2013

Obviamente, 2013 será lembrado como o ano em que tive três estados civis diferentes. É algo muito triste, talvez o fato mais triste da minha vida. Posso me conformar – certamente me conformarei… Mas só muita fé pra dar conta disso.

De todo jeito, 2013 foi esse ano bipolar. Ano de causas e consequências rápidas. Ano de aprender, rir e chorar com intensidade. Um ano de todas as cores.

Um ano vermelho. Vermelho da cor da minha paixão. A paixão que descobri em mim pelas pessoas, todas as pessoas oprimidas, violentadas, diminuídas pela injustiça do mundo. O ano em que descobri que o mundo não tem uma ordem natural… Que ele é feito de todas as nossas ações e omissões. Um ano em que optei por entender melhor as mazelas do mundo… E lutar para que elas não aconteçam mais. Um ano de revolução, de revolta… Fervente.

Um ano dourado. Um ano de muitas recompensas em meu trabalho. Um ano de realização, de alegrias de quintal, de recomeço. Um ano de crianças perto, tão maravilhosas, doces, criativas, inventivas, afetuosas. Um ano de parceria com pessoas incríveis. Ano de muitos presentes, muitos mesmo, mais do que ganhei a vida toda. Ano de montar uma casa, de colocar coisas dentro dela, de usufruir desse prazer, de acertar dívidas antigas. Ano de ganhar um pouco mais, mesmo trabalhando bem mais ainda. Ano de energia e motivação.

Um ano branco. Ano de mostrar para mim mesma que a fé não é um discurso, é uma prática. Ano de amizades profundas, muito profundas e presentes. Ano de encontrar um caminho para minha espiritualidade. Ano de afetar as pessoas, de perceber isso, e de espalhar coisas, muitas coisas. Ano de influenciar os outros. Ano de buscar a paz em meio as piores tormentas. Ano que começou no branco asséptico do hospital, onde decidi ser uma pessoa diferente, uma pessoa que ama de verdade… E amei. Ano de vestido de noiva. Ano de bolo de noiva. Ano de muitas margaridas, branquinhas.

Um ano cinza. Ano de morte. Ano de luto. Ano de perdas. Ano de roubarem coisas minhas. Ano de lidar com muita inveja e destruição. Ano de observar, impotente, a dor de tanta gente próxima – e oferecer abraço. Ano de receber abraço quando não tinha forças pra me manter em pé. Ano de despedidas… Ano de lutas que não deram em nada. Ano de ver morrer gente que eu amava. Ano de ver morrer, também, a alegria em tanta gente, e também em mim. Ano de ver as crianças crescendo e virando gente grande. Ano de perder a inocência. Ano de enterrar tudo isso, à força, com força, pela força… Ano de ver o céu totalmente nublado, sem nenhuma esperança de sol.

Um ano rosa. Um ano de amor. Ano de casar. Ano de receber tanto carinho. Ano de mudar de ideia. Ano de aceitar o outro como é. Ano de experimentar a convivência a dois. Ano de despir o corpo e a alma pro outro. Ano de me descobrir mulher de verdade. Ano de dividir tudo que é meu. Ano de pedir colo. Ano de companheirismo. Ano de beijo. Ano de ser feliz, densamente feliz, o ano do dia mais feliz da minha vida. Ano de acertar contas de relações antigas. Ano de reencontrar um monte de gente querida. Ano de afastar gente que não compõe. Ano de conhecer tanta gente nova e legal. Ano de liberdade, de alegria, de perfume suave. Ano de saudade boa.

Um ano multicolorido… Que rodou, rodou, rodou… E cá estou eu, remexida por dentro, definitivamente tingida… Pintando as minhas paredes de dentro de transparente, pra pensar o que desenhar em 2014.

Mas isso é outra coisa… Tanto que nem vale ficar no mesmo post. 2013, você será assim em minha lembrança- intenso, forte, dorido e feliz, em si mesmo, todo e isolado. Um ano que me fez voar… E me derrubou. Mas não guardo mágoas, 2013… Não tenho espaço pra guardar mágoa de nada nem de ninguém.

Porque, apesar de tudo, e por causa de tudo… 2013 foi o ano em que, entre os escombros, eu sobrevivi. Estou viva. E pronta pra 2014.

“Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

Vamos celebrar

Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou

Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos”

 

Anúncios

2 comentários sobre “2013

  1. Querida, você “resumiu” seu ano de uma maneira belíssima!
    Meu ano também teve várias cores, não tão intensas quanto as suas, mas terminou sem graça, #coisado, como apelidou a Jady, uma querida amiga que também mudou de estado civil sem querer…
    Espero, sinceramente, que 2014 não nos traia.
    Beijo imenso,
    Bel

    Curtir

  2. Kari querida, há algum tempo não passava por aqui…

    Como sempre, você me surpreendeu. Se é que ainda posso dizer que me surpreendo com sua infinita capacidade de escrever palavras tão bem estruturadas para expressar seus sentimentos…

    Fico pensando como ainda não te descobriram???

    Kari, quando te leio me sinto tão vazia… é uma sensação muito triste sabia? Me sinto sem conteúdo, sem ter um foco… com uma sensação de que falta quase tudo pra melhorar dentro de mim. Cada vez que te leio, paro para refletir um pouco sobre mim.

    Amiga… TE AMO MUITO!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s