E ELES SE FORAM…

Um dia, não sei quando, eu comecei a ter paixão por livros. Paixão mesmo. Como todo amor de longa data, temos fases mais apaixonadas, eles e eu, e fases mais distantes. A Internet roubou um pouco da minha atenção. Mas não há um dia na vida em que eu não esteja perto de livros, mexendo com livros, querendo livros… Lendo.

Cada livro que tenho na estante me lembra um momento, uma pessoa, alguém, uma fantasia que vivi ( ou que gostaria de viver ). Cada um deles tem uma história, um valor ( que nada tem a ver com preço ), um lugar marcado no móvel. Amores mais que amados, companheiros inseparáveis… Muitos dos quais eu nunca me separaria.

Mas nunca é muito tempo. E para que serve um livro, se não for pra ser lido? Por isso achei tão bacana a ideia de abandonar um livro em lugares estratégicos para que sejam apanhados por outros. A ideia de libertar livros, doando-os para bibliotecas, escolas, lugares onde as pessoas gostam de ler; a ideia de fazer os livros viajarem em intercâmbios com os amigos ( dar alguns e receber outros, e lê-los, e dá-los de novo ); a ideia de ofertar a amigos e parentes livros usados em dias especiais, como quem dá o que tem de melhor a quem mais ama; a ideia generosa e genial de desprender-se, desfazer-se de um livro para que outros possam usufruir de seus benefícios… De seus milagres.

Já fiz isso algumas vezes. E desta vez entrei no Book Crossing Blogueiro, a convite da minha amiga mais que querida Anabel Mascarenhas. A intenção era libertar e libertar-se de um livro, ou dois, ou três, ou dez, deixando-os em lugares especiais e depois contando a experiência.

Acompanhei posts de várias pessoas interessantes sobre o assunto, mas demorei a me organizar. Passei da data. Para mim, não é tão fácil desprender-me. Não das coisas, mas do que significam. Mas no feriado de 1º de maio, consegui finalmente participar.

Escolhi dois livros. O primeiro, “Feliz por Nada”, de Martha Medeiros. Gosto da escrita emotiva, clara e simples da Martha, cronista de primeira linha, sempre puxando o fio das coisas simples do cotidiano que levam aos sentimentos mais profundos. É muito parecido com o que eu faço aqui, no Mafalda Crescida, desde junho de 2003, quando ele começou. “Feliz por Nada” é um apanhado de crônicas publicadas. Comprei na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, um sonho de livraria, justamente quando estava recepcionando, com muita alegria, Anabel, seus pais e seu filho aqui em São Paulo. Ela comprou, fiquei com vontade de comprar também, e assim o fiz. Li cada uma das crônicas devagar, praticamente uma por dia, me apossando das reflexões poderosas da Martha. Foi uma leitura deliciosa. É um livro que eu gostaria muito de guardar. E por isso mesmo, deixei que fosse, antes que criasse poeira aqui em casa.

O segundo livro, “Você Pensa o que Você Acha que Pensa? – um Check Up Filosófico” tem uma história interessante. Comprei um exemplar por acaso, e comecei a ler. Achei interessantíssimo. O livro tenta revelar as incoerências do pensamento a partir de testes lógicos e reflexões bem casadas umas com as outras. Um livro desafiador, agressivo, mas excelente para abrir os olhos. O emprestei para dois amigos, que o devolveram intrigados depois de lerem. E comprei um outro exemplar para dar de preente de aniversário a alguém que, na época, sei que se interessaria bastante pelo conteúdo. Mas meu presente foi sumariamente rejeitado, sem sequer ser aberto, devido a razões absolutamente ocultas pra mim. Acho que a pessoa queria, mesmo sem saber, me magoar definitivamente. E por essas e outras, conseguiu. E fiquei com o livro, lembrança dessa dor, por um bom tempo, sem saber o que fazer com ele. Hoje, liberta do péssimo hábito de guardar marcas concretas de episódios como esse,  fiquei com vontade de me desfazer do livro e da rejeição que ele significou.

Preparei a despedida. Deixei um bilhetinho, escrito à mão, em papel bonito, dentro do livro, explicando que não era um liv ro perdido, e sim um livro abandonado, deixado propositalmente para que fosse encontrado novamente.

Escolhi o lugar. Um lugar onde adoro ler. Um lugar onde já passei muitas horas lendo. Um lugar onde o por do sol é lindo, onde eu gosto de estar e onde as pessoas estão calmas, tranquilas, reflexivas, de portas e janelas abertas.

O Parque Cidade de Toronto é delicioso aos finais de tarde. Fomos, meu amor e eu, dar uma voltinha sob o sol e cumprir minha missão. O livro da Martha deixei em um banco perto do parquinho das crianças. Lugar onde as pessoas se sentam observando a risadaiada e correria dos pequenos, e onde podem pensar como é bom sentir-se feliz por nada… Como pode ser simples a felicidade.

O livro de Filosofia aplicada deixei em frente ao banco onde as pessoas sentam-se diante do sol, para admirar o vai e vem da vida, onde eu mesma gosto de fazer as mais profundas reflexões.

Não nego, não foi fácil virar as costas e ir embora. E se ninguém os quisesse? Não estariam melhor acomodados comigo? E se quisesse voltar a lê-los? E se chovesse de repente? E se quem achasse não entendesse o gesto? E se os pegassem e jogassem em uma caixa de achados e perdidos, sem ler o meu recado?

Mas liberdade tem a ver com isso mesmo… Com o inesperado, com o imprevisível, com um leque enorme de possibilidades que podem acontecer. Liberdade tem a ver com deixar ir… E com ir. E tomara que meus livros possam ir, e ir, e ir, espalhando as sementes que deixaram em mim por aí, fazendo o seu literal papel valer a pena. Eles se foram… Mas estão em mim.

SELEÇÃO PARA CURTIR UMA DOR DE COTOVELO EM GRANDE ESTILO

Este post foi encomendado por uma pessoa que estava precisando de uma ajuda. Mas pensando bem, essa seleção vive rodando no meu som. Se sofrer é inevitável, é bom saber que ao menos se pode sofrer com classe.

1. “O Grande Amor“, João Gilberto e Stan Getz

Tom Jobim e Vinícius sempre foram bons em, singela e genialmente, traduzir os sentimentos dolorosos do coração. “Anos Dourados“, por exemplo, que Tom fez com o Chico, é tão maravilhosamente emotiva que arrebata até os corações mais céticos. “O Grande Amor” não tem letra genial, mas tem uma melodia tocante. Fica linda na voz chorosa de João Gilberto. Mas é o sax do Stan Getz que mata qualquer coração dolorido. Vale a pena conferir o álbum todo.

2. “O Mundo é um Moinho“, Cartola

Considerada uma das mais lindas canções brasileiras. Quer ir embora? Vai. Mas depois não diga que eu não avisei. Poeticamente.

3. “Velho Arvoredo“, Elis Regina

Amores mal resolvidos podem ficar anos e anos quietinhos, guardados em caixas interiores aparentemente bem fechadas. Mas a Elis canta divinamente a amargura de quem vê seu coração endurecer aos poucos em ir perdendo a esperança de um dia… Ah, quem sabe um dia.

4. “How can you mend a broken heart?“, Al Green

Faz muito tempo que muita gente faz essa pergunta. Mas desconfio que não tem jeito, não. Quebrou… Quebrou. Triste, mas muito bem feitinha.

5. “Crying“, Roy Orbison

O João Bosco também chorou em uma música ao ponto de fazer a gente chorar com ele. Mas o Roy Orbison, com muita simplicidade, também chora e faz a gente pensar como é duro gostar de quem não gosta da gente, e ainda assim, passado o tempo, perceber que não esqueceu. Haja lágrima.

6. “Crazy“, Julio Iglesias

Canção bem antiga e regravada por um monte de gente. Mas o estilão romântico do Iglesias pai, e o sax cortante do Dave Koz fazem dessa versão uma ótima companheira para aquelas piores noites, em que você realmente acha que vai enlouquecer de amor.

7. “Último Desejo“, Noel Rosa

Noel Rosa era um compositor cheio de bom humor e delicadeza, vide coisinhas lindas como “Três Apitos“. “Último Desejo”, uma de suas últimas pérolas, também foi regravada dezenas de vezes, e todas ficam bonitas. A letra é forte. E a melodia, tristinha. O final, surpreendentemente, chega a ser engraçado. No fim, só nos resta mesmo rir dos grandes amores malvados.

8. “Arranha-Céu“, Zé Renato

Música antiga, do cancioneiro de Silvio Caldas, e aqui cantada dolorosamente por Zé Renato ( a versão do disco tem um acordeon lindo ao fundo ). Você sabe o que é esperar por quem não vem? Esses aí sabem.

9. “A Outra“, Los Hermanos

Embora o tema dessa canção seja bastante específico – o maldito triângulo amoroso -, e embora a melodia seja tão propositalmente clichê, a letra é tão sincera que serve para purgar vários tipos de lágrimas de amor. Pedir pra um amor ir embora é das coisas mais difíceis que há para se fazer. Mas às vezes é preciso. Antes que a dor sangre demais.

10. “De Tanto Amor“, Roberto Carlos

Roberto Carlos é o rei da canção romântica, isso todo mundo sabe. A cena do adeus, a última conversa, a perspectiva do vazio da vida sem aquela pessoa… Ai, quanta tristeza. Se fosse um som… Seria “De tanto amor”.

11. “Samba de um Minuto“, Roberta Sá

A raiva e a mágoa são apenas dois dos muitos sentimentos que embalam a dor de cotovelo. Essa música é daquelas pra cantar com raiva mesmo. Às vezes ajuda.

12. “Turn me On“, Norah Jones

Blues, blues, blues. Uma das letras mais lindas que conheço. Você sabe o que é esperar por quem não vem? Ela também sabe.

13. “Everytime we say goodbye“, Simply Red

Cole Porter é o rei dos standarts românticos, e como todo rei, foi reverenciado por muitos artistas que regravaram suas músicas. Além do U2, que regravou fantasticamente “Night and Day“, o Simply Red fez um estrago ao gravar tão linda a dor de quem vê o ser amado partir… Aos poucos, e sempre. De encher os olhos de água.

14. “Faltando um Pedaço“, Djavan

Fortíssimas e verdadeiras metáforas sobre o amor. “Um lobo correndo em círculos pra alimentar a matilha”… É… Dureza.

15. “Haja o que houver” Madredeus

Como o blues, o fado é chorão por natureza. Esse aqui é pura poesia melódica. Você sabe o que é esperar por quem não vem? Eles também sabem.

16. “With or Without you“, U2

Certos amores são impossíveis. Não podem acontecer. Não podem deixar de acontecer. E nesse meio tempo, tem o U2 com essa canção tocante e essa guitarra tão aguda, de espremer sumo do coração. Ui.

17. “Iracema”, Adoniram Barbosa e Clara Nunes

Tem muita gente que tira sarro dessa música. Talvez porque nunca tenha perdido um grande amor. Histórias de amor, existem muitas. Mas bem cantadas assim… São poucas. Linda.

Dava pra fazer um álbum duplo. Até mesmo uma coletânea. Mas tem hora que ouvir a dor de amor, mesmo em grande estilo, começa a doer demais… Melhor silenciar. E esperar as canções alegres que virão.

10 GORDICES PARA SE ESBALDAR EM SAMPA

( Post encomendando por e dedicado a minha amiga Camila, e partilhado com os queridos amigos do grupo dos legais que sempre me acompanham pra aproveitar as boas coisas da vida e gastar dinheiro sem dó. 🙂 )

Meu saudoso noivo, embora fosse culto, literato, versado em ciência e arte, cinéfilo e apreciador das boas coisas da vida, gostava mesmo é de sair pra comer. Ele sempre dizia que pessoas que sabem comer juntas sabem partilhar coisas íntimas da alma com mais facilidade e leveza. E eu simplesmente adorava acompanhá-lo, pelo prazer da companhia e das gordices, uma vez que ambos ficávamos muito mais felizes comendo bobagens enquanto tagarelávamos sem parar sobre as coisas simples e profundas da vida.

Todos nós, como pessoas, guardamos o hábito de comer juntos não só pelo alimento, que sustenta o corpo. Existe nessa prática um ato simbólico e ancestral de sustentar também o vínculo, a proximidade, a alegria de estarmos juntos, de cuidarmos uns dos outros para garantir a sobrevivência da espécie em um mundo cheio de condições adversas. E deve ser uma pena não saber o prazer de estar rodeado de amigos e queridos em geral em volta de uma mesa ( não importa se caseira ou pública, não importa se cara ou barata ) cheia de coisas gostosas que estimulam os sentidos, todos eles – e de quebra, acalmam o coração.

São Paulo é uma cidade onde se come muito bem – e paga-se muito caro por isso. Eu podia citar pelo menos uma centena de lugares por aqui onde gostaria de ir bem acompanhada quando bate a fome – de corpo ou de alma. Mas segue uma modesta, pessoalíssima e gostosa listinha das coisas que me apetecem e que me trazem maravilhosas recordações, de todos os tipos e números de calorias. 🙂

1. Frango desossado frito e yakissoba do China Esmeralda


Sou cliente antiga do China Esmeralda, um restaurante que fica em uma simpática casa em Perdizes, e que agrada pelo ambiente bonito, o preço justo e o capricho na comida. Eles fazem o melhor frango frito que já comi na vida – crocante por fora, macio por dentro. O macarrão com dez ingredientes é delicioso, sem citar o ninho esmeralda ( foto ) e as frutas caramelizadas de sobremesa. O atendimento do restaurante é perfeito, a comida é rápida, fresca e quentinha. Nham nham…

China Esmeralda – Restaurante Especializado em Comida Chinesa

Rua Doutor Cândido Espinheira, Perdizes, São Paulo, SP  Telefone: 3862-7798


2.  Pastel de carne da Pastelaria Brasileira

Pra quem, como eu, ama pastel, São Paulo é um paraíso, com suas feiras livres incríveis e pastelarias espalhadas em cada esquina. Mas a receita do recheio de carne da Pastelaria Brasileira é algo de outro mundo. Com muitas filiais “não-autorizadas” aqui na Zona Oeste ( a da Lapa, na Rua Monteiro de Melo, é também campeã ), o lugar agrada pela variedade de salgados e pelo pastel barato e gostoso. Nham nham nham.

Pastelaria Brasileira

Rua Turiassú, 2113, Pompéia, São Paulo, SP Telefone: 3672-8606

http://www.pastelariabrasileiraonline.com.br/


3. Porção de frango com catupiry e merengata de morango do Cacilda


O ambiente do Cacilda é muito gostoso, bonito, calmo, bem decorado. Basta clicar no site do bar pra ver como ele é perfeito e multi-facetado, pra ir com os amigos, pra levar alguém importante do trabalho ou pra curtir momentos a dois ( tem um jardim maravilhoso e intimista, perfeito pra momentos românticos em noites de primavera. 🙂 ). A comida é muito, muito bem feita. Qualquer um dos pratos e porções caem muito bem. O bar também é ótimo pra quem gosta de beber, tem uma ótima carta de vinhos e destilados, e caipirinhas deliciosas. O franguinho com catupiry e a merengata de morango me fazem querer voltar lá quase sempre. O atendimento é feito por pessoas inteligentes, prestativas e muito educadas. Os únicos defeitos são os preços – bem salgados – e o fato de fechar muito cedo.  Pra gente que, como eu, gosta de varar a noite batendo papo, é um pecado ter que ir ambora antes da uma da manhã. Nhammmmmmmmmmm.

Bar e Restaurante Cacilda

Rua Tito,237, Vila Romana, São Paulo, SP Telefone: 3679-2044

http://www.cacildabarerestaurante.com.br/


4. Sanduíche de pernil do Estadão


Quem é da madrugada sabe que em Sampa, os lugares pra comer que funcionam 24 horas são sempre frequentados por gente interessante e tem muita comida boa. O tradicional Bar do Estadão, que fica bem no centro da cidade, é um boteco de classe onde convivem harmoniosamente madrugadores de todos os tipos. De quem vai tomar café e ler um livro de filosofia, a quem vai encher a cara de cachaça e chorar as mágoas para os simpáticos atendentes, todo mundo gosta mesmo é do sanduíche de pernil, cheiroso, e que pode custar um dia de vida. Mas o que é a vida sem os prazeres da carne? Nham nham nham.

Bar do Estadão

Viaduto Nove de Julho, 193, Centro, São Paulo, SP  Telefone: 3257-7121

http://www.estadaolanches.com.br/

5. Pizza de Pomarola da Familglia Lucco

A coisa que eu mais adoro comer no mundo é pizza. Por isso, conheço muitas, e várias. São Paulo tem excelentes pizzarias, e eu poderia fazer um TOP 50 com elas. Mas a pizza de Pomarola, da Famiglia Lucco, tem uma camada extra de molho delicioso e queijo, eu ADORO. A massa fininha não pesa no estômago. De entrada dá pra pedir uma porção de massa de pizza com parmesão e azeite. Nham nham nham. Lá você vê desde mesas enormes com famílias inteiras quanto casais apaixonados juntinhos pelos cantos. O lugar é bonito, super bem decorado. O atendimento é ótimo e bem humorado, e os outros sabores de pizza também são excelentes. O preço… Bem, dá pra fazer um esforço em ocasiões especiais. 🙂

Pizzaria Famiglia Lucco

Rua Pio XI, 240, Lapa, São Paulo, SP.  Telefone: 3641-3226

http://www.famiglialucco.com.br/


6.  Coxa-creme da Padaria Santa Tereza

O centro da cidade seria lindo se não fosse trágico. Mas a gente acha coisas interessantíssimas se procurar direitinho. Livrarias e sebos, lojas especiais, centros culturais, arquitetura, arte, história, absolutamente todo tipo de gente… E lugares com mais de 130 anos de tradição em fazer gordice, como a Padaria Santa Tereza. Tudo lá é gostoso, e gostoso, e gostoso. A coxa-creme – uma coxa de frango, envolta em uma massa deliciosa, frita e bem fresquinha – é uma excelente pedida para quem está circulando entre a Praça da Sé e a Liberdade. Fica bem ao lado do Sebo do Messias, e vale a visita depois de encher o nariz de pó dos livros velhos. 🙂 O preço é de padaria, e o atendimento é ótimo.

Padaria Santa Tereza

Praça João Mendes, 150, Centro, São Paulo, SP  Telefone: 3241-1735

7. Sorvete de iogurte com amora da Gelateria Zucchero

Doces, bolos e sorvetes é outra categoria que dava pra fazer uma enorme lista de indicações. Mas escolhi o sorvete de iogurte com amora da Zucchero por ser perfeito pro meu paladar. Tem uma loja no Shopping Metrô Santa Cruz, onde dá pra comer no balcão e ficar doido com a apresentação bonita dos sorvetes antes de encarar um cinema. A sorveteria permite você se servir de calda, cobertura e todas aquelas melecas deliciosas antes de pesar o sorvete, à vontade, além de outras gordices como o petit-gateau e o milk-shake. Delícia!

Gelateria Zucchero

Rua Domingos de Moraes, 2564, Vila Mariana, São Paulo, SP Telefone: 5575-5633

http://www.clienteg3w.com.br/gelateriazucchero/site/

8. Pizza de mussarella da Padaria Palmeiras

Espremida entre as casinhas velhas e miseráveis de Santa Cecília e todo o esnobismo de Higienópolis, a Padaria Palmeiras é tradicional e bem antiga. É uma lembrança boa da infância, quando meu pai passava lá depois da igreja, aos domingos, e pedia uma pizza pra gente vir comendo no carro, esticando o queijo e fazendo meleca. Muuuuuuuuuuito queijo. No balcão, você senta e pede a pizza em pedaços – são sabores tradicionais misturados a outros bem exclusivos. A massa é boa e o recheio farto. Dá pra comer outras coisas boas, como o sonho e a tortinha de limão. Nhammm.

Padaria e Confeitaria Palmeiras

Praça Marechal Deodoro, 268, Santa Cecília, São Paulo, SP Telefone: 3666-6054

9. Nhoque ao molho branco da Cantina Capuanno

A Cantina Capuano é o restaurante mais antigo da cidade em funcionamento ininterrupto. Localizada no olho do Bexiga, lugar onde sempre se come muito bem, ela é muito charmosa. Tem cara de coisa antiga, e dá pra ficar horas olhando pras paredes e comentando as relíquias que estão lá. A comida é muito boa, a começar pelo couvert de entrada – uma berinjela sem igual, sardella, linguiça de primeira – e o atendimento é simpático. Lá circulam pessoas idosas cheias de histórias pra contar. As massas, sempre deliciosas, são artesanais e tradicionais, e o molho é impecável. Dá pra aproveitar um cardápio de carne bem sofisticado e gostoso também. Sábados à noite o clima é romântico, com cantores que vão até as mesas oferecer canções aos casais e famílias, e as floristas que entregam flores declamando versos. É um lugar especialíssimo pra mim, onde gosto de lembrar de coisas lindas que lá aconteceram, e também onde gosto de levar visitantes de outras cidades quando vêm pra cá. O único senão é o preço… Mas, de novo, vale a pena em ocasiões especiais.

Cantina Capuano

Rua Conselheiro Carrão, 416, Bela Vista, São Paulo, SP  Telefone: 3288-1460


10. Rodízio de sopas da Dona Deôla

Padarias são espaços muito interessantes. Dá pra comer de tudo, bem à vontade e sem frescura. A Dona Deôla do Alto da Lapa é muito, muito charmosa. Tem um bufê de sopas bem servido no inverno ( o caldo verde é delícia ), lanches tradicionais e especiais, pizza e sucos, doces e pratos rápidos – tudo muito bem servido, rápido e muito gostoso. Funciona 24 horas. Delícia ir lá depois das 2 da manhã, quando o atendimento é mais tranquilo e dá pra estacionar numa boa – nos horários de pico é uma loucura. Pra quem é da manhã, tem um café matinal delicioso. Vale marcar também o bolo bem-casado, uma bomba calórica que vale cada mordida, de tão gostoso que é. NHam nham nham.

Padaria Dona Deôla

Rua Pio XI, 1377, Alto da Lapa, São Paulo, SP  Telefone: 3022-5640

http://www.donadeola.com.br/

EXPEDIENTE

Quero agradecer imensamente aos mais de 3000 votos que o Mafalda Crescida recebeu no concurso BlogBooks. Ele ficou entre os 10 mais votados na categoria Universo Feminino, e agora será analisado por uma comissão editorial, junto com outros 9 fortes concorrentes, para, quem sabe, virar livro de verdade.

Se o blog finalmente será editado em papel, não sei. Mas sei que, em seus mais de 7 anos de existência, ele já me trouxe muitas alegrias. Além do aprendizado de me compreender melhor ao tentar traduzir o que sinto e penso em palavras… Ele me trouxe amigos sinceros e raros, viagens, experiências culturais, amores, notoriedade, descobertas, proximidade com pessoas pela afinidade… E a alegria de poder usar a palavra, essa mais fantástica invenção humana, essa dádiva divina… Para comunicar o que vai dentro de mim. VALEU!

E vamos ficar na torcida… Quem sabe logo, logo o Mafaldinha vai parar na estante de vocês. 🙂

DICA DE MÃE


Se você…

* Mora em São Paulo ou imediações;

* Gosta ( ou quer aprender a gostar ) de ler e/ou escrever;

* Gosta de aprender coisas novas;

* Gosta de desafios…

Não deixe de clicar para conhecer o Curso de Iniciação ao Texto Literário do Museu Lasar Segall.

A proposta do curso é usar a língua de maneira reflexiva e contextualizada. Ao contrário da maioria dos cursos de “redação”, esse não é apenas um desfilar de técnicas pobres. As aulas estimulam a criação e a reflexão sobre a língua e sobre a vida.

O professor Gilson Rampazzo é sério  meio ranzinza, mas sabe tirar o melhor das pessoas, é genial e inteligentíssimo. A professora Áurea, pelo que soube, é igualmente ótima. Muita gente que vocês conhecem como bons letristas, poetas e escritores passaram por eles.

Divulgue a proposta a quem mais possa interessar!

Valeu a pena, e vai continuar valendo fazer o segundo módulo. 🙂

Curso de Iniciação ao Texto Literário

AS MELHORES DO CHICO

Não faz muito tempo, amigo Inagaki propôs um top five de músicas do Rei Roberto Carlos. Escolhi com o coração na mão as minhas cinco prediletas.

E hoje, aniversário do Chico Buarque, 66 anos do amor da minha vida toda, eu achei de tentar fazer o mesmo. Só que, como o amor é em dobro, ao invés de cinco, serão dez. Desde ontem ouço e reouço todas as músicas e quanto mais ouço, mais penso que todas são maravilhosas e geniais. Mas segue a minha humilde tentativa de homenagear aquele que, pra mim, é o mais genial compositor popular brasileiro de todos os tempos. Uma lista mutável, intuitiva e absurdamente amorosa. 🙂

1. “EU TE AMO”

Parcerias entre o Chico e o Tom Jobim são assim, românticas, viscerais, de coração na mão e cheias de complexidade melódica. Exemplos como “Anos Dourados“, “Retrato em Branco e Preto” e “Sabiá” estão aí pra provar o que uma parceria entre gênios é capaz de fazer pela história da música de um país.

Mas “Eu te Amo”, pra mim, é a melhor delas. É uma canção maravilhosa, com notas lentas e tristes, que fala da inconformidade da despedida de um casal que, ao que tudo indica, tinha uma relação de entrega total – e dói ouvir. Cantada em dupla com Telma Costa, numa linda completude da voz feminina e masculina, a canção é cheia de metáforas belíssimas que enchem os olhos de água; versos como esses abaixo que derretem o coração de qualquer um. Eu não iria embora se ouvisse na hora do adeus um “Eu te Amo” como esse. Acho que ninguém iria.

“Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir?

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir…”


2. “TATUAGEM”

“Tatuagem” , originalmente composta para o musical “Calabar” por Chico e Ruy Guerra, é sensual e apaixonada. A melodia sibilante, toda sinuosa, acompanha a voz do Chico em um belo exercício de interpretação ( coisa que, muita gente diz, ele não sabe fazer… tsc ).

Sutil e ao mesmo tempo explícita, “Tatuagem” fala sobre o amor expresso em corpo, usando uma genial metáfora das imagens que são comumente tatuadas na pele, o desejo de todo amor – ficar marcado pra sempre no ser amado, impossível de ser apagado sem cicatrizes profundas. Linda, linda, linda.

“Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava…”


3. “TEM MAIS SAMBA”

Os quatro primeiros LPs do Chico são maravilhosos, genais do começo ao fim. Mostram definidamente a enorme influência do samba clássico na obra do autor, que o acompanharia até hoje, além de uma capacidade incomum de manejar as palavras sonora e poeticamente nas letras, pra falar sobre qualquer assunto.

Escolhi “Tem mais Samba” por ser curta, profunda e animada ao mesmo tempo, mas poderia ter escolhido as não menos incríveis “Olê, Olá“, “Quem te viu, quem te vê“, “Bom Tempo“, “Ela Desatinou“, “Carolina“, “Januária“, “A Rita“, “Pedro Pedreiro“, “Você não Ouviu“… Enfim. São todas maravilhosas.

“Tem mais samba no encontro que na espera,
Tem mais samba a maldade que a ferida,
Tem mais samba no porto que na vela,
Tem mais samba o perdão que a despedida…”

4. “CHORO BANDIDO”

Parceria erudita, sensível e lírica é a de Edu Lobo com Chico Buarque… Produziram juntos canções memoráveis, como “Valsa Brasileira“, “Beatriz“, “Ciranda da Bailarina” e a minha tão querida “Choro Bandido”.

Melodia fina, ritmo constante e letra que mistura a verdade e a falsidade dos poemas e do amor… Eles têm razão – são bonitas as canções.

“Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido,
Minha musa, vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim…”

5. “MEU CARO AMIGO”

Chico ficou muito conhecido por sua habilidade em driblar a repressão política dos anos 70 e protestar, com classe e inventividade. Com muita sensibilidade e inteligência, ele compôs canções revolucionárias cheias de mensagens sutis ou protestos declarados, como “A Banda“, “Roda-Viva“, “Cálice“, “Cordão“, “Acorda Amor“, “Fado Tropical“, “Assentamento“, “Apesar de Você“, e “Homenagem ao Malandro“.

“Meu Caro Amigo” é uma canção histórica, muito bem feita, bem humorada, bem construída com instrumentos bem colocados. A letra é uma carta a um amigo exilado, e foi composta com Francis Hime, outro parceiro daqueles. O mais incrível é que, mesmo sendo tão específica, ela continua atual. Eu vivo cantando seus versos quando me sinto reprimida pela vida… “Meu caro amigo” me ajuda a segurar os rojões do cotidiano.

“Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão”

6. “SAMBA E AMOR”

“Samba e Amor”, pra mim, é uma pérola. Uma das canções mais gostosas de ouvir que conheço, que mistura com muito equilíbrio o lirismo da música e do amor. Linda, linda, linda.

Outras canções seriam tão boas declarações de amor  quanto ela, como “Moto-Contínuo“, “Ela é Dançarina“, “Cecília“, “Futuros Amantes“, “Todo o Sentimento“, “João e Maria“. Mas essa, de tão simples, é imbatível. Adoraria fazer samba e amor até mais tarde todos os dias.

“No colo da bem vinda companheira
No corpo do bendito violão

Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação”

7. “TERESINHA”

Por que o Chico agrada tanto as mulheres? Oras, como poucos, ele consegue entender as questões que mais as afligem… Consegue ir a fundo na poética feminina e nos leva a intensas lágrimas e sorrisos quando usa o eu-lírico femininno com tanta propriedade. Impressionante. Ouço “Mulheres de Atenas“, “Atrás da Porta“, “Olhos nos Olhos“, “Maninha“, “O Meu Amor“, “Soneto“, “Suburbano Coração“, “Umas e Outras“, e só falto derreter de tanto que me sinto invadida e compreendida por dentro.

“Teresinha” fala muito comigo. Composta para a incrível e toda boa “Ópera do Malandro”, lembra a canção infantil e me lembra a minha própria história da busca pelo parceiro que realmente entenda a mulher que eu sou… A mulher que todas somos. Maravilhosa.

“O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração”


8. “ATÉ PENSEI”

Reflexiva, poética, bonita, triste. Não me conformo que ele tenha composto uma canção como essa, tão madura, com menos de 20 anos. Fala de desejo, fala de dor, fala de luta. Bonita de tão triste.

“Do lado de lá tanta ventura
E eu a esperar pela ternura
Que a enganar nunca me vinha
Eu andava pobre, tão pobre de carinho
Que, de tolo, até pensei que fosses minha…”

9. “FLOR DA IDADE”

Chico é cronista em poesia. “Flor da Idade” traz um truque no refrão ( a cada verso, aumenta um r na palavra principal e causa um efeito lindo na música ). Além de tudo, cita o poema “Quadrilha”, de Drummond. Como várias, ela é extremamente sonora nas palavras cuidadosamente escolhidas.

Colocaria lado a lado com ela outras canções como “Trocando em Miúdos“, “Biscate“, “Vida“, “Bye Bye Brasil“, “Não Sonho Mais“, “Almanaque“, “Feijoada Completa“, “Noite dos Mascarados“, “Amor Barato“, “Pelas Tabelas”, As Vitrines“. Todas contam histórias surpreendentes de pessoas comuns. Como nós.

“Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
A armadilha
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor…”

10. “PASSAREDO”

A marca de um bom poeta é sempre a capacidade que ele tem de descobrir as possibilidades da língua, e colocar as palavras de um jeito surpreendente.

“Passaredo” é um bom exemplo de como uma lista completa com nomes de passarinhos pode virar música. Outros jogos linguísticos e estilísticos, como “Corrente“, “Carioca“, “Construção“, “Deus lhe Pague“, “Paratodos“, “Pivete“, mostram que, além da sensibilidade dos temas, é preciso pensar na complexidade e possibilidade das palavras pra fazer uma obra de arte em forma de música. Fantástico!


Salve o Compositor Popular!

Ajuda do livro de Wagner Homem, “Chico Buarque – Histórias de Canções“.

E você, lembrou de alguma que não está aí? 😉

TOP FIVE – MINHAS CANÇÕES PREFERIDAS DO REI

Desde que o meu queridíssimo Alexandre Inagaki propos no Twitter fazer um Top Five das músicas preferidas do Rei Roberto Carlos, eu tenho me esmerado em ouvir de novo as minhas canções favoritas para tentar escolher apenas cinco delas. Mas, quem disse? Foi tão e tão difícil.

Conheci Roberto Carlos desde os meus primeiros momentos de vida ( intra-uterina, inclusive ). Sou filha de um casal que elegeu as canções do Rei Roberto como trilha sonora de sua história de vida. Cresci ouvindo lado A e lado B de todos os discos românticos e roqueiros do R.C., e posso dizer que sempre gostei de ouvi-lo, e o respeito como grande compositor e intérprete  que é. Quem quiser pode considerá-lo brega, ou cult, mas ninguém seria capaz de negar a importância de sua obra na história da música deste país.

Deixei de fora dezenas de canções que estariam em uma lista de preferidas. “Detalhes“, e sua perfeição romântica… A melancólica “À Distância“, que invariavelmente me leva às lágrimas… “Seu Corpo” e toda sua sensualidade delicada… Pérolas afetivas, como “Você“, “Costumes“, “Abandono“, “A Primeira Vez” e “Do Fundo do Coração“… E clássicos batidos, mas não menos encantadores, como “Emoções“, “É Preciso Saber Viver” e “Como é Grande o Meu Amor por Você“. Não há história de amor, amizade ou afeto que não caiba em uma das músicas compostas ou interpretadas pelo Rei.

Segue minha lista. Com essas cinco, eu moraria em uma ilha deserta por muito, muito tempo.

” A História de um Homem Mau ( Ol’ Man Mose )”

O álbum “Roberto Carlos canta para a Juventude“, de 1965, é simplesmente adorável. Na minha modesta opinião, o melhor da época da Jovem Guarda. Qualquer uma das faixas merecia estar aqui no meu Top Five –  a meiguíssima “Os Velhinhos“, a divertida “Os Sete Cabeludos“, a tristonha “Aquele Beijo que te Dei“, a danada “Sou Fã do Monoquini“, a dançante “A Garota do Baile“. Mas ao ouvir de novo todo o CD, descobri que “A História de um Homem Mau” é mesmo a minha preferida.

Composição original  ( vejam só! ) de Louis Armstrong e Zilner T. Randolph, a canção mereceu uma versão western de Roberto, que canta com muita classe a história de um homem malvado, que foi desafiado para um duelo por um sujeito misterioso. A narrativa, muito bem feitinha, leva a gente a imaginar cada passo da história, até o trágico final. A melodia viciada  deixa a voz de Roberto em destaque, acompanhado por um básico de instrumentos discretos e competentes. Canto essa música desde menina: pra mim, é impossível não acompanhar “A História de um Homem Mau” com a voz, um assobio ou mesmo uma batidinha de pé.

“Outra Vez”

“Outra Vez” é a canção dos amores doloridos e mal resolvidos, daqueles que machucam, mas deixam uma saudade imensa dentro do peito. Talvez por isso seja uma das mais românticas e mais conhecidas canções do Rei. Já ouvi muita gente dizer, “essa música foi feita pra mim”.

Fiquei dividida entre  colocá-la nesta seleção ao invés da singela “Você Não Sabe“, que é uma declaração de amor tão perfeita que chega a doer. Ambas são belíssimas, mas optei por ela por motivos estritamente pessoais.

No disco de 1977, Roberto Carlos consagra-se como grande intérprete romântico, gravando, entre outras lindas canções como “Cavalgada“, “Não se Esqueça de Mim“, e “Falando Sério“, esta composição de Isolda, uma compositora muito habilidosa na arte de dizer o que todo mundo quer dizer, mas não consegue.

Meus pais que o digam. Sempre que queria fazer as pazes com minha mãe, ele colocava “Outra Vez” no toca-discos, e em pouco tempo eles estavam de novo se olhando apaixonadamente, mesmo que isso parecesse tão errado poucos minutos depois. Por anos e anos ela ouviu essa canção sozinha, trancada no quarto, depois que ele morreu. E surpreendentemente essa canção passou a fazer parte de minha própria história amorosa, quando me foi dedicada, uma vez, pelo maior amor da minha vida até aqui. De fato, acho que todo mundo tem um grande amor ausente que queria ter perto uma outra vez.


“Todos Estão Surdos”

O disco de 1971 é raivoso e genial. Começa com a maravilhosa “Detalhes“, parte para uma interpretação balançada e cuidadosa de “Como Dois e Dois“, de Caetano Veloso ( e também com a homenagem ao mesmo Caetano, com “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos“, revelada vinte anos depois ); conta ainda com a engraçadinha “I Love You“, a matadora “De tanto Amor“, e as qualquer-coisa-super-soul “Só Tenho um Caminho” e “Todos Estão Surdos”.

Este álbum prova que Roberto Carlos realmente entende de música, e não era só um cantor papagaio qualquer. Os arranjos são todos muito bem feitos. “Todos Estão Surdos” tem uma letra meio gospel, meio política, meio meiga. O coral e a levada soul dão o tom diferente e ousado, e as estrofes faladas, em linguagem “descolada”,  inseridas entre um refrão e outro, fazem a gente pensar e querer se mexer pra mudar alguma coisa. Bobo é quem fica surdo a uma pérola dessas.

“E não Vou Mais Deixar Você tão Só”

O Inimitável” ( o título é uma triste constatação para os cantores da época que tentavam imitar o estilo do Rei ) é, disparado, o disco que eu mais gosto do Roberto. Na carreira dele, significou deixar a Jovem Guarda de vez e entrar com dois pés na idéia de ser cantor romântico. Todas as músicas são lindas. “Se Você Pensa“, “Quase Fui lhe Procurar“, “Eu te Amo, Te Amo, Te Amo“, “As Canções que Você fez pra Mim“, “Nem Mesmo Você“, “Ciúme de Você“, “O Tempo Vai Apagar“… Cada uma tem seu charme e toca o coração de um jeito.

Mas nenhuma delas é tão profunda quanto “Não vou deixar você tão Só”. É uma composição do Antonio Marcos que fala de solidão, aquela solidão de ser só, de querer tanto alguém especial por perto pra dedicar-se, e, aos poucos, ir endurecendo nessa espera. Roberto canta com maestria, talvez porque ele mesmo seja essa pessoa. Dói ouvi-lo cantar “meus olhos vermelhos cansados de chorar, querem sorrir…”. Realmente… Inimitável.

“As Curvas da Estrada de Santos”

“As Curvas da Estrada de Santos” é boa música porque é ousada, é bonita e inovadora. O álbum onde ela está incluída ( 1969 ) tem músicas excelentes, como “As Flores do Jardim da Nossa Casa“, a doce “Aceito seu Coração” ( que eu também adoro cantar ), as maravilhosas “Não Vou Ficar” e “Sua Estupidez“.

Mas, quando ouço “As Curvas da Estrada de Santos” na voz da Elis Regina, ou mesmo na voz do Rei… Sinto que essa música sou eu. Simples assim. Por isso, ela é a minha preferida.

Ufa! Tá aí. E você, qual é a canção do Rei que embala sua vida?

RAINING…

Minha natureza interior sempre adorou água. Em meus sonhos, lagoas, mares, poças, rios, cachoeiras, banheiras, bicas, torneiras… E chuva, muita chuva. Tudo isso sempre me ensina muito sobre o que estou sentindo. Aprendi que água é símbolo de emoção. As minhas, sempre tão represadas, se soltam em meus delírios oníricos noturnos, me lavando por dentro.

Chuva fininha é melancólica, porque normalmente é gelada, constante, pouco agressiva e sem hora pra acabar. Chuva de granizo é forte e destruidora, deixa a gente espantado com a força da natureza. Cheiro de chuva no asfalto é meio sufocante, cheiro de chuva na terra é gostoso e revitalizante, provoca um sentimento diferente. Chuva de verão é grossa, rápida, passageira, refrescante e dá a impressão que lava tudo com ela, que leva tudo com a enxurrada. Chuva com raios e trovões dá medo por fazer tremer a terra, insistindo em chamar a atenção. E chuva normal, batendo no vidro da janela, acaba fazendo a gente pensar na vida, essa vida estranha e encantadora. Eu tinha esquecido como é bom sair andando debaixo de chuva, sentindo a água massagerar a cabeça, cair nos ombros, encharcar a roupa.

Já são quase 50 dias seguidos de chuva aqui. Impossível ignorá-la. Resta aceitá-la e saboreá-la conforme for possível.

Canções que coloquei no meu “CD para curtir os finais de tarde em São Paulo”.

“Santa Chuva”, Marcelo Camelo


“The Rain”, Roxette.

“Medo da Chuva”, Raul Seixas

“Rain”, Madonna

“Lágrimas e Chuva”, Léo Jaime

“The Rhythm of the Rain”, The Cascades

“Deixa Chover”, Guilherme Arantes

“Raindrops”, B.J. Thomas

“Chuvas de Verão”, Caetano Veloso

“Crying in the Rain”, A-Ha

“Quando Chove”, Patricia Marx

“Have you Ever Seen the Rain?”, Creedence Clearwater Revivel

“Águas de Março”, Tom Jobim e Elis Regina

“Rainy Day”, 10,000 Maniacs

“A Tempestade”, Zelia Duncan e Lenine

“Pray for Rain”, Massive Attack

“Chove Chuva”, Jorge Ben Jor

“It´s Raining Again”, Supertramp

“Primeiros Erros”, Capital Inicial e Kiko Zambianchi

“Remember When it Rained”, Josh Groban

“Será que Vai Chover?” Paralamas do Sucesso

E você, qual é a trilha sonora da sua chuva? 😉

OS PREFERIDOS DAS CRIANÇAS

No último dia das crianças, recebi telefonemas e e-mails de várias pessoas me pedindo dicas de presentes para crianças queridas – filhos, sobrinhos e outros miúdos. Baseada na minha larga experiência em contato com eles – seja como tia e madrinha, professora, psicóloga ou como pessoa – sem piscar, respondo: dos 2 dias aos 15 anos, o melhor presente para se dar a uma criança é um livro.

Vivemos em um país onde a cultura letrada é valorizada, mas distante da maioria das pessoas. Poucos conseguem gostar de ler, e se gostam, recorrem a literatura fácil e de baixa qualidade. Reservar um tempo para entrar em contato com um livro e todo o universo que ele carrega – a emoção, o conhecimento, o prazer, a utilidade – ainda é tarefa difícil para muitos de nós. E, no caso das crianças, costumamos apresentar a elas livros simplificados, de texto pobre e ilustrações horrorosas. Para os maiorzinhos, livros chatos e sempre aliados a algum tipo de cobrança. O que é uma pena… Afastamos as crianças do contato prazeroso e necessário com o livro.

Meu romance com a Literatura Infantil é antigo. Lia muito quando criança. Gosto dos livros feitos para os pequenos – são mais sinceros e diretos. Além disso, tenho constante contato com esse material por força do ofício. Leio todos os dias para meus alunos de 3 anos, por pelo menos 30 minutos – momento esperado e cobrado por eles. Temos na classe uma biblioteca circulante com mais de 600 títulos, que é, sem dúvida alguma, um dos lugares da sala mais queridos pelas crianças ( uma sala que tem brinquedos de todos os tipos, materiais de arte, computador e muitas outras coisas atrativas para elas ). Na biblioteca, temos títulos de vários gêneros de leitura – de enciclopédias a gibis, de contos de fada a curiosidades, histórias de muitas culturas, tamanhos, tipos e graus de dificuldade. E depois de muitos anos investindo nisso, posso dizer que crianças gostam de livros com o coração inteiro se forem estimuladas e apresentadas a bons materiais; e se enxergarem na relação de leitura um laço afetivo. Ler para seus filhos, alunos, netos e conhecidos é avançar um pouco mais na construção da ponte entre adultos e crianças que, embora lidem com a vida a partir de universos muito diferentes, se amam e se respeitam.

Este post vem na intenção de compartilhar a quem se interesse pelo assunto indicações de livros que as crianças mais gostam ( servem para os pequenos e também para os maiorzinhos ). São livros que elas amam e pedem para que eu leia mil e uma vezes por semana. Garanto a qualidade de todos – tanto no texto como na ilustração. Fiz uma lista com 70 títulos, separados por gênero. Aqui constam os primeiros 10, de um gênero ideal para crianças de 0 a 5 anos.

Contos de Acumulação e Repetição

São histórias divertidas para as crianças. Geralmente há uma frase ou situação na história que se repete pelo livro todo – simplesmente se retomando ou se acumulando – e por isso elas conseguem acompanhar com mais facilidade. É um dos tipos de leituras que mais gostam, e também é gostoso de ler para elas.


1) “A Casa Sonolenta“, de Audrey Wood . Ilustrações de Don Wood. Editora Ática
Em uma casa especial, num dia chuvoso, todos parecem gostar de dormir demais. Até que uma pulguinha resistente causa uma reviravolta na situação e traz um colorido diferente a essa história que costuma deixar as crianças de olhos vidrados. A dupla Don Wood e Audrey Wood é especialista em casar textos simples e ricos com ilustrações que enchem os olhos, cheias de detalhes e beleza. É deles também “O Rei Bigodeira e sua Banheira” ( Editora Ática ), e “Rápido como um Gafanhoto” ( Brinquebook ), ambos queridíssimos pelas crianças.


2) “Tanto, Tanto…“, de Trish Cooke. Ilustrações de Helen Oxenburry. Editora Ática
Para um bebê muito querido pela família, um dia especial, quando todos estão reunidos, é uma festa intensa e alegre. Todos querem apertar, beijar, mimar o bebê, que, sendo o centro das atenções, se percebe como pessoa importante e amada. Um livro com texto delicioso, protagonistas negros ( raridade… ) e um encadeamento de fatos que toca o coração das crianças. Os bebês costumam adorar ouvir a leitura dessa história, e pedem para repeti-la inúmeras vezes.


3) “O Grúfalo“, de Julia Donaldson e Axel Scheffer. Brinquebook
Um ratinho esperto propaga a existência de um animal estranho, perigoso e nunca antes visto, e com isso consegue se livrar de muitos perigos. Até que… O Grúfalo aparece! Para as crianças maiores, vale pelo humor fino das entrelinhas. E os menores gostam muito da figura diferente e divertida do Grúfalo. A história continua em “O Filho do Grúfalo” ( Brinquebook ).


4) “Maria-Vai-com-as-Outras“, de Sylvia Orthof.
Um clássico da Literatura Infantil, é um livro simples e gostoso de ler. Maria é uma ovelhinha sem cara própria que, por sempre seguir as ações do rebanho, acaba nunca fazendo sua vontade. É uma delícia acompanhar suas reflexões e seu processo de mudança, quando descobre que pode ser ela mesma, além do grupo. A história é muito sonora, e as crianças mais sensíveis conseguem compreender a problemática de Maria já na primeira leitura. É um dos meus preferidos.


5) “Da Pequena Toupeira que Queria Saber quem Tinha feito Cocô na Cabeça Dela“, de Werner Holzwarth. Companhia das Letrinhas.
A Pequena Toupeira se revolta quando acorda com um cocô sobre sua cabeça. Parte, bravíssima, para procurar o autor da façanha, e nesse caminho, descobre como é o cocô de vários animais amigos. O final é surpreendente para as crianças, que se divertem muitíssimo. Trata de um tema evitado de forma leve, com muita delicadeza e diversão.


6) “Menina Bonita do Laço de Fita“, de Ana Maria Machado. Ilustrações de Claudius. Editora Ática.
Outro clássico. Um coelho bem branquinho conhece uma menina negra e linda. E quer saber como faz para ficar preto como ela. Aos poucos, descobre que o caminho para ter uma filha pretinha como a menina é mais delicioso do que ele podia imaginar. Outra história com protagonistas negros, muito bem desenhada, e com o texto sempre primoroso e desafiador de Ana Maria Machado. Sucesso garantido.


7) “Macaco Danado“, de Julia Donaldson e Axel Scheffer. Editora Ática
Mais um livro da mesma dupla de autores de “O Grúfalo”. Nesta história, de ilustrações belas e divertidas, o macaquinho perdido procura sua mãe contando com a ajuda de uma borboleta atrapalhada e bem intencionada. No caminho, ambos descobrem que cada animal é de um jeito, e que cada filhote, embora adore descobrir o mundo, se sente feliz de verdade mesmo quando encontra os braços de sua mamãe. Sensacional e favoritado pelos pequenos todos os dias.

8 ) “Porcolino e Mamãe“, de Margaret Wild. Ilustrações de Stephen Michael King. Brinquebook.
Porcolino é um porco bebê que se perdeu de sua mãe. E procura desesperadamente pelo carinho que lhe falta em vários animais, sem sucesso. Até que percebe que o amor de verdade só está ao lado da mamãe tão querida. História doce, ilustrações suaves e uma deliciosa continuação em “Porcolino e Papai”. Ideal para os bem pequenos.


9) “Bruxa, Bruxa, Venha a MInha Festa“, de Arden Druce. Ilustrações de Pat Ludlow. Brinquebook
Esse livro é realmente sucesso garantido entre os pequenos. Imagens perfeitas, cheias de detalhes, apóiam um verdadeiro conto de repetição, que as crianças rapidamente decoram e amam repetir. Uma festa vai acontecer, uma bruxa é convidada… Mas como condição para aparecer, pede para convidar o gato, que por sua vez exige a presença do espantalho… Até que o final surpreendente remete novamente ao começo da história, que precisa ser repetida, dada o amor das crianças por esse livro.


10) “Mamãe, você me ama?“, de Barbara Josse. Ilustrações de Barbara Lavalee. Brinquebook.
De uma delicadeza incrível e emocionante, esse livro mostra a pergunta de uma menininha inuit a sua mãe; para saber se é amada, ela vai propondo várias situações – até se convencer que o amor de sua mãe é infinito. Livro de ilustrações muito bem feitas, e que esclarece um pouco sobre a cultura dos esquimós.

O dia em que resolver colocar aqui uma página profissional, coloco o resto das dicas. Ou não. Hehe. Quem tiver mais dicas pode postar nos comentários. 🙂

QUALQUER AMOR


“Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”.
Guimarães Rosa

E qualquer coisa que está por aí, feita com amor, pode ser motivo de sorriso, de aprender, de viver, como o amor do Guimarães – um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. Só precisamos olhar pra elas. Algumas coisas que andei enxergando por aí ultimamente:

* “MACHADO DE ASSIS” NO MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA

Se você ainda não foi, só tem até o dia 01 de março pra ir. Embora menos exuberante que as duas anteriores, a exposição temporária do incrível Museu da Língua Portuguesa vale pela curiosidade dos documentos raríssimos, pela criatividade no arranjo dos objetos… Mas principalmente por encontrar-se com a obra do Machado. Tente ler, na sala de estar montada no final da exposição, onde estão vários livros com a obra completa do autor, um capítulo de Dom Casmurro, ou então um dos famosos e deliciosos contos. Dá vontade de ler mais. Eu li.
Sem falar no filme e apresentação do terceiro andar, que eu não canso de ver. Sempre me emociona. É uma reação inversa do que eu sinto ao acompanhar os noticiários – dá orgulho de ser gente. Só lembrando – entrada gratuita para crianças, idosos e professores, e meia-entrada para estudantes. A entrada inteira custa R$ 4,00.

* ” O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON“, EM QUALQUER CINEMA

Se quer pensar, vá. Se quer refletir, vá. Se quer se divertir, vá. Se quer esquecer, vá. Se quer chorar, vá. Se quer sorrir, vá. Se quer suspirar, vá. E se quer ver como o Brad Pitt fica lindo em qualquer idade, vá.
Filme pra marcar a vida.

* CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE EM QUALQUER LIVRARIA

O poeta todo mundo sabe que é bom, é indiscutível. Mas quem ainda não encontrou o cronista e o criador de aforismos, não sabe o que está perdendo. Absolutamente lúcido e amável, ele derrama poesia no cotidiano. Leituras aparentemente leves, rápidas e cheias de sorrisos. Aparentemente.
Pra começar, indico ” De Notícias e Não-Notícias faz-se a Crônica“, e “O Avesso das Coisas“. Este último, forte candidato a ser livro permanente de cabeceira.

* AQUARELAS DE MARGARET MEE NA PINACOTECA DO ESTADO

As flores são lindas em sua essência, e sempre achei um pecado tentar resgatar sua beleza natural em desenhos e pinturas ( assim como acho um pecado colocar flores de plástico pela casa ). Mas Margaret Mee mudou meus conceitos… São lindas as aquarelas da inglesa sobre as flores brasileiras. Quem quiser conferir, vá rápido – até o dia 15 de março.

* PÔR DO SOL NOS PARQUES DA CIDADE

Um espetáculo gratuito e corriqueiro que mostra que a vida continua. Sempre. Apesar de tudo e de todos. Ótimo momento e local para se estar em solidão e anonimato.

SITES QUE, SE AINDA NÃO EXISTEM, DEVERIAM SER INVENTADOS


Dia desses li, não sei onde, uma reportagem sobre um site que funciona como uma espécie de testamento virtual. Lá, você guarda senhas, segredos, recomendações e até declarações nunca feitas para serem abertas / lidas / compartilhadas depois que você morrer, por uma certa boa quantia por mês ( enquanto você está vivo e tem conta bancária, claro ).
Xeretando um pouco mais, descobri um outro site aonde, sob condição de pagar módicas quantias a partir de R$ 400,00, cria para você álibis para as mentiras mais cabeludas, limpando sua barra tranquilamente e de maneira bem eficiente.
Então eu, que até noivo encontrei aqui na rede, fiquei pensando: caramba, pra que será que a internet não serve?
Pensei em sites que, se ainda não existem, bem que podiam ser inventados por alguém.

Registro de Canalhas ( http://www.entregueocanalha.com.br )
Depois que minha amiga descobriu no Google que o namorado dela era casado, descobri que a internet é ótima para xeretar a vida alheia, mas alguém poderia facilitar o serviço. O site ideal funcionaria assim: se alguém faz alguma canalhice com você, você vai lá, registra nome, sobrenome e foto da pessoa e deda com gosto tudo que ela te fez. Poderia até mesmo ter algumas sessões, como por exemplo “canalhas no amor”, “canalhas na amizade”, “canalhas no trânsito”, “canalhas no trabalho”, “chefes canalhas”. Assim, quando você topar com alguém na vida, pode ir lá, colocar na busca, e ver se o fulano já pisou na bola com alguém. Facilitaria bastante. Só teríamos que ter cuidado para não sermos cadastrados por lá.

Imprima Dinheiro ( http://www.imprimadinheiro.com.br )
Em tempos de cartão de débito e crédito e transações bancárias on-line, me sinto entediada só de pensar em ir ao caixa eletrônico tirar dinheiro. Por que não imprimi-lo em casa? Você poderia entrar, dar o número da sua conta no banco e imprimir uma quantidade de dinheiro ou folhas de cheque ali, na sua impressora, conforme a sua necessidade. E mais, as notas poderiam até mesmo ter a foto da personalidade que você quisesse no fundo. Já pensou, uma nota de R$1,00 com a cara do Lula? ( Pensando bem, R$1,00 é muito pra ele ). Tudo bem que seria difícil controlar os hackers, as notas falsas e os gastões, como eu. Mas isso é um mero detalhe.

O que Dizer? ( http://www.dialogoperfeito.com.br )
Sabe aquela hora quando você ouve algo tão absurdo, estarrecedor ou idiota e… Faltam palavras pra dizer alguma coisa? E você pensa… Bem que eu podia dar AQUELA resposta… Mas não consegue? Pois é! Esse site poderia ter as respostas mais incríveis para os comentários, brigas ou falações em geral das mais diversas ordens. Bastaria colocar lá o assunto… E ele coloca as palavras certas na sua boca! Impressionante.

Look Ideal ( http://www.acertenolook.com.br )
Sabe aquele povo que faz a sessão CERTO e ERRADO nas revistas de moda? Eles poderiam estar on-line, 24 horas, pra dizer pra você qual o melhor jeito de se vestir. Funcionaria assim: você tira uma foto ou liga a webcam, chama o consultor e ele lhe diz, antes de você botar na cara na rua, se você está bonita ou não. Assim você não corre o risco de ficar mal na foto. Tá certo, você poderia ficar um pouquinho dependente da opinião dos outros e paranóica… Mas e daí? Pelo menos estaria sempre na moda.

Médico On-Line ( http://www.socorrodoutor.com.br )
Já que 98% dos médicos adquiriu o péssimo hábito de tratar você como lixo e mal olhar para a sua cara durante as consultas, que diferença faria se consultar on-line? Simples, rápido e confortável, especialmente para pessoas que detestam médicos, como eu. Você conta os sintomas em um formulário, ele receita algo pra você em uma tela, você imprime, compra… E pronto! Problema resolvido. Lá mesmo poderia ter um link para uma farmácia que manda entregar em casa. Ô, beleza!

Odeio Internet ( http://www.naoprecisodeinternet.com.br )
Uma comunidade virtual para expressar o ódio por toda a facilidade, futilidade, burrice e dependência criada pela internet. Uma pena que você tenha que conectar para se expressar… Tsc.

É, os tempos são modernos. Mas as pessoas continuam loucas… Como sempre.