OS 15 AMIGOS DO AMOR – DESEJO

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Queridos noivinhos,

O velho Freud, grande entendedor da alma humana, afirmava que o desejo era a energia que fazia o motor do instinto de vida funcionar. Sem desejo, não há vontade de vida, não há motivação, não há razão pra continuar.

O velho Nelson Rodrigues também falava de desejo, de paixão. Sem paixão, dizia ele, não é possível nem mesmo chupar um picolé. A vida sem paixão, sem desejo, é uma coisa muito triste. Sem graça. Sem mudança. Sem vontade. Sem alegria.

Por outro lado, sabemos da crueldade do desejo quando ele fica grande demais e nos toma. Vocês se apaixonaram um dia, sabem do que estou falando. A paixão é fogo que nos consome, nos queima, nos atrai tanto quanto nos repele, que nos deixa bobos e sem rumo.

O desejo pode nos tornar alguém possessivo, ciumento, inconsequente, paranoico… Obsessivo. Tal como o remédio, a diferença entre o veneno e a cura está na dose. Tal como o sal que colocamos na comida, o desejo precisa ser dosado. Sem ele, não tem sabor; com muito dele, tudo fica amargo e rouba todo o brilho do prato servido.

Não estou falando apenas de sexo, de atração física. Isso é muito importante, e pode, muitas vezes, sustentar um relacionamento quando outros aspectos vão mal, até que tudo se equilibre novamente. Mas paixão, desejo, vai além disso. O desejo que se expressa no corpo, no toque, no tesão pode começar em outros caminhos. As pessoas que amam sabem que o desejo que termina no corpo, começou por dentro, na ânsia de encantar-se com a alma de alguém, com a inteireza de alguém.

Noivinhos, eu espero que vocês sempre se desejem. Desejem ardentemente esperar o final de um dia cheio de trabalho para se encontrarem. Desejem muito contar um pro outro algo que descobriram, que pensaram, que sofreram. Desejem bastante contar com a companhia do outro pra ver um filme, ou passear, ou aprenderem algo juntos, ou curtir uma viagem, ou comer algo que gostem. Que desejem dividir a vida, dos aspectos mais bestas do cotidiano aos momentos de grandes e completas mudanças.

Que vocês mudem, sim, que ninguém pode ficar parado. Mas que a cada mudança, física ou de personalidade, vocês consigam surpreender um ao outro e morrer de desejo novamente, e assim continuarem juntos. Muitas vezes, esse processo não é natural; é preciso alimentar a chama, colocar mais lenha, mais carvão, abafar para maneirar o fogo, encher de vento para a chama reacender. Se for preciso pensar e trabalhar para que o desejo volte… Façam.

Em inglês, se diz que alguém “cai” de amor. Paixão é isso. Ela quebra nossos joelhos, nossa postura arrogante e tão segura de si, e nos coloca deliciosamente prostrados diante de uma outra pessoa que, pela confiança, merece a nossa entrega. O desejo cega, mas também pode nos abrir os olhos. A paixão nos faz aptos a ceder quase tudo pelo desejo de estar, tocar, ter, fundir-se com a outra pessoa.

Uma pessoa apaixonada não conhece dificuldade, nem desafio. Enfrenta tudo, vai a qualquer lugar, fica sem dormir, suporta coisas que ninguém imaginaria. O desejo é força!

Portanto, que não lhes falte e nem lhes sobre desejo, queridos noivinhos. Assim, o amor de vocês será sempre, sempre cercado desse instinto de vida que nos faz seguir em frente.

Até a próxima!

OS 15 PARCEIROS DO AMOR – AMOR E CUIDADO

Queridos noivinhos…
Apresento a vocês os 15 parceiros do amor.

Sim… Porque amar não basta. Infelizmente… Não. Há tanta gente que se ama e não consegue estar junto; tanta gente que está junto e não se ama. Para fazer uma vida a dois, é preciso um pouco mais que o amor. O amor é tão completo, tão grande e tão poderoso, mas, vejam só… Ele sozinho não se basta.

Vocês podem achar que esses 15 parceiros são apenas partes do amor, conteúdos dele. Como ingredientes de um bolo delicioso – sozinhos, são sem graça, mas quando unidos, na medida certa, e passando por um grande processo químico de transformação e mistura… Dá um bolo delicioso. O bolo do amor que vocês irão, aos poucos, misturando, assando, transformando, temperando, acertando, enfeitando, provando, conforme avançam os dias do casamento de vocês. Pode ser, sim, que esses 15 elementos sejam parte de uma coisa só. O importante é que vocês, queridos noivinhos, pensem sobre isso e preparem os seus corações para essa experiência maravilhosa que vai começar/continuar no dia seguinte ao que vocês vão amanhecer casados. 😊

Comecemos pelo parceiro mais necessário do amor – o cuidado.

Vocês estiveram no almoço do meu casamento, e levaram pra casa a lembrancinha em que marido e eu anotamos os versos de uma antiga canção, que dizia assim:

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Todo dia, noivinhos. Não tem outro jeito. Não dá pra pular, não dá pra tirar férias e esquecer, não dá pra descuidar, não dá pra terceirizar essa tarefa. O amor é como a flor… Tem que regar todo dia. E quem rega, na imensa maioria das vezes, são vocês.

Aqui em casa tenho várias plantas. As plantas são metáforas poderosas para a vida. Cada uma delas é de um jeito, precisa de uma coisa, tem seu tempo, tem as suas necessidades e nos dá um tipo de trabalho diferente, tem suas épocas de floração e de poda. O trabalho da jardinagem é muito delicado. Exige observação, método, espera, estudo, tentativa e erro. Não pode ser demais, não pode ser de menos. Há um cuidado automatizado, como a rega, que trata das coisas básicas. Mas há também um outro tipo de cuidado mais sofisticado, que garante que observemos se a quantidade de luz está suficiente, se o lugar está bom, se há ervas daninhas em volta, se há pulgões, se há manchas estranhas. Aprendi com o Ricardo que pra dar certo o cultivo das plantas, é preciso gastar tempo, não desistir delas na primeira murchada e ter ações voluntárias e conscientes de cuidado. Assim também é o cuidado do amor.

A gente rega o amor quando não economiza sorrisos; quando está sempre pronto pra dar uma risadinha cúmplice, um carinho extra, um mimo inesperado. A gente rega o amor com o nosso ouvido pro outro, mesmo quando tivemos um dia tão cheio que só queremos falar. A gente rega o amor quando se preocupa ( e quando demonstra a preocupação ), quando cozinha, quando deixa um recado e sai de fininho pro outro dormir um pouco mais, quando pega uma roupa que caiu no chão, quando, mesmo cansado ou cansada, se levanta pra fazer uma gentileza… Quando faz algo que sabemos que o outro gosta. Se rega o amor quando se pega no pé pro outro cuidar da saúde, quando dá um conselho, quando mostra interesse pelas coisas que são importantes pra ele ou pra ela. Nada disso é um evento grandioso, nada disso precisa aparecer em letreiros luminosos. Mas sem isso e tantas outras coisinhas, a plataforma de cuidado vai sendo desmontada, e em pouco tempo o amor desmorona junto com ela.

Cuidar do outro pode ser um prazer, um vício até. Mas pode também não ser fácil. Não é todo dia que queremos deixar da nossa preguicinha, do nosso egoísmo, do nosso ego pra dedicar à outra pessoa um pouco de cuidado. Não é todo dia que conseguimos resistir à tentação de usar o cuidado como moeda de troca, de usá-lo como meio de oprimir e jogar culpa no outro, de cobrar pelo que deveríamos ter feito de graça. Isso, muitas vezes, não é fácil. E, devo admitir, às vezes, esquecemos de regar as plantinhas aqui de casa, e quando olhamos para elas, estão murchas, secando, cheia de manchas, atacadas por ervas daninhas. Mas, quando o cuidado está presente em nosso cotidiano, dá tempo de recuperar e seguir em frente. E nossas plantas estão aqui, lindas, cheias de vida… Assim como nosso amor.

Quando tiverem vontade de cobrar o cuidado do outro, é aí, é justamente aí que vocês precisam cuidar mais ainda. Uma vez li algo que alguém escreveu que dizia que a porcentagem de cuidado nunca é igual, nunca é 50%, 50%. Aqui em casa também funciona assim. Umas coisas eu cuido quase 100%, e o Ricardo, quase nada. De outras, ele que cuida, e eu apenas recebo o cuidado. Às vezes cuidamos em proporções iguais, mas na maior parte das vezes, ele cuida 70%, eu 30%, ou eu 40%, ele 60%. Não importa. No geral, o resultado é bom. Cuidamos um do outro 100%, cada um com suas habilidades, suas facilidades, seu jeito de ser. E quando sinto que algo falhou, não dou um passo pra trás para acusar, e sim um passo pra frente, pra acolher. E nisso o nosso cotidiano é cheio de cuidado.

Noivinhos queridos, cuidem um do outro. Domem as suas naturezas para deixar o outro confortável. Preocupem-se. Esforcem-se. Tragam alegria pra dentro de casa. Façam o automático, mas façam também o sutil. Surpreendam. E se os dois fizerem isso… Ninguém precisará se preocupar. Estarão cuidando, e sendo cuidados, num círculo infinito de amor que se fortalece e vai fazer vocês felizes.

O cuidado é a expressão concreta do amor.

Até a próxima! ❤