuva com raios e trovões dá medo por fazer tremer a terra, insistindo em chamar a atenção. E chuva normal, batendo no vidro da janela, acaba fazendo a gente pensar na vida, essa vida estranha e encantadora. Eu tinha esquecido como é bom sair andando debaixo de chuva, sentindo a água massagerar a cabeça, cair nos ombros, encharcar a roupa.

Já são quase 50 dias seguidos de chuva aqui. Impossível ignorá-la. Resta aceitá-la e saboreá-la conforme for possível.

Canções que coloquei no meu “CD para curtir os finais de tarde em São Paulo”.

“Santa Chuva”, Marcelo Camelo


“The Rain”, Roxette.

“Medo da Chuva”, Raul Seixas

“Rain”, Madonna

“Lágrimas e Chuva”, Léo Jaime

“The Rhythm of the Rain”, The Cascades

“Deixa Chover”, Guilherme Arantes

“Raindrops”, B.J. Thomas

“Chuvas de Verão”, Caetano Veloso

“Crying in the Rain”, A-Ha

“Quando Chove”, Patricia Marx

“Have you Ever Seen the Rain?”, Creedence Clearwater Revivel

“Águas de Março”, Tom Jobim e Elis Regina

“Rainy Day”, 10,000 Maniacs

“A Tempestade”, Zelia Duncan e Lenine

“Pray for Rain”, Massive Attack

“Chove Chuva”, Jorge Ben Jor

“It´s Raining Again”, Supertramp

“Primeiros Erros”, Capital Inicial e Kiko Zambianchi

“Remember When it Rained”, Josh Groban

“Será que Vai Chover?” Paralamas do Sucesso

E você, qual é a trilha sonora da sua chuva? 😉