POR QUE VALE A PENA GOSTAR DE BLOGS

POR QUE VALE A PENA GOSTAR DE BLOGS

Porque nos blogs você encontra:
( Passe o mouse pra saber quem é )

* Mimo
* Romance
* Talento
* Criatividade
* Tempero
* Humor
* Carinho
* Escracho
* Sinceridade
* Erudição
* Informação
* Espontaneidade
* Conjunções Astrais
* Olhar
* Amigos
* Observações
* Sensibilidade
* Explosão
* Submersões
* Amizade
* Sorrisos
* Crítica
* Sentidos
* Literatura
* Revolução
* Dança
* Gosto
* Intensidade
* Genialidade
* Ternura
* Poesia
* Diversão
* Vontade
* Consciência
* Emoção
* Beleza
* Sarcasmo
* Gostosuras
* Contemplação
* Competência
* Despretensão
* Maturidade
* Vida
* Otimismo
* Bondade
* Imagens
* Poemas
* Suavidade
* Juventude
* Lembranças
* Cultura
* Arte
* Reflexão
* Devaneios
* Pessoalidade
* Garra
* Sacralidade
* Psicologia
* Alegria
* Realidade
* Perolinhas
* Simplicidade
* Sentimento
* Conselhos
* Notícias
* Acertos
* Perspicácia
* Rock
* Revelações
* Paixão

Claro que tem muito mais. Claro que esqueci alguém. Claro que tem as pessoas que não têm blog, e são tão queridas e geniais quanto essas citadas. Claro que, por mais que eu escreva e escreva, nunca vou conseguir dizer o quanto gosto de muitas dessas pessoas incríveis aí de cima. Claro que estou feliz pelas amizades e amores que deixaram o plano virtual e partiram para o real só por causa deste blog, e pelas amizades e amores reais que se fortaleceram com mais esse jeito de comunicação, mais essa forma de trocar carinho. E por tudo isso… Claro que estou contentíssima e honrada por participar desta blogosfera. Estou muito orgulhosa do Mafalda Crescida… E feliz por vocês virem sempre aqui me dar o prazer da companhia dos pensamentos, a mais preciosa de todas.

E claro que sou muito grata por essas 25 000 visitas. Obrigada, queridos. Vocês são demais. 🙂

PLANTÃO

PLANTÃO

Interrompo a programação oficial do blog desta que anda se sentindo pouco ou nada hábil no trato com as palavras, para dizer que hoje, dia 22, este espaço completa seu primeiro aninho de vida. ( Quem diria, meu blog é canceriano também. )

Mafaldinha aniversariando

Gostaria de dizer o que isso significa pra mim, como foi que aconteceu, o que me trouxe, o quanto me fez bem, e o que sinto por algumas pessoas que sempre passam por aqui, o quanto é fato especial na minha vida. Mas hoje foi um dia terrível e não deu tempo de escrever nada. Prometo tentar assim que for possível.

Por hora, fica apenas um comunicado de parabéns para mim, um agradecimento a todos e todas, e uma canção que diz tudo que eu queria dizer aqui hoje. Para quem não manja de espanhol… Apenas uma chave: cambia = muda.

Todo Cambia
Mercedes Sosa

Cambia lo superficial
cambia también lo profundo
cambia el modo de pensar
cambia todo en este mundo

Cambia el clima con los años
cambia el pastor su rebaño
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño

Cambia el mas fino brillante
de mano en mano su brillo
cambia el nido el pajarillo
cambia el sentir un amante

Cambia el rumbo el caminante
aunque esto le cause daño
y así como todo cambia
que yo cambie no extraño

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia

Cambia el sol en su carrera
cuando la noche subsiste
cambia la planta y se viste
de verde en la primavera

Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño

Pero no cambia mi amor
por mas lejos que me encuentre
ni el recuerdo ni el dolor
de mi pueblo y de mi gente

Lo que cambió ayer
tendrá que cambiar mañana
así como cambio yo
en esta tierra lejana

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia

TODO CAMBIA

E foi bom enquanto durou. Mas é hora de mudar… E dessa vez pra domicílio próprio. Agradeço a este serviço, que me permitiu conhecer o prazer de blogar por todo esse tempo, e me possibilitou tantas experiências maravilhosas, e dentre elas a maior de todas – conhecer gente boa e trocar idéias. Amigos queridos que eu sei que vão comigo pra onde eu for.

Porém… A partir de hoje quem quiser me visitar vai ter que bater em outra porta:

http://www.mafaldacrescida.com.br

Casa Nova

Estão todos convidados pra tomar um chá na minha nova casa. Ainda está meio desarrumada, alguns móveis fora de lugar… Muita mudança daqui será levada pra lá depois, e infelizmente, outras coisas vou ter que deixar aqui ( como os adoráveis comentários que, muitas vezes, foram melhores que os posts a que se referiam. Só de pensar nisso me aperta o coração… 😦 )

De qualquer forma, será um imenso prazer recebê-los lá!

E quem disser que eu tô muito CHIQUE, bem… Tem toda razão. Hehehe.

FIM DE FESTA

PARTE I – ARRUMANDO A CASA

Festa com convite público é isso mesmo. Muito divertida, muito vistosa, muito bacana. Vem uma porção de gente, tem um movimento danado, a gente dá um trato especial na casa, observando o enorme entra e sai. Dá uma sensação de estranheza e euforia se alternando constantemente e muita, muita troca de todos os tipos de energia. Os amigos antigos vêm pra dizer parabéns e curtir aquele momento bom de sempre; e os novos pra sacar qual é. Claro, tem gente que conquista logo de cara, gente que entra e fica com aquela vontade de nunca mais sair, gente que gosta, gente que odeia, gente que vai voltar e gente que vai esquecer o endereço. Tem também os que arrumam confusão por qualquer coisa ( e os comentários mais ofensivos desses eu apaguei, afinal a dona do barraco sou eu, e não vou aturar desaforos gratuitos ), e gente que vem só pra pegar carona nas luzes. Não faz mal, foi ótimo.

Estar no BON da semana passada foi muito legal sim. Legal porque sei que muita gente boa veio pela indicação ( e foi por essas indicações que eu achei gente maravilhosa como o Chef, a Patilene, Ciça, Bêbada e Equilibrista, por exemplo ). Legal por saber que o que eu tinha escrito estava sendo lido por mais gente. Legal pelo número absurdo de comentários ( só acredito que um blogueiro não liga pra comentários se não tiver adotado a prática no seu próprio blog; afinal, quem escreve gosta de saber o que pensaram do que foi escrito ). Legal pelas visitas que estou fazendo em retribuição e descobrindo mais gente talentosa e cativante nesta blogosfera, que por sua vez me levará a ainda mais gente boa e assim por diante. Legal porque sim e tudo o mais.

Acalmada a confusão, hora de colocar as coisas em ordem e voltar pro cotidiano, que tem o seu charme. E a sua dor.

PARTE II – RESSACA BRAVA

Uma pena que essa indicação do Blogger tenha ocorrido numa semana simplesmente macabra para algumas pessoas por causa desse mesmo sistema que me aclamou. Não vou chover no molhado e ficar relatando em detalhes o que andou acontecendo com algumas pessoas que dependem ( ou dependiam ) desse sistema da Globo.com. Quem ainda não soube de nada, pode se inteirar do assunto lendo as experiências da Alê, do Matusca, ou lendo os maravilhosos comentários do Inagaki e da Helô. Seu Marcelo, meu querido amigo e consultor, também escreveu algo interessante em seu site. Muitos blogueiros comentaram sobre isso em suas páginas. Alguns com medo, outros muito putos, e grande parte desanimados, perdidos e sem saber o que fazer.

Já faz um tempo que blogar por aqui dá uma sensação de estar dançando na corda bamba. Já me pronunciei sobre o assunto faz algum tempo, mas o faço de novo.

Por um lado, tem a idéia de que a Globo.com, através do Blogger Brasil, tem todo o direito de cobrar por seus serviços e limitar a utilização do sistema para otimizá-lo. Não entendo de Internet, apenas uso; mas imagino que manter milhões de blogs no ar sem estar preparado pra isso, cruzado um certo limite, exija medidas drásticas como cortar novos acessos, limitar o uso e deletar páginas inativas. Ninguém está aqui pra fazer favor pra ninguém em se tratando de empresas, e o serviço, sendo bom, usa quem quer e/ou pode pagar. Até aí, esperado ( e que se espere o mesmo dos outros sistemas gratuitos ).

Por outro lado, estão os usuários. Os usuários que viram um contrato mudar de cara pelo menos 4 vezes no último ano. Os usuários que tiveram seus blogs simplesmente deletados sem aviso prévio ( mesmo tendo sido tranquilizados pelas “novas regras” que isso não aconteceria com quem era usuário antigo ). Os pobres usuários que foram, de certa forma, censurados por reclamarem da situação. Ou que tiveram o conteúdo e senhas bloqueados porque o sistema parece incapaz de reconhecer quem é ou não antigo de casa. Os mesmos usuários que, mesmo tendo assinado os serviços do portal, ainda não conseguem resolver seus problemas. Sem falar nos usuários de fora do Brasil que foram impedidos de acessar. E tem também os usuários que, ao acessar as páginas com terminação blogger.com.br, estão dando inúmeras vezes de cara com mensagens de erro de congestionamento e manutenção do sistema. Sim, os mesmos usuários que estão com medo de perderem seus posts, comentários e os pedaços de vida que andaram derramando por aqui todo esse tempo. Meros usuários que são a razão de existir do Blogger Brasil. Mas quem vai se preocupar com eles? São apenas usuários.

Me dá pena pensar que, pra muita gente, a falência do Blogger.br significa o fim da vida blogueira. Gente que não tem mais paciência e nem dinheiro pra começar de novo em algum outro lugar. Gente que se sentiu decepada por ter tanto conteúdo desaparecido ou bloqueado de uma hora pra outra na internet. Uma pena tudo isso acontecer. Pena pensar que tanta gente boa vai evaporar da web por causa disso. E uma pena pensar que com um pouco mais de gentileza e profissionalismo, 90% dessas dores de cabeça poderiam ter sido evitadas.

Eu mesma pensei em parar. Migrar para outros serviços é uma possibilidade, mas também difícil. Os sistemas que falam português não parecem muito diferente. E acho que nenhum outro oferece as possibilidades que o Blogger oferecia de maneira tão acessível para pessoas leigas. Mas, quando certas coisas se tornam hábito, passam a ser necessárias. Então…

PARTE III – THE SHOW MUST GO ON

Dentro de poucos dias, a Mafaldinha vai ter casa própria e parar de morar de aluguel. E vai se tornar mafaldacrescida.com.br . Pensei em convidar um monte de blogueiros legais pra montar um portal super-híper-mega-bacana só para blogs, mas meus conhecimentos informáticos não são suficientes para isso. Então, seguindo as orientações do meu consultor, estarei em outro domínio.

Essa coisa de mudança é muito complicada. Não tem jeito, algumas coisas que você gostava têm que ficar pra trás. E o que mais me dói são os comentários, que não vou poder levar pra lá. Por alguns deles tenho muito, muito carinho. Alguns são melhores que os textos aos quais se referem. Me dá pena deixar aqui. Mas… Outros virão, e dessa vez vai ser em um lugar mais seguro. O importante é que todos vocês continuam convidados a entrar e ficar muito à vontade. Espero que, aos pouquinhos, as pessoas consigam soluções para não tirarem seus blogs do ar. O mundo perderia muito se algumas talentosas pessoas desistissem de deixar suas marcas nessa Internet ainda doida.

Assim que estiver tudo acertado, aviso. Espero vocês por lá pra muitas outras festas.

PS:. Por conta do alto número de visitas repentinas, o concurso do visitante 10 000 foi adiado para o visitante 15 000… Mas não esqueci, não! Aguardem-me. 🙂

ROUPA NOVA

Sabe quando você compra uma roupa que cai bem? E você usa ela sempre, se sentindo mais bonita? Só que o tempo vai passando, os lugares que você frequenta vão mudando, você vai engordando… E a roupinha que você achou tão jóia, e que você gostava tanto, fica esquisita. É o sinal: hora de roupa nova.

Já faz um tempo que as pessoas me dizem que o blog fica difícil de abrir, porque o template é pesado, e mais outros pequenos problemas. Tentei mexer como pude, mas não resolveu muito. Além disso, reparei que a maioria dos blogs legais que eu leio têm um template exclusivo, personalizado, que simboliza um pouco do que o blog é. E apesar de saber que eu vou morrer de saudade daquele truque que fazia a página ficar mudando de cor, e que permitia o leitor personalizar a página… Espero que vocês gostem do meu vestidinho novo: mais leve, mais fácil de carregar, mais parecido com o que eu queria pra este espaço.

Aí do lado ficam os links para as outras coisinhas que antes ficavam visíveis; algumas coisas foram acrescentadas, outras retiradas. Por favor, comentem e me digam o que acharam, se gostaram… Sugestões, críticas e elogios são sempre bem vindos. 🙂

Meu amigo Marcelo, que tem a maior paciência comigo e é um excelente profissional de informática, foi o autor da façanha. Quero agradecer publicamente a ele e dizer: cara, eu adoro você. Não porque você é inteligentíssimo e competentíssimo, e nem porque vira e mexe você me ajuda a resolver pepinos. Eu gosto de você porque você é um amigão com quem eu adoro conversar mesmo quando não quero falar com mais ninguém. Um amigo daqueles que a gente quer levar pra vida toda. Obrigada, obrigada, obrigada, ficou lindo.

Este blog nasceu há quase 6 meses, e eu nunca, nunca poderia imaginar o que iria acontecer por causa e a partir dele. Sempre adorei escrever. É uma coisa que me faz um bem enorme. E gosto muito de Internet também. Portanto, o blog, depois de entender melhor o que ele era, pareceu uma saída interessante de unir a fome com a vontade de comer. No começo, os amigos de sempre me lendo, me ensinando, me apoiando, e depois outros tantos companheiros de escritas e leituras surgindo, comentando, trocando idéias. Que delícia!

O contadorzinho aí do lado está marcando quase 5 mil visitas. Todos os dias, pelo menos 30 pessoas diferentes abrem esta página. Pode parecer pouco para mega-sites e mega-blogs, mas… Nossa, isso é muita coisa pra mim. Muuuuuuuuuuuita coisa. Uma honra. Uma honra saber que o que eu escrevo pode ser lido por tanta gente, tantas vezes, tantos dias, de tantas formas. Só posso agradecer, muito, a todos os que têm passado por aqui. E desejar que cada vez mais pessoas possam se aventurar a comunicar o que sentem, pensam, desejam e vivem.

E, só pra constar… Estou me sentindo LINDA de vestido novo. 🙂

FILHOS SEM DONO

O artista é uma pessoa sensível, que consegue enxergar a beleza na maioria das coisas, as boas e as ruins. Como um alquimista, ele transforma em palavras, imagens, sons, movimentos, cheiros, cores, paladares, ações – aquelas sensações que todos temos na alma, mas muitas vezes não conseguimos expressar, traduzir, compartilhar, e coloca pra fora um pedaço dele mesmo. Corajoso, ele se expõe para receber os elogios e críticas de quem quiser olhar.

Ele é uma porta aberta entre os sentimentos e sonhos de quem faz e quem aprecia a obra de arte; nesse momento, o da apreciação, artista e apreciador estão unidos em um só tempo, uma só sintonia, não importa qual é a distância física entre eles. Com muita inspiração, e muito esforço também, o artista cria meios de comunicação entre as pessoas. Uma obra de arte diz um pouco sobre o que há em todos os seres humanos, as questões de todos nós, independente de tudo o mais; e por isso ela se propaga através dos tempos, por isso ela toca vários corações, por isso ela ajuda a tanta gente. É assim com uma peça de Shakespeare, com uma sinfonia de Bach, com a receita de pastel de Santa Clara bem feita, um romance de Machado de Assis, um poema do Fernando Pessoa, um filme do Kubrick, um quadro de Picasso ou Mundy, uma canção de Noel Rosa. Mesmo os artistas que não são tão originais, famosos, criativos ou geniais, conseguem atingir a alguns corações, mesmo que sejam poucos. E é aí que mora a beleza da Arte; e na minha opinião, é aí que mora a beleza da vida – na comunicação das almas. Não entendamos arte apenas como aquelas coisas que ficam encalacradas nas paredes dos museus, nas salas de concerto, nas estantes das bibliotecas. Arte é muito mais que isso. Está nas danças, sabores, melodias que vemos todos os dias no cotidiano. Um pedreiro que faz um muro criativo e coloca ali a força das suas angústias, fez arte. Uma mãe que faz um prato delicioso com amor para o seu filho, de sabor inigualável, faz arte. Qualquer trabalho, qualquer atividade, qualquer troca que seja feita de maneira criativa e sensível, de certa forma, é arte.

Se a beleza da coisa toda é esse diálogo entre quem faz e quem aprecia, se, antes de tudo, a arte nos une em reconhecimento das grandes questões humanas, quem é o dono da arte? De que serve um poema que nunca será lido? Uma pintura que nunca será vista? Uma música que nunca será ouvida? Falta um pedaço. É por isso que quem escreve, pinta, cozinha, esculpe, costura, cria, inventa… Gosta de divulgar seu trabalho, para um ou para todos. Gosta de saber que a mensagem que precisou desabafar, aquela que não coube lá dentro de tão grande que era e clamou pra sair, atingiu a alguém. O artista, quando é valorizado e apreciado ( ainda que seja criticado ), é acolhido, e se sente realizado. E quem aprecia pode recriar a partir dali, recriar, recriar e recriar ainda mais. E que bonito seria um mundo assim, coberto de todos os tipos de arte por todos os lados, coberto de sensibilidade e invenções.

Esse questionamento filosófico remete a uma questão prática muito preocupante: o dono da arte é o autor. E como autor, ele tem alguns direitos e deveres sobre o que fez. Tenho visto algumas coisas que preocupam, muito mais pelas intenções que pelas atitudes. Todo mundo acharia um crime de plágio, de roubo, punível por lei, se alguém tomasse como sua uma canção que não fez, um livro que não escreveu, um quadro que não pintou. Mas quando o assunto é Internet…

Quando o assunto é Internet, parece que já se institucionalizou um mau costume de simplesmente desprezar a autoria de qualquer tipo de texto, qualquer tipo de imagem, de idéia. Mexer no computador, depois de superados os estranhamentos iniciais, é uma coisa muito fácil e muito rápida, quase não dá tempo de pensar. É possível passar de uma idéia pra outra em segundos, mudar de site, de idéia, de autor em um espaço curtíssimo de tempo. No caso dos textos escritos, as pessoas recebem por e-mail e lêem em sites todos os dias milhares de textos que as emocionam – pelo menos enquanto estão lendo. Com menos de meia dúzia de cliques, elas podem copiar, colar, reencaminhar esses textos para outras tantas milhares de pessoas. Até aí, tudo bem, nada mal; a intenção de quem escreveu, aposto, era essa mesma: atingir a quantas pessoas fosse possível. O problema é quando aquele texto, aquele pedaço de alma que está ali, é repassado adiante sem o nome de seu pai ou sua mãe, ou o que é pior: maldosamente, com o nome de outros pais e outras mães. Isso dói em um autor. Não porque se deixe de ganhar algum retorno financeiro ( em alguns casos, pode até ser ) com isso, mas porque os nossos filhos têm dono; antes de ser de todos, eles são nossos, nasceram em nós. E temos orgulho deles. Gostaríamos de ser reconhecidos como produtores das palavras que escrevemos.

Os blogs, essa coisa interessante que foi criada para possibilitar ainda mais a expressão de pensamentos, idéias e afins, por exemplo… Têm me surpreendido a cada dia mais. No começo, eu achava que era apenas uma invasão generalizada de privacidade, onde as pessoas ficavam contando ao léo o que faziam ou deixavam de fazer, papo furado. Em alguns casos, é só isso mesmo. Mas em outros, pessoas criativas, sensíveis, alguns verdadeiros gênios, verdadeiros artistas, usam esse meio para divulgar o que pensam, o que sentem, trocar idéias, produzir verdadeiras pérolas. É incrível o talento que algumas pessoas têm com as palavras; pessoas que não ficam nada a dever aos grandes cronistas, romancistas, poetas ou colunistas clássicos. Em alguns casos, a gente lê e pensa: como essa pessoa pode estar aqui, escondidinha, sem ser reconhecida pelo mundo? Há muita coisa boa pra ler, tantas que eu gostaria muito de ter mais tempo pra apreciar. Algumas dessas pessoas não fazem questão de sucesso, usam o anonimato dos pseudônimos pra se expressar. Outras, são campeãs de audiência e ultrapassaram os limites do computador – estão escrevendo livros, fanzines, jornais, revistas. Outras, construíram, por semelhança de anseios e pensamentos, um grupo de amigos que troca idéias através das mensagens que mandam, e tudo isso é muito bom e louvável. Vivo repetindo que a comunicação de idéias é tudo nesse mundo louco, e repito mais uma vez. Tomara que cada vez mais as pessoas divulguem o que vai dentro delas e tentem se entender. Mas também essas pessoas querem o respeito de serem reconhecidas como donas do que fizeram.

Conto alguns casos: dia desses, recebi por email um texto – “A amizade entre mulheres”. Um dos meus passatempos prediletos é ler emails, leio todos. E começando a ler, tomei um susto. O texto era meu, postado aqui há um tempo atrás. Fiquei contente, de verdade, mas só até perceber que o texto estava atribuído a uma outra pessoa que eu nem sei quem é. A Moça Patrícia Daltro me conta a mesma história em seu blog. O texto dela, intitulado por outras pessoas como “Diário de uma Gorda” se espalhou como rastilho de pólvora em toda a rede em poucos dias, e vem assinado pelo tal “autor desconhecido”. Todas as segundas leio a coluna da Martha Medeiros, uma colunista extremamente hábil com as palavras, no site do Almas Gêmeas. Várias e várias vezes recebi textos dela atribuídos a Miguel Falabella, Clarice Lispector, Pablo Neruda… Ou o tal “autor desconhecido”. Recebo também muitos textos do Ziraldo, Drummond, Arnaldo Jabor, Millôr que eles nunca escreveram. Se por um lado, isso significa que as pessoas gostam do que escrevemos, por outro significa que não entenderam a pessoa que somos ( no caso da Martha, além da pessoa, a profissional ). No momento em que isso acontece, o diálogo, aquele entre quem faz e quem aprecia, se esvai, até se acabar; ou então fica unilateral. Fica de novo faltando um pedaço. O que a Patrícia e a Martha pensam sobre o assunto, você lê clicando nos nomes delas. E se informa também sobre a questão dos direitos autorais clicando aqui.

A Patrícia/ Moça, a Martha Medeiros, Veríssimo, Millôr, Jabor, Ziraldo, Lispector, Drummond… E até mesmo eu, a Mafalda/Karina, entre tantos outros, gostamos de escrever e tenho certeza que só nos sentimos satisfeitos quando sabemos que estamos sendo “lidos”, porque é nesse diálogo, entre leitor e escritor, que mora a intenção de tudo que produzimos através das palavras, no caso, transformadas em bites. Mas sem dúvida é triste, ofensivo e ilegal quando alguém pega um pedaço de nós e circula por aí sem nos apresentar como as pessoas que fizeram aquele texto, ou pior ainda, rouba esse mesmo pedaço e apresenta como se fosse seu. Isso, mais do que um crime legal, é uma inversão do sentido inicial da coisa. Alguém que faz isso até pode ter lido tudo que foi escrito… Mas não entendeu.

Como autores, não se trata de bancar os chatos, os cri-cris, as pedantes, nem de eximir-se de culpa. Eu mesma muitas vezes esqueço de procurar a autoria de textos que repasso, ou nem me lembro de citar explicitamente a fonte de certas imagens que uso ( nunca apago a origem delas, clicando na imagem com o botão direito do mouse, vocês descobrem de onde vieram ). Mas, como usuários da rede, temos que prestar mais atenção aos nossos hábitos, e tratar de mudar alguns deles. É básico citar as fontes, colocar entre aspas o que foi enxertado de outros autores em nossos textos, preocupar-se com quem escreveu aquilo que estamos recebendo por e-mail. Mais do que uma questão de cidadania… É uma questão de sensibilidade. Assim todos ficam felizes, quem escreve e quem lê. E é pra isso que estamos aqui, pra divulgar a felicidade e encher esse mundo de coisas belas, não pra perder tempo discutindo esse tipo de coisa que deveria ser compreensão básica. Vamos passar essa idéia adiante; essa vale a pena divulgar. Mesmo.