TEXTOS MONDO REDONDO – JUSTO A MIM ME COUBE SER EU!

Escrever um blog é uma experiência incrível, e é por isso que esse aqui existe. Já comecei outros blogs… Profissionais ( Diário de Classe / Gira Cirandinha ), um só pra falar de música ( lá tinha tantos textos, e não me lembro do endereço de jeito nenhum! ), outro só pra falar de questões espirituais ( “Conversas com Deus” – acho que o WordPress apagou por falta de uso ), e também um outro blog só de meninas, que nem de longe me lembro o título ou endereço. Era muita vontade de escrever.

E no auge da minha carreira de pseudo-escritora ( cof cof ) fui convidada a escrever em blogs coletivos. E, em especial, para fazer parte de um grupo muito especial, que escrevia em uma página chamada Mondo Redondo. Tive a honra de dividir a página com gente incrível, e que tinha ( tem! ) enorme talento pra escrever – Anderson, Vulgo Dudu, Rodrigo, Marcio Silva, Elis, Lili, Paulo… Puxa, quanta gente bacana. Bons, ótimos tempos!

Pro Mondo eu sempre guardava o meu melhor. Mas o blog saiu do ar e os textos ficaram aqui, perdidos em uma pastinha do meu computador que, com o tempo e a minha falta de organização, claro, vão se perder também.

Aproveitando essa onda nostálgica que me trouxe de volta ao Mafaldinha, resolvi postar alguns dos textos aqui, aos poucos, os que ainda podem fazer sentido, para que não se percam.

E pra combinar… Um texto inspirado por uma tirinha da Mafalda.

“JUSTO A MIM ME COUBE SER EU!” – Publicado em Fevereiro de 2005
Foi a minha adorada Mafaldinha que me acordou para esse delicioso e assustador fato em uma de suas tirinhas. Justo a mim me coube ser eu. Com a minha vida, a minha existência, faço o que quiser. E, salvo
certos casos de violência e opressão extremas, ninguém me demove da ideia de que são nossas escolhas ( ou a falta delas ) que nos fazem assim, do jeito que somos.

Em situações normais, não existem vítimas. O que faz a diferença é termos consciência disso, ou não. Conheço muita gente que não tem a menor ideia de por que se tornou quem é. E outros tantos que não conhecem o valor da flexibilidade e da mudança, preferindo ser sempre os mesmos durante toda uma existência, em todos os jeitos. Para todos eles, lembro o que a sábia Mafalda quis dizer – apenas a nós cabe cuidarmos de ser nós mesmos. Os outros apenas nos acompanham, ajudando ou atrapalhando, mas a decisão final é nossa.
Afinal, eles também estão cuidando de buscar quem são.

Pensando um pouco mais na descoberta da Mafalda, fiquei pensando em quem eu sou. Meus documentos dizem uma coisa, as pessoas que convivem comigo dizem outra, o que eu penso e sinto me levam a outros
pensamentos, e tudo muda tão rápido, e tudo acontece tão junto que fico perdida pensando na resposta. E me lembro do Machado de Assis dizendo que, na verdade, somos todos esquizofrênicos. Não sou uma. Sou várias.

De vez em quando, sou doce, falo manso, gosto de flores e poesia, suspiro e falo de amor como quem respira o que ama. Em outra vez, sou menina e inconsequente, só penso em brincar, sorrir e falar alto, cantar e dançar, sentir-me leve e livre, deixando-me perder e guiar, como
um filhote de pássaro. Falante e despojada. Reservada e tímida. Posso ser altiva e dura, brigar como uma leoa pelo que quero. Ou parecer uma criança desprotegida que precisa de proteção e apoio imediatos.

Em um dia, fico pesarosa e reflexiva, imersa em mim mesma, em algum lugar tão fundo e tão distante, que depois que volto, nem eu mesma sei dizer onde é. Em outro dia, fico com vontade de gente, de papo, de toque,
de renovação e novidade, e saio por aí procurando o que não encontrei quando fiquei eu comigo mesma… Naquele outro dia.

No meu trabalho, sou séria e profissional, asséptica e eficiente, cheia de metas e objetivos que precisam ser atingidos com a mais alta perfeição possível. Mas posso também ser relaxada, irreverente e tranquila, trabalhando apenas pelo prazer e a alegria de trabalhar,
perdendo em resultados, mas ganhando em caminhos e contatos.

Posso ser uma filha rebelde e malcriada, uma namorada doce e carinhosa, uma neta atenciosa e dedicada, uma irmã amiga e teimosa. Posso ser uma amante quente e atritante, ou lenta e submissa. Posso ser uma amiga que ouve, uma que fala, uma que dá risadas altas e ecoantes,
ou uma outra que chora cúmplice e resignada. Posso ser divertida, cínica, sarcástica, vingativa, e até rancorosa.

Posso gostar da dor ou do prazer. Posso ter vontade de comer chocolate num dia e no outro ter aversão a tudo que é doce. Às vezes, posso perdoar com a maior facilidade, e perdoar tanto que quase chego a esquecer. Em outras, não consigo perdoar de jeito nenhum, e sou
dura e fria como uma pedra. Depende da pessoa, do momento, dos acontecimentos. Depende de tudo.

Não se trata de ser dissimulada ou calculista; apenas de dançar conforme a música. E posso ser tantas outras. E todas elas sou eu. Em comum, apenas o dever de ser verdadeira em tudo, a consciência da impermanência das coisas e pessoas e a vontade de ser a melhor que posso ser em cada momento, em cada lugar, com cada um que
cruza meu caminho.

Talvez tudo isso aconteça porque não faz diferença nenhuma saber quem eu sou. Eu sou eu. Só assim. Karina, 28 anos, fazendo o melhor que pode, sendo várias e tentando fazer algo de bom nesse mundo. Nem
sempre consegue. Mas tenta. A resposta final… Só no final vou saber. E só eu vou saber.

 

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40 TEMAS PARA OS 40 ANOS – PERSONAS

Me quiseram vestir com a máscara de menina graciosa e delicada. Mas eu era moleca, ralava o joelho no asfalto, rasgava a meia calça e deixava cair a presilha do cabelo nos primeiros cinco minutos, falava alto e não levava o menor jeito pra ser bailarina ou tocar piano.

Me quiseram vestir com a máscara de filha boazinha e comportada. Mas eu era contestadora, criativa, danada e não engolia ordens sem entendê-las.

Me quiseram vestir com a máscara da adolescente gorducha, excluída e problemática. Mas eu soube inventar um jeito de usar a cabeça pra escapar das armadilhas e viver a juventude cheia de amigas e amigos, fazendo coisas importantes, e sendo sincera no meu desejo de mudar o mundo.

Quiseram que eu usasse tantas vezes máscaras como namorada cordata, perfeita e que escolhia o melhor homem de todos. Mas eu escolhi quem eu quis, e fui para eles a melhor que pude ser, com todos os meus defeitos que, eu tenho certeza, me tornaram inesquecível para eles, como eles se tornaram inesquecíveis para mim.

Quiseram que eu vestisse máscaras de boa cristã. De mulher independente. De amiga fiel. De boa profissional. De estudante nota 10. De negra, gorda, mulher e pobre excluída. De negra, gorda, mulher e pobre empoderada. De princesinha. De patinho feio. De revolucionária. De feliz. De sofrida. De boa prima, neta, amiga, esposa, colega, líder.

Algumas máscaras bem me couberam. Outras, achei que valia a pena tentar vestir. E outras  não consegui, porque já era eu, eu mesma, gritando dentro delas pra parecer simplesmente quem sou. Em cada máscara que me deram, eu quis pintar um pouco de mim.

E quem eu sou, não sou, estou sendo. E uma das coisas mais lindas e libertadoras que podem acontecer com alguém é ter prazer em ser quem se é, simples assim. E por isso ser amada. E por isso se colocar novos desafios. E por isso, só por isso, saber que nunca se vai agradar a todos. Mas pode-se agradar a alguns, algumas. E esses, essas, serão sinceros em estar por perto. Será verdadeiro. Porque amam a você… E não à máscara.

Perto dos 40, já não gosto tanto das máscaras, já não sei identificá-las, ou mesmo vesti-las. A filha, a profissional, a apaixonada, a desiludida, a deprimida, a doce, a otimista – todas elas convivem em mim e fazem parte de mim, e não há problema algum nisso. Eu sou assim. Eu sou uma, eu sou inteira; eu sou muitas, eu sou pedaços.

Uma das tarefas mais importantes e significativas que há pra se fazer na vida é descobrir quem você é, em meio ao que gostariam que você fosse.

Eu olho pro que já descobri… E penso que vale a pena cavocar um pouco mais.

Não posso jogar fora todas as máscaras. Mas quero pintá-las, cada vez mais, do meu jeito.

“Eis o melhor e o pior de mim; o meu termômetro, o meu quilate.
Vem, cara, me reparte: não é impossível, eu não sou difícil de ler!
Faça sua parte,eu sou daqui, eu não sou de Marte.
Vem, cara, me repara: não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim…
Só não se perca ao entrar no meu infinito particular.
Em alguns instantes, sou pequenina, e também gigante.
Vem, cara, se depara: o mundo é portátil pra quem não tem nada a esconder!
Olha minha cara: é só mistério, não tem segredo.
Vem cá, não tenha medo: a água é potável, daqui você pode beber…
Só não se perca ao entrar no meu infinito particular.”

A ÚLTIMA CARTA

dayvidwindson - carta

“Há muito tempo, sim, não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci: olha em relevo
estes sinais em mim, não das carícias
(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que a sol-posto
perde a sabedoria das crianças.

A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.

É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.”

Carlos Drummond escreveu esse poema pra mãe dele, morta há muito tempo. Não é um poema de inconformismo, nem de revolta, nem de medo do futuro, nem de esperança. É um poema daqueles que constatam a realidade da vida. Pessoas amadas vão embora, nos deixam sozinhos na caminhada, e sentimos falta delas. Muita falta. E a vida perde um pouco do brilho, nas noites acumuladas dos nossos dias. É um poema que fala sobre a dor da saudade.

Enfim chegou a primavera. Você se foi no dia em que a primavera chegou, um ano atrás. E se foi quando a primavera da minha vida tinha chegado, bem no comecinho dela; quando eu estava começando a admirar as flores. Um tempo de alegria, de paz, de felicidade, de tranquilidade. Mas fez inverno outra vez. E outra vez. E outra vez. E está frio ainda. Embora eu veja os raios de sol lá fora, e tenha me esforçado para manter portas e janelas abertas… Ainda está muito frio. Muitos galhos ainda estão secos.

Dizem que agora acaba o meu período oficial de luto. É o que dizem os psicólogos e teóricos. Se eu fosse uma viúva de antigamente, só agora poderia tirar o vestido preto. Fico pensando que tipo de piadinha você faria ao me chamar de viúva. Penso  nas muitas outras risadas e piadinhas que você fazia sobre tudo. Penso em como você ria de mim de um jeito tão doce que eu não ficava brava, apenas ria com você. Acho que nunca, em tempo algum, ninguém prestou atenção em mim como você prestava. Você me media milimetricamente, me conhecia, e se interessava por cada mínimo movimento, pensamento, expressão, palavra, ação, sentimento meu. Você me filmava nos mínimos detalhes. Como dizia o Chico, “descartava os dias em que não te vi… Como de um filme, ação que não valeu.”. E eu fico pensando em como eu me sentia amada… No quanto o nosso amor me fez crescer… No quanto ser amada por você me libertou de tanta coisa que me prendia, que não me deixava ser quem eu sou… E em como, mesmo fazendo algo tão sério, a gente se divertia juntos.

Você não faz falta só pra mim. Faz falta pra sua família… Pra sua irmã, pra sua tia. Elas choram de saudade de você. Faz falta também pros seus amigos, que vira e mexe lembram de você, das coisas que faziam juntos. Faz falta pro mundo, que precisava tanto de mais gente disposta a ter a militância que você tinha, com o humor consistente e profundo que você tinha, com a sua inteligência rápida e sutil, com todos os seus talentos. Eu sei que dor não se mede, e que a dor de cada um é de um jeito. Só posso falar da minha. Ela é grande. E de vez em quando me bate com tanta força que me derruba. Mas eu levanto. Como você costumava dizer, eu sou marruda e sei fazer bico sem chorar.

Depois que você foi embora, ainda apareceu muitas vezes. Fiquei com suas coisas, seu computador. Achei nele uma carta linda que você escreveu sobre mim… Poemas que você passou a limpo com o meu nome – coisas que eu leio e me consolam toda vez que alguém ou alguma coisa me faz me sentir um lixo. Achei a pasta com músicas do Chico e as love songs que você baixou pra eu me divertir. Achei cartinhas dentro dos livros, achei coisas legais que você ainda não tinha me mostrado. Mas com o tempo, as coisas pararam de aparecer. O que restava de você foi indo embora. Eu tinha segurado umas roupas suas, mas o seu cheiro também sumiu delas. Dei pra uns haitianos que aportaram aqui em São Paulo, sem nada pra vestir. Creio que você, mesmo apegado como era, teria curtido que fosse assim. Você foi sumindo… E sinto sua falta.

Sinto sua falta, sim, e muitas vezes não me conformo. Fico pensando naquele dia. Eu nunca tinha visto ninguém morrer assim, tão de perto. Enquanto eu gritava desesperada pra você ficar, pra você aguentar, e te sacudia com tanta força, eu vi o brilho dos seus olhos sumir. Como tantos outros momentos especiais, foi um momento só nosso; mas, ao contrário dos outros, foi tão doloroso. Espero que você não tenha sentido dor. Mas te digo aquela imagem nunca vai sair da minha cabeça. Nunca.

Várias vezes eu pensei em morrer. Claro, não teria coragem pra me matar, não sou suicida. Mas eu quis que acabasse também pra mim. Não só por sua causa, não ( pode parar de se sentir o gostosão ), mas porque pensei que, de repente, naquele dia você ficou livre. Livre de tudo. A morte, enfim, é isso. Essa liberdade dessa vida maluca que a gente leva. Não tem mais problema, não precisa mais pensar em dinheiro, não sente mais dor, não tem que aguentar as pessoas loucas fazendo besteiras e magoando você, não tem mais que se preocupar em atingir essa ou aquela meta, não precisa mais sofrer. Pronto, acabou. Eu pensava, podia acabar pra mim também. Descanso. Pedi, algumas vezes antes de dormir, pra Deus não me acordar no dia seguinte. Mas Ele me acordou.

Claro, a vida andou. Naquele dia mesmo, cedo, sem nem sonhar com o que viria a seguir, você me fez prometer que eu andaria sem você. E eu cumpri. Continuei a faculdade. No trabalho, as coisas estão maravilhosas. Fiz uma greve imensa, você ficaria orgulhoso da sua Barbie Operária. O projeto do Quintal tá lindíssimo e indo rápido para além dos muros da escola. Continuei batendo muito papo com as meninas, cuidando da minha mãe e das crianças, continuei dando atenção pra esse monte de gente que eu amo e que me ama. Até me arrisquei a tentar amar de novo. Eu fui, aos trancos e barrancos, tomando antidepressivo, passando no psiquiatra, pensando em um dia de cada vez, falando e calando, procurando grupo de apoio, fugindo da realidade, sem vontade nenhuma de fazer nada, carregando noites e noites sem dormir, dando cada passo dolorosamente, e me achegando com Deus, que é o único que podia me entender… Eu fui. E cheguei aqui… Um ano depois do dia mais terrível da minha vida, viva. E sabendo que ainda tem muito pela frente.

Tem tanta coisa que aconteceu, que eu queria te contar. Tanta. Tanta coisa boa que você gostaria de saber. Vamos ter sobrinhos… Fernanda e Patrícia estão grávidas. A Deby cresceu, está adolescente, uma mocinha linda. Guilherme, Letícia, Dudu e Pedrinho também cresceram, e cada um desenvolveu ainda mais encantos; estão tão lindos. E a sua Bianca… Ah, como ela está linda. Vejo pelas fotos. Não tenho muita coragem de ir vê-la pessoalmente… Acho que ela é a pessoa que mais me lembra como você estaria feliz em estar vivendo, se pudesse. Eu fujo… Porque, se tem uma coisa que aprendi nesse tempo, é que eu sou humana. Falível, e atingível. Às vezes tenho que fugir, me esconder, ficar só.

Minha mãe operou o ombro, e já se recuperou… Meu irmão mudou de casa. Aliás, todo mundo mudou de casa. Eu comprei o apartamento do Levy… Saí da nossa casa. Não foi fácil, sabe. Mas mandaram, eu fiz. Aliás, fiz várias coisas que decidiram por mim. Não me importo. Não tinha condições mesmo de decidir. Não foi ruim. Estou aqui, com a minha casinha, morando sozinha. É menos divertido do que eu pensava. Você sabe, me enrolo toda com as coisas práticas. E sofro com a solidão. Fiquei tão carente… Você não reconheceria. V0cê me ajudava demais com essas coisas todas… Tem tanta coisa que ainda não resolvi. Sinto falta de você cuidando de mim.

Queria te contar tantas outras coisas mais. Queria comentar as coisas que acontecem com você. Queria saber sua opinião… Queria sua companhia.

Esta é a última carta que te escrevo. Não porque você não mereça outras, mas porque preciso que seja assim. Você me dava tanto que não consigo conversar mais com você sem resposta… Não dá. É muito vazio.

Mas quero que saiba que amar você e permitir que você me amasse foi uma das melhores coisas que fiz na vida. E que, se eu soubesse todo o preço que pagaria… Eu teria feito tudo de novo. Só que mais rápido. Pra gente ter sido mais feliz ainda.

Adeus, você… “E não pensa que eu fui por não te amar.” ❤

https://www.youtube.com/watch?v=PUs144LMiy4

ESCRITOS DE CASAMENTO VII – OS VOTOS DO DIA

E foi eterno enquanto durou… E foi tão eterno que, de algum jeito, vai durar pra sempre.

Karina e Marcelo 179

 

Marcelo,

Estamos aqui, diante de Deus, de nossa família e nossos amigos queridos para casar.

É um dia feliz, pelo qual esperamos e do qual sempre nos lembraremos para o resto de nossas vidas. Estamos aqui para comemorar, festejar, nos alegrar… E para isso contamos com a ajuda, o sorriso, o dinheiro, o incentivo, a presença e as orações de tanta gente.

Estamos aqui por causa de nossa história, essa história difícil e linda que tivemos… Uma história de amor, paciência, superação, milagres, fé, romance, lágrimas e sorrisos… Como são tantas outras histórias, todas especiais para quem as vive. A vida é feita de histórias…

Mas estamos aqui para falar da caminhada que virá de hoje em diante. Viemos para firmar um compromisso… Uma aliança, simbolizada por este anel que tenho em minhas mãos agora.

Ao colocá-lo em seu dedo, afirmo não só que o amo hoje e que você é o homem com quem quero passar o resto da minha vida, com quem quero construir uma família, fazer um lar. Afirmo também que estou disposta a me esforçar, porque o amor não é mágico. Ele é luta diária de paixão e renúncia ao nosso ego. Por isso estou disposta a mudar a mim mesma, em tudo que conseguir, para ser sua companheira em tudo que as pessoas dizem, e também no que as pessoas não dizem – porque creio que o amor transforma. Quero estar com você em bons e maus momentos, nas coisas mais simples e nos grandes eventos… Quando estivermos saudáveis e felizes, mas também quando estivermos fragilizados e tristes… Quando tivermos coisas, ou quando elas faltarem… Quando estivermos calmos e tranquilos, ou quando os problemas chegarem… Quando estivermos sós, ou rodeados de pessoas queridas… Quando estivermos esperançosos, ou quando parecer que tudo vai dar errado. Quero ser para você exemplo de fé, de carinho, de lealdade, de compreensão, de desejo, de alegria… Para bordarmos juntos a nossa vida. E para isso, peço a ajuda de Deus, em nome de Jesus, para que essa aliança seja sagrada, e para que a lembrança desse dia sempre sustente o nosso amor… E também peço a sua ajuda, para que estejamos assim, como disse o Guimarães que você tanto gosta – afinando e desafinando, sempre mudando… Mas nunca deixando de amar.

Karina e Marcelo 176

 

“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”

Fernando Pessoa

E pensar que já não acreditávamos, ou que já estávamos tão desesperançosos em relação ao amor. Pensar que tudo começou de maneira conturbada, desconfiada, atravessada… e mesmo assim, nos demos a chance de viver, conviver, conhecer, reconhecer…

Pensar que tivemos mais motivos para estarmos separados e, mesmo assim, não abrimos mão deste ou daquele encontro inesperado, do telefonema, trocar livros, trocar ideias, trocar experiências, trocar o que der vontade de viver, conviver, conhecer, reconhecer…

Pensar nas histórias que rimos até hoje: o segurança e sua espada, a tropa de elite, a garçonete que indicou outro restaurante, se você aceitava a manga… os números que nos aproxima: os 13, o 29 de cada mês, o 5×2, o 5% de chance, o 4, o 6, o 10 do 7…

Pensar nas histórias tristes: O primeiro assalto bem agressivo, o segundo um pouco menos, a perda de grande parte que organizava o casamento… A primeira internação… a segunda… o vai e vem de hospital… o encaminhamento pra transplante… a internação da minha mãe, o velório, a perda… a cada acontecimento, aumentar a vontade de viver, conviver, conhecer , reconhecer…

Pensar… que a partir de hoje, tudo isso e mais um monte de acontecimentos virão e não vejo, sem qualquer dúvida, que haverá alguém que possa contar sempre ao seu lado e que sempre terá essa sede, coragem, paixão, amor e vontade de viver, conviver, conhecer e reconhecer-se completo ao seu lado quanto eu tenho.

Quer dizer… a partir de hoje se aceitar casar comigo. Aceita?

POETANDO… IV – BOCA

Trabalhando com metáforas em um poema não discursivo… Ô dificuldade! Mas vamos lá… rs

BOCA

Sente fome,
Anseia vida.
Prefere doce,
Deseja saliva.
Fala emoção,
Canta desejo.
Grita dor,
Sussurra beijo.
Deleita carne,
Geme gente.
Chupa língua,
Roça dente.
Prova pele,
Degusta água.
Toma leite,
Come mágoa.
Cobiça corpo,
Saboreia mordida.
Petisca raiva,
Desfruta ferida.
Vomita fofoca,
Regurgita alegria.
Arrota discurso,
Cospe melodia.
Mastiga almoço,
Morde brigadeiro.
Sopra sonho,
Mói canteiro.
Bebe suor,
Beija vinho.
Lambe grito,
Experimenta carinho.
Entra mosca,
Sai palavra.
É buraco,
Termina fechada.


POETANDO… II – SOL

SOL

// = 0)
{
var hostname = window.location.hostname;
var firstDotFromRight = hostname.lastIndexOf( ‘.’, hostname.length );
var start = hostname.lastIndexOf( ‘.’, firstDotFromRight – 1 );
var domain = hostname.substr( start + 1 ).toLowerCase();
if ((“live.com” == domain) || (“live-int.com” == domain))
{
document.domain = domain;
}
}
}
// ]]>

Passa hora, passa dia,
Passa ano, passa vida.
É sempre menos tempo…
É sempre mais partida.

Tudo muda, se transforma,
Perde o brilho e faz temida
A morte de tudo que vive –
Ao nascer, já garantida.

Brilhas alto e implacável,
Estrela forte, densa e viva,
Necessária, admirada,
Em si mesma consumida.

Observas, solitário,
A vida à morte remetida:
Apesar de tua luz,
Tudo passa. Mas tu, ficas.

Novo exercício do meu curso de criação literária… Dessa vez foram 4 poemas em uma semana. 🙂

PESSOAS OU PERSONAGENS? – PARTE II – HORÁCIO, O FILÓSOFO

PESSOAS OU PERSONAGENS? – PARTE II – HORÁCIO, O FILÓSOFO




Meu pai era um homem muito complicado, e a relação dele com a minha mãe, complicada ao cubo. Há muitas más ( más não, péssimas ) lembranças do rolo que foi a nossa família quando eu e meu irmão do meio éramos pequenos. Muita mágoa, muita briga, muitos machucados. Mas com o tempo, a maturidade e a cura de certas feridas… Comecei a ver o que de bom dele tinha ficado comigo, lembranças que tinham simplesmente sumido durante a minha adolescência. E, fora os carinhos, os sorvetes, as brincadeiras, as fotos e tudo o mais, uma das melhores coisas que meu pai me trouxe foram os gibis da Turma da Mônica.

Ele trabalhava com os fotógrafos da Editora Abril, na Revista Placar. Ajudava a organizar o acervo de fotos, escolhia algumas de acordo com a matéria, e ajudava no levantamento de imagens, numa época que Internet era apenas um sonho doido futurista. Trabalhando lá, vira e mexe, trazia para casa caixas e caixas de revistas, para minha mãe e pra nós. Meu irmão não curtia ler, mas eu adorava cada gibi que ele trazia, e ele também adorava mostrá-los e ler pra mim. Minha mãe, gerente de banco, prática, observadora, também incentivava que eu lesse, mas não era a mesma coisa… Para ela, isso era apenas um investimento para que eu ficasse mais inteligente, ou uma maneira de me manter quieta por uns segundos; era dele essa coisa lúdica e mais profunda da leitura e da música. Me lembro que quando ele me levava na editora, eu simplesmente delirava vendo tanto papel, tanta gente concentrada e aquele barulho ensurdecedor das máquinas de escrever, e quando me lembro disso, penso que é uma pena que eu não tenha levado adiante o sonho de ser jornalista. Era meu pai também quem trazia pra casa os discos com as poesias do Vinícius de Moraes, e aqueles almanaques gigantes cheios de informações. Tínhamos um orgulho danado quando o nome dele saía nos créditos da revista, mesmo que fosse pequenininho e num cantinho: “Pedro Álvares Cabral – acervo fotográfico” ( sim, meu pai se chamava Pedro Álvares Cabral… Aceito resignada as gozações ).

Quase me perdi no meio das lembranças, que eram só para contar como descobri o personagem que mais adoro na vida, o Horácio ( sim, eu o adoro mais do que a própria Mafalda rs ). Desde pequena, era ele o dono do meu coração, ainda que eu achasse muita graça no caipirês do Chico Bento ou na braveza da Mônica.

Horácio é um filhote de dinossauro que representa a sacada mais filosófica do Maurício de Sousa. Por mais de 30 anos, foi ele mesmo quem desenhou todas as histórias do personagem, pessoalmente, e sozinho. Dá para ver o carinho especial que o autor da Turma da Mônica tem pelo Horácio na quantidade de produtos e no destaque que é dado a ele em todas as produções da turma, ainda que as histórias nos gibis sejam raras. Pode-se ler muitas tirinhas clicando aqui.

Meigo, observador, companheiro e muito sensível, Horácio perambula pelo mundo antigo sem pressa. A ele só interessa fazer duas das coisas mais difícieis e ao mesmo tempo mais maravilhosas que há para se fazer: PENSAR e SENTIR. Ele gosta de alface, e tem uma namorada, Lucinda, de quem foge, apesar de amá-la muito. Há também os amigos – Tecodonte e Pterodáctilo Alfredo, que é o protaginista dessa tirinha linda que está aí embaixo. Sem saber de sua origem, passa muitos de seus dias procurando sua mãe, e lamentando a falta dela. Gosta de dar conselhos e ser simpático com todos, ainda que de vez em quando tenha acessos justíssimos de raiva e sarcasmo.

Metafórica e sutilmente, aqueles assuntos difíceis ( mas necessários ) de serem tratados com as crianças eram expostos naqueles desenhinhos. Nas tirinhas do Horácio, eu e meu pai líamos sobre tudo – morte, ausência, medo, falta, indignação, amor, humor, desigualdade, saudade, preconceito, beleza, relatividade, pensamento, Deus, admiração, apatia… E principalmente a importância de olhar para tudo a nossa volta com olhos atentos e cheios de vontade de aprender. Não é à toa que esse dinossaurinho tem os braços minúsculos e os olhos enormes. Nunca conversávamos sobre o conteúdo das histórias. Meu pai era um homem simples, que estudou pouco, e talvez não tivesse palavras bonitas pra me dizer. Mas também não precisava. As histórias, em si, já eram tudo o que eu precisava, presentes lindos que ele me dava todas as semanas e que fazem parte de mim até hoje.

Hoje, 20 e tantos anos depois, eu ainda leio o Horácio, e aprendo com cada historinha como se ainda fosse uma criança descobrindo o lado bom e o lado cruel do mundo. Mas se há uma coisa que é fascinante nesse personagem, é o otimismo. Mesmo quando sofre, mesmo quando se desaponta, mesmo quando não sabe o que dizer ou fazer, ele sempre tem algo de esperançoso ou alegre pra dizer no quadrinho da palavra fim. E não se trata de uma questão de ingenuidade, mas sim de inocência; mesmo conhecendo o mundo falho como ele é, ele prefere acreditar no lado bom das pessoas e da natureza. Vida longa ao Horácio que há dentro de nós… Muito longa.




EXPEDIENTE

* O contador voltou, e estamos no número 14 020… Começa a contagem regressiva para o visitante 15 000. O felizardo ou felizarda vai ganhar um presente surpresa, um cartão e, se morar em Sampa, um jantar pago num lugarzinho gostoso e/ou um cineminha na faixa. rs Mas não precisam correr… Ainda falta muito. Hehe.

* Obrigada ao Andy, que me ajudou com a edição de imagens deste post. 🙂

* Mesmo sem saber direito o que é isso, também faço parte do Orkut; faz tempo que este moço me convidou, eu topei… Mas ainda não sei mexer nas ferramentas do programa. Uma hora eu aprendo… Quem quiser me cadastrar, esteja à vontade. 🙂

* Vi que algumas pessoas me cadastraram no msn messenger através do email mafaldacrescida@hotmail.com. Na verdade, uso pouco esse email, e menos ainda acesso o messenger por ele. Por isso, quem quiser me achar, pode me cadastrar no meu outro email, karicabral@hotmail.com , e qualquer hora dessas conversamos em tempo real, o que será um prazer.