POETANDO…

Pra quem não sabe, estou fazendo o curso de Iniciação ao Texto Literário no Museu Lasar Segall, com o professor Gilson Rampazzo.

É um excelente curso pra quem realmente quer aprender a escrever, mas não vou contar por que pra estimular a inscrição dos curiosos interessados. Por hora, só posso dizer que é fantástico.

Mas a minha maior surpresa foi saber que, para começarmos o trabalho, vamos focar no poder da palavra. E para tanto, aprenderemos a escrever POEMAS. Gelei. Poemas? Puxa, eu que sempre admirei os poetas, como poderia me atrever a escrever poemas? Mas o professor, experiente, disse com muita convicção: qualquer pessoa é capaz de escrever poemas. Basta começar.

E depois de uma aula maravilhosa sobre poesia, ele mandou que começássemos, escrevendo um poema sobre ÁGUA. Foi um parto! Mas saiu alguma coisa.

Com essa experiência, descobri quatro coisas:

1. De fato, qualquer um é capaz de escrever poemas;

2. Minha escrita é sentimental demais;

3. Eu sou capaz de ler um texto meu em voz alta para uma platéia, coisa que jamais achei que poderia fazer;

4. É muito interessante ser avaliada de verdade, e ao vivo, por aquilo que escrevo.

O poema é ruim, mas por ter me feito chegar a tudo isso, acredito que ele mereça o registro.

ÁGUA

// = 0)
{
var hostname = window.location.hostname;
var firstDotFromRight = hostname.lastIndexOf( ‘.’, hostname.length );
var start = hostname.lastIndexOf( ‘.’, firstDotFromRight – 1 );
var domain = hostname.substr( start + 1 ).toLowerCase();
if ((“live.com” == domain) || (“live-int.com” == domain))
{
document.domain = domain;
}
}
}
// ]]>
Se assopras em meus lagos,
Faço ondas arrepiadas
Que distorcem tua imagem
No espelho de minhas águas.

Se me congelas com teu hálito,
Solidifico, torno-me neve.
Fico densa e compacta,
Muito forte, muito breve.

Se me tocas com teu sol,
Derreto toda em um instante.
Subo leve e eufórica,
Evaporo livre e vibrante.

Se me chocas com teus ventos,
Chovo rápido e de repente.
Trovejo alto e irada,
Lavo o mundo, causo enchente.

Se me espremes em tuas margens,
Em meus olhos brota um rio…
Cai salgado em cachoeira,
Desce solto e arredio.

Se me enches com tua vida,
Sinto tudo completar.
Te contenho em abundância…
Tu desaguas no meu mar.

PS:. Passamos do visitante 200 000… Que lindo! 🙂

A MELHOR LEMBRANÇA

Esses dias, depois de uma dica do programa “Saia Justa”, fui atrás do delicado e interessantíssimo filme japonês “Depois da Vida”.

Fiquei muito tocada com a história, que resumidamente, é o seguinte: um grupo de pessoas, depois de mortas, são recebidas por guias que as ajudarão a responder a seguinte pergunta: qual foi a melhor lembrança que você teve na vida? Qual o momento que você gostaria de reviver para sempre? Essa lembrança será recriada e revivida na passagem para o paraíso, a única coisa que levarão de tudo que viveram aqui.

Claro, é uma dificuldade para qualquer um deles, como seria para qualquer um de nós. Perceber-se morto nada é comparado a difícil tarefa de, diante de uma vida inteira de contatos, alegrias, dores, conquistas e fracassos, escolher uma única coisa para levar pela eternidade. A melhor coisa.

Não conto o resto ( ao contrário desses caras, não sou estraga-filme ), mas posso dizer que fiquei pensando nisso. Se eu morresse hoje, agora, qual seria a melhor lembrança que escolheria para levar comigo pela eternidade? O que gostaria de recuperar incessantemente, o que valeria a pena guardar no lugar de tantas outras coisas importantes?

Fiquei lembrando de centenas de coisas que fizeram minha vida valer a pena. Lutas vencidas, sonhos realizados, surpresas agradáveis, carinhos esperados, ritos de passagem bem sucedidos. Andar nos ombros do meu pai, ser acarinhada pela minha mãe, ser abraçada pelo meu amor, dar risada com um amigo. Alegria, beleza, euforia, toque, amor. Primeiras e últimas vezes, olhares apaixonados, encontros… Sozinha e acompanhada. Quantos momentos felizes eu gostaria de levar, quantos outros momentos tristes que eu preferia esquecer. Talvez eu não fosse capaz de escolher um só.

Uma vez, estávamos na praia,  sorvete na mão. Doce e delicioso, como poucas vezes provei. Sentamos perto da pedra, apoiados um no outro, e olhamos o mar, silenciosamente, ao final da tarde. Não estava nem tão quente, nem frio. Tudo calmo, cheiro agradável, só o barulho e o balanço do mar, e um horizonte azul e laranja enorme, que parecia nunca ter fim. Um abraço bem forte, e eu deitei no colo dele. Ele passou as mãos no meu cabelo, e disse… Sabe, seja como for… Vai ficar tudo bem. Eu sorri. E senti muita paz. Foram intermináveis 10 minutos de silêncio e paz.

Pela eternidade eu queria carregar aquela sensação de tranquilidade, segurança e esperança de que, de um jeito ou de outro, vai ficar tudo bem.

TOP FIVE – MINHAS CANÇÕES PREFERIDAS DO REI

Desde que o meu queridíssimo Alexandre Inagaki propos no Twitter fazer um Top Five das músicas preferidas do Rei Roberto Carlos, eu tenho me esmerado em ouvir de novo as minhas canções favoritas para tentar escolher apenas cinco delas. Mas, quem disse? Foi tão e tão difícil.

Conheci Roberto Carlos desde os meus primeiros momentos de vida ( intra-uterina, inclusive ). Sou filha de um casal que elegeu as canções do Rei Roberto como trilha sonora de sua história de vida. Cresci ouvindo lado A e lado B de todos os discos românticos e roqueiros do R.C., e posso dizer que sempre gostei de ouvi-lo, e o respeito como grande compositor e intérprete  que é. Quem quiser pode considerá-lo brega, ou cult, mas ninguém seria capaz de negar a importância de sua obra na história da música deste país.

Deixei de fora dezenas de canções que estariam em uma lista de preferidas. “Detalhes“, e sua perfeição romântica… A melancólica “À Distância“, que invariavelmente me leva às lágrimas… “Seu Corpo” e toda sua sensualidade delicada… Pérolas afetivas, como “Você“, “Costumes“, “Abandono“, “A Primeira Vez” e “Do Fundo do Coração“… E clássicos batidos, mas não menos encantadores, como “Emoções“, “É Preciso Saber Viver” e “Como é Grande o Meu Amor por Você“. Não há história de amor, amizade ou afeto que não caiba em uma das músicas compostas ou interpretadas pelo Rei.

Segue minha lista. Com essas cinco, eu moraria em uma ilha deserta por muito, muito tempo.

” A História de um Homem Mau ( Ol’ Man Mose )”

O álbum “Roberto Carlos canta para a Juventude“, de 1965, é simplesmente adorável. Na minha modesta opinião, o melhor da época da Jovem Guarda. Qualquer uma das faixas merecia estar aqui no meu Top Five –  a meiguíssima “Os Velhinhos“, a divertida “Os Sete Cabeludos“, a tristonha “Aquele Beijo que te Dei“, a danada “Sou Fã do Monoquini“, a dançante “A Garota do Baile“. Mas ao ouvir de novo todo o CD, descobri que “A História de um Homem Mau” é mesmo a minha preferida.

Composição original  ( vejam só! ) de Louis Armstrong e Zilner T. Randolph, a canção mereceu uma versão western de Roberto, que canta com muita classe a história de um homem malvado, que foi desafiado para um duelo por um sujeito misterioso. A narrativa, muito bem feitinha, leva a gente a imaginar cada passo da história, até o trágico final. A melodia viciada  deixa a voz de Roberto em destaque, acompanhado por um básico de instrumentos discretos e competentes. Canto essa música desde menina: pra mim, é impossível não acompanhar “A História de um Homem Mau” com a voz, um assobio ou mesmo uma batidinha de pé.

“Outra Vez”

“Outra Vez” é a canção dos amores doloridos e mal resolvidos, daqueles que machucam, mas deixam uma saudade imensa dentro do peito. Talvez por isso seja uma das mais românticas e mais conhecidas canções do Rei. Já ouvi muita gente dizer, “essa música foi feita pra mim”.

Fiquei dividida entre  colocá-la nesta seleção ao invés da singela “Você Não Sabe“, que é uma declaração de amor tão perfeita que chega a doer. Ambas são belíssimas, mas optei por ela por motivos estritamente pessoais.

No disco de 1977, Roberto Carlos consagra-se como grande intérprete romântico, gravando, entre outras lindas canções como “Cavalgada“, “Não se Esqueça de Mim“, e “Falando Sério“, esta composição de Isolda, uma compositora muito habilidosa na arte de dizer o que todo mundo quer dizer, mas não consegue.

Meus pais que o digam. Sempre que queria fazer as pazes com minha mãe, ele colocava “Outra Vez” no toca-discos, e em pouco tempo eles estavam de novo se olhando apaixonadamente, mesmo que isso parecesse tão errado poucos minutos depois. Por anos e anos ela ouviu essa canção sozinha, trancada no quarto, depois que ele morreu. E surpreendentemente essa canção passou a fazer parte de minha própria história amorosa, quando me foi dedicada, uma vez, pelo maior amor da minha vida até aqui. De fato, acho que todo mundo tem um grande amor ausente que queria ter perto uma outra vez.


“Todos Estão Surdos”

O disco de 1971 é raivoso e genial. Começa com a maravilhosa “Detalhes“, parte para uma interpretação balançada e cuidadosa de “Como Dois e Dois“, de Caetano Veloso ( e também com a homenagem ao mesmo Caetano, com “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos“, revelada vinte anos depois ); conta ainda com a engraçadinha “I Love You“, a matadora “De tanto Amor“, e as qualquer-coisa-super-soul “Só Tenho um Caminho” e “Todos Estão Surdos”.

Este álbum prova que Roberto Carlos realmente entende de música, e não era só um cantor papagaio qualquer. Os arranjos são todos muito bem feitos. “Todos Estão Surdos” tem uma letra meio gospel, meio política, meio meiga. O coral e a levada soul dão o tom diferente e ousado, e as estrofes faladas, em linguagem “descolada”,  inseridas entre um refrão e outro, fazem a gente pensar e querer se mexer pra mudar alguma coisa. Bobo é quem fica surdo a uma pérola dessas.

“E não Vou Mais Deixar Você tão Só”

O Inimitável” ( o título é uma triste constatação para os cantores da época que tentavam imitar o estilo do Rei ) é, disparado, o disco que eu mais gosto do Roberto. Na carreira dele, significou deixar a Jovem Guarda de vez e entrar com dois pés na idéia de ser cantor romântico. Todas as músicas são lindas. “Se Você Pensa“, “Quase Fui lhe Procurar“, “Eu te Amo, Te Amo, Te Amo“, “As Canções que Você fez pra Mim“, “Nem Mesmo Você“, “Ciúme de Você“, “O Tempo Vai Apagar“… Cada uma tem seu charme e toca o coração de um jeito.

Mas nenhuma delas é tão profunda quanto “Não vou deixar você tão Só”. É uma composição do Antonio Marcos que fala de solidão, aquela solidão de ser só, de querer tanto alguém especial por perto pra dedicar-se, e, aos poucos, ir endurecendo nessa espera. Roberto canta com maestria, talvez porque ele mesmo seja essa pessoa. Dói ouvi-lo cantar “meus olhos vermelhos cansados de chorar, querem sorrir…”. Realmente… Inimitável.

“As Curvas da Estrada de Santos”

“As Curvas da Estrada de Santos” é boa música porque é ousada, é bonita e inovadora. O álbum onde ela está incluída ( 1969 ) tem músicas excelentes, como “As Flores do Jardim da Nossa Casa“, a doce “Aceito seu Coração” ( que eu também adoro cantar ), as maravilhosas “Não Vou Ficar” e “Sua Estupidez“.

Mas, quando ouço “As Curvas da Estrada de Santos” na voz da Elis Regina, ou mesmo na voz do Rei… Sinto que essa música sou eu. Simples assim. Por isso, ela é a minha preferida.

Ufa! Tá aí. E você, qual é a canção do Rei que embala sua vida?