ESCRITOS DE CASAMENTO I – O RITUAL

As histórias de amor podem começar do jeito mais inusitado, ou do jeito mais comum. Creio que isso não tem muita importância. Mais importante do que o motivo por que uma história começa, é o motivo pelo qual uma história continua.

Comigo e com o Marcelo foi assim. Um início confuso. De um lado, uma pessoa indisposta e machucada, cansada de tentar. De outro, uma pessoa sedenta de mudanças, mas travada pela vida. Aconteceu tudo pra separar, mas a vontade era só de unir. Aos poucos foi impossível não ficar perto. Os dois resolveram dar um passo de coragem… E pronto, estava formado um casal.

Nossa história de amor foi se construindo devagar e delicadamente, mas com muita solidez – muito mais do que eu mesma poderia imaginar.

Não sei direito onde começou a história do casamento. Ele sempre falou nisso, e de repente, eu percebi que não dava mais pra não falar. Eu, que estava morrendo de medo de sonhar novamente e não queria viver mais que um dia por vez, tive que passar por duros testes que provaram a minha fé e o meu amor. Mas deu certo! De repente, eu me vi de novo pensando no futuro… Querendo algo mais. E então… Vamos nos casar.

Nós já sofremos um tantão nessa vida. De muitos jeitos. E o tempo em que estamos juntos não é longo, mas foi intenso. Teve alegria e teve tristeza. Teve saúde e teve doença. Teve dias bons, outros nem tanto. Dinheiro nunca teve muito, mas sempre tivemos as bençãos de Deus e até aqui não nos faltou nada que precisamos. E já que a vida estava preparando essa união, não achei certo negar a mim e nem a ele o direito de fazer um casamento como a gente queria. Ficamos noivos, trocamos alianças… E começamos a planejar nossa vidinha juntos. Com festa, bolo e brigadeiro, com papel passado e um canto sossegado. Sem muita gente e  nem muita pompa e circunstância, que o dinheiro é curto e amigos são raros. Mas com muita vontade de celebrar.

É incrível como esse ritual do casamento é mesmo marcante. É incrível como provoca coisas em nós e nas pessoas ao nosso redor. Toda a indústria que existe por trás dessa celebração – abusiva e irreal, às vezes – vai se montando pra convencer que você é alguém diferente. E então, por onde você passa, as pessoas te olham diferente, te tratam diferente, te fazem acreditar que o mundo inteiro está sabendo que você é A NOIVA.

Eu nunca me imaginei assim, de noiva. Não que nunca quis casar. Já quis sim. Mas nunca tinha me visto de verdade assim, nessa condição. E agora, quando tudo vai se desenhando – o vestido, o penteado, o buquê, as flores, a cerimônia, as pessoas, os mimos, a lua de mel, a nossa casa, os votos, o bolo, os presentes – eu vou me sentindo como nunca me senti antes. Nunca fui princesa, mas imagino que elas devam se sentir assim… Especiais pra todo mundo.

Esse ritual realmente prepara a gente pra vida que vai vir. Todos os gritinhos das meninas, todos os conselhos, todos os documentos que é preciso separar, os bens, os compromissos assumidos, todas as dicas, todas as coisas que dizem e não dizem, o enxoval, as despedidas que vão sendo feitas, as coisas que vão sendo empacotadas, as malas que vão sendo montadas… Essa coisa toda de ser senhora e ir embora da casa da mamãe… Dá medo e dá alegria. São muitas despedidas para deixar de ser solteira… E muitas coisas para receber pra unir minha vida com a dele, e viver como adulta e como casal. Um momento muito especial e diferente na vida.

Estou gostando de ser noiva, porque isso é um sonho maravilhoso, o herói e a mocinha com um final feliz e uma vida pela frente. Porque antes de tudo ele, que é meu par, me viu por dentro. Ele me amou e agora quer dizer pra todo mundo que pretende fazer de tudo pra me amar pra sempre. E eu vou com ele, porque amo também. Porque viver é dar esses passos pra frente, é ter coragem e aventurar-se… Em tudo!  🙂

“Eu quero a sina de um artista de cinema
Eu quero a cena onde eu possa brilhar
Um brilho intenso, um desejo, eu quero um beijo
Um beijo imenso, onde eu possa me afogar
Eu quero ser o matador das cinco estrelas
Eu quero ser o Bruce Lee do Maranhão
A Patativa do Norte, eu quero a sorte
Eu quero a sorte de um chofer de caminhão
Pra me danar por essa estrada, mundo afora, ir embora
Sem sair do meu lugar…
Ser o primeiro, ser o rei, eu quero um sonho
Moça donzela, mulher, dama, ilusão
Na minha vida tudo vira brincadeira
A matinê verdadeira, domingo e televisão
Eu quero um beijo de cinema americano
Fechar os olhos fugir do perigo
Matar bandido, prender ladrão
A minha vida vai virar novela
Eu quero amor, eu quero amar,
Eu quero o amor de Lisbela,
Eu quero o mar e o sertão…”

 

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