CELEBRAR O AMOR

Sozinho ou acompanhado, feliz ou triste… Não, não deixe de celebrar o amor. Ele merece… Você merece.

Mas saiba fazer a festa. E lembre que é você, e sempre você, quem escolhe como fazer.

Celebre o amor não como um buquê presenteado, enfeitado, pomposo, cheio de flores perfeitas… Mas que estarão mortas em poucos dias. Prefira celebrar o amor como uma roseira cultivada em um jardim amplo. Aceite as rosas pequenas e tortas. Mexa na terra. Suje-se. Molhe-se. Aceite os espinhos, as pragas, as podas, as rosinhas roubadas pela grade do jardim, o vento, a chuva, a tempestade. Cuide. E não se surpreenda quando sua roseira estiver florida e forte como nunca.

Celebre o amor não como um delírio, uma alucinação, algo que lhe rouba da realidade, que ilude, que engana, que lhe tira a paz como uma doença… Que lhe possui como um demônio velho. Antes, prefira celebrar o amor como um sonho bonito, como um devaneio gostoso, como uma viagem interna que você faz quando quer, onde seu desejo flui infinito e tranquilo… E de onde você pode voltar quando achar melhor. E não admire quando os seus sonhos se tornarem realidade.

Celebre o amor… Sim, celebre. Não como uma tese de doutorado finalmente vencida, um livro enorme e difícil finalmente lido, uma sinfonia grandiosa e milimetricamente executada com perfeição, algo complicadíssimo e medido em escalas de méritos. Não, não… Deixe os méritos, as medidas, as manias esquisitas, as opiniões… Deixe tudo pra lá, de nada lhe servirá. Antes, celebre o amor como um poema, uma canção despretensiosa, uma leitura em voz alta, um rabisco sem razão, um improviso em voz e violão, um assobio… Uma serenata sem ensaio. E de repente você terá composto o que de mais lindo já se ouviu ou leu.

Celebre o amor… Não como um dom, uma habilidade mística, uma mágica, um encanto, algo tão incrível quanto inalcançável. Mas sim, celebre o amor na simplicidade do sentimento, no valor dos pequenos gestos, na luta e no esforço diário de compreender a si mesmo, de se doar a outro ser humano, de se aventurar e de vencer o medo e a preguiça. E você descobrirá poderes nunca antes imaginados… Milagres nunca antes vividos.

Celebre o amor! Não como um evento especial, uma festa, um dia ou noite de gala, um almoço formal na presença de estranhos, onde se usa sapato apertado, cabelo preso, vestido desconfortável, onde se interpreta um papel para se exibir para quem não importa. Esqueça isso. Celebre o amor como um jantar familiar bem feito durante a semana, como uma roupa que só se usa em casa, como um chinelo surrado e que acarinha os seus pés… Como o prazer de deitar no sofá e esparramar-se no chão. E então você verá que o amor é leve… Leve, leve, leve. Tão leve que deixa você leve também.

Celebre o amor não como um jogo complicado, um tabuleiro de xadrez onde se precisa pensar nos movimentos adequados, onde é necessário prever o outro, onde é necessário esconder, dizer e fazer o que é preciso dizer ou fazer para ganhar… Pisar com cuidado, calcular, pensar. Não! Jogos são para adversários. Celebre o amor como quem brinca de roda, quem improvisa, quem ri e chora com vontade e sem controle, celebre o amor como quem dança sem saber dançar, mas querendo se divertir, acertar… Levar e ser levado. E de repente você verá que venceu.

Celebre o amor de hoje… Não o de ontem, porque já foi. Nem o de amanhã, por que nem existe ainda. É o amor de hoje que lhe convida para celebrar.

Sim, celebre o amor com alegria…

Não por sua força, mas por sua sutileza.

Não por seu brilho, mas por seu segredo.

Não pelo que oferece, mas pelo que nega.

Não por suas regras, mas por suas transgressões.

Não por fazer o que você queria… Mas por fazer exatamente o que você precisava.

Celebre o amor por sua presença suave, sábia, delicada… Silenciosa. Aceite-o… Mime-o… Permita-o.  E não o deixe ir embora.

Celebre o amor como quem celebra a própria vida. J

E se ainda não conseguir… Celebre assim mesmo!

Feliz dia dos namorados!

“Ser o senhor e ser a presa: é um mistério, a maior beleza…
Amor é dom da natureza…
Amar é laço que não escraviza.”

 *PS:. Dedico esse post ao meu namorado que é tão amado, que tem se aventurado a ensinar e aprender comigo, todos os dias, o que é amar assim, desse jeito… Celebrando. 😉

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