0S 15 PARCEIROS DO AMOR – AMOR E CONSCIÊNCIA

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Queridos noivinhos…

Muitos poetas, artistas, filósofos e cientistas descrevem o amor como algo mágico, fenomenal, uma espécie de ilusão doentia a qual nos submetemos por variadas e intensas razões. Muitos deles são pessimistas em dizer que o amor romântico não é uma realidade possível.

As pessoas fatalistas dizem que o amor sempre acaba, e pra muitos e muitas, essa é uma verdade. É só olhar, vocês devem conhecer inúmeros casos, deve ter acontecido com vocês. Aquele amor que parecia forte, indestrutível, eterno, de repente se esvazia e morre. O amor com prazo de validade ( prazo, esse, cada vez mais curto ) é algo que não podemos negar. Mas tem gente que supera isso, e vive um amor a vida inteira. Gente que renova o amor antes que ele morra, e o faz renascer. Gente que dá certo. Qual é o segredo deles, delas? O que faz e vai fazer um amor durar pra fazer vocês, e tal qual o desejado final dos contos de fadas, serem felizes para sempre juntos? A resposta é rápida, mas difícil de concretizar. Para um amor durar, não podemos deixar de convidar a consciência para a vida a dois. Consciência, verdade, realidade… Coisas que nos fazem pegar nossos sonhos e colocar neles os alicerces que precisam para ficarem de pé, e resistirem às tempestades da vida, antes que desmoronem. Os sonhos de amor são lindos, precisamos deles. Mas os alicerces são necessários, e precisamos nos esforçar pra construí-los enquanto temos força.

Para escrever esse texto, recorri aos manuais. Peguei o livro de Stendhal, escrito lá em 1820, “Do Amor”, em que ele diz que, para amar, precisamos cristalizar o outro, colocar sobre ele, ela um véu que esconda seus defeitos, para que esse outro nos pareça sempre perfeito e admirável. Fui também consultar Ovídio, que escrevia desde o ano 10 a.C., e poeticamente contou em seu livro “A Arte de Amar” o delicioso e delicado jogo da sedução. Se amar é um sentimento, também é uma habilidade, e ele nos ensina muito sobre ela em meio aos seus conselhos um tanto antiquados, mas cheios de sabedoria. Para ele, o amor que dura é aquele em que há a preocupação consciente de seduzir o outro todo o tempo – nunca há jogo ganho. Fui também reler “A Arte de Amar” do psicanalista Erich Fromm, dos anos 50, em que ele defende que nenhum amor se sustenta apenas na emoção; é preciso, como toda arte, esforço, técnica e reflexão. E reli também um dos meus contos favoritos, “A Bela e a Fera”, talvez o único que fale realmente de amor, segundo o psicanalista Bruno Bettelheim, em seu polêmico “A Psicanálise dos Contos de Fadas”.

Bruno diz que, para entender o amor de verdade, precisamos antes conviver com o lado fera, o lado bestial do outro. Aprender a enxergar seus defeitos, suportá-los, conviver com eles, e apesar deles, construir uma vida a dois; aí sim, o príncipe e a princesa aparecem. O amor bom é aquele que nos transforma no mais bonito que podemos ser.

Para amar alguém, é importante que idealizemos algumas coisas. É importante que deixemos pra lá algumas coisas que nos irritam, que relevemos, que perdoemos, que justifiquemos até mesmo o injustificável. Todos temos coisas tristes, arrogantes, medíocres em nós, e o olhar generoso do outro nos perdoa e nos levanta. Mas não para sempre. E aí está o ponto em que muitos amores se esvaem… De repente, tiramos o véu, deixamos de admirar, e a consciência das coisas nos alcança de uma vez. Muitas vezes é bem aí que o amor vira outro sentimento, ódio, descaso, e até indiferença. O veneno que mata o amor está tanto na resistência em mudar a nós mesmos quanto na desistência de investir no outro.

Mas com vocês, noivinhos, vai ser diferente. Vocês vão usar a cabeça pra fazer o amor de vocês dar certo. Vão ter paciência de corrigir o outro com carinho, e também de acolher a reclamação do outro e mudar, quando for necessário. Vocês serão generosos no perdão das bobagens que todos fazemos, e acharão saídas criativas para os problemas. Vocês vão respeitar os combinados que fizerem, sejam eles quais forem. Serão leais e fiéis ao que combinarem. Vocês vão respeitar um ao outro, não vão usar o que sabem, a intimidade de vocês, como arma para atacar o outro no momento de raiva e fragilidade. Vão aprender, todos os dias, o jeito melhor de se expressar; não vão, como disse o poeta, deixar de dizer o que incomoda, “prender o choro e aguar o bom do amor”. Ah, queridos noivinhos, vocês serão mais espertos e vão usar a consciência a favor de vocês.

Vou propor um exercício, e espero que vocês o façam. Peguem um papel, cada um de vocês dois. Escrevam 5 defeitos que enxergam um no outro, coisas que irritam vocês. Não mostrem, apenas escrevam, dobrem e lacrem esse papel, e guardem juntos em um lugar especial. Daqui um tempo, quando estiverem bem cansados, tristes um com outro, em uma grande crise… Abram esse papel juntos e olhem. Vocês verão que estarão brigando e decepcionados por coisas que sabiam desde o início. O que muda é a decisão de continuar amando.

Que a cada crise, a cada noite escura, a cada revelação do lado ruim de cada um de vocês, vocês se lembrem dessa decisão de amar apesar de tudo. Que o amor de vocês seja profundamente consciente da humanidade, limitação e carências de cada um, e do outro, e que vocês, por isso mesmo, por se amarem… Se melhorem todos os dias, como um presente para o outro.

Ouçam a canção, leiam o poema… E que sempre, sempre haja amor e consciência pra recomeçar.

Até a próxima!

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