(IM) POSSIBILIDADES

Esse povo podia deveria lavar a boca com sabão antes de falar de amor. É um absurdo tanta gente falando de amor desse jeito, leviano, descuidado, chamando de amor a posse, o desejo fugaz, a ilusão, a carência, o comodismo.

Mas por outro lado, esse povo deveria era falar de amor muito mais. Indiscriminadamente. Espalhar o amor por aí, e cada vez que falassem de amor, mesmo que não seja bem amor, o amor poderia ser convidado a ficar por perto, e quem sabe logo teria muito mais amor por aí.

Esse povo devia explicar pra gente como funciona essa coisa de amar, desde que a gente é pequeno. Deviam dar os passos, um por um, pra gente não fazer besteira. Quando a gente nascesse, podia ter uma bula, um guia, algo assim, ensinando a melhor idade, o melhor jeito, a melhor pessoa, o melhor momento pra amar. Quem não quisesse aprender, que não aprendesse… Mas pelo menos alguém teria ensinado.

Por outro lado, deveriam deixar cada um achar o seu jeito de amar, sem falar nada. Não deveria ter padrão nenhum, conselho nenhum, expectativa nenhuma, nenhum filme de princesa, nenhum jeito esperado. A gente deveria ter o direito de ser surpreendido pelo amor em cada passo que desse em direção a ele, e deveria ter, como tem, o direito de errar e aprender com os erros, e superar.

Deveriam criar um dicionário exclusivo só pra definir o amor. Sociólogos, filósofos, psicólogos, médicos, linguistas, biólogos, matemáticos, poetas deveriam se debruçar no assunto e chegar a um consenso, e escrever uma definição completa, precisa, definitiva sobre o amor, pra todo mundo poder saber o que é e o que não é.

Por outro lado, deviam tirar o amor do dicionário. Não adianta querer definir o que não tem definição, o que cada um sente de um jeito, o que, quando transborda, dá desespero de não conseguir dizer, e o que, quando falta, a gente acha infinitas palavras para dizer o quanto queria que estivesse lá.

Deviam fazer um dia só pra que a gente pudesse declarar o amor. Um dia de namorados, de maridos e esposas, de São isso ou São aquilo feito pra que a gente pudesse ter a chance de dizer aquilo que fica desdito todos os dias.

Por outro lado… A gente devia aprender a se declarar todo dia. E de repente, até se declara. Porque quem ama sabe que o amor não pode, não consegue, não fica quieto. Não declarações prontas, aquele “eu te amo” automático que nem ouvido é. Mas aquelas declarações que não se falam… Porque já estão ditas da maneira mais profunda que se pode dizer.

Feliz dia dos namorados!

Especialmente pro meu namorado… Que será marido muito em breve. 🙂