SEGUINDO

E o mundo não acabou.

Um lado meu até queria que fosse verdade essa história de fim do mundo. É um lado que observa, impotente e assustado, as coisas ruins e estranhas que acontecem. Um lado pessimista, um lado triste… Um lado cansado.

Mas tem um outro lado que acredita no recomeço. É um lado sabedor de que, pra muita gente, o mundo acaba de vez em quando. Gente que perde alguém que ama. Gente que vê projetos darem errado. Gente que se sente sozinho e abandonado. Gente que naufraga. Que perde tudo. Gente que desiste. E, apesar disso tudo, o sol não vai parar de nascer. E essa gente não parou ainda de respirar. E sendo assim, não há jeito, a não ser continuar… Vivendo, indo, acreditando… Esperando por dias melhores.

Sinceramente, não sei o que esperar do ano que começa. Tenho sido surpreendida frequentemente pela vida. Coisas muito ruins acontecem. Coisas muito boas também. E por isso, não sei o que esperar. Apenas tento olhar pra frente com fé, pedindo o tempo de comemorar… E a força para não cair.

Independente do que virá… Seguirei respirando e vivendo. Desejando, sim, o melhor. Lidando, sim, com o pior. E no mais, que seja um ano tranquilo e feliz.

Se o meu mundo não acabou ainda… Eu saberei recomeçar. Sempre sempre.

2o13 será o ano em que o Mafalda Crescida completa 10 anos. Uma década do meu percurso interno registrado em palavras, trocas, imagens. E vejo quanto já andei… E o quanto ainda é possível andar. É só não parar.

Feliz 2013!

Anúncios

MEDO

Ai, medo medo medo.

O maior sucesso do medo é seu efeito paralisante. Não fosse ele, seríamos pessoas de existência curta, mas intensa e incessantemente em movimento. Qualquer movimento. Puro desejo, puro fluir. Mas o medo nos para, nos dá um respiro pra pensar, pra conter, pra ponderar… Pra decidir.

Claro, há vantagens. Medo protege, conserva, educa, salva, preserva, torna possível a convivência. Mas muitas vezes também nos rouba a inocência, a liberdade, a vontade de fazer coisas interessantes na vida. O medo isola, nos deixa encalacrados em uma prisão pessoal, da qual só nossa decisão de não ter mais medo pode nos tirar. Uma prisão muito triste.

Fiquei pensando nisso depois que sofri, dias atrás, um roubo violento. Eu e meu namorado, colocados pra fora do carro sob a mira de revólveres de desconhecidos, dois homens alucinados berrando conosco, ameaçando, expondo nossa fragilidade, quebrando nossa sensação de eterna segurança. Naquele curto momento, muita coisa passou pela minha cabeça. A minha vida, a vida dele, as coisas que tínhamos, a agressão daquele ato. Quase tudo resolvido ( e devolvido ) depois, percebi que o pior não foi a possibilidade nem o que de fato levaram de nós, e sim o que eles deixaram conosco. O medo. Um medo chato, que incomoda, que nos tirou o prazer de nos despedirmos com calma, do carinho do último beijo, do último olhar do dia, da conversa jogada fora ( e que, só agora percebo, era jogada dentro ). Agora o olhar é desconfiado, apressado… Cauteloso. Perdeu-se parte do encanto. Roubaram parte da alegria de estarmos juntos ali.

E foi então que dei pra pensar em quantas coisas me amedrontam hoje em dia. Eu era mais jovem antes. E de primeiro impulso, achei que era mais corajosa também. Mas não, não é isso não. Olhando bem, mas bem mesmo, percebi que medos sempre me acompanharam. A maturidade anulou alguns, especialmente aqueles medos que eu tinha em relação aos outros – medo de não ser aceita, de parecer ridícula, de dar tudo errado, de não corresponder ao que esperavam de mim, e um fortíssimo medo de dizer não. Medos que passaram com tudo que aprendi e conquistei, a duras penas, na vida ( embora, admito, resquícios deles ainda apareçam ). Mas estar mais velha e mais madura me trouxe novos medos. Medos sérios, graves, que tem a ver com a minha existência, com a perda das pessoas que amo, com a finitude de tudo, com os projetos que precisam ser abortados antes de virarem realidade. Sob o pretexto da prudência, escondo minha preguiça e incapacidade de enfrentamento. O medo ainda continua ganhando várias batalhas.

Olhando por aí, vejo quanto medo paira no ar. Não sou a única a ser roubada por ele. As pessoas ficaram mais inconsequentes no que não deviam… E mais medrosas no que deviam. Uma pena. Mas é muito medo.

E é o medo de algo dar errado que faz a mesmice, o tédio. É o medo da mudança que faz as pessoas cultivarem infelicidades enormes como se fossem a maior joia que possuem. É o medo do contato que faz a solidão tão poderosa. É o medo de olhar que torna as pessoas tão cegas. É o medo de dar um passo na direção errada que faz trilhar o mesmo difícil e pedregoso caminho de sempre. É o medo do ataque que faz os esconderijos serem tão blindados. É o medo de amar livremente que faz a superficialidade dos relacionamentos. É o medo de perder a integridade que faz com que nos comportemos como zumbis, mortos em vida. É o medo do julgamento que nos faz viver uma vida que não é  nossa, e sim a que quiseram pra nós. É o medo de enxergar a realidade que nos coloca em um mundo de devaneios inúteis, alimentado pela ilusão de que temos o controle mesquinho de tudo que acontece e vai acontecer. O medo engana. Não controlamos nada. E em nossa fragilidade e impotência, não nos resta mais nada a não ser esperar que nada de tão ruim vai acontecer enquanto vivemos… E viver.

Não vou deixar de abrir o vidro do carro e sentir o prazer do vento batendo no rosto por medo do que está lá fora, e nem vou deixar de abrir as portas e janelas da casa quando estiver sozinha pra que a luz e a brisa entrem… Não vou mofar. Não vou deixar de dizer o que eu penso com medo de desagradar a quem não faz questão de agradar ninguém. Não vou deixar de ser gentil e receptiva com quem não conheço por medo de não ser correspondida. Não vou deixar de tomar sorvete, e nem de dançar, e nem de sonhar, e nem de ter fé, e nem de beijar demoradamente na despedida. Não vou ter medo de perder o que não quero mais e com isso não mudar pra ganhar o que quero. Não vou  dizer que não consigo e sim que ainda não sei, e com isso vou seguir aprendendo. Não vou deixar meus erros, meus azares e minhas tristezas me acusarem eternamente e me impedirem de ser feliz nas pequenas e grandes coisas. Deixarei pra ter medo dos números e coisas práticas do cotidiano – essas sim, assustadoras por sua capacidade de nos roubarem do que é essencial. O que de bom a vida me trouxer, tentarei receber… Sem medo.

EXPEDIENTE:

* Em 2013 o Mafalda Crescida faz 10 anos. E nessa quase década, conheci através dele muitas pessoas interessantes. Alguns leitores itinerantes, outros bem fiéis ( mais do que eu mesma me mostro ao deixar o blog sem posts por períodos tão longos… ). Por meio desta página, algumas pessoas que convivem comigo conseguiram me conhecer melhor, e isso ressignificou algumas relações. Alguns homens conheceram e se apaixonaram por essas palavras, e outros me amaram mais ainda pelo que eu expressei aqui. Amigos e amores puderam me entender melhor naquilo que só consigo dizer quando paro pra escrever as tais “entrelinhas do cotidiano”. Alguns amigos chegaram, e de repente estava abraçando ao vivo e a cores pessoas com quem talvez nunca tivesse cruzado se não fosse terem me lido e se entendido comigo antes por aqui. São dias, noites, tardes agradáveis, telefonemas, cartas, presentes, cartões, encontros cheios de amor, carinho e identificação, com muitos sotaques diferentes. E pra mim, isso sempre foi o maior ganho do Mafalda na minha vida.

Na última semana, uma de minhas leitoras mais queridas, que se tornou amiga amada, faleceu depois de uma longa e dolorosa luta contra um câncer inexplicável. Isabela Teixeira era jovem, linda, sábia, corajosa, de um sorriso enorme e um grande talento com as palavras. Muitas vezes ela me disse que se entendeu melhor por conta das explicações que faço sobre mim mesma aqui, e isso nos tornava muito mais próximas do que eu mesma imaginava. A partida dela me deixou triste, aquela tristeza a longo prazo, que a gente vai sentindo aos poucos e nos cantinhos do dia-a-dia, e quando me lembro dela, e tenho lembrado muito… Me vem esse susto de pensar que, de fato, como dizia um de nossos poetas preferidos, é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Gostaria de escrever algo para ela que honrasse tudo que ela deixou comigo. Quem sabe um dia… Por hora, só meu respeitoso silêncio, envolto na fé de que ainda nos encontraremos de alguma forma… E escreveremos lindas coisas juntas.

ELEIÇÕES 2010

Uma das coisas que mais escuto dos leitores assíduos deste blog é que ele deveria virar livro.

Pois bem, caro eleitor, cara eleitora… Em tempos de pessoas como Simony, Tiririca e Mulher Melão pedindo voto, eu serei mais uma cara-de-pau a pedir o seu!

Se você gosta de ler o Mafalda Crescida e acha que alguns textos deste blog ficariam bem bonitinhos encadernados na sua estante, então clique no selo abaixo e vote no Mafalda para ganhar o Prêmio BlogBooks, na categoria “Universo Feminino”:

E se quiserem fazer uma boca de urna básica divulgando o blog por aí e recomendando a votação, eu agradeço.  🙂

POETANDO…

Pra quem não sabe, estou fazendo o curso de Iniciação ao Texto Literário no Museu Lasar Segall, com o professor Gilson Rampazzo.

É um excelente curso pra quem realmente quer aprender a escrever, mas não vou contar por que pra estimular a inscrição dos curiosos interessados. Por hora, só posso dizer que é fantástico.

Mas a minha maior surpresa foi saber que, para começarmos o trabalho, vamos focar no poder da palavra. E para tanto, aprenderemos a escrever POEMAS. Gelei. Poemas? Puxa, eu que sempre admirei os poetas, como poderia me atrever a escrever poemas? Mas o professor, experiente, disse com muita convicção: qualquer pessoa é capaz de escrever poemas. Basta começar.

E depois de uma aula maravilhosa sobre poesia, ele mandou que começássemos, escrevendo um poema sobre ÁGUA. Foi um parto! Mas saiu alguma coisa.

Com essa experiência, descobri quatro coisas:

1. De fato, qualquer um é capaz de escrever poemas;

2. Minha escrita é sentimental demais;

3. Eu sou capaz de ler um texto meu em voz alta para uma platéia, coisa que jamais achei que poderia fazer;

4. É muito interessante ser avaliada de verdade, e ao vivo, por aquilo que escrevo.

O poema é ruim, mas por ter me feito chegar a tudo isso, acredito que ele mereça o registro.

ÁGUA

// = 0)
{
var hostname = window.location.hostname;
var firstDotFromRight = hostname.lastIndexOf( ‘.’, hostname.length );
var start = hostname.lastIndexOf( ‘.’, firstDotFromRight – 1 );
var domain = hostname.substr( start + 1 ).toLowerCase();
if ((“live.com” == domain) || (“live-int.com” == domain))
{
document.domain = domain;
}
}
}
// ]]>
Se assopras em meus lagos,
Faço ondas arrepiadas
Que distorcem tua imagem
No espelho de minhas águas.

Se me congelas com teu hálito,
Solidifico, torno-me neve.
Fico densa e compacta,
Muito forte, muito breve.

Se me tocas com teu sol,
Derreto toda em um instante.
Subo leve e eufórica,
Evaporo livre e vibrante.

Se me chocas com teus ventos,
Chovo rápido e de repente.
Trovejo alto e irada,
Lavo o mundo, causo enchente.

Se me espremes em tuas margens,
Em meus olhos brota um rio…
Cai salgado em cachoeira,
Desce solto e arredio.

Se me enches com tua vida,
Sinto tudo completar.
Te contenho em abundância…
Tu desaguas no meu mar.

PS:. Passamos do visitante 200 000… Que lindo! 🙂

NOTÃO DE ESCLARECIMENTO


Parece que o texto aí embaixo, para o meu mais absoluto espanto, se tornou um hit na internet. Com autoria, ou não, ele anda circulando pelos e-mails de pessoas dos mais diferentes lugares, e sendo citado em centenas de páginas, blogs e jornais virtuais.

Como tantos outros que já deixei aqui ( alguns deles bem famosos também, ainda que pouca gente saiba que saiu daqui ), ele é apenas uma opinião pessoal sobre o que vi e ouvi durante os meus dias nesta Terra. Não tenho e nem tive a intenção de convencer, doutrinar, seduzir e nem influenciar ninguém. A maior parte das vezes, escrevo para mim mesma. Apenas registro pensamentos insistentes para ter um pouco de sossego deles. Essa é a função social dos maiores textos deste espaço. E mais: como metamorfose ambulante que prefiro ser, pode ser que daqui a algum tempo nem eu mesma concorde totalmente com esse ou qualquer outro texto que escrevi.

Sendo assim, queridos leitores, novos ou antigos, assíduos ou flutuantes… Gostaria de responder aos muitos comentários que recebi pelo Mafalda Crescida, por e-mail ou na minha página do Orkut.

Aos que concordaram comigo, ou elogiaram o texto de alguma forma, digo que é muito bom saber que podemos partilhar de idéias e ideais; afinal, de que outra maneira podemos refletir sobre este mundo louco senão juntos, um esclarecendo os pensamentos e emoções do outro? Afinidade é tudo nessa vida!

Aos que discordaram do texto educadamente, agradeço, sinceramente; afinal, de que outra maneira podemos mudar e avançar, senão através das pessoas que nos mostram outros lados das questões que defendemos? Divergência é tudo nessa vida!

Aos que divulgaram o texto com créditos, obrigada. Bom saber que as coisas que pensamos podem ser amplificadas tanto e tão rápido.

Aos que repassaram o texto sem crédito intencionalmente, sugiro que repensem seu papel de leitor.

E aos que me xingaram, ofenderam ou demonstraram uma tremenda incompreensão do sentido real desse texto, me acusando de radical, de reacionária, de desrespeitosa, burra… Ou mesmo aos que atacaram o blog, dizendo que ele é “só um espaço onde você fica colocando suas idéias que ninguém quer saber” ( como se blog servisse para outra coisa )… Vão catar coquinhos na descida da rampa. Seus comentários foram e serão devidamente deletados. Afinal, a dona da pensão, pelo menos aqui, no MEU espaço, sou eu. Como se diz por aí, coloquem-se em seus devidos quadrados e vão escrever seus próprios textos, em seus próprios blogs.

Que coisa doida é a internet, sô!

Beijocas para os que forem gente boa.

Um post alienígena


Spam Eater

Como devem ter notado, graças aos robozinhos que entopem os comentários de propagandas de cassinos, Viagra e outras vulgaridades, o blog ficou fora do ar por uns dias. Foi o tempo necessário para remover cerca de 29mil anúncios, colocar um layout novo, porém temporário e uma atualização de servidor.

As próximas paradas serão avisadas com antecedência, evitando assim maiores transtornos, desespero dos leitores e novos textos de alguém que não é a Karina.

CRISE DE IDENTIDADE

Dúvida cruel.
Estava pensando em mudar o nome deste humilde espaço cibernético.
“Mafalda Crescida” não me parece mais tão boa idéia… Mas não achei nada melhor.
O que vocês acham?
Alguém aí tem sugestão de um nome bacana?
Já que faz tempo que não rola concurso por aqui, podemos pensar em dar um presente legal para quem sugerir um nome perfeito para o blog, ou der uma boa razão para ele continuar com o nome que tem.
Quem se animar, pode participar nos comentários ou na comunidade do Orkut.
A propósito, o blog agora tem RSS. Sei lá o que é isso, mas tem. Hehe. Se alguém souber a utilidade, pode usar o recurso do jeito que achar melhor.

VOLTANDO…



Um balanço pra arrumar bem a casa e receber as visitas como elas merecem – com tudo organizado, bonitinho, limpinho e no lugar. Um balanço pra resolver problemas técnicos. Um balanço pra descansar um pouco… E um balanço pra pesar bem as coisas e saber o valor que elas têm.

E enquanto balançava tanto… Morri de saudades daqui. E por isso estou tão contente porque o blog está de volta. Contente porque vi que o Mafalda Crescida é importante não só pra mim, mas pra tanta gente amiga que passa por aqui pra dividir comigo esse turbilhão de coisas que eu penso, sinto e experencio. Estamos aqui pra isso mesmo, pra trocar, trocar, trocar e trocar. E que espaço rico para trocas é este… Me trouxe tanta gente boa pra perto. Me fez gostar tão mais de mim e dar mais valor a minha vida. Me fez entender tanta coisa que eu não compreendia. E me fez tão mais feliz.

É com esse carinho imenso que eu recebo que estou me dando de volta. Obrigada por tudo, pessoas. E é bom demais poder encontrar com vocês novamente. 🙂

* Também enquanto balançava, andei escrevendo no Focando e no Mondo Redondo. Quem quiser, pode passar por lá. 🙂
* Por falar no Mondo Redondo, deixei por lá a minha mensagem de Páscoa, falando de Renascer. 🙂