SOBREVIVENTES E FANTÁSTICOS

Fico sempre impressionada com essas histórias de sobreviventes. Gente que passa dias debaixo de escombros, náufragos que nadam além das próprias forças até encontrar ajuda, pessoas que saem de um coma depois de passar muitos anos dormindo, pessoas que resistem anos e anos a prisões, maus tratos e violência; gente que cava a terra com a própria mão procurando um pouco de ar, ou que passam meses e meses vagando no deserto ou nas montanhas geladas para depois voltarem triunfantes para a vida que tinham antes, como heróis dignos de admiração. Sobreviventes sempre merecem respeito.

Também me impressionam as histórias dos fantásticos. O cego que virou fotógrafo. A mãe que ergueu o peso de um carro nos braços para salvar o filho. O visionário a quem todos chamavam de louco, e que criou algo brilhante. Os deficientes que são atletas. O analfabeto que escreveu um livro. Aquele que nunca pegou em um instrumento e compõe uma música. O pai que ao ver o filho adoecer de uma doença rara, estuda e descobre a cura. Aquele que ao passar um aperto,  cria um aparelho, uma fórmula, uma ideia diferente de tudo que já pensaram antes. O rejeitado que por força de vontade vira o fulano mais popular em seu meio. O condenado que perdoa seu carrasco. A gorducha que vira modelo. Fantásticos são pessoas que fazem muito com o pouco que receberam da vida, pessoas que vão além do mediano, do básico… Além do que se espera delas.

Histórias de sobreviventes e fantásticos são sempre recontadas, e contadas de novo, para que lembremos que ninguém – ninguém – pode saber até onde um ser humano pode chegar. Ninguém pode dizer o que é possível ou impossível.  Ninguém pode dizer onde ficam os limites. A nobreza de espírito pode ser encontrada em qualquer lugar, a qualquer tempo… Em qualquer pessoa. Especialmente onde menos se espera.

Quantas pás de escombros caíram sobre você em 2011? O que você viu explodir, sem que pudesse fazer nada para segurar? Quantos terremotos você teve que aguentar, permanecendo firme? Quantas coisas suas roubaram, destruíram, dizimaram… Quantas vezes teve que recomeçar do zero? Quantas pessoas você perdeu, para a morte ou para a vida? Quantos pequenos barcos fortes e seguros você viu partir ao longe, sem perceber sua presença no mar imenso e agitado, sem que a você fosse dada a chance de pedir ajuda? Quantas vezes você achou que não ia dar, e, refrigerado na alma, respirou, seguiu e está aqui?

Pois é, sobreviventes e fantásticos estão sempre por aí, perto de nós, para nos dar exemplo. Em 2011, vi vários e vários deles. Apanharam, perderam, foram agredidos, humilhados, desconsiderados… E estão aí, com o seu copo de champagne na mão acreditando que em 2012 será diferente.

E pode ser que seja. Para melhor e para pior. Pode ser até que o mundo acabe, como se diz. Mas a verdade é que os dias vêm e vão e a vida é isso aí mesmo: sonho e luta; dor e delícia; respiro e sufoco. E em 2012 não será diferente.

Mas aos sobreviventes e fantásticos, que vivem de fazer pequenos e grandes feitos, desejo que continuem remando contra a maré. Que continuem brigando com o destino. Que continuem reinventando a vida até que ela se dê por satisfeita. Que continuem provando que quem faz é quem decide fazer. E que continuem mostrando que, mesmo que tudo pareça dizer que não, o sim existe.

A vida costuma respeitar aqueles que a vencem nos piores embates.

Sendo um tempo de sossego ou de briga, que em 2012 aqueles que amo consigam sobreviver e se mostrarem fantásticos em cada um de seus dias. A começar por mim.

Quem viver… Verá. 🙂

“Apesar das ruínas e da morte

Onde sempre acabou cada ilusão

A força dos meus sonhos é tão forte

Que de tudo renasce a exaltação.

E nunca as minhas mãos estão vazias.”

Sophia de Melo Breyner

Feliz 2012!!!