2019

 

Tinha tudo pra ser um ano ruim. E foi. Eu sabia. Por isso não quis nem falar disso quando 2019 chegou.

O mundo está doente, louco e agressivo. E bateu feio. Foi todo dia um leão pra matar. Às vezes fui devorada, às vezes ganhei a briga. Mas segui. Porque não tem outro jeito de viver a não ser vivendo.

O país está desmoronando. E não há muito o que eu possa fazer pra evitar. Na verdade, quase nada.

No trabalho, só desmonte, destruição, notícias ruins, chefe péssima, atraso, estranhamento do lugar que antes eu considerava minha casa, meu porto seguro. Na verdade, não existe porto seguro possível além de mim, e é horrível perceber isso. Foi ano de pensar em desistir. Muitas e muitas vezes.

Foi um ano de dor, muita dor. Na coluna, nas mãos, nos pés, na cabeça. Ano de envelhecer bem rápido, e entender minhas limitações. Não, não dá mais pra fazer tudo que eu fazia antes. E não é nada legal ver isso acontecer.

Foi também um ano de decepção com tanta gente. Gente cheia de ódio, de tristeza, de egoísmo, que eu não quero mais perto, e na verdade… Nunca quis. Ano de entender que todo mundo erra, e alguns erram de propósito, e com esses… Não há muito o que fazer.

Ano de destruição. Da natureza, do trabalho, das relações. Ano de ataques gratuitos, injustiça, desconsideração, desrespeito.

Mas aí vem a surpresa da vida.

2019 foi um ano de resistência, recomeços e resiliência. E, para mim… Até que foi um ano feliz.

Foi ano de amar muito a minha família. De ver as crianças crescendo, de amar meus irmãos e cunhadas, de cuidar da minha mãe, de aprender a fazer isso, e olha que não é fácil.

Foi ano de aprender a cuidar de mim, e me deixar cuidar. De pedir ajuda, de me permitir gastar tempo no dentista, na psicóloga, na fisioterapeuta. Ano de relaxar um pouco e investir na minha saúde, e terminar me sentindo muito melhor do que quando comecei.

Foi ano de me casar de novo. De colocar um ponto final no processo de luto, de deixar o passado e olhar pro futuro. De amar muito, e de ser muito amada, de mudar de planos, e achar isso uma delícia. Foi ano de tanta alegria cotidiana, que dava até pra esquecer da maldade fora das minhas portas e janelas.

Foi ano de uma turminha linda na escola, como as crianças são lindas. E alegres. E sábias. E fofas. E engraçadas. E carinhosas. E como elas me dão um pouco de toda essa grandeza delas todo dia.

Foi ano de reinventar um monte de coisas. E aprender com isso tudo. E entender que eu vou estar sempre aprendendo. Ano de muito reconhecimento, de fazer coisas incríveis, de ver o que construí no trabalho e na intelectualidade valorizado em um monte de lugares. E como foi bom e importante tudo isso.

É, 2019… Foi um ano horrível. Mas muito bom. Como é a vida. Alternando sempre entre a melancolia e o gozo, entre o desespero e a esperança, entre os altos e baixos, entre as boas e péssimas surpresas, entre a miséria e a fartura. No meio de tudo isso, tem eu.

Que venha 2020, que vou continuar vivendo. É o que me resta. E é o que eu quero. 366 novos bons dias pra mim. E pra todos e todas que gostam de mim.

“Um dia na vida da gente, um dia, sem nada demais… Só sei que eu acordo e gosto da vida, os dias não são nunca iguais…”

 

2 comentários sobre “2019

  1. Eu queria comentar cada tópico abordado nesse texto… mas seria impossível. Então tive uma ideia: que tal vc aproveitar as férias e vir comentar esse texto aqui, comigo? 😉
    Te amo, minha linda! E que 2020 seja ainda melhor!!!

    Curtir

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