O MELHOR ABRAÇO

Se tem uma coisa que o tempo me trouxe, foi a dura compreensão do aforismo engraçadinho do Mario Quintana: “o pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso”.

O poeta concluiu que, em horas de medo, tristeza, desespero, cansaço, doença e inconstância… Embora seja válido ( e mais que válido ) a gente buscar apoio, e recebê-lo de algumas poucas almas iluminadas que ainda se dedicam a importar-se com outras almas perdidas… Na hora H, a coisa tem que ser vivida apenas por quem precisa vivê-la. E os abraços, mensagens, telefonemas, orações, palavras bonitas e boas intenções apenas abrandam, mas não resolvem a dor. A existência humana é essencialmente solitária. E são poucos os que conseguem realmente compartilhá-la;  compartilhar é abrir mão de querer ter tudo para si mesmo; é dividir, é dividir-se, por vezes até mesmo dilacerar-se – coisa que cada vez mais desaprendemos a fazer. Como dizia minha sábia vozinha, “pela gente, só Deus. O resto é conversa.”.

Hoje, depois de passar dias e dias cuidando de outras pessoas, e outras coisas… Eu me senti profundamente cansada. E quando cheguei em casa e me vi sozinha, eu fiquei triste pensando que devia ter alguém ali pra cuidar de mim. Só um pouquinho. Só hoje. Mas não tinha.

Então fui eu mesma tomar um longo banho, separei um livro bem bacana e coloquei na cabeceira, vesti uma roupa muito confortável, deixei tocando minhas músicas favoritas ao fundo, peguei meu chinelinho, e preparei uma canja. E vou dizer uma coisa: duvido que tenha havido no mundo uma canja com gosto melhor do que essa.

Avant!

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3 comentários sobre “O MELHOR ABRAÇO

  1. É isso, querida. Lembra daquela canção de Marisa Monte, “…a dor é minha só, não é de mais ninguém.” ?

    A gente cuida e é cuidado, mas o sentimento lá no fundo é de que a dor é só nossa mesmo. Então, querida, é a gente mesmo que tem que fazer a canja (ou o sorvete, no meu caso) e se abraçar!

    E que o abraço do Pai cubra o nosso próprio!

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  2. Puxa, Karina, bom ver você voltando devagarinho. Gosto muito do que vc escreve, muito mesmo e acompanho vc faz anos. Estava triste vendo seu blog tão “quietinho”. Quanto ao que escreeu é isso mesmo, a dor é só nossa, não há como compartilhar totalmente. somos sozinhos, mesmo com alguém muito especial do nosso lado. Tenho passado por isso, já que estou com filhos criados e um neto. Nunca estive tão só como agora. Como diz Clarice “que minha solidão me sirva de companhia. Que eu tenha coragem de me enfrentar.”
    Um abraço para você…

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