TEM-QUE

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Já faz um tempo que um amigo me sugeriu que postasse aqui os textos maiores que escrevo no Facebook, aquele site onde tudo se perde e você perde o fio do tempo e da sua história. Achei legal a sugestão… E estou começando hoje. Link original AQUI

“Você tem que viajar.” “Você tem que sair mais de casa pra aproveitar suas férias.” “Você tem que gostar de calor.” “Você tem que escutar aquela música.” “Você tem que terminar de ler aquele livro.” “Você tem que rever esse posicionamento.” “Você tem que dizer não.” “Você tem que se expor menos.” “Você tem que arrumar isso aí.” “Você tem que ver a série que eu adorei.” “Você tem que colocar menos pimenta.” “Você tem que dormir mais cedo.” “Você tem que ser menos trouxa.” “Você tem que fazer as unhas na manicure.” “Você tem que tomar mais cuidado.” “Você tem que superar isso.” “Você tem que trocar de carro.” “Você tem que dar uma chance pro cara.” “Você tem que usar agenda.” “Você tem que esquecer esse fulano.” “Você tem que dar um pé na bunda dele.” “Você tem que bloquear essa daí.””Você tem que trabalhar menos.” “Você tem que definir logo.””Você tem que comprar roupas mais modernas.” “Você tem que deixar o seu cabelo crespo.” “Você tem que escrever profissionalmente.” “Você tem que ter um plano.”.

Colecionei essas só neste ano de 2017. Ok, algumas (poucas) foram ditas com muito amor, por gente que se preocupa comigo. Mas ressalto que NENHUMA foi dita por pessoas diretamente envolvidas nas questões apresentadas.

Algumas coisas eu adoraria mudar, mas não consigo. Outras, são simplesmente jeitos diferentes de ver a vida. Outras são apenas da minha conta, e não me interessa fazer ou deixar de fazer. E outras não fazem o menor sentido pra mim.

Às vezes, a gente conversa só pra desabafar um pouco. Não quer ouvir o que “tem que” fazer. Só quer falar um pouco da vida, trocar umas ideias, dividir perplexidade, tomar uns gorós, dar umas risadas pra se distrair, ou apenas dizer, “putz, que merda”, e esperar o tempo passar. Claro, é ótimo ouvir outras opiniões, especialmente quando são perguntadas. Mas é complicado quando o acolhimento vira julgamento, imposição, porque a maioria de nós é limitada pacas e não sabe nem de si mesmo, quanto mais dos outros.

Eu não “tenho que” nada, gente. Eu vejo tanta gente fazendo cagada todo o tempo, mas evito ficar achando que sei a resposta definitiva pra vida dos outros, até porque a minha vida não é lá essas coisas.

Estamos todos tentando fazer o melhor. Vamos ser mais generosos uns com os outros. A caminhada não é fácil, mas estou indo bem. Pode acreditar que por muito menos muita gente tinha entregado os pontos. Eu tô fazendo o que posso. E, quase sempre, na hora do “vamovê”, apesar de todas as falas, eu estou completamente SOZINHA pra dar conta de tudo. Era de se esperar que muita coisa desse errada. Mas muita coisa tá dando certo também. Ou não tá?

Na Psicologia a gente aprende que, mesmo que enxergue claramente todos os problemas e respostas de um paciente, precisa deixar a própria pessoa entender o que é, e o que precisa fazer. Podemos ser bússola, indicar direções, orientar. Mas o leme da própria vida, só quem comanda é o capitão. No tempo e no jeito dele. E se não chegar no destino, ou afundar… Paciência. Importante é caminhar, não chegar.

Espero que as pessoas peguem leve aí em julgar o que eu sou, gosto e faço. Eu tô mais velha e o pavio tá mais curto. Só Deus pra frear minha língua pra eu não responder certas coisas jogando de volta tudo que eu vejo e penso da pessoa sabichona. E olha que eu vejo e penso coisas que as pessoas nem imaginam. Mas procuro calar. Quase sempre. Me ouça, me aconselhe, me pegue no colo, se divirta comigo, até me dê bronca. Mas para de me regrar. Talvez eu tenha escolhido viver de um jeito diferente do seu. E a liberdade da esquisitice é uma delícia, é uma benção, é o que mantém minha sanidade. Experimente.

Peace and Love. Please.

“Esse caminho que eu mesmo escolhi… É tão fácil seguir… Por não ter onde ir.”

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