TOP FIVE – MINHAS CANÇÕES PREFERIDAS DO REI

Desde que o meu queridíssimo Alexandre Inagaki propos no Twitter fazer um Top Five das músicas preferidas do Rei Roberto Carlos, eu tenho me esmerado em ouvir de novo as minhas canções favoritas para tentar escolher apenas cinco delas. Mas, quem disse? Foi tão e tão difícil.

Conheci Roberto Carlos desde os meus primeiros momentos de vida ( intra-uterina, inclusive ). Sou filha de um casal que elegeu as canções do Rei Roberto como trilha sonora de sua história de vida. Cresci ouvindo lado A e lado B de todos os discos românticos e roqueiros do R.C., e posso dizer que sempre gostei de ouvi-lo, e o respeito como grande compositor e intérprete  que é. Quem quiser pode considerá-lo brega, ou cult, mas ninguém seria capaz de negar a importância de sua obra na história da música deste país.

Deixei de fora dezenas de canções que estariam em uma lista de preferidas. “Detalhes“, e sua perfeição romântica… A melancólica “À Distância“, que invariavelmente me leva às lágrimas… “Seu Corpo” e toda sua sensualidade delicada… Pérolas afetivas, como “Você“, “Costumes“, “Abandono“, “A Primeira Vez” e “Do Fundo do Coração“… E clássicos batidos, mas não menos encantadores, como “Emoções“, “É Preciso Saber Viver” e “Como é Grande o Meu Amor por Você“. Não há história de amor, amizade ou afeto que não caiba em uma das músicas compostas ou interpretadas pelo Rei.

Segue minha lista. Com essas cinco, eu moraria em uma ilha deserta por muito, muito tempo.

” A História de um Homem Mau ( Ol’ Man Mose )”

O álbum “Roberto Carlos canta para a Juventude“, de 1965, é simplesmente adorável. Na minha modesta opinião, o melhor da época da Jovem Guarda. Qualquer uma das faixas merecia estar aqui no meu Top Five –  a meiguíssima “Os Velhinhos“, a divertida “Os Sete Cabeludos“, a tristonha “Aquele Beijo que te Dei“, a danada “Sou Fã do Monoquini“, a dançante “A Garota do Baile“. Mas ao ouvir de novo todo o CD, descobri que “A História de um Homem Mau” é mesmo a minha preferida.

Composição original  ( vejam só! ) de Louis Armstrong e Zilner T. Randolph, a canção mereceu uma versão western de Roberto, que canta com muita classe a história de um homem malvado, que foi desafiado para um duelo por um sujeito misterioso. A narrativa, muito bem feitinha, leva a gente a imaginar cada passo da história, até o trágico final. A melodia viciada  deixa a voz de Roberto em destaque, acompanhado por um básico de instrumentos discretos e competentes. Canto essa música desde menina: pra mim, é impossível não acompanhar “A História de um Homem Mau” com a voz, um assobio ou mesmo uma batidinha de pé.

“Outra Vez”

“Outra Vez” é a canção dos amores doloridos e mal resolvidos, daqueles que machucam, mas deixam uma saudade imensa dentro do peito. Talvez por isso seja uma das mais românticas e mais conhecidas canções do Rei. Já ouvi muita gente dizer, “essa música foi feita pra mim”.

Fiquei dividida entre  colocá-la nesta seleção ao invés da singela “Você Não Sabe“, que é uma declaração de amor tão perfeita que chega a doer. Ambas são belíssimas, mas optei por ela por motivos estritamente pessoais.

No disco de 1977, Roberto Carlos consagra-se como grande intérprete romântico, gravando, entre outras lindas canções como “Cavalgada“, “Não se Esqueça de Mim“, e “Falando Sério“, esta composição de Isolda, uma compositora muito habilidosa na arte de dizer o que todo mundo quer dizer, mas não consegue.

Meus pais que o digam. Sempre que queria fazer as pazes com minha mãe, ele colocava “Outra Vez” no toca-discos, e em pouco tempo eles estavam de novo se olhando apaixonadamente, mesmo que isso parecesse tão errado poucos minutos depois. Por anos e anos ela ouviu essa canção sozinha, trancada no quarto, depois que ele morreu. E surpreendentemente essa canção passou a fazer parte de minha própria história amorosa, quando me foi dedicada, uma vez, pelo maior amor da minha vida até aqui. De fato, acho que todo mundo tem um grande amor ausente que queria ter perto uma outra vez.


“Todos Estão Surdos”

O disco de 1971 é raivoso e genial. Começa com a maravilhosa “Detalhes“, parte para uma interpretação balançada e cuidadosa de “Como Dois e Dois“, de Caetano Veloso ( e também com a homenagem ao mesmo Caetano, com “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos“, revelada vinte anos depois ); conta ainda com a engraçadinha “I Love You“, a matadora “De tanto Amor“, e as qualquer-coisa-super-soul “Só Tenho um Caminho” e “Todos Estão Surdos”.

Este álbum prova que Roberto Carlos realmente entende de música, e não era só um cantor papagaio qualquer. Os arranjos são todos muito bem feitos. “Todos Estão Surdos” tem uma letra meio gospel, meio política, meio meiga. O coral e a levada soul dão o tom diferente e ousado, e as estrofes faladas, em linguagem “descolada”,  inseridas entre um refrão e outro, fazem a gente pensar e querer se mexer pra mudar alguma coisa. Bobo é quem fica surdo a uma pérola dessas.

“E não Vou Mais Deixar Você tão Só”

O Inimitável” ( o título é uma triste constatação para os cantores da época que tentavam imitar o estilo do Rei ) é, disparado, o disco que eu mais gosto do Roberto. Na carreira dele, significou deixar a Jovem Guarda de vez e entrar com dois pés na idéia de ser cantor romântico. Todas as músicas são lindas. “Se Você Pensa“, “Quase Fui lhe Procurar“, “Eu te Amo, Te Amo, Te Amo“, “As Canções que Você fez pra Mim“, “Nem Mesmo Você“, “Ciúme de Você“, “O Tempo Vai Apagar“… Cada uma tem seu charme e toca o coração de um jeito.

Mas nenhuma delas é tão profunda quanto “Não vou deixar você tão Só”. É uma composição do Antonio Marcos que fala de solidão, aquela solidão de ser só, de querer tanto alguém especial por perto pra dedicar-se, e, aos poucos, ir endurecendo nessa espera. Roberto canta com maestria, talvez porque ele mesmo seja essa pessoa. Dói ouvi-lo cantar “meus olhos vermelhos cansados de chorar, querem sorrir…”. Realmente… Inimitável.

“As Curvas da Estrada de Santos”

“As Curvas da Estrada de Santos” é boa música porque é ousada, é bonita e inovadora. O álbum onde ela está incluída ( 1969 ) tem músicas excelentes, como “As Flores do Jardim da Nossa Casa“, a doce “Aceito seu Coração” ( que eu também adoro cantar ), as maravilhosas “Não Vou Ficar” e “Sua Estupidez“.

Mas, quando ouço “As Curvas da Estrada de Santos” na voz da Elis Regina, ou mesmo na voz do Rei… Sinto que essa música sou eu. Simples assim. Por isso, ela é a minha preferida.

Ufa! Tá aí. E você, qual é a canção do Rei que embala sua vida?

9 comentários sobre “TOP FIVE – MINHAS CANÇÕES PREFERIDAS DO REI

  1. Andou inpirada neste post, pois citou tanta canções…

    Mas a canção da História de um Homem é de um tempo menos complicado, quase como se fosse uma brincadeira de criança, bem como Calhambeque…

    Fique com Deus, menina Karina.
    Um abraço.

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  2. Roberto é um artista completo, embora piegas às vezes… ( Por isso mesmo completo ).
    Vc selecionou mto bem, mas eu faria outra seleção… E sem mta dor escolheria: “De tanto amor” ( tão triste ), “É proibido fumar”, “Não vou ficar”, “sua estupidez”, “na paz do seu sorriso”.

    Pra vc, hoje, dedico “não se esqueça de mim”… Será que vc esqueceu?

    Bjo, linda, amo vc.

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  3. Eu já tinha sacado que você é grande conhecedora da música brasileira quando conversamos sobre Noel Rosa e Zé Ketti aquele dia…
    Mas você arrasou nesse post. 🙂
    Impossível escolher só cinco músicas do Roberto Carlos. A maior parte delas é mesmo impressionante…
    Também gosto muito do disco de 71… Boa pedida! Vou anotar… rs
    Beijo bem grande, boa semana, minha flor.

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  4. OLá, venho acompanhando seu blog há algum tempo e hoje resolvi te escrever pois tenho a mesma relação “intrauterina” com o Roberto e me emocionei com seu texto.
    Nasci e cresci ouvindo anualmente os Lps do Rei – que meu pai dava à minha mãe mas que eu jurava que eram todos prá mim pois todos tinham obrigatoriamente nas dedicatórias que meu pai fazia um: “para minhas duas namoradas” (desde muito novinha o complexo de édipo me pegou e ai não tinha santo que me fizesse entender porque meu nome não podia estar ali na dedicatória…), fazer o quê né?
    Mas o que eu queria dizer é que, apesar de conviver com toda a discografia do Roberto, acabo invariavelmente ficando nas músicas tradicionalmente famosas. Desta vez, seu texto me abriu um leque que vai muito além dessa obviedade, mostrando músicas que sim, já ouvi, sim, achei bonitas mas nunca havia parado para analisar detalhadamente, sempre me contentei com a sensação de aconchego e volta a um passado muito bom que essas músicas me trazem. Obrigada por me trazer um outro lado do Roberto CArlos!
    Abraço

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  5. Me confesso aqui admirado com sua inteligência, sensibilidade, doçura… Esbarrei aqui e fiquei horas lendo… Você é muito complexa e ao mesmo tempo tão singela…
    Obrigado por cada texto que escreveu, me vi em tantos deles… Encantado.
    Abraços…

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  6. Então já fui fã e nos dias mais mórbidos não suporto…mas mas A Montanha eu curto muito…dentre tantas outras…. que dependendo do momento deixam a vida mais feliz…..

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