SURRENDER…

 

Ah, o som de algumas palavras da língua inglesa… Gosto muito de algumas delas. Quando ouço “still”, “wonder”, “baby”, “mommy”, “rainbow”, “trust”… Acho o som lindo, independente do significado. É uma questão da língua e das sensações físicas que ela causa em pessoas como eu, que amam as palavras e tudo que elas ajudam a dar sentido. Mas nenhuma palavra da língua inglesa me parece mais linda que surrender.

Gosto do som… Mas gosto mais ainda do significado. Surrender , verbo ou substantivo, significa “render-se”. Entregar-se… Deixar de resistir, de tentar fugir, de tentar manter-se a salvo. Levantar os braços e dizer, “eu desisto!”. Significa também resgatar algo, no sentido de pegar de volta o valor investido. Significa, ainda, ceder… Entregar o ouro, deixar pra lá, desistir da discussão, dar-se por vencido.

Sim, este é o famigerado post de dia dos namorados do Mafalda Crescida, e cá estou eu divagando sobre a origem e o significado das palavras. É que eu acho que não se faz amor sem surrender. Aliás… Amar é muita coisa, mas principalmente… Surrender.

Pessoas que já caminharam alguns quilômetros na estrada da vida – que tem grama fresquinha, algumas flores, mas muitos trechos de pedregulhos – e que já machucaram bastante os pezinhos pisando nas pedras, acabam ficando com duas alternativas: ou sangram… Ou calejam. E muitos de nós, calejados ou doridos, acabamos escolhendo parar de caminhar… Ou continuar caminhando, mas com botas pesadas, meias de proteção e muito cuidado. Não queremos mais correr. Não queremos mais sentir o frescor da grama, e nem a delicadeza das flores. Não queremos pisar firme. Nos armamos dos pés à cabeça para evitar a dor, o sofrimento. E não surrender.

É que quem surrender pode ser considerado fraco. E ninguém quer ser fraco. Ninguém quer ser carente. Ninguém quer ser manipulável, ou sensível. Ninguém quer ser considerado boboca. Ninguém quer ser vencido. Ninguém quer ser levado no bico. Ninguém quer perder. Ninguém quer abrir mão das próprias manias, os próprios objetivos, os próprios sonhos pra dividir coisas com alguém que pode simplesmente deixar sua fortaleza arrasada e destruída, no chão… Mas pode também lhe levar pro céu. Minto. Quem ama, não. Quem ama, surrender. Quem ama quer e precisa surrender. Porque não dá pra saborear o melhor pedaço do amor sem baixar as armas e surrender.

Surrender pode ser tanta coisa. Pode ser admitir o encantamento, mesmo correndo o risco de o outro nem ter olhado direito pra você. Pode ser ter coragem de ligar, de convidar pra sair a primeira vez, de tentar. Surrender é aquela sensação incrível de medo e desejo que vem antes do primeiro beijo, quando você arrisca tudo e se joga num abismo, sem saber onde vai cair. Surrender é dispor-se… Dispor de tempo, de dinheiro, de sentimento. Surrender é aventurar-se. Surrender é ir sem jogar pedrinhas pensando no caminho da volta.

Mas, depois dos primeiros passos… Surrender passa a ser mais. É mesmo essa coisa de se render. De entender que não dá pra evitar dizer “eu te amo”, de procurar quando a saudade vem, de rearranjar toda a sua agenda pra ficar junto, de deixar todo o medo de se machucar de novo. É mais forte que você. E por isso, você surrender.

Surrender é mesmo também essa coisa de investir e resgatar depois. Tudo que você dá, o outro percebe e recebe… E acaba te dando de volta. Algumas vezes você fica em débito, outras em crédito. Mas o amor também é essa balança comercial em que a gente coloca tudo que tem, esperando render. E é uma delícia quando chega aquele momento de usar o que você economizou e investiu daquele jeito suado… E aproveitar, usufruir. Surrender a fundo… E ser feliz.

Não ama quem não surrender… Quem não aprende a perder, a ceder. Quem não abre mão de dizer o que pensa pra não desagradar. Quem não deixa pra lá algumas coisas que gosta ou precisa fazer pra passar algum tempo junto. Quem não perdoa. Quem não aprender a deixar de fazer questão da sua opinião, do seu estilo de vida, das suas coisas em benefício do outro, e ainda sentir prazer por isso. Não ama, pelo menos não plenamente, quem não se doa… Quem não tem paciência pra acertar as arestas. Isso não é mágica… É esforço. É surrender.

É uma delícia quando alguém se surrender por você… Pra você. É tão bom quando alguém baixa a guarda e se rende, e diz, tá legal, você venceu, faz de mim o que quiser, estou todinho ou todinha aqui, sou seu prisioneiro, sua prisioneira… E gosto de ser.

E também é bom quando você percebe que não adianta… Você está completamente surrender por alguém, pra alguém. É aquela sensação de se jogar em um rio do alto de um penhasco. O perigo é grande… Mas nada se compara à sensação de voar, e mergulhar. Uma delícia. Imagina só, se você sobreviver… Que história linda vai ter pra contar.

Neste dia dos namorados, meu caro defendido, minha cara protegida… Não se acanhe. Se joga. Pula. Vai. Surrender!

Eu estou indo de novo. E está sendo muito bom. J

“I´ll let you stay with me, if you surrender…”

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