POETANDO… III

Proposta: Fazer um poema aliterando o P e o B. Nesse ganhei um aceno simpático do professor, e um tímido, “é, tá bom”.

Estou melhorando!


PAR

Peito comprimido
Repara o partido,
Limpa o aprendido,
Tampa o abismo,
Apaga os rabiscos.

Trabalho cumprido…
Aparece o par.

É bom se preparar.
Par promete,
Desperta,
Apega…
E pronto:
Já é par.

Par põe pausa no tempo,
Par paga pecado perdoado.
Par pinta exuberantes primaveras,
Par pisoteia poemas passados.

Par lapida brilhante bruto,
Par vibra corpo aprisionado.
Par pesca beleza no assombro,
Par provoca paladar apurado.

Par pastoreia rebanho perdido,
Par publica particular acobertado.
Par põe bossa em paisagem,
Par tomba patrimônios deslembrados.

Par procria palavras e beijos,
Par aprofunda o personagem captado.
Par abrasa febres submersas,
Par abranda espírito perturbado.

Par paraíso,
Par parceiro,
Par paixão.

É bom se preparar.
Tempo passa.
E passando, pega o par.

E par, borboleta abusada,
E par, pássaro obstinado,
E par, barco caprichoso…

Parte.
E no partir,
Comprime o peito,
Obriga a pobre espera,
Obriga o penar abandonado,
Obriga o ímpar.

Até brilhar um outro par.

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CORAÇÕES PARTIDOS

Vendo tantos corações partidos por aí, e são muitos… Fiquei pensando que a dificuldade de amar alguém de verdade é quase proporcional a possibilidade de perdê-lo, se você o encontra. É muito difícil conseguir amar alguém. E há tanta gente que perde seu amor… E falo em perda porque amar é uma luta, luta em que se ganha… E se perde. E uma luta diária.

Tem gente que perde o seu amor pra uma viagem para o exterior, pra uma carreira promissora, pra um apartamento na cidade grande, pra uma tradição ou um preconceito.

Tem gente que perde o seu amor pro dinheiro, pra uma convenção social, pra um voto religioso, pra vontade dos pais. Tem gente que perde seu amor pra um fato inesperado, pra um trauma muito forte, ou pra um passado que não foi curado.

Tem gente que perde seu amor pra uma doença fatal, pra uma fraqueza, pro desgaste do tempo. Tem gente que perde seu amor pra sorte, pro acaso.

Tem gente que perde seu amor pra um vício, pra uma fatalidade, pra um acidente, pra um naufrágio ou uma explosão, pra um terremoto, pra uma guerra… Pra violência ou pras estatísticas. Tem gente que perde seu amor pro cinismo da sociedade, ou pro medo do diferente.

Tem gente que perde seu amor pra um outro homem ou uma outra mulher, ou pra todos os outros homens e mulheres.

Tem gente que perde seu amor, e definitivamente, pra morte.

Tudo isso é muito triste. Mas é mais triste ainda quando a gente perde um amor pra si mesmo.

Pro próprio ciúme, pra própria covardia, pro próprio medo, pras próprias manias estranhas, pras próprias lembranças, para a incapacidade de controlar o desejo por novidade.

É duro quando a gente perde um amor por não ter dito ou feito o que precisava dizer ou fazer. Por não ter conseguido soltar as amarras do sentimento pra conseguir dar um passo de fé e se jogar num abismo. Por se achar acima do bem ou do mal, ou tão especial que não possa ser magoado. Por não confiar nos próprios encantos e viver com medo de ser deixado. É duro quando a gente perde um amor por preguiça de investir nele, por deixar pra lá, por não ter prestado atenção. É duro quando a gente perde um amor por egoísmo… Por não conseguir abrir mão da segurança de ser só ou estar mal acompanhado pra tentar uma outra coisa. É duro quando a gente perde um amor por ser infantil, agressivo, ou por não dar ao outro a liberdade de ir e vir.  É duro perder um amor pra lágrimas excessivas, pra manipulações, pra mentira. É duro perder um amor pro cinismo, pro comodismo, pra incapacidade de amar em si mesma. É duro perder um amor pra superficialidade, pra pobreza de espírito… Pra falta de alegria.

A pior perda é sempre aquela que depende de nós… Porque dessa, não adianta reclamar. Mas nem tudo está perdido… Se pudermos aprender.

Porque é duro perder um amor, seja do jeito que for. Mas, mais duro ainda, é perder a capacidade de amar.

( No player, a canção tristonha “Alone Again ( Naturally )”, cover de Vonda Shepard para uma antiga canção de Gilbert O´Sullivan… It seems to me that there are more hearts broken in the world that can’t be mended, left unattended… What do we do? What do we do?” )

POETANDO… II – SOL

SOL

// = 0)
{
var hostname = window.location.hostname;
var firstDotFromRight = hostname.lastIndexOf( ‘.’, hostname.length );
var start = hostname.lastIndexOf( ‘.’, firstDotFromRight – 1 );
var domain = hostname.substr( start + 1 ).toLowerCase();
if ((“live.com” == domain) || (“live-int.com” == domain))
{
document.domain = domain;
}
}
}
// ]]>

Passa hora, passa dia,
Passa ano, passa vida.
É sempre menos tempo…
É sempre mais partida.

Tudo muda, se transforma,
Perde o brilho e faz temida
A morte de tudo que vive –
Ao nascer, já garantida.

Brilhas alto e implacável,
Estrela forte, densa e viva,
Necessária, admirada,
Em si mesma consumida.

Observas, solitário,
A vida à morte remetida:
Apesar de tua luz,
Tudo passa. Mas tu, ficas.

Novo exercício do meu curso de criação literária… Dessa vez foram 4 poemas em uma semana. 🙂

VERDADES

Quando estudava Psicologia, levei um grande susto quando me disseram que a Verdade é algo relativo. A professora, calmamente e com um sorriso compreensivo no rosto, ao conduzir um estudo de caso, ouviu um de meus colegas dizer que a paciente havia mentido ao distorcer informações reais e óbvias. E ela disse, isso não nos interessa. A verdade dela é o que ela nos diz… E é com essa verdade que temos que trabalhar.

Do alto dos meus 18, 19 anos, eu achava que a verdade era uma só. Conforme fui conhecendo as pessoas, percebi que cada um tem a sua verdade, mesmo quando ela não condiz com os fatos empíricos e objetivos da realidade. Meu time preferido é o melhor de verdade, minha religião é o caminho da verdade, minhas opiniões são as verdadeiras, o jeito que eu vejo as coisas é o jeito certo de ver. A verdade, nesse sentido, tem muito mais a ver com o que se acredita do que com o que se vê – está muito mais próxima da fé do que dos fatos científicos.

Pensando sobre a verdade, passei também a pensar sobre a mentira. Tem, sim, quem minta descarada e deslavadamente, esperando, com isso, safar-se de uma situação difícil, ou manipular as pessoas, ou conseguir algo que não teria se dissesse o que realmente pensa e o que realmente vê. E para essas pessoas, a mentira se torna um vício pernicioso e incontrolável, simplesmente porque é o caminho mais curto, o mais fácil.

Mas, nem todo mundo que mente, mente intencionalmente. Para alguns, a realidade é tão pobre e tão medíocre que precisa ser enfeitada, acrescentada de detalhes que a deixam mais bonita. Para outros, a realidade é tão difícil que precisa ser reinventada, fantasiada, sublimada em devaneios mais alegres e amenos. Para alguns, ainda, a realidade é tão dura de aceitar que precisa ser negada, esquecida, superada… Coberta por uma realidade alternativa, que seja mais suportável. E outros são tão covardes que simplesmente fecham os olhos para o que acontece, preferindo ficar na escuridão. Todos eles, de alguma forma, mentem sobre o que realmente percebem. Mais do que mentir para outros, mentem para si mesmos. E essa é a mentira mais triste que existe… E a mais difícil de ser desconstruída. Mas talvez não devam ser chamadas de mentira… E sim de “verdade pessoal”, como minha professora ensinou. É reconhecendo – não ignorando nem atacando – essas mentiras verdadeiras, ou verdades mentirosas, que conseguimos penetrar no universo pessoal de alguém.

Sim, muitas vezes a realidade pode ser facilmente ignorada e substituída por verdades pessoais.

Mas há algumas verdades que não podem ser negadas. São verdades que estapeiam nossa cara, que ficam lá, pulando na nossa frente, mostrando-se, exibindo-se, verdades que não sossegam enquanto não se fazem ser conhecidas. Verdades que se relacionam à justiça, à decência, ao cuidado com o outro, à ética, à coragem, ao amor, à virtude. Essas verdades assombram, dão medo e nos fazem sentir tristes, muitas vezes, porque nos colocam diante da nossa limitação humana… Nos colocam no nosso devido lugar. Verdades que não podem ser negadas são aquelas que nos perseguem, que fazem barulho na porta, que nos incomodam, como coceiras que não podem ser ignoradas, como um espirro que não pode ser barrado. Verdades que nos deixam em total estado de desconforto, e muitas vezes, em choque. Verdades que nos quebram inteiros e nos colocam em pedaços.

Mas aí que está o maior milagre de tudo isso. Assim que são finalmente vistas e encaradas, essas verdades, que não são nem um pouco relativas, mostram-se maravilhosas e fiéis amigas. São capazes de nos recompor, de nos fazer melhores, de nos dar a paz da consciência tranquila, de nos abrir caminho para um novo e espetacular horizonte. Verdades que precisam ser vistas, ao serem vistas e reconhecidas, nos enchem de dor… Mas também de esperança.

E foi o próprio Jesus Cristo quem explicou, uma vez, o porquê:

“…E conhecereis a verdade… E a verdade vos libertará.”

( João 8:32 )