DROPS MISTO

* Tá legal, acabou o silêncio que se fez necessário pra mim. Tava com muita saudade de vir aqui, de escrever, de retomar o contato com as pessoas que se identificam com as minhas desventuras e com as minhas reflexões. Férias, pensamentos soltos, dúvidas e mudanças radicais depois… I´m back! E, olha só – estou feliz! 🙂 Vamos passar uma geral na vida.

* Outro dia eu estava pensando – por que raios as pessoas de hoje em dia, tão preguiçosas e obcecadas por facilidades, ainda se abalam para ir ao cinema? A internet e o DVD facilitaram enormemente o acesso de qualidade aos filmes. Muitas vezes, antes da estréia na telona já é possível assistir antes aos blockbusters e filmes alternativos ali, no conforto do sofá. Teoricamente, não seria preciso sair de casa, enfrentar filas, ingressos caríssimos e estacionamentos absurdamente cheios para ver filmes no cinema em tempos de home theatre. Sem falar no preço da pipoca e nos chatos que ficam falando no celular, tossindo, gritando e balançando as cadeiras.
Mas experimente ir um sábado à noite a uma das centenas de salas de cinema de São Paulo pra ver – falta ingresso, sobram pessoas. Isso mesmo em época de filmes ruins.
Talvez as pessoas gostem de cinema porque gostam de sonhar de jeito maiúsculo. Eu, pelo menos, adoro. Aquela tela imensa e luminosa, o som, a luz apagando e as poltronas confortáveis ( ok, nem sempre confortáveis… ), a expectativa pelo início do espetáculo… Tudo isso é fascínio. É diversão. É arte.
Tem coisas que são insubstituíveis, e o cinema na telona parece ser uma delas.
Tudo isso para recomendar a vocês verem o filme “Pequena Miss Sunshine” como ele merece – no cinema. O filme é hilário, delicado e assustador. Se não foi ver ainda, pode ir, não vai se arrepender. O mesmo vale para Volver, A Grande Família, Babel e Dreamgirls.
Eu adoro esses tempos de Oscar.

* Todo mundo sabe que eu sou meio aversa a coisas mega-populares como Copa do Mundo, Carnaval Comercial e Big Brother Brasil. Este último, particularmente, me deixa abismada. Não entendo o sucesso de um programa como esse. Mas tudo bem, paciência, that´s the way life goes. Mas outro dia, estava eu visitando uma pessoa bem na hora do infame programa, quando vejo algo muito ridículo. O Pedro Bial, aquele jornalista que era inteligente, estava comentando com um dos participantes algo sobre a semelhança entre a mãe dele ( do participante ) e da moça que ele estava catando dentro da casa. A primeira coisa que o Bial disse foi, “Freud explica isso, hein, fulano?”. Uma das garotas disse baixinho – “quem é esse?”. Depois, o Bial, querendo salvar a piada, ainda disse, “lembra aquela música do Gilberto Gil? A mulher que amarei, será sempre a mulher como é minha mãe…” O participante ficou com cara de interrogação e se fez no grupo um longo silêncio de quem não entendeu nada. O Bial ficou com cara de quem estava jogando pérolas aos porcos. E eu fiquei com cara de contente por não assistir mesmo a um programa desse tipo… Tsc.

* Por falar em vagabundos, o que foi aquele prefeito insandecido gritando com o manifestante dentro do posto de saúde? Fazia tempo que eu não ria tanto. Hehe. Não posso fazer mais comentários, afinal sou funcionária do cara. Mas que foi engraçado, isso foi.

* E por falar em Gilberto Gil, estou me reapaixonando por ele. Ele não tem aquele lirismo chique e perfeito do Chico. E nem aquela poesia rebuscada, inteligente e pedante do Caetano. Mas sempre achei ele um gênio. Um gênio musical, que faz melodias lúdicas e cheias de significados, e toca violão perfeitamente. Um gênio poético e psicodélico, que faz letras com truques simpáticos, brincadeiras incompreensíveis e emoções singelas. Um gênio corajoso, que não tem medo de mudar de estilo, de absorver coisas que aprende com todos os tipos de gente, e de quebrar a cara ao tentar ousar. Enfim, um verdadeiro camaleão cultural.
Esses dias, ouvindo um CD antigo, me deparei com uma música muito bacana – “O Eterno Deus Mu-dança!” A última estrofe diz:
“Sente-se! Levante-se! Prepare-se para celebrar
O deus Mu dança!
O eterno deus Mu dança!
Talvez em paz Mu dança!
Talvez com sua lança.”

É ou não é genial?

* A mudança é isso mesmo – vem, não tem jeito. É eterna. Como o Tempo, é necessária e impassível.
No final do ano passado eu decidi mudar minha vida. Mudar de emprego, mudar certos hábitos, mudar de preocupações, mudar de ares, mudar de postura, mudar de planos. E não é que deu certo?
Minha saúde melhorou. Meu humor também. Minha relação com a vida voltou a ser serena e cheia de esperança.
E a única coisa que eu penso é me lembrar que, quando a vontade de mudar vier de novo ( e ela virá… ), eu não devo resistir tanto. Resistir à mudança é só adiar a felicidade. E quem tem tempo pra adiar a felicidade hoje em dia?

* Este ano eu vou estudar. Mesmo que eu não tenha paciência pra estudar ( e eu não tenho, detesto ambientes acadêmicos ), eu vou. Vou porque é muito bom ser sabido.
E o meu curso de pós-graduação é em arte-terapia. Muito bacana! Vai ter até laboratório de sensibilidade.
Estudar arte-terapia me lembrou que eu preciso voltar a ser psicóloga. Preciso. Eu sinto falta. Eu tenho vontade. Eu levo jeito. Eu gosto. E eu vou voltar.

* Outra coisa que eu vou estudar é arte. Comprei um monte de tintas, lápis, telas, pincéis. Uma delícia! De cara, uma questão fica martelando na minha cabeça. O que é mais importante na arte – talento, criatividade ou técnica? Depois de umas aulas, volto pra tentar responder.

* No meio disso tudo, não sobrou tempo pra fazer a oficina literária e nem pra continuar meu curso de violão… Chuif. Pena o dia ter só 24 horas.

* Uma das maiores alegrias da minha vida é a convivência com a minha queridíssima afilhada Débora. É tão bom ter criança em casa! Elas estão sempre dando trabalho, derrubando as coisas, mexendo onde não devem, chorando e gritando alto, e tomando os nossos horários, a nossa paciência a as coisas que demoramos muito pra juntar só pra nós. E ainda assim, são adoráveis! Ganhei também uma sobrinha de afinidade, filha da irmã do meu amado, Larissa. Que coisa mais linda é ver a menininha sorrindo, aprendendo a falar, querendo sentar sozinha… Coisas tão básicas, mas tão lindas. E, nessas horas, a gente percebe que o melhor de ter criança em casa é que a gente aprende a amar profundamente. Amar por amar, simples assim. Que privilégio…

* Por falar em alegria… É interessante como às vezes a gente se revolta com Deus. Interessante como a gente não entende os caminhos da vida, como não gosta de ser contrariado, e tal como bebês chorões e mimados, esquecemos de agradecer tudo de bom que conseguimos. É verdade que muito vem do nosso esforço. Mas é verdade também que muito vem daquilo que muitos chamam sorte, outros chamam de destino, e eu chamo de milagres. Pequenos e maravilhosos milagres que desprezamos quando achamos que fomos injustiçados pela vida – por Deus.
Deus, em sua infinita sabdoria, espera que nossos pitis passem, e depois está lá, sorrindo pra nós, pronto pra nos acolher de novo.
E que bom que eu não esqueci o caminho desses santos braços… Muito bom.

* Observando e ouvindo as pessoas por aí, percebi que as pessoas se casam pelos mais surpreendentes e monótonos motivos. Tem gente que casa por dinheiro e estabilidade financeira. Gente que se casa por medo da solidão. Gente que se casa por costume. Gente que se casa para seguir um roteiro previsível na vida. Gente que se casa pra formar uma família. Gente que se casa por vingança. Por fraqueza. Por baixa auto-estima. Por pressão dos amigos e da família. Gente que se casa pra tentar uma vida nova. Gente que se casa só pra ter o prazer de construir uma casa ou pra montar um apartamento do jeito que queria. Tem gente que se casa porque sim. E até gente que se casa por ódio. Gente que se casa por tudo isso, e muito mais. Gente que não sabe por que se casou.
Eu nunca tinha pensado em me casar do jeito que penso hoje. Eu pensava em ter uma família, em me casar pra ser mamãe e rainha do lar. Já pensei também em me casar por pura paixão maluca, pra ficar com uma pessoa o tempo todo e me esgotar com ela. Já pensei em casar pra poder fazer sexo todo dia, sem preocupações com grana, horários de voltar pra casa e outros desgastes. Já pensei em casar pra ninguém achar que eu estava encalhada. Já pensei em casar porque todo mundo casa. Tudo ilusão… Tudo imaturidade.
Mas hoje, eu quero me casar por motivos diferentes. É porque eu descobri que, no casamento, está um desafio muito rico e estruturante da história de qualquer pessoa – não há nada melhor para aprender a amar alguém de verdade do que se casar com essa pessoa. Mãe a gente ama porque é mãe. Irmão porque é irmão. Filho porque é filho. Mas companheiro… Companheiro a gente ama porque quer… Porque aprende a querer. E quer motivo melhor pra se casar?

“Quero me casar
na noite na rua
no mar ou no céu
quero me casar.

Procuro uma noiva
loura morena
preta ou azul
uma noiva verde
uma noiva no ar
como um passarinho

Depressa, que o amor
não pode esperar ! ”
Carlos Drummond de Andrade

* É isso, pessoas! Bom estar de volta. Espero que, desta vez, pra ficar. 🙂

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RAPIDINHAS EM VERDE AMARELO

* Odeio Copa do Mundo. Odeio, odeio, odeio, odeio, odeio. E odeio também quem odeia quem odeia Copa do Mundo.

* É relativamente fácil saber quando acaba um amor. O tédio, a monotonia, o saco-cheio, a decepção, a dor, a agressão, a indiferença… E o fim. Pronto. Mas alguém aí sabe me dizer quando a gente sabe que acabou uma amizade? Tô com dificuldade de detectar isso em alguns casos. Preciso de ajuda.

* Meu aniversário tá chegando. 30 anos. Sempre disse que faria uma festona de arromba. Mas agora não deu vontade. Por que será?

* O mundo está povoado de gente chata, ou é só impressão minha?

* Gente, vocês acreditam que eu estou fazendo um ano e meio de namoro???? EU??? Isso é inacreditível! Isso é fantástico! E não é por falar não, mas tem sido bom pra caramba. Hehe.

* Algo me diz que a próxima eleição vai ser a maior palhaçada da história do país… Bons tempos em que a urna não era eletrônica. Pelo menos a gente se divertia escrevendo alguma coisa interessante na cédula na hora de anular.

* Recebi um texto meu em power-point a semana passada. Diziam que a autoria era da Rita Lee. E, no meio das frases, tinha um monte de criancinhas vestidas com fantasias de bichinhos se abraçando e sorrindo. Seria esse o fundo do poço? Não sei, por alguns instantes, achei que era.

* Aparelhos de Celular, DVD, Liquidificadores, Batedeiras e Sons Portáteis – agora as fábricas nem estão mais dando garantia. Por que eles não avisam logo que é tudo descartável? Humpft.

* Leituras recomendadas – “Memórias de Minhas Putas Tristes”, do García Márquez; “Mentiras no Divã”, do Irvin D. Yalom; e “Almanaque dos Anos 70”, da Ana Maria Bahiana. Garantias de bons momentos. Mesmo. 🙂

* A título de esclarecimento – fiz uma boa faxina no meu quarto, no meu carro, na minha papelada e principalmente na minha lista o Orkut. Tirei algumas pessoas que não lembrava muito bem como tinham entrado. Se por acaso excluí você, querido leitor ou leitora do blog, perdoe-me e peça para adicioná-l@ novamente. Minha memória de peixe agradece.